segunda-feira, 12 de março de 2012

Divina Sabedoria

Divina Sabedoria

DV 06

(A Palavra de Deus)

Uma ordem divina!...

“Gravai, pois, profundamente em vossos corações e em vossa alma estas minhas palavras; prendei-as às vossas mãos como um sinal, e levai-as como uma faixa frontal entre os vossos olhos” (Dt 11,18).

O Senhor nos ordena que gravemos suas palavras profundamente!...

Aonde?

Nos corações e na alma!...

Em nós, só existem dois lugares profundos, nos quais podemos e deveremos cumprir essa ordem divina:

Ora, o Senhor, nosso Deus, que nos criou, formou e nos fez para a sua glória (Is 43,7 – Vulgata), já nos indicou o lugar onde nos é necessário guardar a palavra da verdade eterna – a verdade que liberta (Jo 8,32. 36) –, no mais íntimo e profundo do nosso ser, isto é, no núcleo central da vida, nos corações e na alma.

Por que “coração” no plural e “alma” no singular?

Para mim, coração e alma correspondem a “razão” plena de cada ser humano.

“Que Cristo habite pela fé em vossos corações, arraigados e consolidados na caridade, a fim de que possais, com todos os cristãos, compreender qual sejam a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, isto é, conhecer a caridade de Cristo, que excede toda a inteligência, e sejais cheios de toda a plenitude de Deus. Aquele que, pela virtude que opera em nós, pode fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou entendemos, a ele seja dada glória na Igreja e em Cristo, Jesus por todas as gerações de eternidade. Amém” (Ef 3,17-21).

Corações, no plural, porque a unidade, dos corações dos filhos e filhas de Deus, corresponde à configuração do Reino de Deus, Reino de Justiça, de Paz e Alegria no Espírito Santo (Rm 14,17; I Cor 4,20), sobre a terra.

Alma, no singular, porque na alma, individualmente, de cada um dos filhos e filhas de Deus, deverá estar a “Semelhança de Deus”; isto é, uma alma santa como Deus é Santo. (I Pd 1,15-16).

Obs.: Como, na Bíblia Sagrada, os profetas e/ou hagiógrafos misturam asses expressões: chamam “alma” de “espírito” e vice-versa, gostaria de ouvir, se possível, vossa opinião...

João C. Porto *

domingo, 11 de março de 2012

Divina Sabedoria

Divina Sabedoria

DS 05

(A Palavra de Deus)

Jesus chegou ao Poço de Jacó ao meio-dia!... Isto faz-nos recordar que Deus, sempre depois do meio dia, ao frescor da brisa da tarde, ia ao paraíso ter com Adão e Eva, seus filhos amados (Gn 3,8).

Na verdade, o paraíso, aqui, é o coração de seus filhos amados. Tanto é verdade, que, quando o Senhor chegava ao paraíso, sempre ao frescor da brisa da tarde, depois do meio-dia, lá se encontravam Adão e sua mulher, no mesmo lugar, sempre a sua espera.

O Senhor, nosso Deus, estava constantemente no paraíso de seus corações, para:

- estar, eternamente, sempre com eles;

- dialogar com seus filhos amados;

- ensiná-los a conhecer as coisas que lhes foram dadas pelo Criador;

- amá-los na intimidade dos corações;

- fortalecê-los no amor, na amizade, na bondade, na intimidade, na justiça e na fidelidade suprema;

- permanecer sempre com os olhos fixos sobre a obra-prima do seu coração, através da sabedoria do Verbo Divino e a condução amorosa do Espírito do Senhor. (Rm 8,14.16.26-27).

Com estas visitas o Senhor Javé se unia a eles de forma indelével, divina e eterna, visando à edificação de uma amizade eterna e constante; assim como ele falou através do profeta Jeremias: “Eu te amei com amor eterno. Por isso, sou constante na minha afeição por ti” (Jr 31,3).

Certamente, hoje, nestes dias em que vivemos sentados à beira do Poço de Jacó com o Senhor Jesus Cristo, eis que o Poço de Jacó transportou-se aos nossos corações. Porque a exemplo da samaritana, necessitamos vê-lo e ouvi-lo, respectivamente, com os olhos e os ouvidos do nosso coração.

“Meus ouvidos tinham escutado falar de ti, mas agora meus olhos te viram. É por isso que me retrato, e arrependo-me no pó e na cinza” (Jó 42,5-6).

Vejamos bem!... O que Deus falou através do profeta Isaías, e o que São Paulo se referiu na segunda carta aos Coríntios: “Eis o que diz o Senhor: no tempo da graça eu te atendi, no dia da salvação eu te socorri”. Pois, o Senhor, nosso Deus, ele diz: “Eu te ouvi no tempo favorável e te auxiliei no dia da salvação” (Is 49,8). “Hoje é o tempo favorável, hoje é o dia da salvação” (II Cor 6,2).

Assim, temos a certeza de que o Poço de Jacó, hoje, que é o dia da nossa salvação, corresponde aos corações de todos nós, de quantos com o Senhor Jesus estão sentados à beira do Poço, para ouvi-lo e testemunhá-lo como ele nos ordena. (Mt 10,32-33).

Vejamos mais!... O Senhor Jesus, ali no Poço, chegou ao meio-dia, para o encontro com a samaritana sob o frescor da brisa da tarde, como outrora Deus fazia com seus filhos, Adão e Eva.

E Jesus estava com sede da salvação de almas; ele que é o Salvador! Tanto, que ele abriu o diálogo com a samaritana com estas palavras: “Dá-me de beber! (Jo 4,7)”

Vejamos, ainda: A sede de Jesus era “Sede de almas”; desejo de salvar a humanidade inteira das garras de Satanás.

Claro... A mulher samaritana, a princípio, não entendeu a pedagogia do Senhor Jesus; por isso, logo falou das dificuldades de tirar água do poço.

Entretanto, Jesus, o Salvador, logo lhe ofereceu uma água viva que sacia para sempre a sede de voltar ao seio do Pai Eterno, de onde, todos, viemos (Jo 4,29).

A samaritana, ao sair do Poço de Jacó rumo a Sicar, na Samaria, já estava convertida... As palavras do Senhor tocaram-lhe o profundo do coração... Na verdade, ela foi envidada de Jesus para evangelizar os samaritanos. Sua pregação foi simples, porém ungida de testemunho, por isso, verdadeira: “Vinde e vede um homem que me contou tudo o que tenho feito. Não seria ele porventura o Cristo? Tanto que os samaritanos foram à presença de Jesus, e depois de ouvi-lo, levaram-no a Sicar, onde, permanecendo em Sua presença dois dias, finalmente, disseram a mulher samaritana: “Já não é por causa da tua declaração que cremos, mas nós mesmos ouvimos e sabemos ser este o Salvador do mundo” (Jo 4,42).

Lembremo-nos, finalmente, todos nós do Poço de Jacó, aprendemos tudo do Senhor Jesus e, por isso, por fé, amor, esperança e fidelidade somo evangelizadores do Evangelho da Salvação. E ai de nós se não evangelizarmos!... (I Cor 9,16).

João C. Porto *

Divina Sabedoria

Divina Sabedoria

DS 04

(A Palavra de Deus)

Deus é perfeito, eterno e santíssimo. “É o único que possui a imortalidade e habita em luz inacessível, a quem nenhum homem viu, nem pode ver. A Ele, honra e poder eterno! Amém”. (I Tm 6,16).

O que nos fortalece e alegra o coração é a viva esperança (I Pd 1,3-5) que não nos engana (Rm 5,5), a que nos opera pela caridade (Gl 5,6), vínculo de perfeição (Cl 3,14), estar revestidos de Cristo (Gl 3,27) e a certeza de que Deus nos ama com amor eterno e constante (Jr 31,3). Além disso, de fundamental importância, é a realidade de que somos sua imagem viva e perfeita (Gn 1,26; Sb 2,23), o templo vivo de sua única e definitiva morada no seio de toda a criação:

Não sabeis que sois templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? (I Cor 3,16)

Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis a vós mesmos? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo. (I Cor 6,19-20).

Porque todos os que invocam o meu nome, eu os criei, os formei e os fiz para minha glória. (Is 43,7 – Vulgata).

Ora, acima, no segundo parágrafo, dissemos: a viva esperança (I Pd 1,3-5): “Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Na sua grande misericórdia ele nos fez renascer pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma viva esperança, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível reservada para vós nos céus; para vós que sois guardados pelo poder de Deus, por causa da vossa fé, para a salvação que está pronta para se manifestar nos últimos tempos”. (Tt 3,4-7)

Vejamos bem quem era o Demônio!: “Isto diz o Senhor: Tu, (considerado) o selo da semelhança (de Deus) cheio de sabedoria e perfeito na beleza, tu vivias nas delícias do paraíso de Deus; o teu vestido estava ornado de toda a casta de pedras preciosas: o sárdio, o topázio, o jaspe, a crisólita, a cornelina, o berilo, a safira, o carbúnculo, a esmeralda e o ouro, tudo foi empregado em realçar a tua formosura; e os teus instrumentos músicos foram preparados no dia em que fostes criados. Tu eras um querubim que estendia as suas asas e cobria (o trono de Deus), eu coloquei-te sobre o monte santo de Deus; tu caminhavas no meio das pedras (brilhantes) como o fogo. Tu eras perfeito nos teus caminhos desde o dia da tua criação, até que a iniqüidade se achou em ti” (Ez 28,12-15).

Assim, para não alongarmos, pois, chamamos este momento de pequeno estudo e/ou aprofundamento, encerramos com uma conclusão simples, porém, verdadeira: qual a pretensão de Lúcifer – Satanás, demônio e/ou antiga serpente – contra o seu Criador, o Deus Altíssimo, Senhor Javé? Lançar-nos na lama do fogo do inferno, a nós, que somos a obra-prima das mãos de Deus, a quem Deus nos ama com amor eterno e constante. É a maneira de atingir o coração bondoso e misericordioso do Senhor Javé: Lançar os seus filhos e filhos na miséria eterna da iniqüidade, da imundície e da abominação, longe da face do Todo-poderoso Senhor da glória, do qual somos não apenas templo vivo, mas sua imagem viva e perfeita, selada com o selo da eternidade pelo Espírito Santo que nos foi dado, para o dia de nossa redenção.

Você vai permitir que isso aconteça a você e a seus irmãos todos, filhos do mesmo Pai, resgatados à eterna felicidade, em o nome glorioso do Senhor Jesus Cristo?

Unamo-nos aos apóstolos do Senhor e digamos com muita fé, esperança e amor, como eles disseram a Jesus, sobre as águas revoltas do lago de Genezaré: “Mestre, não se ti importa que pereçamos (Mc 4,38)?” Senhor aumenta a nossa fé!!!... (Lc 17,5).

João C. Porto *

Divina Sabedoria

Divina Sabedoria

DS 03

(A Palavra de Deus)

O batismo nos faz filhos e filhas de Deus, e membros de sua “Igreja Uma Santa, Católica e Apostólica” (Calcedônia 451).

Como filhos de Deus, recebemos, pelo Batismo de regeneração e renovação do Espírito Santo (Tt 3,4-7), a unção da graça, para nossa participação da natureza divina; quer dizer, como o Senhor Jesus nos nasceu da hipóstase do Amor, isto é, com a natureza divina revestida da natureza humana; assim também os filhos de Deus terão que renascer da água e do Espírito – revestidos da natureza divina –, do contrário não poderão ver o Reino de Deus. (Jo 3,5)

É por isso que se diz com grande certeza: Nossa Senhora e Mãe de Deus, Maria de Nazaré, é a Mãe universal; porque, dando ao Criador a vida natural das criaturas, deu às criaturas a vida sobrenatural do Criador. Deu para entender a sabedoria da mariologia?

Pela unção da graça de Deus, e a partir dela, recebemos o Dom maior, o Espírito Santo; e, então, pelo Espírito de Deus, o tudo, pelo qual seremos revestidos da semelhança de Deus: a santificação de nossa alma.

Por isso, o apóstolo Paulo nos ensina: “Procurai a paz com todos e ao mesmo tempo a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor” (Hb 12,14).

Ora, o Senhor Jesus Cristo também nos disse: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus (Mt 5,8).

São Pedro, apóstolo, assim, nos orienta: “A exemplo da santidade daquele que vos chamou sede também vós santos em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu, o Senhor, sou santo (Lv 11,44) (I Pd 1,15-16).

É como dizem alguns: Não há alternativas: “santos ou santos!”

Ninguém poderá participar do banquete real com vestes inadequadas! (Mt 22,11-14).

Entretanto, o batismo, entre outras muitas unções, nos leva a viver sob a direção amorosa do Espírito Santo, a partir do que disse o Senhor Jesus Cristo aos seus apóstolos:


“Recebereis a virtude do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e me sereis testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia, na Samaria e até as extremidades da terra” (At. 1,8).

Desejai-me bom proveito!... Para que ponha o meu prazer na lei do Senhor, e nela meditar dia e noite. (Sl 1,2).

João C. Porto.

sábado, 10 de março de 2012

Divina Sabedoria

DIVINA SABEDORIA

DS 02

(A Palavra de Deus)

Mt 16,26:- Que servirá a um homem ganhar o mundo inteiro, se vem a prejudicar a sua vida? Ou que dará um homem em troca de sua vida? (Mc 8,36; Lc 9,25; Jo 12,25).

Aqui, “vida” significa “alma”, porque a alma é a vida de nossas vidas, como um todo. É vida de nossa vida, é vida do nosso espírito, é vida do nosso corpo e vida de santidade que nos levará aos céus.

Não é verdade que a palavra de Deus nos ensina que, quando Deus soprou sobre o homem que, com suas mãos, modelou do barro, o homem tornou-se alma vivente; como nos orienta São Paulo: “Se há um corpo animal, também há um espiritual. Como está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente (Gn 2,7); o segundo Adão é espírito vivificante. (Leia, por favor, a I carta aos coríntios – Cap. 15, Vers. 35 até o 38).

Vejamos bem!... Deus nos criou para a imortalidade, segundo sua imagem e semelhança (Gn 2,26; Sb 2,23).

Ora, o que é em nós a imagem viva e perfeita de Deus? O espírito que somos!... E o que é em nós a semelhança de Deus? A alma santa, que perdemos no paraíso de delícias, quando nossos primeiros pais (Adão e Eva) pecaram.

Então o Senhor Jesus Cristo veio ao mundo, por vontade do Pai Eterno, para nos salvar e libertar da alma pecadora. Por isso, na cruz, mediante o seu sangue redentor, perdoou-nos todos os pecados e nos reconciliou com Deus; para que, ressuscitado e subindo aos céus, Deus Pai enviasse aos nossos corações o Espírito Santo, o Espírito santificador de nossas almas; porque, sem a alma santa, ninguém pode ver a Deus. (Hb 12,14; Mt 5,8).

O que o apóstolo Pedro nos ensina? “A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos em todas as vossas ações, porque está escrito: Sede santos, porque, eu, o Senhor vosso Deus, sou Santo. (I Pd 1,15-16; Lv 11,44).

O que perdemos no paraíso, não foi a imagem de Deus. Ainda hoje somos a imagem viva e perfeita de Deus.

Na verdade, o Senhor Jesus Cristo veio ao mundo para nos salvar e libertar da alma do pecado. Por isso, Ele nos diz: “Todo aquele que peca é escravo do pecado” (Jo 8,34). E, São Paulo conclui: “Porque o salário do pecado é a morte, enquanto o Dom de Deus é a vida eterna, em Cristo, Jesus, nosso Senhor” (Rm 6,23).

Necessitamos, urgentemente, conhecer o amor de Cristo que excede toda a inteligência, a fim de que sejamos cheios da plenitude de Deus (Ef 3,19).

Por Cristo Deus nos adotou como Filhos e herdeiros, co-herdeiros de Cristo.(Gl 4,5-7; Rm 8,13-17).

Finalizamos com o apóstolo João: (Filhinhos) Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo – a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida – não procede do Pai, mas do mundo. O mundo passa com com suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente. (I Jo 2,15-17).

João C. Porto

Divina Sabedoria

DIVINA SABEDORIA

DS 01

(A Palavra de Deus)


Jó 33,4:- O Espírito de Deus me fez, e o sopro do Onipotente me deu vida.


Fala-nos o Senhor: “Eu vos criei, vos formei e vos fiz para minha glória”. Na realidade, somos objetos para a glória de Deus e/ou da glória do Senhor.


O que me vem ao coração: A terra é riquíssima em minérios!... Para que Deus escolheu o que há de mais pobre sobre a terra, para modelar o homem? Há muito ouro, prata, diamantes etc. Entretanto, o Senhor, nosso Deus, nos fez do barro!...


Ora, o importante não é a matéria, mas a figura abstraída dela, que se revela aos olhos de quem a contempla.


Que nos diz a sabedoria? “Deus criou o homem imortal, e o fez à sua imagem e semelhança. Mas, por inveja do demônio, entrou no mundo a morte; e experimentam-na os que são do partido dele” (Sb 2,23-24).


Qual a imagem de Deus no homem? O “espírito”, assim é o homem; somos imagem de Deus num corpo animal, a fim de que nos movamos em existência, no meio sensível da matéria, onde estamos sobre a terra; como disse S. Paulo, outrora, aos gregos, no areópago, em Atenas:


“porque nele temos a vida, nos movemos e existimos, como até o disseram alguns dos vossos poetas: Somos verdadeiramente da sua linhagem” (At. 17,28).


E, qual é a semelhança de Deus em nós? A alma de santidade!...


Para nossa meditação final, encerramos este instante de santidade com dois versículos do livro do Apocalipse:


“Então um dos anciãos, tomando a palavra, disse-me: “Estes, que estão revestidos de vestimentas brancas, quem são? E donde vieram? Respondi-lhe: Meu Senhor, tu o sabes. E ele disse-me: Estes são aqueles que vieram da grande tribulação, lavaram os seus vestidos e os embranqueceram no sangue do Cordeiro. Por isso estão diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu templo; e o que está sentado sobre o trono os abrigará sob o seu Tabernáculo; não terão mais fome nem sede, nem cairá sobre eles o sol, nem calor algum, porque o Cordeiro, que está no meio do trono, os guardará e os levará às fontes das águas da vida, e Deus enxugará toda a lágrima dos seus olhos” (Ap 7,13-17).


“Aquele que vencer, eu o farei sentar comigo no meu trono, assim como eu mesmo também venci, e me sentei com meu Pai no seu trono” (Ap 3,21).


Somos verdadeiramente filhos e filhas de Deus!... (Rm 8,14.16; Gl 4,6; I Jo 3,1-2).


João C. Porto.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Dom de Fortaleza

Aprofundando a Boa Nova

do Senhor Jesus Cristo

PJ 07

Dom de Fortaleza

Somos templos de Deus (I Cor 3,16) e, inclusive nosso corpo é templo do Espírito Santo (I Cor 6,19-20), a fim de que alcancemos a graça de trazer e glorificar o Senhor, nosso Deus, em nosso próprio coração.

São setes os Dons infusos, dons de santificação das almas dos filhos e filhas de Deus. Por eles o Espírito Santo nos santifica através das faculdades do nosso espírito e move em nós as sete virtudes da obra de nossa perfeição.

As obras, que o Espírito Santo realiza em nossas almas, através dos dons de santificação, dos dons carismáticos e das virtudes da caridade do amor do Pai e do Filho, são:

- A santificação das faculdades do nosso espírito, pelos dons infusos e as virtudes, através deles, movidas:

Faculdades do nosso espírito

Inteligência e/ou entendimento

Vontade

Memória

Imaginação

Afetividades

Pelo Dom de Fortaleza o Espírito Santo move em nosso coração a virtude da fortaleza, confortando-nos com a força do amor de Deus, santificando em nós as áreas da imaginação e afetividades.

- A regeneração e renovação do nosso espírito, da alma e do corpo, através do amor misericordioso de Deus. (Tt 3,4-7)

- O aperfeiçoamento dos filhos e filhas de Deus, através das virtudes:

Esperança

Caridade

Temperança

Prudência

Justiça

Fortaleza

(I Cor 13,13; Sb 8,7)

Pela virtude da fortaleza, o Espírito Santo nos capacita através da caridade do amor do Pai e do Filho a evitar o perigo e vencer todo o mal.

Ensina-nos o “Veni Creator”: “Sê nosso guia no caminho para que possamos evitar todo o mal”.

- A perfeição plena de homem feito, segundo a maturidade da idade de Cristo. (Ef 4,13)

- A obra da entrega incondicional, do íntimo mais íntimo e profundo do coração com Cristo, no silêncio, na escuta e no diálogo, a fim de que sejam produzidos os frutos de vida eterna. (Gl 5,22-23).

Ora, para a prática do bem há em nós grandes dificuldades:

- A inclinação desordenada que temos para praticar o mal.

“O mal se alastra como a gangrena” (II Tm 2,17)

“O homem bom tira boas coisas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, porque a boca fala daquilo de que o coração está cheio” (Lc 6,45).

“Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração” (Mt 6,21).

- As coisas do mundo, que nos seduzem:

“Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo – a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida – não procedem do Pai, mas do mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente” (I Jo 2,15-17).

- As atrações que as criaturas exercem sobre nós.

“e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal” (Mt 6,13).

Exemplo:

“Henoc andou com Deus, e desapareceu, porque Deus o levou”.

“Pela fé Henoc foi arrebatado, sem ter conhecido a morte: e não foi achado, porquanto Deus o arrebatou; mas a Escritura diz que, antes de ser arrebatado, ele tinha agradado a Deus” (Hb 11,5; Gn 5,24).

Ora, para o exercício da vida espiritual, ainda que nos esforcemos em busca do objetivo verdadeiro, encontramos muitas dificuldades e perigos.

“Todas as coisas se afadigam, mais do que se pode dizer. A vista não se farta de ver, o ouvido nunca se cansa de ouvir” (Ecl 1,8).

Por isso que S. Tiago nos ensina, dizendo:

“Já o sabeis meus diletíssimos irmãos: todo homem deve ser pronto para ouvir, porém tardo para falar e tardo para se irar” (Tg 1,19).

- x -

“Se vos irardes não pequeis. Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento” (Ef 4,26).

Não é verdade que, para alcançarmos a felicidade eterna, enfrentamos grandes obstáculos e temos que vencê-los?

Que disse o Senhor Jesus aos seus apóstolos?

“Referi-vos essas coisas para que tenhais paz em mim. No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16,33).

Tudo nos parece difícil diante dos deveres de nossa vida espiritual. Em cada esforço de virtude necessitamos de cuidados e dedicação relativamente ao nosso propósito de vivermos de fé para fé, a fim de encontrar graças para sermos socorridos na oportunidade de lutar e vencer; não por nossas forças, mas pela força daquele em quem tudo, pela fé, nos é possível.

“Tudo é possível a quem crê” (Mc 9,23).

Para tal, nunca nos esqueçamos de que, como filhos e filhas de Deus, viveremos sob a direção amorosa do Espírito Santo.

Que nos diz o apóstolo S. Pedro?

“Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar” (I Pd 5,8).

Então para vencer nossas dificuldades e fugir dos perigos, o Senhor nos deu um conjunto de virtudes que se unem a virtude moral da fortaleza:

- A paciência

- A perseverança

- A fidelidade

- A magnanimidade

Essas virtudes são como um exército em ordem de batalha, para fortificar-nos na luta cotidiana, a fim de que estejamos capazes de superar as dificuldades e evitar os perigos.

Ora, Dom Luiz M. Martinez nos diz que este grupo de virtudes sobrenaturais, embora eficacíssimas, ainda não são suficientes para que possamos superar todas as dificuldades e fugir de todos os perigos. Porque as virtudes por mais sobrenaturais que sejam, têm o nosso selo, têm o modo humano, e nosso pobre espírito, estreito e limitado é muito débil; pois, os pensamentos dos homens são tímidos e as suas providências incertas.

Desse modo, para alcançarmos a salvação de nossas almas, ainda não é suficiente a virtude da fortaleza com seu conjunto de virtudes.

É-nos, pois, necessário um Dom, o Dom do Espírito Santo, o Dom de Fortaleza, o qual move em nós, principalmente, a virtude da Fortaleza, para que sejamos vencedores, como que, revestidos da potencialidade divina.

Ora, pelo dom de Fortaleza, o Espírito Santo nos move de tal forma, que podemos, por suas moções necessárias, superar todas as dificuldades, fugir dos perigos e trazer em nossa alma a confiança do apóstolo Paulo, quando dizia: “Tudo poço naquele que me fortalece” (Fl 4,13).

Assim será sempre através do Dom de Fortaleza que estaremos fortalecidos, pela fé que opera pela caridade e pela força do amor de Deus que tudo pode e tudo opera em favor de seus filhos e filhas.

Contudo, as virtudes morais, principalmente, não podem aperfeiçoar-nos além de nossas forças. Assim, pois, é-nos profundamente necessário que, pelo Dom de Fortaleza, sejamos santificados pelo Espírito Santo.

Como as demais virtudes morais, a virtude da fortaleza não pode impelir-nos a nenhum objetivo superior ao que podemos; visto que todo potencial de realização e vitória procede dos dons que fortalecem suas respectivas virtudes.

Assim, o Dom da sabedoria move a virtude da caridade. O Dom do entendimento (Inteligência sobrenatural) move a virtude da fé. O Dom do conselho move a virtude da prudência. O Dom de Fortaleza move a virtude da fortaleza. O Dom de ciência move a virtude da fé. O Dom de piedade move a virtude da justiça. E o Dom de Temor de Deus move as virtudes da temperança e da esperança.

Observemos que, sendo o Dom do Temor de Deus o menor entre todos os dons de santificação, por ele, o Espírito Santo move em nossa alma duas virtudes: “a temperança e a esperança”.

Desse modo, cada Dom de santificação nove uma ou mais virtudes. O Espírito Santo as move através de seus Dons. Por isso, na medida em que nossas faculdades são santificadas, realizaremos, através das virtudes morais, principalmente, a obra de nossa perfeição.

“Sede perfeitos assim como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48).

Assim, pois, não devemos enfrentar, por nós mesmos, o que é superior as nossas forças; visto que o Senhor Jesus tudo venceu por nós. Ele é nossa vitória e nossa paz.

Diz-nos o santo Doutor que “a medida do Dom da Fortaleza não são as forças humanas, não são as forças angelicais, é a força de Deus, sua força infinita, sua força onipotente. Pelo Dom da Fortaleza, o Espírito Santo nos impele a tudo aquilo que a força de Deus pode alcançar”.

Quando o apóstolo S. Paulo nos diz, “tudo posso naquele que me dá força”; na verdade, ele quer dizer: “tudo posso, porque conto com Deus, porque possuo a força, porque estou revestido de sua fortaleza divina; tudo posso porque sou confortado por Deus”.

Pelo Dom da Fortaleza os santos alcançaram a perfeição absoluta, pela qual encontraram gozo até mesmo no sofrimento.

Certa vez São Francisco de Assis disse ao seu Irmão Leão: “a perfeita alegria consiste em padecer por Cristo que tanto quis padecer por nós”.

Assim, pois, somente pelo Dom da Fortaleza é possível a alegria na dor.

Que o Divino Espírito Santo ilumine os olhos de nossos corações, para que assim possamos contemplar as maravilhas que trazemos no núcleo central da vida, no silêncio de nossos pobres corações.

João C. Porto