quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Caminho Estreito

Entender o caminho estreito

Para entrar pela porta estreita do caminho de vida eterna, a via apertada, precisamos ser ousados de todo o coração, de toda a alma e de todo o espírito, para romper com este mundo secularizado, para a renovação do espírito, para, finalmente, discernir qual seja a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. (Rm 12,2).

Esse caminho novo, de homem renovado (II Cor 5,17), possui vários princípios de vida em nosso Senhor Jesus Cristo, entre os quais  citamos os mais necessários:

a) A fé.

“Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e, que recompensa os que o procuram”. (Hb 11,6).

A fé é um carisma de poder e, por isso, corresponde ao Pai Eterno, que tudo criou: o céu, a terra e tudo quanto neles há. Deus pode tudo!... (Mt 10,19-20; Mc 10,27: Lc 18,27; 1,37).

 É necessário viver segundo a fé que opera pela caridade. (Gl 5,6).

b) A esperança.

“A esperança não engana. Porque o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo espírito Santo que nos foi dado”. (Rm5, 5).

A esperança corresponde ao Filho, que derramou, profusamente, em nossos corações a caridade, através da qual, como que, pela luz, antecipada, da visão beatífica, os filhos e filhas de Deus, guiados e movidos pelo Espírito Santo, já, de alguma forma amorosa, vislumbram os bens da herança reservada aos santos. (Tt 3,6-7).

c) A caridade.

“Mas, acima de tudo, revesti-vos da Caridade, que é o vínculo da perfeição”. (Cl 3,14).

A caridade é a perfeição do amor do Pai e do Filho; isto é, o Espírito Santo que nos foi dado através do batismo, o qual infunde, nos corações de seus filhos e filhas, os Dons de santificação, os carismas e virtudes, para revestir, a todos, do homem novo e da santidade das almas, (Mt 5,8; Hb 12,14). Quando somos engraçados de Deus, trazemos em nossos corações a face do amor do Pai e do Filho; isto é, o Espírito Santo, resplendor da glória divina.


Visão de renovação e Santidade.

Quando nascemos – criancinhas – para vivermos no meio sensível da matéria na qual estamos, possuímos cinco sentidos, para que possamos despertar-nos racionalmente:

- Visão, audição, tato, olfato e paladar.

É sem dúvidas que a partir desses sentidos, acima citados, despertamos para o mundo da razão, através da interação dos pais e demais membros da família.

Ora, porque somos racionais, a princípio, começamos a absorver, no núcleo central da vida, o coração, via sentidos, não só o acervo cultural familiar, mas, sobre tudo, o viver desordenado do mundo, sob a direção dos pecados e seus vícios, longe das virtudes da perfeição, a caridade divina.

“Acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição”. (Cl 3,14).

Ora, acontece que, quando, criancinhas, fomos batizados na Igreja do Senhor. A partir daí o pecado de origem está perdoado. por isso,  já somos filhos de Deus e membros de sua Igreja.

Assim, pelo batismo, recebemos graça sobre graça de plenitude do Senhor Jesus Cristo (Jo 1,16). Com a graça, também, o Espírito Santo, que nos infundiu, interiormente, os dons de santificação (Is 11,2) e os dons carismáticos (I Cor 12,8-10) e, bem assim, todas as virtudes e frutos, sob sua direção amorosa.

Que se pode dizer com isso? Quando acolhemos o Senhor Jesus Cristo como único e suficiente Salvador, possuímos, no espírito, no coração – alma – e no corpo, todas as ferramentas necessárias ao desprezo deste mundo, numa entrega incondicional ao Senhor Jesus para purificação do coração (Mt 5,8) para sermos revestidos do homem novo criado por Deus, na justiça e santidade verdadeira. (Ef 4,23-24).

Agora, como se operará tudo isso para que adentremos no caminho apertado da porta estreita?

Assim como o mundo, com seus vícios e costumes desregrados, estruturou nossas faculdades espirutuais (inteligência, vontade, memória, imaginação e afetividades, necessitamos, urgentemente,   de conversão, em o nome glorioso do Senhor Jesus!

Na prática de vida de santidade teremos que nos afastar, totalmente, da cultura secularizada deste mundo, a fim de que possamos compreender qual seja a verdadeira e perfeita vontade de Deus em nossos corações. (Rm12,2; Ef 4,23-24).

“Para os puros todas as coisas são
Puras. “Para os corruptos e descrentes nada é puro: até a sua mente e consciência são corrompidas”. (Tt 1,15).

Como reverter o quadro de pecado que a cultura do mundo, através dos sentidos, nos afastou de Deus, contaminando com o mal nossas faculdades espirituais?

Se dermos assentimento a que o Espírito Santo, através da verdade integral, nos transforme, em novas criaturas (II Cor 5,17) seremos guiados, instruídos, ensinados e conduzidos, amorosamente, pelo Espírito Santo, como filhos e filhas de Deus. (Rm 8,14;Sl 31,8; I Cor 3,16; 6,19-2o).

Então, o Espírito Santo, através dos Dons de santificação (Is 11,2) e das virtudes teologais (I Cor 13,13), restaurarão os corações dos convertidos ao Senhor Jesus Cristo, em novas criaturas.

Como se fará isso?

“Para santificação da faculdade da inteligência, a partir do interior da palavra divina – Intus-Legere – e para julgar destas verdades contamos com três dons:  Sabedoria, Ciência e Conselho – que têm por objeto regular e dispor nossas relações com os demais”.

“Para dominar a parte inferior do nosso ser, há dois dons”.

- O de Fortaleza para tirar-nos o temor do perigo.

-”O temor de Deus para moderar os ímpetos desordenados da nossa concupiscência.” “Jesus é nossa paz!”.


João C. Porto

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Sem Mim Nada Podeis



         Espírito santo, Promessa do Pai

Quando o Senhor prometeu-nos a salvação (Gn 3,15), isto é, de nos enviar da mulher, um Salvador, com certeza, estava afirmando também que, uma vez resgatados ao seio do seu amor, devolveria aos nossos corações o seu Espírito que outrora, nos fora suprimido por causa do pecado (Gn 6,3). Por isso, no tempo da plenitude, no qual ainda estamos Zaqueu exultou de alegria ao ouvir do Senhor Jesus estas palavras: “Hoje entrou a salvação nesta casa, porquanto também este é filho de Abraão”. Pois o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido (Lc 19,9-10).

1. Quais foram às promessas que o Senhor nos fez sobre o envio do Espírito Santo aos nossos corações?

Com certeza são muitas; mas vejamos algumas que se encaixem melhor em nossa compreensão.

Falando da libertação de Israel, o Senhor nos diz:

“Sobre os planaltos desnudados, farei correr água, e brotar fontes no fundo dos vales. Transformarei o deserto em lagos e a terra árida em fontes”. (Is 41,18).

Na verdade ele nos prometeu começar derramando seu Espírito sobre o Salvador prometido.

“Eis que o meu servo, eu o ampararei; o meu escolhido, no qual a minha alma pôs a sua complacência. Sobre ele derramarei o meu espírito, ele espalhará a justiça entre as nações”. (Is 42,1).
Através do profeta Ezequiel e Joel, falando sobre a renovação do seu povo, o Senhor fez, também para nós, granes promessas:

“Derramarei sobre vós uma água pura, sereis purificados de todas as vossas imundícies, purificar-vos-ei de todos os vossos ídolos”. Dar-vos-ei um coração novo e porei um novo espírito no meio de vós; tirarei da vossa carne o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Porei o meu espírito no meio de vós, farei que andeis nos meus preceitos, que guardei as minhas leis e que as pratiqueis. Habitareis a terra de que fiz presente a vossos pais; sereis meu povo, e eu serei vosso Deus. (Ez 36,25-28).

“Acontecerá que derramarei o meu espírito sobre toda carne, e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos anciãos serão instruídos por sonhos e os vossos jovens terão visões”. (Jl 3,1).

Ora, no tempo da plenitude, o Filho de Deus, Jesus Cristo, nasceu da Virgem Santíssima, pelo poder do Espírito Santo (Gl 4,4; Mt 1.20) e, quando, com trinta anos de idade, foi batizado por João Batista, no Jordão, o Espírito de Deus desceu sobre Ele em forma corpórea de pomba, e o Pai falou do alto, dizendo: “Este é o meu Filho  amado, no qual pus todas as minhas complacências”. (Mt 3,17b). Então a promessa de derramar o Espírito Santo sobre o Filho de Deus, acabara de se cumprir, ali, às margens do rio Jordão.

2. Quanto a nós, que disse o Senhor Jesus acerca do Espírito Santo?

“Quem crê em mim, como diz a Escritura; do seu interior manarão rios de água viva”. (Jo 7,38).

O Senhor Jesus instrui seus discípulos sobre a missão apostólica e os advertiu sobre muitas coisas. Entre elas, que seriam entregues às autoridades, mas que não se preocupassem sobre o que haviam de dizer; “porque o Espírito do vosso Pai é o que falará em vós”. (Mt 10,19-20; Lc 12,12).

Ora, o Espírito Santo é o comunicador da sabedoria divina, do amor de caridade do Pai e do Filho, e da santificação de que necessitamos para ver a Deus. (Hb 12,14).

Assim, a missão específica do Espírito de Deus em nós é ensinar, repreender, corrigir, recordar e formar na justiça, para que sejamos perfeitos e aptos para toda obra que nos seja confiada por Deus. (II Tm 3,16-17).

Dessa forma, pelo batismo de regeneração e renovação do Espírito Santo (Tt 3,5) seremos. se quisermos ser santificados no amor curador e misericordioso do Pai e do Filho.

Não é verdade que aqueles que experimentam a redenção liberativa do sangue de Cristo são santificados pelo Espírito Santo, para o Senhor?

“Pedro disse-lhes: Fazei penitência e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para a remissão de vossos pecados; recebereis o dom do Espírito Santo. Porque a promessa é para vós, para os vossos filhos, para todos os que estão longe e para quantos nosso Deus chamar”. (At 2,38-39).

3. Que disse o Senhor aos seus apóstolos antes de sua ascensão aos céus?

“Eu vou mandar sobre vós o (Espírito Santo) prometido por meu Pai; entretanto permanecei na cidade, até que sejais revestidos da virtude do alto” (Lc 24,49).

Ora, para isto, o Senhor Jesus havia dito que rogaria ao Pai em favor dos que guardassem os seus mandamentos, e lhes seria dado outro Paráclito para ficar com eles para sempre. (Jo 14,15-16).

Nesse sentido, Jesus Cristo, conforme narrou S. Lucas nos atos dos apóstolos, acrescentou: “João, na verdade, batizou em água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo, daqui há poucos dias”, (At 1,5).

O Senhor Jesus disse isto porque todas as suas testemunhas terão que ser revestidas da graça que salva (Ef 2,8), da verdade que liberta (Jo 8,32 e do amor de caridade que cura, purifica e santifica os quantos creem nele de todo o coração). (Jo 6,47; Jr 29,13).

“Recebereis a virtude do Espírito Santo, que descerá sobre vós e me sereis testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia, na Samaria e até às extremidades da terra”. (At 1,8).

4. Por que temos que ser  santificados pelo Espírito Santo?

Porque a grande vocação do cristão é, sem dúvida, retornar ao estado de graça e santidade que, no princípio, desfrutaram os nossos primeiros pais, Adão e Eva, no paraíso de delícias; pois é certo que, sem um coração puro (Mt 5,8)  e uma alma santa (Hb 12,14) jamais veremos o Senhor da vida.

5. Que nos diz o Antigo Testamento sobre a vocação dos santos?

Que devemos ser santos, como o Senhor nosso Deus é Santo. Como se pode observar, não há alternativa: “Santos ou santos!”.

“Sereis para mim um reino sacerdotal e uma nação santa. Estas são as palavras que dirás aos filhos de Israel”. (Ex 19,6).

Alias, são Pedro, em sua carta, exorta-nos a que sejamos santos!
“A exemplo da santidade daquele que vos chamou sede também vós santos em todas as vossas ações, pois está escrito: “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo (Lv 11,44)”“.

6. Que pede o Senhor Jesus Cristo aos seus escolhidos?

A perfeição que só existe num coração puro e na alma santa! Foi um coração e uma alma santa que, no princípio, recebemos através de nossos primeiros pais, das mãos do Senhor de toda graça e de toda a glória.

“Sede, pois, perfeitos, como também vosso Pai celestial é perfeito”, (Mt 5,48).

Concluímos, finalmente, que o Pentecostes da Igreja e o Pentecostes pessoal, de cada um de seus filhos e filhas correspondem ao cumprimento da promessa do Pai; porque tudo quanto o Senhor Jesus Cristo resgatou do seio das trevas será ofertado por Ele ao Pai das luzes, e toda oferenda resgatada, perfeita, santa e acabada, conceda-nos a alegria de ouvir dos lábios do Senhor de toda glória as mesmas palavras do princípio da criação: “Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom”. (Gn 1,31).

João C. Porto





quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Somos morada Cristã.

O Hóspede de nossa Casa

A Igreja nos ensina que ao Pai atribui-se a obra da criação, ao filho, a obra da redenção e ao Espírito, a santificação das almas.

Ora, a vontade criadora vem do Pai, a sabedoria, que dá sentido às coisas criadas, vem do Filho, e a atividade, que dá forma, vida e perfeição às coisas feitas, é uma ação própria do Espírito Santo. Assim, tudo o que vem do Filho e existe no amor e poder do Espírito Santo é operação do único e verdadeiro Deus. (I Cor 12, 4-6).

1. Quem é o Espírito, nosso doce hóspede?

a) A terceira pessoa da Santíssima Trindade.

“Ide e evangelizai todas as gentes. Batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19.

b) O Paráclito que nos ensina todas as coisas.

“O Paráclito, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (Jo 14,26).

c) O Espírito que nos guia pela verdade integral.

“Quando vier, porém, o Espírito de verdade, ele vos guiará no caminho da verdade integral (Sl 85,11), porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e anunciar-vos-á as coisas que estão para vir” (Jo 16,13).

d) O Espírito que nos convence do pecado, da justiça e do juízo.

“Ele, quando vier, convencerá o mundo, quanto ao pecado, à justiça e ao juízo” (Jo 16,8).

e) O Espírito consolador. Ele nos desprende das coisas terrenas e rompe as nossas cadeias. É o consolo da liberdade.

“Põe-me como um selo sobre o teu coração, como um selo sobre teu braço, porque o amor é forte como a morte; o zelo do amor é tenaz como o inferno; as suas chamas de fogo, uma chama do Senhor” (Ct 8,6).

Ensina-nos Dom Luiz M. Martinez que o Espírito Santo desprende o nosso coração das coisas da terra, infunde em nossa alma a divina pobreza e nos torna livres.

- Ele nos une a cristo e entre irmãos, por isso, dá-nos a consolação da união:

“O que se une ao Senhor forma um só espírito com ele” (I Cor 6,17).

- Ele é o Espírito da profecia, por isso, concedi-nos a consolação da esperança:

“(...) A caridade de Deus está derramada em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5).
“Tenho muita confiança convosco, muito me glorio de vós, estou cheio de consolação, estou inundado de alegria no meio de todas as nossas tribulações” (II Cor 7,4)

- Ele é, como ensina a Igreja, o doce hóspede das almas:

“Se alguém me ama, guardará as minhas palavras; meu Pai o amará e nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada” ( Jo 14,23).

- Ele é o Espírito que nos regenera, renova (Tt 3,5) e santifica nossos corações:

“Desde o princípio vos escolheu Deus para vos dá a salvação, pela santificação do Espírito e pela fé na verdade” (II Ts 2,13b).

2. Que mais se poderia afirmar sobre o Espírito Santo, que caracterize  o sopro (do hebraico  “Ruah”) divino?
Na casa de Deus, nossos corações em festa de comunhão apostólica, através da fé e do amor que nos animam, temos a certeza de conhecimentos de que o Espírito Santo:

a) Inspirou os hagiógrafos ao escreverem as Escrituras.

“Toda a Escritura divinamente inspirada por Deus é útil para ensinar, para repreender, para corrigir, para formar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e apto para toda a boa obra”. (II Tm 3,16-17).

b) Inspirou a santa tradição, dando continuidade através dos testemunhos dos padres e santos da Igreja Católica.

“Assim, pois, irmãos, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavras, seja por carta nossa” (II Ts 2,15; II Cor 3,2-3).

c) Assiste o ministério da Igreja.

“Se recusar ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também à Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano”. (Mt 18,17).

d) Assiste-nos através dos sacramentos de nossa comunhão com Cristo.

“Quem come a minha carne e bebe do meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,54).

e) Está presente em nós, também, através de nossas orações.

“O Espírito vem em auxílio a nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis”. (Rm 8,26-27).

f) Concede-nos os carismas e nos assiste nos ministérios para os quais fomos enviados por Jesus Cristo, o Senhor.

“Há diversidade de dons, mas um só Espírito. Os ministérios são diversos, mas um só é o Senhor. Há também diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos”. (I Cor 12,4-6).

g) Está presente na vida apostólica e missionária da Igreja.

“Quando vos entregarem, não cuides como ou o que haveis de falar, porque naquela hora vos será inspirado o que haveis de dizer. Porque não sereis vós que falais, mas o Espírito de vosso Pai é o que falará em vós”. (Mt 10,19-20).

Na verdade, o Senhor enviou-vos  o seu Espírito para que sejais confirmados na nova filiação divina.

“E, porque vós sois filhos, Deus mandou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Abba, Pai”. (Gl 4,6).

3. Por quais nomes conhecemos o Espírito Santo?

a) Paráclito (Advogado) = Consolador.
Ora, Jesus Cristo é nosso primeiro Consolador. (Jo 8,32-36).

“Antes de subir ao céu, Ele nos disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos”“. “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro paráclito, para que fique eternamente convosco”, (Jo 14,15-6).

b)  Espírito da verdade.

“Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e ensinar-vos-á as coisas que virão” (Jo 16,13).

c) Espírito da promessa.

“Nele também vós, depois de terdes ouvido a palavra da verdade, o Evangelho de vossa salvação no qual tendes crido, fostes selados com o selo do Espírito Santo que fora prometido”. (Ef 1,13).     

d) Espírito de adoção.

Não recebestes um espírito de escravidão, para viverdes ainda no temor, mas recebestes o espírito de adoção pelo qual clamamos Abba: Pai!”. (Rm 8,15).

e) Espírito de Cristo

“Se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós” (Rm 8,11).

f) Espírito do Senhor.

“Ora, o Senhor é o Espírito e, onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade”. (II Cor 3,17).

g) Espírito de Deus.

“Todos aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus”. (Rm 8,14).       

h) Espírito de glória.

“Se fordes ultrajados pelo nome de Cristo, bem-aventurados sois vós, porque o Espírito de glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vós”. (I Pd 4,14).

4. Quais são os símbolos do Espírito Santo?

a) A água.
Corresponde a ação purificadora do Espírito de Deus no batismo.  (Ez 36,25-28).
“Mas um dia apareceu a bondade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com os homens. E, não por causa de obras de justiça que tivéssemos praticado, mas unicamente em virtude de sua misericórdia, ele nos salvou mediante o batismo da regeneração e renovação, pelo Espírito Santo, que nos foi concedido em profusão, por meio de Cristo, nosso Salvador, para que a justificação obtida por sua graça nos torne, em esperança, herdeiros da vida eterna”. (Tt 3,4-7).

“Num mesmo espírito fomos batizados todos nós, para sermos um só corpo, ou sejamos judeus ou gentios, ou servos ou livres; e todos temos bebido de um só Espírito”.  (I Cor 12,13).

b) A unção.

Corresponde, pelo óleo da unção, a confirmação da escolha da graça especial que permanecem nos filhos e/ou filhas de Deus.

“Ora, quem nos confirma a nós e a vós em Cristo, e nos consagrou, é Deus”. (II Cor 1,21).

c) O fogo.

È com o fogo do amor de caridade que o Espírito Santo nos aquece para a vida no espírito.

“ele tomou a palavra, dizendo a todos: Eu vos batizo na água,   mas eis que vem outro mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias; ele vos batizará no Espírito Santo  e no fogo”. (Lc 3,16).

d) A nuvem e a luz.

O Espírito Santo é luz e sua presença na transfiguração de Jesus foi em forma de nuvem luminosa.

“Estando ele ainda a falar, uma nuvem resplandecente os envolveu; e eis que saiu da nuvem uma voz que dizia: “Este é meu Filho dileto em quem pus toda a minha complacência; ouvi-o”. (Mt 17,5).

e) O selo,

Pelo Espírito Santo somos selados para a vida com Cristo e para a glória de Deus, nosso Pai.

f) A mão.

Pela imposição das mãos o Senhor Jesus curava a todos; por isso é que o povo, de alguma forma, procurava tocá-lo; porque dele saia uma força que curava a todos (Lc 6,19).

“manusearão serpentes e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal; imporão as mãos  sobre os enfermos e serão curados”. (Mc 16,18),

“Então os dois apóstolos lhes impuseram as mãos e receberam o Espírito”. (At 8,17).

g) O dedo de Deus.

“Mas se eu, pelo dedo de Deus, lanço fora os demônios, certamente chegou a vós o Reino de Deus”. (Mt 12,28).
A pomba.

“Depois que Jesus foi batizado, saiu logo da água. Eis que os céus se abriram e viu descer sobre ele, em forma de pomba, o Espírito Santo de Deus”. (Mt 3.16).


João C Porto

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Nova Arca da Aliança

Pe. PEDRO MARIA – Estudos:

                                             A Nova Arca da Aliança


1.  A  Arca da  Antiga  Aliança  
                                            
a)  Sua feitura:                                                                   

Ex. 25,10:- Farão uma Arca de madeira de acácia; seu comprimento será de dois côvados e meio, sua largura, sua largura de um côvado e meio, e sua altura de um côvado e meio.

b)  Sua veneração:                                                                 

Jz 20,27:- E consultaram-no. – Naquele tempo a Arca da Aliança de Deus estava lá, com Finéias, filho de Eleazar, filho de Aarão, que se conservava junto dela.

c)  Seu poder:                                                                       

Nm 10,35:- Quando a arca se levantava, Moisés dizia: “Levantai-vos, Senhor, e sejam dispersos os vossos inimigos! Fujam de vossa face os que vos aborrecem”!

d)  Seu oráculo:                                                                  

Nm 7,89:- Quando Moisés entrava na tenda de reunião para falar com o Senhor, ouvia a voz que lhe falava de cima do propiciatório colocado sobre a arca do testemunho, entre os dois querubins. E falava com o Senhor.

Ex. 25,22:- Ali virei ter contigo, e é de cima da tampa do meio dos querubins que estão sobre a Arca da Aliança, que te darei todas as minhas ordens para os israelitas.

e)  Nas procissões: (caminhadas bíblica)                          

Jr 3,3:- dando ao povo esta ordem: “Quando virdes a Arca da Aliança do Senhor, vosso Deus, levada pelos sacerdotes, filhos de Levi, deixareis vosso acampamento e vos poreis em marcha, seguindo-a”.

Js 6,4:- Sete sacerdotes tocando sete trombetas, irão adiante da Arca. No sétimo dia dareis sete vezes volta à cidade, tocando os sacerdotes a trombeta.

Js 6,9:- Marcharam os guerreiros diante dos sacerdotes que trocavam a trombeta, e à retaguarda seguia a arca; e durante toda a marcha ouvia-se o retinir das trombetas.

Js 6,11:- A arca do Senhor deu uma volta à cidade, e retornaram ao acampamento para ali passar a noite.

f)  Troféu de vitória:                                                            

I Sm 5,3:- No dia seguinte, levantando-se pela manhã os habitantes de Azot, viram dagon estendido com o rosto por terra diante da arca do Senhor. Levantaram o ídolo e repuseram no seu lugar.

g)  Seu desaparecimento:                                                    

II Mac 2,4-6:- O escrito mencionava também como o profeta, pela fé da revelação, havia desejado fazer-se acompanhar pela arca e pelo tabernáculo, quando subisse a montanha que subiu Moisés para contemplar a herança de Deus. No momento em que chegou, descobriu uma vasta caverna, na qual mandou depositar a arca, o tabernáculo e o altar dos perfumes; em seguida tampou a entrada. Alguns daqueles que o haviam acompanhado voltaram para marcar o caminho com sinais, mas não puderam achá-lo.

h)  Seu reaparecimento:                                                    

II Mac 2,7:- Quando Jeremias soube, repreendeu-os e disse-lhes que esse lugar ficaria desconhecido, até que Deus reunisse seu povo e usasse com ele de misericórdia.

Obs.: SEU POV0: essa profecia diz respeito, provavelmente à reunião do povo judeu no fim do mundo, a grande esperança despertada após o exílio. Mt 24,31:- Ele enviará seus anjos com estridentes trombetas, e juntarão seus escolhidos dos quatro ventos, duma extremidade do céu à outra.

i) Não terá mais necessidade: Os tempos messiânicos se aproximam.                                                

Jr 3,16:- Quando vos multiplicardes e numerosos vos tornardes na terra, naqueles dias – oráculo do Senhor – não mais se falará da Arca da Aliança do Senhor; nem mais se pensará nela, perdendo-se a lembrança e a santidade; nem a ela se há de referir.

Obs.: Não se falará mais: trata-se de um tempo em que israelitas terão compreendido o culto interior, e em que, desaparecida a Arca, não julgarão necessária substituí-la.                                                           

Jr 31,33-34:- Eis a aliança que, então, farei com a casa de Israel – oráculo do Senhor: Incutir-lhe-ei a minha lei; gravá-la-ei em seu coração. Serei o seu Deus e Israel será o meu povo. Então ninguém terá encargo de instruir seu próximo ou irmão, dizendo: “Aprende a conhecer o Senhor”, porque todos me conhecerão, grandes e pequenos – oráculo do Senhor – pois a todos perdoarei as faltas, sem guardar nenhuma lembrança de seus pecados.

2.  A Arca da Nova Aliança:

a)     Em virtude da Encarnação, é Maria Santíssima:           

Jo 1,14 ( no original grego): “O Logos se fez  carne e armou seu Tabernáculo no meio de nós”.

b) A Arca  trazia  o  maná,  a   vara  de Aarão e as tábuas do testemunho.                                                           

Hb 9,4:- Aí estava o altar de ouro para os perfumes, e a Arca da Aliança coberta de ouro por todos os lados; dentro dela, a urna de ouro contendo o maná, a vara de Aarão que floresceu e as tábuas da aliança.

·        Ora, Maria, qual Nova Arca, trouxe em seu seio Jesus, Pão Vivo descido do Céu.                                        

Jo 6,51:- Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo.

·        Maria, a Arca do Novo Testamento, trouxe Jesus, Flor do campo.                                                                   

Ct 2,1:- sou o narciso de Saron, o lírio dos vales.

·        Maria, Arca da Nova Aliança, “trouxe em seu seio, não só a lei, mas o próprio autor da lei:” Deus Humanado ( Sto. Ambrósio  + 397)

Dt 10,4:- O Senhor gravou nas novas pedras o que tinha escrito nas primeiras, as dez palavras que vos tinha dirigido no monte, do meio do fogo, no dia da assembléia. Devolveu-mas em seguida,

Dt 5,1:- Moisés convocou todo o Israel e disse-lhe: “Ouve, ó Israel, as leis e os preceitos que hoje proclamo aos teus ouvidos: aprende-os e pratica-os cuidadosamente.

c) Em virtude da presença especial do Espírito Santo, Maria torna-se a Arca dourada do Espírito: “Alegra-te, casa de Deus e do Verbo... Alegra-te, Arca dourada do Espírito”. ( São Romano Melódio – Séc. VI)

Ex 25,11:- Tu a recobrirás de ouro puro por dentro, e farás por fora, em volta dela, uma bordadura de ouro.

d) Provas bíblicas: nos paralelismos: Arca = Maria.            

Ex 40,35 (Ave Maria):- E era impossível a Moisés entrar na tenda de reunião, porque a nuvem pairava sobre ela, e a glória do Senhor enchia o tabernáculo. ( Ex 40 Ex 40,33 (Vulgata):- Moisés não podia entrar      no tabernáculo da aliança, visto que a nuvem cobria tudo, e a majestade do Senhor resplandecia, tendo a nuvem coberto todas as coisas. Lc 1,35:- Respondeu-lhe o anjo: “O Espírito descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus.

II Sm 6,9:- Naquele dia, Davi teve medo do Senhor, e disse: “Como entrará a arca do Senhor em minha casa?” Lc 1,43:- Donde me vem esta honra de vir a mim a Mãe do meu Senhor? (O Sl 99,3 nos diz: “Sabei que o Senhor é Deus”)

II Sm 6,11:- Ficou a arca do Senhor três meses na casa de Obed-Edom de Get, e o Senhor abençoou-o com toda a sua família. Lc 1,56:- Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para sua casa.

Lucas se utiliza de textos do AT para provar que Nossa Senhora é a verdadeira arca da aliança.

Lucas identifica Maria com Sião

Sf 3,14:- Solta gritos de alegria, filha de Sião! Solta gritos de júbilo, ó Israel! Alegra-te e rejubila de todo o teu coração, filha de Jerusalém! = Lc 1,28:- Entrando o anjo, disse-lhe: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo”.

Sf 3,16:- Naquele dia dir-se-á em Jerusalém: “Não temas, Sião! Não se enfraqueçam os teus braços! = Lc 1,30:- O anjo disse-lhe: “Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus...” =            Jl 2,21:- Não temas, terra, estremece de alegria e de júbilo, porque o Senhor fez grandes coisas.

Sião é a personificação do povo eleito. Sião aguardava vinda do Messias. Maria já o recebe em seu seio. Conferir ainda:

Zc 9,9:- Exulta de alegria filha de Sião, solta gritos de júbilo, filha de Jerusalém: eis que vem a ti o teu rei, justo e vitorioso; ele é simples e vem montado num jumento, no potro de uma jumenta.

Obs.: Texto citado em Mt 21,5 e Jo 12,15.

Zc 2,14:- Solta gritos de alegria, regozija-te, filha de Sião. Eis que venho residir no meio de ti – oráculo do Senhor.

Is 12,6:- Exultai-vos de gozo e alegria, habitantes de Sião, porque é grande no meio de vós o Santo de Israel.

Jl 2,21:- Não temas, terra, estremece de alegria e de júblilo, porque o Senhor fez grandes coisas.

Jl 2,23:- Alegrai-vos, filhos de Sião, e rejubilai no Senhor, vosso Deus, porque ele vos dá as chuvas do outono no tempo oportuno, e faz cair chuvas copiosas sobre vós, as chuvas do outono e da primavera, como dantes.

Midraxe  =  atualização de textos do AT

e) Em João, a Arca é identificada com uma Mulher:


Ap 11,19:- Abriu-se o templo de Deus no céu e apareceu, no seu templo, a arca do seu testamento. Houve relâmpagos, vozes, trovões, terremotos e forte saraiva. Ap 12,1:- Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas.

Obs.: Uma Mulher: esta mãe mística é a cidade de Deus, a Jerusalém celeste. A sinagoga, em sua madureza espiritual, dá à luz a Cristo e em seguida a Igreja dá à luz os cristãos. Os seus traços adaptam-se também a nossa Senhora, à Virgem Maria: nas dores de sua “compaixão” ela dá à luz os irmãos de Cristo que formam, unidos com ele, o Cristo total.

f) Em Hb 9,11, o tabernáculo pode ser tanto a carne de Jesus, quanto Nossa Senhora.

Hb 9,11:- Porém, já veio Cristo, Sumo-Sacerdote dos bens vindouros. E através de um tabernáculo mais excelente e mais perfeito, não construído por mãos humanas (isto é, não deste mundo).

Autoria: Pe. Pedro Maria.