sábado, 5 de março de 2011

A Fé: Curso da Bíblia Sagrada

 
                                   Curso da Bíblia Sagrada
                                              CBS – 11
                                                 A Fé
01. O que é a fé?
A fé é um conjunto de disposições interiores que nos levam a crer em Deus, a partir:
a) da obra da Sua criação, da qual participamos:
“São insensatos por natureza todos que desconheceram Deus, e, através dos bens visíveis, não souberam conhecer aquele que é, nem reconhecer o artista, considerando suas obras” (Sb 13,1).
b) da veracidade de Sua palavra:
“Se permanecerdes na minha palavra, sereis meus verdadeiros discípulos; conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,31-32).
c) de Suas manifestações cognitivas:
“Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito” (Rm 12,2).
d) da revelação das coisas visíveis e invisíveis:
“Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar” (Rm 1,20).
e) dos sentidos que despertam os desejos do homem:
“Então procurarás o Senhor, teu Deus, e o encontrarás, contanto que o busques de todo o teu coração e de toda a tua alma” (Dt 4,29 = Jr 29,13).
Segundo o apóstolo Paulo, a Fé é a realidade das coisas que esperamos e a certeza das que não vemos. (Hb 11,1)
A Fé, na verdade, é o fundamento de nossa esperança. Sem fé não há esperança e sem esperança não haverá vida eterna em Cristo, Jesus (I Jo 5,11-12); nem tampouco a herança que se nos vislumbra através dos olhos do coração; pois, o justo que vive da fé. (Hab 2,4; Rm 1,17).
A Fé pode ainda expressar-se pela segurança decorrente do conhecimento da verdade ou pela esperança que se baseia no testemunho de outrem.
Fé é crer em alguém, ainda que de forma simples, mas real e verdadeira. É crer do íntimo do coração, sem perder de vista o objetivo de suas promessas.
A Fé é, portanto, um sentimento da alma humana que se move na direção do objetivo desejado ou prometido. Desse modo, temos a Fé que nasce de nós mesmos pela capacidade de conquista adquirida e da prática de vida, e a Fé que se fundamenta na promessa eterna.
É por isso que, no campo sobrenatural, o qual abrange também o racional e, portanto, natural, a Fé se eleva a presença de Deus, o Criador de todas as coisas, e, por isso, nutre esperanças em bens definitivos e eternos.
Nesse sentido a Fé é dom do Espírito Santo (I Cor 12,9a) e se desenvolve pela busca e prática da vida espiritual, pelos olhos da esperança e no caminho das virtudes.
Desse modo, a Fé é dom que se consolida no dom maior que é o amor. É necessário saber que, estando a Fé de mãos dadas com a esperança e o amor, possui características ornamentais.
2. Quais são os elementos ornamentais da Fé?
Como dom, a Fé tem ornamentos espirituais e sentimentais; como virtude, a Fé é ordenada pela caridade do amor, fonte de todas as perfeições.
Com efeito, o Espírito Santo é o corolário da Fé, porque através da potência desse dom nos vem o exercício de outros dons. Essa prática é tanto mais perfeita e virtuosa na medida em que permitimos que o amor opere livremente em nossas vida e, conseqüentemente, em todos os nossos atos e ações.
Desse modo, as virtudes e dons que se movem em nós pelo exercício do dom da Fé são ornamentos espirituais, porque ampliam, enriquecem e tornam a Fé cada vez mais viva e operante em nossa vida e no seio da comunidade – Igreja.
Por outro lado, a esperança, a perseverança, a confiança, a entrega incondicional ao Senhor Jesus, o sentir-se envolvido no amor como filhos de Deus e a convicção do eterno são, em parte, os ornamentos sentimentais durante a caminhada de homens e mulheres de fé, fé no Deus vivo, El Hay.
Ora, Santo Agostinho nos diz que a virtude é a ordem no amor. Isto quer dizer que todos os dons do Espírito Santo derramados sobre nós – carismas – dependem de uma ação maior que é o exercício das virtudes teologais (I Cor 13,13), e bem assim da prática amorosa dos frutos do Espírito Santo: alegria, paz, paciência, bondade, benignidade, longanimidade, mansidão, fidelidade, modéstia, temperança e castidade. (Gl 5,22-23).
3. O que é ter Fé?
Ter fé não é simplesmente crer, pois, nesse sentido, até os demônios crêem e tremem (Tg 2,19). Ter fé é acreditar. Acreditar a partir do potencial natural e sobrenatural de que dispomos, para que, no exercício dos dons e das virtudes, não haja dúvida, mas certeza da realização dos bens de nossa espera, segundo a promessa. (Tt 3,7).
Os trechos a seguir são exemplo do que é ter fé:
“Mestre, trabalhamos a noite toda e não apanhamos nada, mas, sobre a tua palavra, lançarei a rede” (Lc 5,5).
“Simão Pedro respondeu: “Senhor, para quem iremos nós? “Só tu tens palavras de vida eterna” (Jo 6,68).
“Se eu ao menos tocar na orla do seu manto, serei curada” (Mt 9,21)
.
Ter fé não é uma força mental nem um sentimento natural. É mais que isto. É virtude de Deus que está em nós, opera em nós e através de nós. É virtude que se move no nosso interior, em o nome do Senhor Jesus, pelo poder do Espírito Santo, para a realização consciente da vontade do Deus dos Exércitos, Elohim Sabaoth.
“Todo aquele. que o Pai me dá virá a mim, e o que vem a mim não o lançarei fora” (Jo 6,37). “eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,40b).
A Fé pode ser viva se é operante em Deus, pode ser morta se não é operante ou, ainda que opere, não procede do amor de Deus. Neste último caso, ela não produz frutos de vida eterna.
4. O que é a fé viva?
É um dom de Deus que se fundamenta na palavra e no amor que nasce do conhecimento da palavra. Por isso, ela está também na sabedoria e na veracidade de Deus.
a) A Fé viva é dom – carisma – dado por Deus (I Cor 12,9).
b) A fé viva nasce da palavra de Cristo:
“Logo, a fé provém da pregação e a pregação se exerce em razão da palavra de Cristo” (Rm 10,17).
c) A fé viva produz a viva esperança que se apóia no testemunho da palavra de Deus:
“Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Na sua grande misericórdia ele nos fez renascer pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma viva esperança, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada para vós nos céus; para vós que sois guardados pelo poder de Deus, por causa da vossa fé, para a salvação que está pronta para se manifestar nos últimos tempos” (I Pe 1,3-5).
d) A Fé viva é crer sem reservas e de forma incondicional:
“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e tua casa” (At. 16,31).
“Não sou digno de que entres em minha casa, basta que digas uma palavra e o meu servo será curado” (Lc 7,6-7).
e) A Fé viva é revestida da caridade do amor:
“mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada” (I Cor 13,2b).
f) A Fé viva é ainda modelo de conversão e de salvação. Quem a vive está em novidade de vida (II Cor 5,17) e em total disponibilidade nas mãos do Senhor.
A história do profeta Eliseu é um exemplo de fé viva. Ele era lavrador e estava no campo arando a terra, quando, segundo a vontade do Senhor, passou por ali o profeta Elias. Elias lançou sobre ele sua capa de profeta. Deixando tudo, Eliseu matou os bois e, fazendo um braseiro com a madeira do arado, cozinhou as carnes e distribuiu-as para alimentar o povo.
Ora, que significa para nós a atitude de Eliseu? Daquela hora em diante, ele era exclusivamente profeta do Altíssimo, Elyon. Não necessitava mais nem da terra nem dos bois, e muito menos do arado. Pela vocação, movida pela fé em Deus, passara a ser um homem de Deus, para Deus e para o seu povo. Já não se pertencia a si mesmo. (I Rs 19,19-21).
Outro exemplo de fé viva foram as atitudes de Simão Pedro, André, Tiago e João, que eram pescadores em plena atividade. Quando Jesus, passando à margem do Mar da Galiléia, lhes disse que os faria pescadores de homens (Mt 4,19), eles não titubearam:
“Pedro e André, imediatamente, deixando as redes o seguiram” (Mt 4,20).
“Tiago e João, imediatamente, deixando a barca e o Pai, o seguiram” (Mt 4,22).
Um terceiros exemplo de Fé viva foi o da vocação de Mateus. Ele se encontrava na coletoria, pois era cobrador de imposto, quando Jesus passou por ali e o chamou. Ele levantou-se e o seguiu (Mt 9,9).
A Fé viva é aquela que se incorpora ao centro da vida humano-espiritual e faz com que as nossas forças vitais, livremente, fortalecidas pelo dom do Espírito, nos leve ao testemunho da convicção firme e inabalável.
“Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).
“Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice, todavia não se faça como eu quero, mas sim como tu queres” (Lc 22,42).
05. O que é a fé morta?
É a fé que repousa sobre a terra e que não tem, por isso, o amor como fonte de esperança e revelação. Ela é totalmente impotente na área das obras da misericórdia, quer as corporais, quer as espirituais. A fé sem os ornamentos do amor torna-se incapaz de realizações que expressem a vontade do Senhor. E nem o pode, porquanto a lei é pelo amor (Rm 13,10), que conduz todas as coisas à perfeição (Cl 3,14), inclusive a Fé, porque também é dom (I Cor 12,9).
Isto quer dizer que, tanto na área espiritual como material, tudo terá o toque de perfeição, a partir da caridade do amor de Deus. Assim como na Fé, também na vida; assim como na vida também na esperança; como na esperança nas obras da Fé (Tg 2,14).
Desse modo, se vivemos na esperança de algum bem celestial ou terreno, tal fé, se não estiver ordenada no amor, não trará conforto ao coração e, dessa forma, tende a desmoronar-se como miragem, muito antes que nos venha o sol brilhante e fecundo do amanhecer da vida.
Assim, se a Fé não tiver como centro o autor da vida, não for centrada no núcleo do coração como obra do Espírito Santo de Deus, ou se não estiver envolta nos laços da constante espera confiante, como a perseverança que produz virtude; ou ainda se não crescer no abandono de si mesma e na entrega incondicional no caminho da ordenação virtuosa do amor, certamente não terá suas raízes postas na graça de Deus, nem tampouco se alimentará da fonte das águas da vida. (Jo 7,37-39; Ap 22,17) .
É próprio do homem o crer e o ter fé, ainda que movido pela esperança em algum objetivo puramente terreno. Assim, mesmo quando diz que não crê em Deus, os elementos vitais, fontes da Fé, estão na vida do coração, embora latentes, pois o homem, além de ter vindo do eterno, foi de forma maravilhosamente estruturado para um vida exclusiva no amor de Deus.
A Fé é morta, quando morto estiver o coração do homem, em total desespero. Então já não existe mais nada, ainda que ele esteja fisicamente vivo.
06. A Fé como confiança.
A confiança é ornamento ou qualidade da Fé. Muitos dos pregadores nos exortam para que a nossa fé seja confiante... Da palavra de Deus nos vem o canto da vitória:
“Ponde a vossa confiança no Senhor vosso Deus, e nada tereis a temer” (Cr 20,20b).
“O Senhor é o defensor de minha vida, de quem terei medo?” (Sl 26,1b).
“Tudo posso naquele que me conforta” (Fl 4,13).
“Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8,31b)
07. A Fé com esperança.
A Fé faz crescer não apenas a confiança como também a espera perseverante. Tanto a esperança como a confiança e a perseverança formam o conjunto da Fé viva. A palavra de Deus nos ensina como devemos comfiar, esperar e perseverar sempre, com fé inabalável.
“Confia ao Senhor a tua sorte, espera nele, e ele agirar” (Sl 36,5).
“Só em Deus repousa a minha alma, é dele que vem o que eu espero” (Sl 61,6).
“Por ele é que tivemos acesso a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança de possuir um dia a glória de Deus” (Rm 5,2).
“Quanto a nós, é espiritualmente, da fé, que aguardamos a esperada da justiça” (Gl 5,5).
08. A Fé tem por objetivo crer em Jesus Cristo, o autor da vida (At. 3,15).
“Jesus Cristo disse-lhe: Se podes...! Tudo é possível ao que crê” (Mc 9,23)
“A Escritura diz: Todo o que crê nEle não será confundido” (Rm 10,11).
“O que crê e for batizado será salvo” (Mc 16,16a).
“Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna” (Jo 6,47).
“Tudo o que pedirdes com fé na oração, vós o alcançareis” (Mt 21,22).
No homem, o coração é a ponte que liga ao eterno. A razão estrutura a vida do coração, mas este possui aspirações que extrapolam a razão, mesmo porque, além de ser a fonte que incita os desejos do homem, ele exerce, por isso mesmo, um forte poder de persuasão nas decisões do intelecto.
Assim, como a Fé é doação e nos vem pelo Espírito de toda a ciência, os seus arcanos não podem ser alcançados, em grande parte, pela inteligência humana. Nesse sentido, a fé é vivida por virtude do Espírito Santo e pela razão. No entanto, na medida em que Deus nos capacita para vivê-la (II Cor 3,5), ela depende de nossa busca e entrega incondicional.
“Então procurarás o Senhor, teu Deus, e o encontrarás, contanto que o busques de todo o teu coração e de toda a tua alma” (Dt 4,29)
“Procurar-me-eis e me haveis de encontrar, porque de todo o coração me fostes buscar” (Jr 29,13).
Como não gosto de dizer nada de mim mesmo, mas, principalmente, pelo Espírito Santo que inspira e revela através do dom do entendimento das coisas Santas, apóio-me na palavra de Deus para confirmar o exposto: “A nossa capacidade vem de Deus” (II Cor 3,5).
A teologia católica, que se baseia em São Tomás de Aquino, coloca a fé no pedestal do intelecto. Não me parece muito justo colocar sob a dependência da razão tudo o que vem de Deus ao alcance do homem.
Primeiro, porque nada podemos receber se não for concedido do alto (Jo 3,27; Tg 1,17). Segundo, porque Deus é infinito e nós somos finito. Assim, se a capacidade para viver e entender o infinito no finito não vier do infinito, não somos capazes de evoluir na fé nem em outro qualquer dom.
Tenho certeza que o teólogo não descartava a fé que se origina no dom de Deus, como a ciência, o entendimento, a sabedoria, o conselho, a fortaleza, a piedade e o temor de Deus. Esses dons são passivos da revelação, que, embora acolhida pela razão, excede a capacidade humana. Diríamos até que é uma outra razão, porquanto justa e misericordiosa. Embora dependa de nós, é força de Deus e virtude do Espírito Santo.
A nosso ver, a Fé como um ato da razão é sublime. No entanto, como dom que privilegia a razão e a supera na visão e na revelação da ciência divina e em suas definições, é por excelência o bem maior da vida, pois é penhor e garantia de vida eterna.
Ora, quem ler o capítulo onze da carta de São Paulo aos Hebreus, observará que, tanto o justo Abel como Raab, a meretriz, são riquíssimos exemplos de fé. Se a fé fosse apenas um ato da razão, certamente a história seria bem diferente.
A Fé, portanto, terá que ser exercitada por nós, como virtude teologal, como dom e carisma, através:
a) Caminho que é o Senhor Jesus Cristo.
“Eu sou o caminho” (Jo 14,6a)
b) Da verdade que é a palavra de Deus, o próprio Jesus revelado aos homens.
“Eu sou a verdade” (Jo 14,6b)
c) Da vida, o mesmo Jesus que é caminho e verdade de Deus.
“Eu sou a vida” (Jo 14,6c)
d) de Jesus, nossa certeza de chegarmos ao Pai (Jo 14,6d)
09. Qual é a Fé que nos salva?
São Paulo nos diz que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei (Rm 3,28).
Há um só Deus que justifica pela fé os circuncidados e que também pela fé justifica os incircuncidados (Rm 3,30).
Ora, o que são as obras da lei senão o cumprimento dos seus preceitos? Assim, toda lei tem obras, mas a Fé se apóia não somente no cumprimento dos preceitos legais, mas nos fundamentos da lei de Deus, que são a justiça, a misericórdia e a fidelidade, fundamentos maiores da lei.
Com efeito, a Fé verdadeira tem obras, pois, como nos exorta São Tiago, a Fé sem obras é morta (Tg 2,17). Desse modo, não há contradição entre os dois apóstolos. É necessário que as obras da lei sejam obras de justiça, isto é, de santidade. Obras da fé que salva.
,                                           QUESTIONÁRIO PARA REFLEXÃO E APROFUNDAMENTO
10. A Fé não é resultado do próprio esforço, mas dom gratuito de Deus. Somente este tipo de fé é autêntico. A fé não é emoção nem sentimento, mas engajamento pessoal com Deus.
Leia, copie e reflita do Cap. 3, o Vers. 27 do Evangelho de São João – Jo 3,27.
11. A Fé nos vem pela pregação, pelo conhecimento de Deus, que se comunica conosco para nos dizer algo e criar um compromisso com os homens.
Que diz a epístola aos Romanos – Cap. 10, Vers. 14 (Rm 10,14).
12. Em que cremos nós?

 
a) Cremos que a Bíblia é a palavra de Deus, escrita, infalível e inspirada. Cremos, por isso, em todas as verdades contidas na Bíblia.
b) Cremos que Jesus Cristo nasceu de Maria Santíssima e é o Filho de Deus.
c) Cremos que Jesus Cristo morreu por nossos pecados na cruz, que ressuscitou dos mortos ao terceiro dia, que subiu para o lugar de onde viera, o céu, e que voltará novamente para julgar os vivos e os mortos, julgar o mundo.
d) Cremos no Espírito Santo, dinâmico e atuante no meio dos homens e, sobretudo, em seus corações.
e) Cremos na Igreja, fundada e amada por Cristo. Ela é uma, santa, católica e apostólica.
f) Cremos na nossa ressurreição e na vida eterna.
13. Copie, interiorize e medite o Cap. 11, Vers. 6 da Epístola aos Hebreus (Hb 11,6).
14. Conte um exemplo de algum fato que lhe aconteceu onde alguém tenha demonstrado ser uma pessoa de fé.
15. A fé é um dom do Pai, adesão ao Filho e ação do Espírito Santo em nós.Você conhece alguém que, em sua opinião, é uma pessoa de fé?
16. Que diz o apóstolo São Pedro na sua 1ª Epístola – Cap. 3, Vers. 15? (I Pd 3,15):
“Antes santificai em vossos corações Cristo, o Senhor. Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito” (I Pd 3,15b).
João C. Porto
Obs.: Este curso de introdução à Bíblia Sagrada se encontra na nossa Apostila – 1992.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Exorcismo



EXORCISMO
PEQUENO EXORCISMO DE S. S. LEÃO XIII
( Publicado por sua ordem em 1884, para uso público e privado, por parte de sacerdotes e leigos)
+
Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém. (segurar um crucifixo até o final do exorcismo)
ORAÇÃO A S. MIGUEL ARCANJO
(de joelhos)
Gloriosíssimo Príncipe dos Exorcistas, S. Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate contra os principados e as potestades, contra os chefes deste mundo de trevas, contra os espíritos malignos espalhados pelos ares (Ef 6,10-12).
Vinde em auxílio dos homens que Deus fez à Sua imagem e semelhança, e resgatou com grande preço da tirania do Demônio (Sb 2,23-24; I Cor 6,20).
É a vós que a Santa Igreja venera como seu guardião e patrono, vós a quem o Senhor confiou as almas resgatadas para introduzi-las na felicidade celeste. Suplicai, pois, ao Deus da Paz, que esmague Satanás sob os nossos pés a fim de lhe tirar o poder para prejudicar a Igreja. Apresentai ao Altíssimo as nossas orações para que depressa desçam sobre nós as misericórdias do Senhor. E sujeitai a antiga serpente – que não é outra senão o Diabo ou Satanás – para precipitá-lo encadeado nos Abismos, de modo que não possa, nunca mais, seduzir as nações (AP 20,3).
EXORCISMO
(de pé)
Em nome de Jesus Cristo, nosso Deus e Senhor, com a intercessão da Imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus, de S. Miguel Arcanjo, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, e de todos os santos, apoiados na autoridade sagrada:
Da Santa Igreja (para os leigos)
Do nosso ministério (para os sacerdotes)
Nós empreendemos, com confiança, a batalha para afastar os ataques e as emboscadas do Demônio.
SALMO
Levante-se o Senhor e sejam dispersos os seus inimigos! Fujam diante d’Ele aqueles que O odeiam!
Desvaneçam com se desvanece o fumo. E como se derrete a cera ao fogo, assim pereçam os pecadores diante do rosto de Deus (Sl 67,2-3).
V. Eis a cruz do Senhor, fugi potências inimigas!
R. Venceu o leão da tribo de Judá, o descendente de David.
V. Que a tua misericórdia, Senhor, seja sobre nós!
R. Como nós esperamos em Ti.
Nós te exorcizamos, espírito imundo, potência satânica, invasão do inimigo infernal, legião, reunião ou seita diabólica.
Em nome e pela virtude de Nosso Senhor Jesus Cristo +, sejas desarreigado e expulso da Igreja de Deus, das almas criadas à imagem de Deus e resgatadas pelo precioso Sangue do Divino Cordeiro +.
Desde este momento, não te atrevas mais, pérfida serpente, a enganar o gênero humano, perseguir + a Igreja de Deus e sacudir e joeirar como o trigo os eleitos de Deus. +.
Manda-to o Deus Altíssimo +, ao qual, na tua grande soberba, presumes ainda ser semelhante. Ele “que deseja que todos os homens se salvem e conheçam a verdade” (I Tm 2,4).
Manda-to Deus Pai +.
Manda-to Deus Filho +.
Manda-to Deus Espírito Santo +.
Manda-to o Cristo, Verbo Eterno de Deus feito carne +. Ele que para salvação da nossa progênie perdida por tua inveja – se humilhou e “tornou obediente até a morte” (Fl 2,8).
Ele que edificou a Sua Igreja sobre pedra firme e prometeu que as portas do Inferno não prevaleceriam jamais contra Ela, querendo permanecer com Ela “todos os dias até ao final do mundo” (Mt 28,20).
Manda-to o sinal sagrado da Cruz +, e a virtude de todos os mistérios da nossa Fé Cristã +.
Manda-to a poderosa Mãe de Deus, a Virgem Maria +, que desde o primeiro instante da sua Imaculada conceição, pela sua humildade esmagou a tua cabeça orgulhosa.
Manda-to a fé dos santos Apóstolos Pedro e Paulo, e dos outros Apóstolos +.
Manda-to o sangue dos mártires e a piedosa intercessão de todos os Santos e Santas +.
Então, dragão amaldiçoado e toda a legião diabólica, nós te esconjuramos:
Pelo Deus + Vivo, pelo Deus + Verdadeiro, pelo Deus + Santo, pelo Deus que tanto amou o mundo que lhe deu o Seu Único Filho, para que quem creia n’Ele não pereça mas tenha a Vida Eterna (Jo 3,16):
CESSA de enganar as criaturas humanas e de derramar sobre elas o veneno da condenação eterna;
CESSA de danificar a Igreja e armar laços à sua liberdade.
VAI-TE Satanás, inventor e mestre de enganos, inimigo da salvação dos homens.
CEDE o lugar a Cristo, em Quem não encontraste nada das tuas obras;
CEDE o lugar à Igreja – Una, Santa, Católica e Apostólica – que o próprio Cristo adquiriu com o Seu Sangue.
HUMILHA-TE sob a poderosa Mão de Deus; treme e foge à invocação, feita por nós, do Santo e terrível Nome de Jesus que faz tremer o Inferno; a Quem as Virtudes dos Céus, as Potestades e as Dominações estão submissas; e que os Querubins e os Serafins louvam sem cessar, dizendo: “Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus dos Exércitos”.
V. Senhor, ouvi a minha oração.
R. E chegue a Vós o meu clamor.
V. O Senhor esteja convosco (para os sacerdotes)
R. E contigo também.
ORAÇÃO FINAL
(de joelhos)
Oremos:
Deus do Céu, Deus da terra, Deus dos Anjos, Deus dos Arcanjos.
Deus dos Patriarcas, Deus dos Profetas, Deus dos Apóstolos.
Deus dos mártires, Deus dos confessores, Deus das virgens.
Deus que tendes o poder de dar a vida depois da morte, o repouso depois do trabalho;
Porque não há outro Deus senão Vós; e não pode haver outro a não ser Vós; o Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, cujo Reino não terá fim;
Com humildade suplicamos que a Vossa gloriosa Majestade se digne livrar-nos poderosamente, e guardar-nos sãos e salvos de todo o poder, laço, mentira e malvadez dos espíritos infernais. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.
Das emboscadas dos demônios,
Livrai-nos Senhor.
V. Dignai-vos conceder à vossa Igreja a segurança e a liberdade para vos servir.
R. Nós Vos suplicamos, ouvi-nos Senhor.
V. Dignai-vos humilhar os inimigos da Santa Igreja..
R. Nós vos suplicamos, escutai-nos Senhor.
(Aspergir com água benta as pessoas e o lugar).
INVOCAÇÃO DA BÊNÇÃO DE DEUS
(do livro de horas)
Visitai, Senhor, esta morada e afastai dela as ciladas do inimigo; habitem nela os vossos Santos Anjos e nos guardem em paz; e a vossa bênção esteja sempre conosco. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na
unidade do Espírito Santo.
Nota: Este pequeno exorcismo de S. S. Leão XIII foi transcrito do livrinho “Defendei-nos do Inimigo” da ASSOCIAÇÃO CULTURAL TUDO INSTAURAR EM CRISTO, por considerarmos que é de grande proveito para a Igreja e todo o povo de Deus; isto é, todos os cristãos. Composto e impresso nas Oficinas Gráficas da TIPAVE – Tipografia de Aveiro, Ltda.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Mansidão


Mansidão

A mansidão que provém do conhecimento da verdade é sábia, por isso, humilde; porque é forjada entre o peso sobre bigorna e o cinzel que esculpe a imagem perfeita, o homem novo que se nos nasce da ciência dos santos.

“Renovai-vos, pois, no espírito do vosso entendimento, e revesti-vos do homem novo, criado segundo Deus na justiça e na santidade verdadeira” (Ef 4,23-24).

“Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”. Estas são palavras do Senhor Jesus, quando nos diz: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e oprimidos pelo fardo do pecado e eu vos aliviarei”.

Somente o Senhor Jesus, pela graça do Espírito Santo, em nós, tem o poder de nos transformar em novas criaturas, pela renovação do nosso espírito, para que possamos discernir qual seja a vontade de Deus em nós, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito.

Ora, para estas coisas santas, só os mansos e humildes, os que crêem em Jesus, recebem o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes são filhos e filhas de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, (Gl 3,26), a condução amorosa do Espírito Santo (Rm 8,14) e/ou os que recebem em seu próprio coração o testemunho do Espírito Santo dado ao seu espírito, confirmando a filiação de filhos de Deus (Rm 8,16); herdeiros de Deus e co-herdeiro com Cristo Jesus. (Rm 8,17).

Aliás, o apóstolo João acrescenta: “Aquele que afirma permanecer em Cristo deve viver como ele viveu” (I Jo 2,6).

Ora, Jesus, cheio do Espírito Santo, anunciava o Reino de Deus, evangelizava os pobres, curava os corações doloridos, anunciava aos cativos a redenção e aos prisioneiros a liberdade. Além disso, curava a todos, ressuscitava os mortos e realizava sinais e prodígios na natureza, sobre a terra.

“Todo povo procurava tocá-lo, pois dele saía uma força que os curava a todos” (Lc 6,19).

Desse modo, quem crê em Jesus conforme as Escrituras, do seu interior jorrarão rios de água viva. (Jo 7,38).

Não é verdade que todo aquele que crê em Jesus fará também as obras que Jesus realizou? (Jo 14,12). E o Senhor Jesus ainda nos afirma: “e fará obras maiores que as que realizei; pois, tudo o que pedir ao Pai em meu nome lhe será concedido”. “E se pedir alguma coisa a mim, em meu nome, eu a farei” (Jo 14,14).

Por isso, “quem der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos céus” (Mt 10,32). Mas, “aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus” (Mt 10,13).

Prestemos bem atenção!... Todos os que, mesmo em nossos dias, caminham com o Senhor Jesus no coração, sob a condução amorosa do Espírito Santo, como filhos e filhas de Deus, trazem em si o múnus de Cristo. Por isso, se prestarmos bem ação, na grande maioria desses filhos amados do Pai, o Senhor Jesus tem realizado, através deles, muitas curas, libertações, milagres, sinais e prodígios.

Dizemos isso, porque, eu e minha esposa, durante cerca de quarenta anos que caminhamos unidos ao Senhor, juntamente com bom número de irmãos e irmãs, igualzinho a nós, sabemos, através da comunhão de filhos e filhas de Deus, como o Senhor Jesus, através de todos seus filhos e filhas, realizou e ainda realiza grandes coisas: curas, milagres e libertações, as quais não nos convêm narrar e nem o saberíamos corretamente, pois, somos apenas instrumentos pequeninos, simples, humildes e, quantas vezes desprezíveis aos olhos de quantos deveriam se juntar a nós, para que na alegria da unidade do amor, continuemos sempre juntos, sob a mesma unção divina, cantando e celebrando em nossos corações os louvores do Senhor.

Você já imaginou se na Santa Missa, que é a maior oração da Igreja Una Santa, Católica e Apostólica, logo após a comunhão do Corpo de Cristo, fosse reservado quinze minutos para uma oração de cura e libertação, através do sacerdote e, quem sabe, de leigos que possuem a unção da condução amorosa do Espírito Santo? Por que dizemos isso com tamanha convicção? Por causa do batismo que Jesus realiza no Espírito Santo e com fogo (Mt 3,11b).

É a partir dai que se cumprirá, ainda hoje, o que o Senhor Jesus disse aos apóstolos, antes de ser elevado aos céus: “mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e me sereis testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia, na Samaria e até as extremidades da terra” (At. 1,8). Ai de nós se não formos verdadeiras testemunhas do Senhor Jesus Cristo, o único Senhor de nossa Salvação e ressurreição!...

Você se lembra como a Renovação Carismática Católica começou? Foi durante o Concílio Vaticano II, no princípio dos anos sessenta, através da oração do Papa João XXIII: Envia Senhor, um novo Pentecostes sobre a tua Igreja!... Foi em resposta a essa oração de sua Igreja que Deus derramou sobre ela, mais uma vez, a plenitude de sua graça e a efusão do seu divino Espírito.

João C. Porto

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A Revelação Divina



A Revelação Divina
A revelação de Deus nos vem ao coração, através de duas vertentes:
a) A razão natural pela qual o homem pode, através das coisas criadas, perscrutando inclusive seus movimentos e o canto das belezas naturais, obras da sabedoria que as criou, encontrar-se, de alguma forma, com o Criador.
“São insensatos por natureza todos os que desconheceram Deus, e, através dos bens visíveis, não souberam conhecer aquele que é, nem reconhecer o artista, considerando suas obras. Tomaram o fogo, ou o vento, ou o ar agitável, ou a esfera estrelada, ou a água impetuosa, ou os astros dos céus, por deuses, regentes do mundo. Se tomaram essas coisas por deuses, encantados pela sua beleza, saibam, então, quanto seu Senhor prevalece sobre elas, porque é o criador da beleza que fez essas coisas. Se o que os impressionou é sua força e seu poder, que eles compreendam, por meio delas, que seu criador é mais forte, pois é a partir da grandeza e da beleza das criaturas que, por analogia, se conhece seu autor. Contudo, estes só incorrem numa ligeira censura, porque, talvez, tenham caído no erro procurando Deus e querendo encontrá-lo: vivendo entre suas obras, eles as observam com cuidado, e porque eles as consideram belas, deixam-se seduzir pelo seu aspecto. Ainda uma vez, entretanto, eles não são desculpáveis, porque, se eles possuíram luz suficiente para poder perscrutar a ordem do mundo, como não encontraram eles mais facilmente aquele que é seu Senhor?” (Sb 13,1-9).
“Pôs o seu olhar nos seus corações para mostrar-lhes a majestade de suas obras, a fim de que celebrassem a santidade do seu nome, e o glorificassem por suas maravilhas, apregoando a magnificência de suas obras. Deu-lhes, além disso, a instrução; deu-lhes a posse da lei da vida; concluiu com eles um pacto eterno e revelou-lhes a justiça de seus preceitos” (Eclo 17,7-10).
“Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar” (Rm 1,20).
“Já que o mundo, com sua sabedoria, não reconheceu a Deus na sabedoria divina, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura de sua mensagem” (I Cor 1,21).
“O Deus, que fez o mundo e tudo o que nele há, é o Senhor do céu e da terra, e não habita em templos feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos de homens, como se necessitasse de alguma coisa, porque é ele quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas. Ele fez nascer de um só homem todo o gênero humano, para que habitasse sobre toda a face da terra. Fixou aos povos a ordem dos tempos e os limites da sua habitação. Tudo isso para que procurem a Deus e se esforcem por encontrá-lo como que às apalpadelas, pois na verdade ele não está longe de cada um de nós. Porque é nele que temos a vida, o movimento e o ser, como até alguns dos vossos poetas disseram: “Nós somos também de sua raça...” Se, pois, somos da raça de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra lavrada por arte e gênio dos homens” (At. 17,24-29).
b) Pela inspiração reveladora do Espírito de Deus, que preenche o céu, a terra e todo o universo e, de forma muito própria de si mesma, ilumina nossos corações, porque somos aqueles que, como imagens vivas e perfeitas de Deus, Ele os criou, os formou e os fez para sua glória.
“Temos esta confiança em Deus, por Cristo; não que sejamos capazes por nós mesmos de pensar alguma coisa (sobrenaturalmente boa), como vinda de nós mesmos, mas a nossa capacidade vem de Deus”, (II Cor 3,4-5).
Ora, através da razão natural, pelas coisas criadas,.conhecemos a Deus e, pela razão sobrenatural, recebemos do Senhor Jesus o entendimento, para conhecermos todas as coisas reveladas pelo Espírito Santo, conhecendo, assim, a Deus e a extensão de sua vontade em nossos corações.
“Sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento para conhecermos o verdadeiro. E estamos no verdadeiro, nós que estamos em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (I Jo 5,20)
O Senhor, nosso Deus, ensina-nos todas as coisas, através do Espírito Santo que se nos habita na alma, no espírito, no coração e em todo nosso ser. O que faz a diferença é sabermos separar as coisas que estão em nós mesmo; isto é, o que é próprio do espírito do homem, do que provém do Espírito de Deus.
“Pois quem conhece as coisas que há no homem, senão o espírito que nele reside? Assim também as coisas de Deus ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus” (I Cor 2,11).
O pecado, infelizmente, criou esse abismo dentro de nós: o que o espírito do homem conhece é a ciência própria do mundo. Mas, todo homem que possui o Espírito Santo, que o recebeu através do batismo na Igreja do Senhor Jesus, é ensinado por Deus e não por homens (Jr 31,34) e, de quebra, recebe o perdão de todos os pecados; porque Deus mesmo é quem apaga todas as nossas faltas, por amor de si mesmo. (Is 43,25).
Por isso, S. Paulo nos escreve, dizendo: “Ora, nós não recebemos o espírito do mundo, mas sim o Espírito que vem de Deus, que nos dá a conhecer as graças que Deus nos prodigalizou e que pregamos numa linguagem que nos foi ensinada não pela sabedoria humana, mas pelo Espírito, que exprime as coisas espirituais em termos espirituais” (I Cor 2,12-13).
Portanto, é importíssimo viver, por experiência de vida amoroso do Espírito Santo, em nossos corações, a fé, a viva esperança e a graça do conhecimento relativo ao tripé da revelação divino:
a) As Sagradas Escrituras.
“Toda Escritura, divinamente, inspirada por Deus, é útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, apto para toda obra boa” (II Tm 3,16-17).
b) A Sagrada Tradição.
“Permanecei, pois, constantes, irmãos, e conservai as tradições, que aprendestes, ou por nossas palavras ou por nossa carta” (II Ts 2,14 = Vulgata).
c) O Magistério da Igreja.
“Se não ouvir, dize-o à Igreja. Se não ouvir a Igreja, considera-o como um gentio e um publicano. Em verdade vos digo: Tudo o que ligares sobre a terra, será ligado no céu; e tudo o que desatardes sobre a terra, será desatado no céu” (Mt 18,17-17)
João C. Porto

sábado, 8 de janeiro de 2011

Mistério da Redenção


Mistério da Redenção

Este é o texto mais importante do Novo Testamento:

“Deus o destinou para ser, pelo seu sangue, vítima de propiciação mediante a fé. Assim ele manifesta sua justiça; porque no tempo de sua paciência, ele havia deixado sem castigo os pecadores anteriores” (Rm 3,25)

Ora, morrendo na cruz, Cristo obteve para nós:

1) Reparação digna e perfeita de todos os pecados: passados, presentes e futuros:

“Se, quando éramos ainda inimigos, fomos reconciliado com Deus pela morte de seu Filho, com muito mais razão, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida” (Rm 5,10).

“Porque aprouve a Deus fazer habitar nele toda a plenitude e, por seu intermédio, reconciliar consigo todas as criaturas, por intermédio daquele que, ao preço do próprio sangue na cruz, restabeleceu a paz a tudo o que há na terra e no céu” (Cl 1,19-20).

2) Restauração da vida sobrenatural dando aos homens o direito de se tornarem filhos de Deus, e herdeiros de Deus, nos céus, pela visão beatífica:

“Mas, a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus” (Jo 1,12-13).

“E, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, contanto que soframos com ele, para que também com ele sejamos glorificados” (Rm 8,17).

“Oferecei vossos sacrifícios com sinceridade e esperai no Senhor. Dizem muitos: “Quem nos fará ver a felicidade?”“ Fazei brilhar “sobre nós, Senhor, a luz de vossa face” (Sl 4,6-7).

3) Merecimentos das graças necessárias para a salvação. Toda a graça procede da morte redentora de Cristo:

“e do qual temos recebido a graça e o apostolado, a fim de levar, em seu nome, todas as nações pagãs à obediência da fé” (Rm 1,5).

“e são justificados gratuitamente por sua graça; tal é a obra da redenção, realizada em Jesus Cristo”. (Rm 3,24).

“Assim como o pecado reinou para a morte, assim também a graça reinaria pela a justiça para a vida eterna, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 5,21).

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós (armou a sua tenda no meio de nós), e vimos a sua glória, a glória que um Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1,14).

“Todos nós recebemos da sua plenitude graça sobre graça. Pois a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo 1,16-17).

Assim, a paixão de Cristo tornou possível a todos:

a) Ação de graça

“Principalmente, dou graças a meu Deus, por meio de Jesus Cristo, por todos vós, porque em todo o mundo é preconizada a vossa fé” (Rm 1,8).

b) A paz

“Justificados, pois, pela fé, temos a paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 1,5).

“Ele é nossa Paz” (Ef 2,14b).

c) O verdadeiro culto a Deus

“Àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu Evangelho, na pregação de Jesus Cristo – conforme a revelação do mistério, guardado em segredo durante séculos, mas agora manifestado por ordem do eterno Deus e, por meio das Escrituras proféticas, dado a conhecer a todas as nações, a fim de levá-las à obediência da fé –, a Deus, único, sábio, por Jesus Cristo, glória por toda a eternidade! Amém”. (Rm 16,25-27).

Pequeno ensino do Pe. Pedro Maria.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

B A T I S M O


Batismo

A palavra batismo vem do grego baptizein, e, etimologicamente, quer dizer imersão, isto é, ato de mergulhar na água, ato de banhar. O batismo obedece a uma ordem do Senhor Jesus Cristo (MT 28,19).

O Senhor Jesus, depois da ressurreição e antes de subir ao céu, assim falou aos seus apóstolos: “João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui a poucos dias” (At. 1,5). Então os apóstolos fizeram-lhe uma pergunta: “Senhor, é porventura agora que ides restaurar o reino de Israel?” Jesus respondeu-lhes: “Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder; mas, recebereis a virtude do Espírito Santo que descerá sobre vós, e me sereis testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia, na Samaria e até as extremidades da terra” (At 1,6-8).

Não nos esqueçamos: qual o testemunho que, como batizados que somos, deveremos dar sobre a pessoa de Jesus como nosso único e suficiente Salvador (Mt 10,32-33)?

Ora, conforme o anúncio de João Batista, Jesus é quem nos batiza no Espírito Santo e em fogo. (Mt 3,11b). Este batismo, no princípio da Igreja, corresponde à descida do Espírito Santo no Cenáculo, que veio sobre os apóstolos e a Virgem Maria, todos reunidos em oração sob a expectativa do Pentecostes.

O Pentecostes, retorno do Espírito Santo ao coração da comunidade cristã, e, de modo especial, aos corações dos filhos e filhas de Deus, a partir do novo nascimento (Jo 1,11-13; 3,1-18), à filiação adotiva conforme fora prometida.

Hoje, na Igreja, embora o batismo seja um só (Ef 4,5), corresponde aos momentos da efusão do Santo Espírito de Deus.

1. Através do batismo das criancinhas, os recém-nascidos.

2. Nos momentos em que recebemos a efusão dos carismas; Isto é, a unção e o derramamento de dons e virtudes.

3. Por ocasião do batismo nos Seminários de Vida no Espírito Santo.

Estas três fases ou momentos de efusão do Espírito de Deus correspondem às maravilhosas manifestações do crescimento da vida espiritual dos que nascem da água e do Espírito (Jo 3,5)

Vejamos este maravilhoso testemunho através da imposição das mãos do apóstolo Paulo: São Paulo chegou a Éfeso, onde encontrou alguns discípulos e indagou deles: “Recebestes o Espírito Santo, quando abraçaste a fé? Eles responderam-lhe: “Não, nem sequer ouvimos dizer que há um Espírito Santo! “Então em que batismo fostes batizados? Disseram: “No batismo de João”. Paulo, então, replicou: “João só dava um batismo de penitência, dizendo ao povo que cresse naquele que havia de vir depois dele, isto é, em Jesus. E quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles, e falavam em línguas estranhas e profetizavam. Eram ao todos doze homens” (At. 19,1-7).

Hoje, é semelhante ao que acontece a partir dos Seminários de Vida no Espírito Santo, e até mesmo em grupos de oração. Quanto mais invocamos o Espírito Santo: vinde Espírito Santo, vinde aquecer-me no fogo do vosso amor, Vinde Espírito criador, vinde renovar todo o meu ser, vinde Espírito consolador, vinde consolar os corações embriagados do vosso amor, vinde Pai dos pobres, vinde luz dos corações: “o que é fragilidade em nosso corpo, revigora com teu vigor!” Vinde... vinde... Santifica minha alma, meu espírito, meu coração e todo o meu ser... Assim, sob a ascese da devoção ao Espírito Santo, vamos crescendo na fé, na esperança, na caridade do amor do Pai e do Filho e nas virtudes de suas perfeições.

Ora, pela fé, a caridade, o exercício dos carismas, virtudes e a prática dos frutos de vida eterna, o batismo do Espírito Santo tornar-se-á a via de intimidade e amizade pela qual conversamos constantemente com o Senhor, nosso Deus e com seu Filho Jesus Cristo; pois Ele, Jesus, é quem nos ministeria ao anúncio do Evangelho da Salvação e à vida sob a condução amorosa do Espírito Santo.

Você não gostaria de conhecer estas coisas? Leia a Bíblia Sagrada!... Venha, se assim o desejar, conversar conosco!... Procure na Igreja do Senhor Jesus – Igreja Católica -, o Sacerdote, principalmente, aqueles que tenham essa experiência viva de intimidade de coração com o Senhor Jesus; uma experiência de cura e libertação. Se me permitem, eu lhes afirmo que todos os sacerdotes são santos ungidos de Deus, mormente aqueles que possuem experiência de vida sob a direção amorosa do Espírito Santo.

Ora, se nós, leigos, homens e mulheres, pequeninos como somos, o Senhor nos dá o sabor de sua palavra (Jr 15,16; Sl 118,103), sua intimidade de corações ungidos do seu amor; então, posso imaginar a partir do que a palavra de Deus diz acerca do sacerdote: “Os lábios dos sacerdotes serão os guardas da ciência; da sua boca se há de aprender a lei, porque ele é um anjo do Senhor dos exércitos” (Ml 2,7 – Vulgata).

Por que então Maria de Nazaré, na Magnífica, disse estas palavras: “O Senhor fez em mim maravilhas?”

É que o Senhor profetizou para todos os povos do mundo inteiro: “Depois disso, acontecerá que derramarei o meu Espírito sobre todo o ser vivo: vossos filhos e vossas filhas profetizarão; vossos anciãos terão sonhos, e vossos jovens terão visões. Naqueles dias derramarei também o meu Espírito sobre os escravos e as escravas” (Jl 3,1-2). “Virão dias – oráculo do Senhor Javé – em que enviarei fome sobre a terra, não uma fome de pão, nem uma sede de água, mas (fome e sede) de ouvir a palavra do Senhor” (Am 8,11).

Por ser muito extenso o assunto, terminamos, aqui, com mais um evocação divina: “A Escritura diz: “Desperta, tu que dormes! “Levanta-te dentre os mortos e Cristo te iluminará” (Ef 5,14).

João C. Porto.