sábado, 10 de julho de 2010

BOA NOVA DO SENHOR JESUS > Povo de Deus

Deus criou nossos primeiros pais, Adão e Eva, para que formássemos um só povo do amor do seu coração sobre a face da terra, um único povo.

Tudo em Deus é uno, quer dizer: um, único, singelo e simples, perfeito e santíssimo. Não há imperfeição em Deus, por isso o que é imperfeito não pode fazer parte de Sua unicidade, de Sua eternidade, de Sua simplicidade, de Sua ubiquidade e nem de Sua imutabilidade. Por isso, ninguém pode receber coisa alguma se não lhe for dada do céu (Jo 3,27); porque, toda boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, no qual não há mudança nem sombra de vicissitude. (Tg 1,17).

Vejamos como S. Paulo, ao povo único, se refere: Ele fez nascer de um só homem todo o gênero humano, para que habitasse sobre toda a face da terra. Fixou aos povos os tempos e os limites da sua habitação. Tudo isso para que procurem a Deus e se esforcem por encontrá-lo como que às apalpadelas, pois na verdade ele não está longe de cada um de nós. Porque é nele que temos a vida, o movimento e o ser, como até alguns dos vossos poetas disseram: nós somos também de sua raça... (At. 17,26-28).

São Paulo pronunciou estas palavras no Areópago, em Atenas, diante dos gregos e alguns de seus filósofos; mas foram pouquíssimos os que se converteram. Quem sabe, um deles tenha sido Dionísio, o areopagita. Aliás, de Dionísio, conta-se, que na sexta-feira da paixão de Cristo, na hora em que o Senhor entregou seu espírito ao Pai, ele, Dionísio, se encontrava em Roma. Ao observar, da sacada do palácio, a convulsão universal e os aspectos dos acontecimentos relativamente à natureza, ele teria exclamado: “ou ocorreu alguma mudança no universo ou, então, acaba de morrer uma divindade”.

Retomando o assunto sob comentário, observa-se que, com o pecado da infidelidade de nossos primeiros pais, interrompido estava a unidade de um só povo sobre a face da terra; visto que o pecado, diante da perfeição e santidade de Deus, na verdade, abalou o universo inteiro, a terra e os céus e tudo o que neles havia, de alguma forma, ordem ou natureza.

Então, daí para frente, é como S. Paulo disse a Timóteo: “o mal se alastra como a gangrena” (II Tm 2,17). Por isso o mal foi se alastrando ao ponto que Caím matou Abel, seu irmão.

Entretanto, o amor de Deus pelo homem, sua imagem viva e perfeita sobre a terra, é algo tão extraordinário, profundo e maravilhoso, como um mistério o qual só o compreenderemos no dia em que, escolhidos de sua predileção, estivermos com Ele face a face. Todavia, ficamos neste ponto, assim nos parece, mesmo porque o Espírito Santo me traz ao coração esta expressão do Senhor Jesus Cristo, no livro do Apocalipse: “Eis que eu renovo todas as coisas. Disse ainda: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. Novamente me disse: Está pronto! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Começo e o Fim. A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva. O vencedor herdará tudo isso, e eu serei seu Deus, e ele será meu filho. (Ap 21,5-7).

Ora, Deus, na sua infinita bondade e no seu amor eterno e constante (Jr 31,3), deu a Adão e Eva outro filho de sua predileção: Set, semelhante a Abel, através do qual, pelo que se pode concluir, nasceu a descendência dos Filhos de Deus, uma unidade duradoura, um povo escolhido de sua predileção.

Aconteceu, entretanto, que os filhos de Deus acharam as filhas dos homens bonitas e belas e, por isso, apaixonaram-se por elas; e, isso, desagradou a Deus. (Gn 6,1-2).

O Senhor, então, disse: “Meu espírito não permanecerá para sempre no homem, porque todo ele é carne...” (Gn 6,3).

Como se pode observar, o homem sem o Espírito de Deus, embora seja a imagem viva e perfeita de Deus sobre a terra, infelizmente é só carne; isto é, pecado que se alastra sobre a face da terra.

“O Senhor viu que a maldade dos homens era grande na terra, e que todos os pensamentos do seu coração estavam continuamente voltados para o mal”.

O Senhor então disse: “Exterminarei da face da terra o homem que criei”. Contudo, como os desígnios do Senhor são eternos, desígnios de prosperidade e não de calamidade, que nos garante um futuro e uma esperança (Jr 29,11), Noé encontrou graça aos olhos de Deus. Por isso, sob os olhos da justiça, da misericórdia e de sua fidelidade suprema, o Senhor nosso Deus enviou o dilúvio, pelo que apenas oito pessoas foram salvas sobre as águas; prefiguração do batismo que recebemos na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, o batismo de regeneração e de renovação no Espírito Santo que, por Cristo Jesus, está largamente difundido em nossos corações como garantia de nossa justificação e da herança eterna reservada aos santos (Ef 1,17-18), conforme a viva esperança dos filhos e filhas de Deus.

Entendendo as coisas que o Espírito de Deus, até aqui, de Adão ao dilúvio, nos trouxe ao coração, esta é a terceira intervenção divina, no sentido de que houvesse um só povo de sua predileção sobre a terra, como fora criado no princípio.

Ora, ao desenrolar da história da salvação, agora, a partir da descendência de Noé: Sem, Cam e Jafet, o Senhor chamou dentre os semitas, de Ur da Caldéia, a Abrão e sua esposa Sarai, para formação do povo de sua predileção. Com esse objetivo, fez com Abrão uma aliança, trocando-lhe o nome de Abrão para Abraão e de sua esposa Sarai, para Sara; pelo que Deus disse a Abraão que ele teria uma descendência tão numerosa como as estrelas do céu e os grãos de areia da praia.

Na verdade, Abraão seria pai de muitas nações!... Nesse sentido, ele, Abraão, foi abençoado por Melquisedec, rei de Salém – Sacerdote eterno – a quem Abraão pagou o dízimo dos despojos dos reis vencidos na batalha em Sodoma e Gomorra.

A partir de Isaac, o filho da promessa, nascido de Abraão com Sara, sua esposa, e, principalmente, através de Jacó, filho de Isaac, a descendência da fé de Abraão começou a crescer.

Foi, entretanto, no Egito, acolhidos por José, um dos doze filhos de Jacó, então, ministro do Faraó, que o povo de Deus, da linhagem de Abraão, começou a crescer e tornou-se um povo número. Todavia, foi escravizado por um período de 430 anos; após o que Deus com braço forte e grande poder o libertou através de Moisés, seu servo. Daí, então, fê-lo passar entre as águas do mar vermelho a pé enxuto, e a caminhar durante quarenta anos através do deserto, até que, finalmente, sob a condução de Josué, entraram na terra de Canaã prometida por Deus a Abraão.

Ora, no Evangelho de João, ler-se: “Porque, se a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo” (Jo 1,17).

Assim, pois, Moisés foi o primeiro libertador do povo de Deus. Ele, na verdade, o libertou de uma escravidão histórica de 430 anos, do Egito, com vista à libertação espiritual futura, conforme o Senhor, nosso Deus, prometera desde os primeiros tempos.

Ora, no tempo da plenitude, Deus enviou o seu Filho feito da mulher, feito sob a lei, para remir todos os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a adoção de filhos. Nesse sentido, o Senhor Jesus, no calvário, com a morte de cruz, aspergindo-nos com seu próprio sangue, salvou-nos da escravidão espiritual do pecado, com vista à libertação histórica através do arrebatamento dos vivos e a ressurreição dos mortos, oportunidade em que ele mesmo reinará com todo o povo de Deus sobre a face da terra.

Nessa visão história e espiritual concluímos que Deus segundo seus desígnios eternos fez no tempo oportuno o último chamado à segunda Eva, isto é, Maria de Nazaré desposada com José, da qual mediante o seu sim a Deus e por obra do Espírito Santo, nasceu Jesus Cristo, o Filho único do Pai, para a redenção e formação do povo escolhido de Deus desde antes de toda a eternidade.

Desse modo, atualmente, temos a Deus como nosso único Pai, a Jesus Cristo como único Salvador e Senhor, o Espírito Santo como Santificador de todos os filhos e filhas de Deus e a Imaculada sempre Virgem Maria, nossa Mãe universal, porque foi através dela que recebemos em nossos corações a vida sobrenatural do Criador.

Sabemos, também, conforme as Escrituras, que Maria é a Mãe do Senhor Jesus (Lc 1,31), por conseguinte Mãe do Filho de Deus (Lc 1,35). Também é a Mãe de Deus (Lc 1,43) e Mãe do verdadeiro Deus e da vida eterna (I Jo 5,20). Ela é nossa própria Mãe, Mãe da Igreja e a própria Igreja, em cujo seio fomos gerados como filhos e filhas de Deus, conforme a graça de vivermos sob a direção amorosa do Espírito Santo..(Rm 8,14.16).

João C. Porto

sábado, 3 de julho de 2010

BOA NOVA DO SENHOR JESUS > Filhos de Deus

“Considerai com quão grande amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato. Por isso o mundo não nos conhece, porque não o conheceu” (I Jo 3,1).

Deus quer que sejamos inteiramente dele (Dt 18,13) e andemos incondicionalmente sob o Senhorio do Senhor Jesus, em seu caminho que, ele mesmo nos mostra e nos instrui, fitando em seus filhos e filhas com seus próprios olhos (Sl 31,8), para que andemos sob a direção amorosa do Espírito Santo, a fim de que não nos desviemos nem para direita nem para a esquerda.

Ora, um filho de Deus nasce da graça que salva mediante a fé em Cristo como dom gratuito de Deus. É algo que não é de nosso mérito; mas, poder de Deus que é dado a todos que crêem no seu Filho.

Cada filho e/ou filha de Deus, como tal, deve possuir o conhecimento do amor de Cristo que excede toda ciência, para que esteja cheio da plenitude de Deus (Ef 3,19), assim como Deus Pai deu toda sua plenitude a seu Filho Jesus, que é a imagem do Deus invisível e o primogênito de toda a criação.

Os verdadeiros filhos de Deus são estranhos ao mundo, porque não vivem segundo a carne, mas conforme o Espírito de Deus. (Rm 8,16. 26-27). É como nos fala S. Paulo: “Se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis” (Rm 8,13); pois, todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus (Rm 8,14).

Na verdade, S. Paulo nos ensina que já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo. A lei do Espírito de Vida os libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte. (Rm 8,1-2).

Muitos de nós, católicos, entendemos que pelo fato de termos sido batizado na Igreja, participarmos da Santa Missa, vivermos os sacramentos e estarmos sob a ascese devocional, somos filhos de Deus.

Muito cuidado para não nos enganarmos!... Os filhos e filhas de Deus não são deste mundo; ainda estão aqui, mas não pertencem a ele; pois são concidadãos dos santos e membros da família de Deus. Por isso, aguardam, dia e noite com alegria, a vinda do Senhor Jesus.

Ora, um filho ou filha de Deus está revestido (a) de Cristo (Gl 3,27); por isso, é cristo que vive nele (a). O verdadeiro filho de Deus vive sob a direção amorosa dos dons infusos (Is 11,2), exercíta-se, de fé em fé e em santidade, nos carismas do Espírito Santo (I Cor 12,8-10), vivencia a perfeição das virtudes da caridade de Cristo Jesus e, com Cristo, em Cristo e por Cristo, dá abundantes frutos de vida eterna.

São Francisco de Sales nos diz: “Alguns põem a perfeição na austeridade da vida, outros na oração, estes na freqüência dos sacramentos, aquele nas esmolas. Enganam-se. A perfeição consiste em amar a Deus de todo o coração”. È nessa direção que Jesus nos ensina, dizendo: “Assim brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16).

Ora, os filhos e filhas de Deus devem ser prudentes e sóbrios: “Vigiai, pois, com cuidado sobre a vossa conduta: que ela não seja conduta de insensatos, mas de sábios que aproveitam ciosamente o tempo, pois os dias são maus. Não sejais imprudentes, mas procurai compreender qual seja a vontade de Deus” (Ef 5,15-17). “Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens, certos de que recebereis, como recompensa, a herança das mãos do Senhor. Servi a Cristo, Senhor” (Cl 3,23-24).

João C. Porto

sexta-feira, 25 de junho de 2010

BOA NOVA DO SENHOR JESUS > A Igreja do Senhor é Católica

Quando se diz “Romana”, é porque é de Roma, isto é, terrena. Só que nós, da Igreja de Cristo, portanto, Católica, que tem sua Sede em Roma, somos celestiais e, por isso, como o Senhor Jesus Cristo, não somos deste mundo; estamos aqui, mas não pertencemos a ele, somos do céu!... Não somos cidadãos e/ou cidadãs de Roma ou, ainda se quer, compramos título de cidadania romana, como o fez Saulo de Tarso. Não somos da terra, nem tampouco peregrinos ou estrangeiros; mas, como nos ensinou S. Paulo: “somos concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus. É nele que todo edifício, harmonicamente disposto, se levanta até formar um templo santo no Senhor. É nele que também vós outros entrais, conjuntamente, pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna habitação de Deus” (Ef 2,19-22); pois, somos universais, pelo que trazemos em nossos corações o selo do Espírito Santo que nos fora prometido (Ef 1,13).

Por acaso estamos esquecidos de que fomos libertados da escravidão deste mundo? Jesus Cristo, na Cruz, nos adquiriu por um alto preço (I Cor 6,20); como nos ensina o apóstolo Pedro: “Porque vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso sangue de Cristo” (I Pd 1,18-19).

Será que estamos esquecidos da conclusão do Concílio de Calcedônia, que em 451 da história da Igreja de Cristo Jesus, sobre a terra, a proclamou como “Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica?” Então, é uma Igreja Santa e Católica! Ela é Reino Universal do amor divino que se encontra no céu, na terra e em todo o lugar; isto é, Reino de justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14,17) Ela corresponde aos corações regenerados e renovados em seu seio de Mãe universal, como a Virgem Imaculada Mãe de Deus que, pelo Espírito Santo, gerou o primogênito da geração dos ressuscitados, a qual todos os que estão em Cristo Jesus pertencem eternamente.

Ora, todo reino – nação –, que existe sobre a terra, além de ter o território demarcado, possui um governante – rei – que o governa, dirige seu povo e o defende de todos os inimigos. Só que o Reino de Deus, cujo Rei e Sacerdote eterno é o Senhor Jesus Cristo, embora tenha, também, demarcação territorial, nossos olhos não a vêem, nossos ouvidos não ouvem falar de seus confins e nem os corações a percebem realmente como ela é. São, na verdade, “coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou, tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam”.

A demarcação do Reino de Deus é a unidade dos corações que o formam. Ninguém o vê, porque ele nasce gratuitamente da graça da salvação mediante a fé em Cristo Jesus. E isto não provém de nossos méritos, diz S. Paulo: “mas é puro dom de Deus”.

O Reino de Deus foi semeado em nossos corações por Jesus Cristo, o qual, no calvário, justificou-nos através do seu sangue redentor, perdoou nossos pecados e nos reconciliou com o Pai Eterno.

Ora, esse ato de amor de predileção, gratuito e irrevogável que o Pai consumou em virtude da fidelidade suprema do Filho amado, é penhor de vida eterna, para que o Reino dos céus germinasse da boa terra dos corações. Por isso, o Senhor Jesus, no Pentecostes, enviou-nos o prometido do Pai (Lc 24,49); isto é, o outro consolador, para que, pela observância de seus mandamentos, ficasse, eternamente, com todos aqueles que fossem regenerados e renovados pelo batismo do Espírito Santo, que nos concedeu em profusão, para que a justificação obtida por sua graça nos tornasse, em esperança, herdeiros da vida eterna. (Tt 3,4-7)

Na oração sacerdotal, do seio de todas as verdades reveladas, uma delas nos fala mais claramente de que, pela fé em Jesus Cristo, embora estejamos na terra, não pertencemos a ela; visto que vivemos libertos da escravidão deste mundo: “a vida eterna consiste em que conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste” (Jo 17,3)

.Será que conhecemos o Pai e o Filho? Disse-lhe Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta”. Respondeu Jesus: “Há tanto tempo que estou convosco e não me conheceste, Filipe!” Aquele que me viu, viu também o Pai. Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai... Não credes que estou no Pai e o Pai está em mim?

Ora, tudo isso nos revela que a Igreja Católica, estando no mundo, passa pelo mundo (I Cor 3,15), mas não lhe pertence, porque a sua universalidade é divina, a qual se nos revela numa unidade, em três dimensões: os que ainda caminham com o Senhor Jesus, sobre a terra, como parte do Reino de Deus em processo de santificação; os que se encontram no purgatório concluindo as penas dos sentidos e dos pecados e, finalmente, todos aqueles que já experimentam, no paraíso, sentados à direita do Senhor Jesus Cristo, as delícias do Reino do Amor do Pai e do Filho. (Ap 3,21)

A Igreja Una, Santa Católica e Apostólica, e bem assim seus filhos e filhas, não podem ser chamados de “romana” e nem seus filhos e filhas de “romanos”; mas, simplesmente de cristãos, porque estamos revestidos de Cristo (Gl 3,27) e, por isso, somos de Cristo ( I Cor 3,22b ); pelo que já não somos nós que vivemos, mas é o próprio Cristo que vive em nós; isto é, agora somos cristos de Cristo.

Na verdade, a Igreja e todos aqueles que foram gerados do Espírito Santo ( Jo 1,12-13 ), em seu seio, feitos, portanto, do seio Imaculado da sempre Virgem Mãe de Deus, que também é Mãe da Igreja e é a própria Igreja, nasceram como membros da geração dos ressuscitados, cujo primogênito é o Senhor e Salvador Jesus Cristo. Desse modo, se Cristo não é deste mundo, nós também, nele e por ele, estamos trasladados de um estado de vida terrena, que pertence à terra, para a vida eterna que é celeste e pertence aos céus; o que quer dizer: embora ainda estejamos aqui, somos em Cristo Jesus, do reino dos céus, pois nada temos com este mundo.

Assim, torna-se necessário rever os conceitos, posto que a Igreja não é de Roma. Ela, na verdade, está em Roma como está em todo o mundo, está na terra, no céu e em todo o universo. Ora, a Igreja é Católica; por isso, universal. Além disso, a Igreja e todos que nascem do seio imaculado e virginal da Mãe universal, recebemos de Cristo pela excelência do sacerdócio eterno, a vida sobrenatural do Criador. Portanto, não podemos ter qualquer afinidade com o mundo, nem com a grande prostituta (Roma idólatra – Ap 17,1- Bíblia de Jerusalém).

Ora, a Igreja é divina, sua autoridade e poder de ligar e desligar é universal e tem origem em Cristo Jesus.

Eu sou católico e amo a Igreja como Corpo vivo de Cristo, na terra e no céu. Mas, momentaneamente, estou no mundo!... Porque busco incessantemente viver o temer a Deus e, certamente, como todos os filhos e filhas de Deus, não nos conformamos com este mundo. Por isso, pelo batismo do Espírito Santo, nascemos da vontade de Deus, e dele recebemos o poder do alto para nos tornarmos, pela fé em Jesus Cristo, filhos e filhas de Deus. (Jo 1,12)

Ora, isto não provém de nossos méritos, mas é puro dom de Deus; para que, conhecendo o amor de Cristo que excede todo o entendimento, estejamos cheios da plenitude de Deus. Ora, o mundo não tem a plenitude de Deus, mas a Igreja, como corpo de Cristo sobre a terra, é plenitude de Deus; e o que é plenitude de Deus não é deste mundo, porque nasceu de Deus e é, exclusivamente, de Deus.

No mais, deixamos estas palavras do apóstolo João: “Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo – a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida – não procede do Pai, mas do mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente” (I Jo 2,15-17).

Todo o nome que é dado na terra se extingue com a própria terra; mas, o nome que recebemos de Deus, em o nome do Senhor Jesus Cristo, permanece eternamente. Exemplo: Abrão, para Abraão. Assim também os que são de cristo têm um novo nome: Cristão, que quer dizer: “Ungido de Cristo”, como filhos e filhas do Pai Eterno, eternamente!...

João C. Porto

terça-feira, 8 de junho de 2010

BOA NOVA DO SENHOR JESUS >> Poço de Jacó

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O Senhor Jesus nos exorta: “Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto. Porque todo aquele que pede, recebe. Quem busca, acha. A quem bate, abrir-se-á” (Mt 7,7-8)
O Grupo de Oração “Poço de Jacó” é local de encontro com Jesus, como aconteceu com a mulher samaritana. Ela estava cansada, fatigado e oprimida pelo pesado fardo de seus dias.
Por isso, foi ao local de encontro do povo de Sicar: a fonte de água fresca, onde todos iam dessedentar-se, oportunidade em que se encontravam com amigos e conhecidos e, através do diálogo entre eles, quem sabe!... fossem iluminados à auto-estima, como a humildade da fé que opera pela caridade, e a viva esperança, que, pela sabedoria sempre nos ilumina o caminho da paz, como encontro com o Senhor Jesus Cristo; pois “ele é a nossa paz”. “O incrédulo não tem a alma reta em si mesmo; mas o justo viverá na sua fé” (Hab 2,4)
São chamados justos, indistintamente, todos os justificados no sangue redentor de Cristo; porque, pelo sacrifício da cruz, foram perdoados de seus pecados e reconciliados com Deus; por isso, também, chamados santos (Rm 1,7 - Vulgata); pois, pelo Batismo (Mt 3,11b), receberam em seus corações o Espírito Santo, que os guia como filhos de Deus (Rm 8,14.16), regenera-os, renova-os e lhes confere, pela esperança, a herança eterna (Tt 3,4-7).
Para tal conjuntura de conversão, de entrega incondicional a Cristo Jesus, é-nos necessário que não nos envergonhemos do Evangelho: “Com efeito, não me envergonho do Evangelho, pois ele é uma força vinda de Deus para a salvação de todo o que crê, ao judeu em primeiro lugar e depois ao grego”. “Porque nele se revela a justiça de Deus, que se obtém pela fé e conduz à fé, como está escrito: O justo viverá pela fé” (Hab 2,4).
Por isso, todos os povos batizados, os que têm vida no Espírito Santo, filhos e filhas de Deus, não se conformam com este mundo. Mas, buscam a renovação do espírito, da alma e do coração, para que possa discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito. (Rm 12,2).
O que significa ter vida no Espírito Santo, senão ter rompido com a maneira de viver deste mundo, para que possa dizer como São Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.” (Gl 2,20).
Você percebeu isto, meu irmão, minha irmã? É a verve da sabedoria da verdade eterna, caminho íntegro de salvação anunciado, vivido e experimentado por João Batista, Jesus Cristo, os apóstolos e todos os seus seguidores, em todos os tempos da plenitude nos quais ainda hoje, vivemos: “Arrependei-vos e convertei-vos, mudai de vida e de mentalidade, porque está próximo o Reino dos Céus” (Mt 3,2). Desde então, Jesus começou a pregar: “Fazei penitência, pois o Reino dos céus está próximo” (Mt 4,17).
E qual é o modele que o Senhor Jesus nos apresentou desde o princípio, referendado, no Pentecostes, pela palavra de S. Pedro apóstolo a todos os povos que lhes perguntara o que deveriam fazer? Pedro lhes respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus para a remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo”. “Pois a promessa é para vós, para os vossos filhos e para todos que ouvirem de longe o apelo do Senhor, nosso Deus” (At 2, 38-39).
Apesar deste contexto maravilhoso para todos nós, muitas vezes dizemos: “fomos batizados e temos o Espírito Santo”!... Mas, “como poderemos ser regenerados e renovados pelo batismo do Espírito Santo” (Tt 3,4-7), se não vivermos sob sua direção amorosa, sendo instruídos e ensinados por ele em todo o percurso do caminho com Cristo Jesus, guiados, dirigidos e ordenados sob seus próprios olhos? (Sl 31,8).
Cremos que é por isso e muito mais que o Senhor Jesus e S. Pedro apóstolo nos colocam diante de belíssimas e necessárias reflexões:
“Jesus chamou uma criancinha, colocou-a no meio deles e disse”: “Em verdade vos declaro: se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos céus”. “Aquele que se fizer humilde como esta criança será maior no Reino dos céus” (Mt 18,2-4)
“A exemplo da santidade daquele que vos chamou sede também vós santos em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lv 19,2; I Pd 1,15-16)
Porventura não é esta a vontade do Senhor, nosso Deus, que sejamos, em Cristo Jesus, o povo de sua predileção, um povo escolhido, preparado e santificado, um povo que ele criou, formou e o fez para sua glória?
“Vós mesmos vistes o que eu fiz aos egípcios, de que modo vos trouxe sobre asa de águia, e vos tomei para mim. Se, portanto, ouvirdes a minha voz, e observardes a minha aliança, sereis para mim a porção escolhida dentre todos os povos; porque toda a terra é minha. Sereis para mim um reino sacerdotal e uma nação santa. Estas são as palavras que dirás aos filhos de Israel” (Ex 19,4-6 – Vulgata).
Então vejamos o que S. Paulo apóstolo nos recomenda: “Renovai sem cessar o sentimento da vossa alma, e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade” (Ef 4,23-24). “Se algum, pois, está em Cristo é uma nova criatura; passaram as coisas velhas; eis que tudo se fez novo” (II Cor 5,17 - Vulgata).
É, certamente, por tudo isso que cremos em Deus Pai Todo-poderosom criador do céu e da terra e de tudo quanto neles há, em Jesus Cristo, seu único Filho, nascido da Imaculada e sempre Virgem Maria, como obra do Espírito Santo. Cremos no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna. Amém!
Nossa profissão de fé nasce em nossa alma como virtude e/ou dom. Como virtude, porque nos vem da pregação da palavra de Cristo ( citamos pela Vulgata e pela Ave-Maria ):
“Logo a fé é pelo ouvido, e o ouvido pela palavra de Cristo” ( Rm 10,17 ) e, “Logo, a fé provém da pregação e a pregação se exerce em razão da palavra de Cristo” ( Rm 10,17 ).
Também a fé nos é dada, através do Espírito Santo, como dom carismático ou simplesmente “carisma”, que, do grego, quer dizer “serviço”; isto é, um dom do poder de Deus que através de quem o possui, o Senhor Jesus opera curas, milagres, sinais e prodígios em profusão, como todos vêem acontecer, inclusive pela televisão, através dos sacerdotes e leigos da Renovação Carismática Católica, na Santa Igreja do Senhor. Que se poderia, biblicamente, citar sobre o assunto? Em primeiro lugar, além das curas e milagres feitos por Jesus, o que ele mesmo nos diz: “Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas, porque vou para junto do Pai. E tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Qualquer coisa que me pedirdes em meu nome, vo-lo farei” ( Jo 14,12-14 )
“Tudo o que pedirdes com fé na oração, vós o alcançareis” (Mt 21,22).
“Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar, e ela vos obedecerá” ( Lc 17,6 )
“Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas, manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos e estes ficarão curados” (Mc 16,17-18).
“Porque a Deus nenhuma coisa é impossível” (Lc 1,37)
“Aos homens isto é impossível, mas não a Deus; pois a Deus tudo é possível” ( Mc 10,27 ).
“O que é impossível aos homens é possível a Deus” (Mt 19,26; Lc 18,27)
Assim, quem crê em Deus, com fé viva no coração, pode tudo; porque Jesus, autor da vida e senhor do impossível, mora em seu coração. Por isso tudo o que pedirdes ao Pai em o nome do Senhor, crendo que recebereis, tê-lo-eis. ( Mc 11,24).
Irmãos e irmãs da fé em Cristo Jesus, esta é a virtude do Grupo de Oração “Poço de Jacó”, de experiência de cura e de libertação. Primeiro, porque não é um grupo de oração criado por nós, mas ordenado pelo Senhor Jesus Cristo aos nossos pequenos e frágeis corações. E Ele mesmo disse: “não fostes vós, mas eu quem o criou!...” “Evangelizai o meu povo; pois, estou tão próximo de vós, que já se podem ouvir os ruídos dos meus passos”. “Tenho sede de almas...” “Estou no meio de vós, poderoso, para vos salvar” (Sf 3,17). Assim, eu sou a vossa vitória; pois,...quem vos toca, toca a menina dos meus olhos” (Zc 2,12).
Encerramos este momento da fé que nos faz novas criaturas em nosso Senhor Jesus Cristo ( Gl 6,15 ) e que opera pela caridade ( Gl 5,6 ), com esta expressão paulina: “Sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram” ( Hb 11,6 ).
Ora, o Senhor Jesus te chama, para que também do teu coração jorrem rios de água viva. (Jo 7,38).
João C. Porto

terça-feira, 1 de junho de 2010

A BOA NOVA DO SENHOR JESUS >> O Prometido de meu Pai

O Espírito Santo, enviado do Pai por Jesus Cristo, visita, através do batismo e/ou do pentecostes pessoal, todos os espíritos dos que são seus, cujos corações ele mesmo os criou para enchê-los de suas abundantes graças e do esplendor da glória de Deus.
Compreende-se que a todos batizados, os quais crêem em Jesus Cristo, como a obra agradável do Pai (Jo 6,29), Este lhes deu o poder de se tornarem filhos de Deus (Jo 1,12); pelo que, por amor de si mesmo, o Pai os envia ao Filho, o qual nos garante: “o que vem a mim não o lançarei fora” (Jo 6,37); pelo contrário, “eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,40).
O Senhor Jesus, antes de subir ao céu, disse a seus apóstolos: “Eu vos mandarei o prometido de meu Pai; entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto” (Lc 24,49). A segunda expressão de Jesus – permanecei na cidade – fala-nos de permanecermos juntos, unidos numa só fé, num só espírito com Ele (I Cor 6,17) e num só coração fervoroso; todos ao redor da mesa da ágape do amor; onde, juntos, participaremos da refeição do pão místico do banquete divino, o pão descido do céu para a salvação do mundo (Jo 6,51).
Todavia, observa-se, pelas palavras do Senhor, a irrestrita necessidade de estarmos como Igreja, numa união de intimidade e de experimentada amizade com o autor da vida – Jesus Cristo – e entre irmãos e irmãs da mesma fé e da mesma esperança, como todos se encontravam em Jerusalém; pois, de outra forma, não receberemos a plenitude da força do alto e, sem o Espírito Santo, estaremos fora da comunhão do Senhor Jesus e, por isso, a obra que realizamos como Igreja, na Igreja, não terá nenhum proveito de vida e salvação para nós, evangelizadores.
Atenção, pastorais, comunidades e movimentos da Santa Igreja do Senhor. Se não retomarmos a comunhão de verdadeiros filhos e filhas de Deus, unidos com o pároco e todos entre si mais ele e inclusive ele, indistintamente, num só coração envolto ao Sagrado Coração de Jesus, a força do alto, infelizmente, não será, maravilhosamente , nossa força!
Vejamos este hino da Igreja: “pois só quando estamos unidos é que o Espírito Santo nos vem”.
Se crermos, veremos a glória de Deus (Jo 11,40); pois, unidos, o Senhor Jesus Cristo salvará o mundo através de seus amados filhos e filhas do amor do Pai Eterno.

João C. Porto



sexta-feira, 14 de maio de 2010

BOA NOVA DO SENHOR JESUS >> Comunhão dos Santos

A comunhão dos santos caracteriza-se pela comunicação e participação dos bens espirituais; o que significa dizer que os filhos e filhas de Deus usufruem de todas as dádivas do amor do Pai e do Filho, comunicadas pelo Espírito Santo a todos os que estão unidos ao Senhor, num só espírito com ele. (I Cor 6,17)

“Associo-me a todos os que te temem e guardam os teus mandamentos” (Sl 118,63)

São filhos e filhas de Deus todos os que, vivendo da fé que opera pela caridade (Gl 5,6b), são movidos e guiados pelo Espírito Santo, e, por isso, desfrutam abundantemente, dos bens espirituais e materiais comuns ao três níveis da Santa Igreja, porque o Senhor os conhece, e, estes, tudo pedem conforme a vontade do Todo-poderoso.

“Esta é a confiança que temos nele: que qualquer coisa que lhe pedirmos, conforme à sua vontade, ele nos ouve. Sabemos que nos ouve em tudo quanto lhe pedirmos; sabemo-lo, porque temos já recebido o efeito das petições que lhe fizemos”. ((I Jo 5,14-15)

Ora, o temor de Deus é amor a Deus. É o amor que nasce nos corações a partir do conhecimento da verdade. (I Jo 4,8) Não sabemos que Deus é a verdade eterna? Quem o conhece está sob a sabedoria divina e a vive na prática de todos os dias, porque o Espírito Santo lhe ensina e a faz transbordar do coração e dos lábios de seus amados filhos e filhas (Pr 22,18)

“O temor do Senhor é fonte de vida, que nos preserva dos laços da morte.” (Pr 14,27)

Podemos até dizer que estes, que já vivem no meio da grande tribulação, mas, que têm suas vestes lavadas e alvejadas no sangue do cordeiro (Ap 7,14), de certa forma, por vontade do Senhor, vivem como se estivessem no Éden e, por isso, alimentam-se do fruto da árvore da vida e participam de suas delícias e de todas as graças que, o Senhor, desde toda a eternidade já havia designado como bens e alegria de todos eles.

Vejamos como o Senhor Jesus orou ao Pai, por todos nós.

“Eu não rogo somente por eles, mas também por aqueles que hão de crer em mim por meio da sua palavra; para que sejam todos um, com tu, Pai, o és em mim, e eu em ti, para que também eles sejam um em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste.” (Jo 17,20-21)

Ora, nós que, ciosamente, procuramos desfrutar dos bens, frutos da herança daquela terra dos bem-aventurados, certamente, aferramo-nos à prática da palavra de Deus, a fim de que, revestidos da sua sabedoria, deliciemo-nos do amor preferencial por Deus, como o tudo que dele procede, afastando-nos, definitivamente, do pecado e de seus laços mortais.

“Escondi no meu coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.” (Sl 118,11)

A unidade dessa comunhão tem como princípio e exercício de oração e vida, o amor de caridade que o Espírito Santo derrama abundantemente nos corações dos filhos e filhas de Deus, a partir do que vivem, experimentaram e viveram pela comunicação de um só espírito com o Senhor e entre irmãos, nos três níveis (fases) da santa Igreja.

“Jerusalém que está edificada como uma cidade, cujas partes estão em perfeita e mútua união” (Sl 121,3 – Vulgata)

Estas partes a que o Salmista se refere, como estando em perfeita e mútua união, são, sem dúvida, as Igrejas triunfante, militante e padecente.

A Igreja Triunfante é constituída por todos aqueles que já se encontram no paraíso com o Senhor Jesus Cristo.

“Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu reino ! Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso.” (Lc 23,43)

“Vós, porém, aproximastes-vos do monte de Sião e da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celeste e da multidão de muitos milhares de anjos, da Igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, de Deus, juiz de todos, dos espíritos dos justos perfeitos, de Jesus, mediador da nova aliança e da aspersão daquele sangue que fala melhor que o de Abel”. (Hb 12,22-24)

O sangue do Senhor Jesus, diferentemente do sangue de Abel, tem o poder de purificar nossos pecados. Por isso, nós nos unimos a este sangue que é suficiente para nos transferir das trevas para a luz, e do poder de satanás para a vida eterna nos céus.

“Transportou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a cidade santa, Jerusalém, que descia do céu de junto de Deus.” (Ap 21,10) A Igreja militante somos todos nós que ainda caminhamos sobre a terra, fortalecidos pela fé, a esperança e a caridade do Senhor Jesus, movidos e guiados pelo Espírito Santo, a partir dos corações que, na intimidade, escutam a voz do Senhor e, por isso o conhecem e vivem segundo sua vontade.

“Rogo-vos, pois, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pela caridade do Espírito Santo, que me ajudeis com as vossas orações por mim a Deus” (Rm 15,30)

A Igreja padecente é aquela composta por todos os que se encontram no purgatório, cumprindo as penas dos pecados e dos sentidos, mas que necessitam, como nós, da misericórdia divina, principalmente as mais necessitadas de nossas orações.

“Santo e salutar pensamento este de orar pelos mortos. Eis por que ofereceu um sacrifício expiatório pelos defuntos, para que fossem livres dos seus pecados.” (II Mac 12,46)

Quais são os bens espirituais, partilhados na comunhão dos santos?

São todos os bens que fazem parte do tesouro da Santa Igreja do Senhor, nos céus e na terra.

a) Os méritos infinitos do Senhor Jesus.

“cheios de frutos de justiça por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus.” (Fl 1,11)

b) Méritos superabundantes de Maria Santíssima e dos santos.

“O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus” (Lc 1,30)

“Sede contentes e agradecidos ao Pai, que vos fez dignos de participar da herança dos santos na luz.” (Col 1,12)

c) Frutos da Missa e dos Sacramentos.

“As mandrágoras espalham o cheiro. Nós temos às nossas portas toda a qualidade de frutos; eu guardei para ti, amado meu, os novos e os velhos.” (Ct 7,13)

d) Orações e boas obras.

“A beneficência é agradável a todos os vivos, e não impeças que ela se estenda aos mortos.” (Eclo 7,37)

“Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes salvos, porque a oração fervorosa do justo pode muito.” (Tg 5,16)

“Orai por nós, pois temos confiança de ter boa consciência, desejando portar-nos bem em tudo.” (Hb 13,18)

“Põe o teu pão e o teu vinho sobre a sepultura do justo, e não comas e nem beba com os pecadores,” (Tb 4,18)

Resumo do estudo

Antigo Testamento:

“Sou amigo de todos os que vos temem e dos que seguem vossos preceitos.” (Sl 118,63)

Novo Testamento:

“Isso que vimos e ouvimos, vo-lo anunciamos, para que vós também tenhais comunhão conosco, e para que a nossa comunhão seja com o Pai e com o Filho Jesus Cristo.” (I Jo 1,3)

“Assim num só corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma função, assim (ainda que) muitos, somos um só corpo em Cristo, e cada um de nós membros uns dos outros. Mas temos dons diferentes, segundo a graça que nos foi dada; quem tem o dom da profecia, use-o segundo a regra da fé; quem tem o ministério, exerça o ministério; quem tem o dom de ensinar, ensine; quem tem o Dom de exortar, exorte; o que reparte, faça-o com simplicidade; o que preside, seja solícito; o que faz obras de misericórdia, faça-as com alegria.” (Rm 12,4-8)

É a participação dos fiéis no banquete eucarístico (Ap 3,20), presença real do corpo e do sangue de nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 6,54), dos quais os filhos e filhas de Deus se alimentam (Mt 26,26) “Concorpóreo e consangüíneo”, isto é, com o pão real, divino (Jo 6,35), que os transforma em corpo de vida eterna.

João C. Porto

sábado, 1 de maio de 2010

BOA NOVA DO SENHOR JESUS >> Deus é Luz!

“Deus é luz e nele não há treva alguma” (I Jo 1,5) Isto significa dizer que os céus, a terra, o universo e tudo quanto o Senhor criou estão sob a luz de Deus; isto é, o Senhor está presente, e seus olhos observam os maus e os bons. (Pr 15,3)
Aqui na terra onde moramos por algum tempo, estamos acostumados com a luz do dia e as trevas da noite; embora coloquemos luzes artificiais para dirimir a escuridão noturna.
Mas, em se tratando de sermos salvos do pecado (Mt 1,21), Deus é luz e satanás é treva. Por isso, o Senhor Jesus nos diz: “Se a luz que está em ti são trevas, quão espessas deverão ser as próprias trevas” (Mt 6,23b).
Como vemos, na nossa vida, para andarmos na luz como Deus é luz, teremos que ter comunhão recíproca uns com os outros, sob o clarão da glória do Senhor; e nesse caso, o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, purificar-nos-á de todo o pecado.
O Senhor Jesus veio ao mundo como uma luz, para que todo aquele que nele crê não permaneça nas trevas (Jo 12,46), mas tenha a luz da vida (Jo 8,12b).
Assim, não nos adianta vivermos nas trevas ou na penumbra do pecado, nem só na luz do amanhecer, nem só na luz do meio dia e nem tampouco sob a luz aurifulgente do entardecer. O Senhor Jesus, com sua morte na cruz e ressurreição, firmou um propósito de vida eterna para conosco (I Jo 5,11-12), colocando, toda confiança conclusiva de sua missão, nos homens e nas mulheres, quando disse a seus discípulos: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,14). Com isto, o Senhor Jesus, através do Espírito Santo, infundiu e efundiu na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica (Concílio de Calcedônia = 451), consequentemente, nos corações de todos os batizados – revestidos de Cristo (Gl 3,27) – a luz inacessível onde Deus habita, a Trindade Santíssima; a fim de que, sua luz, que está nos corações de sues filhos e filhas, brilhe intensamente até às extremidades da terra (At 1,8), para que vejam suas boas obras e glorifiquem a Deus que está no céu. (Mt 5,16).
Por isso, o Senhor Jesus, do meu coração de pobre, recordou-me estes dois versículos, para o encerramento deste momento: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada” (Jo 14,23); “Se me amais, guardareis os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique, eternamente, convosco” (Jo 14,15-16)

João C. Porto