terça-feira, 24 de maio de 2011

Coração de Compaixão



                             Coração de Compaixão
                                  (Miserere Cordis)


   Amor na simplicidade de Coração; pois, o que é simples é simplesmente perfeito; uma das perfeições de Deus.

   A misericórdia divina é o amor de bondade infinita de Deus; amor gratuito e, por isso, misericordioso; amor que nos sela com o selo do Espírito Santo, que nos fora prometido (Ef 1,13; 4,30).

   Em nós a misericórdia do Pai e do Filho é tão sublime e especial que fecunda e germina nos corações, de geração em geração, conforme a promessa divina: “Eu sou o Senhor teu Deus, um Deus zeloso, que corrijo a iniqüidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam; mas uso de misericórdia até a milésima geração com aqueles que me amam e observam os meus mandamentos” (Dt 5,9-10).

   A Snta. Faustina, nesse sentido, o Senhor Jesus Cristo, também, falou: “Derramo todo o amor de graças nas almas que se aproximam da fonte da misericórdia”. “A Igreja não terá paz enquanto não se voltar à fonte da minha misericórdia”

   Assim, a misericórdia divina é plenitude de bondade do amor de Deus nos corações de seus filhos e filhas, por ele, amados. É um exercício do coração de compaixão (miserere cordis), de um Deus simples, por isso, profundamente compassivo, lento para ira, cheio de clemência e de fidelidade para com aqueles que se abrem à divina misericórdia, e que, por isso, alcançam abundantes misericórdias (Mt 5,7). Assim nos vem do latim: “cor cordis” = coração; “miserere cordis” = “coração de compaixão”. Coração que é compassivo, lento para julgar, não condena e perdoa “setenta vezes sete” (Mt 18,21-22). Basta que perdoemos aos homens os seus pecados, o Pai celeste nos perdoará (Mt 6,14); e, tem mais: “não guardará na Sua lembrança nossos pecados”(Is 43,25b).

   O apóstolo Paulo, em belíssima saudação, assim se expressou: “Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias; Deus de todas as consolações, que nos conforta em nossas tribulações; para que, pelas consolações com que nós mesmos somos consolados, possamos consolar aqueles que se encontram em angústia” (II Cor 1,3-4).

   “Ora, o Senhor teu Deus é um Deus misericordioso e não te desamparará” (Dt 4,31).

   “Ainda que os montes sejam abalados e tremam as colinas, jamais afastarei de ti a minha misericórdia” (Is 54,10).

   Porque, eu sou Deus, teu único Senhor, que sempre te amei com amor eterno, e sou constante na minha afeição por ti. (Jr 31,3)

   A misericórdia divina é amor de resgate; amor que é sempre amor forte e invencível, amor de presença indizível, de gratuidade, de entrega incondicional e, por isso, de abandono de si mesmo; aquele que assume, de coração abrasado; como o samaritano que cuidou das feridas do que estava caído à beira do caminho; deitou vinho e óleo nas suas feridas, colocou-o na sua montaria e o levou à hospedaria. Lá chegando, dando dois denários ao hospedeiro, disse-lhe: tomo conta dele até que eu volte, e, se gastares mais, to pagarei.

   Pois, eis o que diz o Senhor Javé: “vou tomar eu próprio o cuidado com minhas ovelhas, velarei sobre elas” (Ez 34,11). “A ovelha perdida eu a procurarei; a desgarrada, eu a reconduzirei; a ferida, eu a curarei; a doente, eu a restabelecerei, e velarei sobre a que estiver gorda e vigorosa. Apascentá-las-ei todas com justiça” (Ez 34,16).

   Desse modo, concluindo, eis aqui, para todos os filhos e filhas de Deus, as ordenações que o Senhor Jesus fez aos que desejarem alcançar as alegrias da vida eterna (I Jo 5,11-12), do reino de justiça, paz e alegria no Espírito Santo: “Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; daí, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também” (Lc 6,36-38).

   Misericordioso é aquele que, a exemplo do Senhor Jesus Cristo, na cruz, assume a miséria alheia, concedendo-lhe a igualdade de vida saudável, feliz, alegre e eterna, no reino do coração do Eterno Pai, que já se encontra dentro de nós. (Is 45,15; Lc 17,21).

           João C. Porto

terça-feira, 5 de abril de 2011

RECONCILIAÇÃO E A MISERICÓRDIA DE DEUS


RECONCILIAÇÃO E A MISERICÓRDIA DE DEUS

Padre Reginaldo Manzotti

Chega o tempo da Quaresma, o grande retiro espiritual dos cristãos. Durante o tempo sagrado da Quaresma, a Igreja mãe e mestra nos exorta aos exercícios quaresmais: oração, jejum e esmola.

Tenho insistido muito na oração como caminho de união de vida com Deus. Na Quaresma a oração é aliada ao jejum, que é proposto como forma de sacrifício e como forma de educar-se, privando-se de algo, revertendo este algo em serviço à caridade. Não precisa ser necessariamente de comida. Pode ser escolhido outro tipo de sacrifício, por exemplo, abster-se do cigarro, da internet, de chocolate, etc. E aliada há também a esmola como prática da caridade fraterna. Não se trata apenas de dinheiro, mas de praticar as obras de misericórdia espirituais e corporais, doando-se e se relacionando com o próximo, nos preparando para celebrar dignamente os mistérios da morte e ressurreição de Jesus Cristo.

A Quaresma é por excelência o tempo propício à conversão e reconciliação com Deus. Importante sempre, o Sacramento da Reconciliação tem um apelo muito forte neste tempo, convidando-nos a fazer a experiência da misericórdia divina através do perdão.

Com muita freqüência recebo partilhas de pessoas afastadas deste Sacramento, geralmente pelos seguintes motivos:

- Por não verem motivo em confessar com um sacerdote (a pessoa também pecadora), então se confessam diretamente com Deus.

- Por acharem que não tem pecado.

- Por não saberem confessar.

- Por não compreenderem a misericórdia de Deus, não se sentem merecedores do perdão, e envergonhados acabam se afastando Dele.

Vejamos: Jesus tinha o poder de perdoar os pecados e transmitiu este poder aos Apóstolos, seus legítimos sucessores, quando apareceu no meio deles e disse: “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós”. Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados, e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20,21-23)

Nos relatos dos Atos dos Apóstolos, encontramos a afirmação: “Os que haviam acreditado vinham confessar e declarar suas obras (At. 19,18). O verbo “vir” deixa claro que havia a necessidade de um deslocamento do penitente até os Apóstolos para realizar a confissão. Se a confissão a um homem também pecador, mas investido do poder de perdoar não fosse recomendada, bastaria pedir perdão diretamente a Deus, sem a necessidade de “ir” até os Apóstolos.

São Tiago é categórico ao dizer: “Confessai os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros para serdes curados” (Tg 5,16).

Quando estamos fisicamente doentes e precisamos de um médico, não desistimos de consultar se ficamos sabendo que ele teve ou tem a mesma doença que nós, pelo contrário, ele saberá exatamente como nos sentimos, pois já passou pelos mesmos sintomas. Logo quando estamos espiritualmente doentes pelo pecado, o fato de confessarmos a um sacerdote, pessoa pecadora que também se confessa com outros sacerdotes, deveríamos ficar mais à vontade, por saber que ele na condição de pecador, saberá nos acolher e orientar sem nenhuma arrogância.

Achar que não temos pecado já é o primeiro pecado, o orgulho. Segundo São João: Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se reconhecermos os nossos pecados (Deus aí está) fiel e justo para nos perdoar os pecados e para nos purificar de toda iniqüidade (I Jo 1,8-9)

O pecado é um ato de orgulho e desobediência contra Deus. O catecismo da Igreja Católica define o pecado como uma falta contra a razão, a verdade, a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens. Fere a natureza do homem e ofende a solidariedade humana. Foi definido como “uma palavra, um ato ou um desejo contrários à lei eterna” (CIC 1849).

O pecado é ofensa a Deus: “Pequei contra ti, contra ti somente; pratiquei o que é mal aos teus olhos” (SI 51,6). O pecado ergue-se contra o amor de Deus por nós e desvia dele os nossos corações. Como o primeiro pecado, é uma desobediência, uma revolta contra Deus por vontade de tornar-se “como deuses”, conhecendo e determinando o bem e o mal (Gn 3,5). O pecado é, portanto, “amor de si mesmo até o desprezo de Deus”. Por essa exaltação orgulhosa de si, o pecado é diametralmente contrário a obediência de Jesus, que realiza a salvação (CIC 1850).

Muitas pessoas realmente não sabem confessar e usam a seguinte formula: “Não matei, não roubei, o resto fiz tudo”.

Não é tão simples assim. Se o pecado é desobediência a Deus, nada melhor do que examinarmos nossa consciência, nos baseando nos mandamentos da lei de Deus, e, aí veremos em quê ofendemos a Deus e prejudicamos nosso próximo. Por exemplo:

1º Mandamento:

“Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, com todas as tuas forças”

Duvidei da existência de Deus? Acreditei apenas em um ser supremo? Reneguei minha fé? Pensei ou afirmei que todas as religiões ou seitas são boas? Procurei aprender mais sobre a minha religião? Rezei todos os dias, não apenas orações prontas, mas orações pessoais com Deus? Li livros ou revistas contrários a fé? Conservei estes escritos comigo? Empreitei-os a outros? Assisti a programas de TV ou cinemas contrários a fé e aos bons costumes? Zombei da Igreja ou de seus ministros? Desconfiei da misericórdia de Deus? Queixei-me de Deus nas doenças, na pobreza e nos sofrimentos? Zombei das coisas santas? Revoltei-me contra Deus? Freqüentei reuniões, cultos ou organizações contrárias a minha fé, como: espiritismo, umbanda, jorei, saravá, maçonaria, curandeirismo, seicho-no-ei, cartomantes, magia, feiticeiros, benzedeiras? Estou portando orações supersticiosas? Amuletos? Acreditei em horóscopo? Coloquei as coisas do mundo, tais como: riqueza, poder, fama ou os meus conhecimentos acima de Deus? Evoquei os espíritos dos mortos? Acreditei na reencarnação? Amei a Deus preservando a natureza, obra de suas mãos? Amei a Deus amando o meu próximo?

2º Mandamento:

“Não pronunciarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão”.

Pronunciei o nome de Deus dizendo palavras sem respeito? Roguei praga contra Deus? Ofendi a Deus com palavras? Recusei o auxílio de Deus? Blasfemei contra Deus, contra a Igreja ou contra os sacramentos? Jurei falso ou sem necessidade? Prometi coisas ruins com juramento? Falei das coisas santas sem respeito?

3º Mandamento:

“Guardarás o domingo e dias santos de preceito”.

Participei da missa inteira aos domingos e dias santos? Cheguei tarde por própria culpa? Não tive respeito na Igreja, rindo e conversando inutilmente? Tenho trabalhado aos domingos e dias santos sem necessidade? Aproveitei esses dias para rezar mais e passar mais tempo com a família? Obriguei outros a trabalharem sem justa causa em dia santo?

4º Mandamento:

“Honrarás pai e mãe”.

Fui desrespeitoso com meus pais e superiores? Entristeci-os gravemente? Desejei-lhes mal? Desobedeci-lhes em coisas importantes? Zombei de pessoas pobres, idosas, aleijadas? Tive vergonha de meus pais? Neguei-lhe minha ajuda e assistência, sobretudo se velhos ou doentes? Amo meus pais? Honro meus Pais? Perdôo-lhes? Rezo por eles?

5º Mandamento:

“Não matarás”

Expus-me ao perigo de vida sem necessidade? Tentei suicídio? Fui guloso no comer e no beber? Embriaguei-me? Usei drogas? Deixei de ajudar ao próximo em suas necessidades espirituais ou materiais? Briguei? Ofendi? Alimentei pensamentos ou desejos de vingança? Tive raiva ou ódio do meu próximo? Desejei-lhe algum mal? Desejei-lhe a morte? Conservei alguma inimizade? Denunciei alguém injustamente para tirar proveito? Coloquei em perigo a vida corporal ou espiritual de outros com palavras, omissões, atitudes exageradas? Disse palavras ao meu próximo? Espanquei? Feri? Matei alguém? Mandei ou aconselhei a matar? Aconselhei ou provoquei aborto? Dei mau exemplo? Fiquei triste com o bem do próximo? Amei meu próximo como a mim mesmo?

6º e 9º Mandamentos:

“Não pecarás contra a castidade” e “Não cobiçarás a mulher do próximo”.

Faltei ao pudor? Despi-me diante dos outros? Cometi pecados impuros comigo mesmo? Com outros? Provoquei tentações ou desejos impuros por más literaturas, toques, cinemas, trajes indecentes? Contei piadas imorais? Tive liberdades no namoro? Relações fora do matrimônio? Defendi o aborto? Desejei adultério? Pratiquei adultério?

7º e 10º Mandamentos:

“Não furtarás” e “Não cobiçarás as coisas alheias”.

Tenho furtado alguma coisa dos outros? Aceitei ou comprei as coisas furtadas tendo conhecimento disso? Fiquei com coisas achadas sem procurar o dono? Planejei algum furto? Causei prejuízo de propósito, por inveja ou por negligência? Deixei de pagar minhas dívidas por calote? Procurei reparar os danos causados? Enganei o próximo nas compras e vendas? Retive coisas que deveria ter dado ao próximo? Fui honesto em meus negócios? Cobicei as coisas alheias? Por cobiça, danifiquei as coisas alheias? Reparei os prejuízos que eu causei?

8º Mandamento:

“Não levantarás falso testemunho”.

Menti? Falei mal dos outros? Difamei? Caluniei? Julguei? Condenei? Semeei discórdia e inimizade? Exagerei as faltas dos outros? Dei falso testemunho contra o próximo? Fui fofoqueiro, mexeriqueiro e maledicente? Gosto de ouvir falar mal dos outros? Reparei o mal que fiz com calúnias e mexericos?

Estas são algumas pistas para um bom exame de consciência. Além disso, devemos estar arrependidos dos pecados cometidos. Este arrependimento pode nos levar a pedir perdão dos pecados por amor de Deus, que chamamos confissão. Por atrição, ou por temor do inferno que chamamos confissão por contrição.

Devemos também ter o propósito de não recair no pecado e de evitar circunstâncias que o favoreçam. Confessar-se buscando não omitir nada e cumprir a penitência imposta pelo confessor.

O importante é saber que este sacramento de Reconciliação, também chamado Confissão ou Penitência, é à volta aos braços do Pai.

Nada melhor para entendermos a nossa fragilidade humana e a grandeza da misericórdia de Deus, do que a parábola do filho pródigo ou como é conhecida atualmente, do Pai misericordioso (Lc 15,11-31).

Com esta parábola Jesus revela o jeito de Deus agir, de ser, de seu amor generoso com todos os seus filhos e filhas e da alegria que sente com o nosso arrependimento e em nosso retorno a Ele.

Diante das atitudes do filho mais novo e do filho mais velho, esta parábola também deve nos levar a fazer uma revisão de vida e perceber com qual deles nos identificamos mais.

São dois filhos de personalidades fortes, um aventureiro que não encontrou paz e quis voar, quis buscar a felicidade nas coisas do mundo. O grande erro do filho mais novo foi não perceber que a felicidade estava ali, que abundância e fartura estavam ali junto ao Pai, e sim, sair para experimentar o mundo e aventurar-se nas paixões.

O Pai longínquo significa um distanciar de Deus, o não ouvir a voz de Deus. Muitas vezes nós nos encontramos num país longínquo, gastando desordenadamente os bens, os dons que recebemos de Deus, achando-nos autossuficientes, buscando o ter e o poder.

Este filho voltou pela dor, pelo sofrimento. Só quando ele percebeu e se deu conta que nem a comida dos porcos, a lavagem, o deixava comer, foi que “entrou em si” e percebeu que precisava voltar ao pai, e decidiu “levantar-se”, porque estava caído. Preparou o discurso: “Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados” (Lc 15,18-19). Foi ter com seu pai, e o pai nem o deixou terminar de falar e pediu aos empregados que preparassem uma festa.

E o que mais me encanta e sempre me apaixonou nesta parábola, toda vez que vou pregar falo sobre este ponto e fico imaginando, é que no final da tarde o pai ficava espreitando aquele caminho, aquela curva, para ver se o filho estava voltando. Esse desejo amoroso do Pai, a saudade que sentia do filho e, por mais que o filho tenha se afastado dele, bastou o filho aparecer na curva do caminho o pai tomou a iniciativa, correu abraçou, beijou e não perguntou nada. Colocou no filho anel, sandália, deu uma festa e disse: “É meu filho que voltou”.

O segundo filho não se aventurou, ficou dentro de casa, mas não conseguiu experimentar o amor do pai. Dentro de casa ele se colocou pior que os empregados. Enquanto ele podia comer na mesa do amor e do afeto, no carinho do pai, ele quis viver como um empregado distante. Isso significa que nós podemos ser o filho mais velho. Confessando, comungando, podemos ser o filho mais velho, freqüentando a missa todos os domingos, mas sem conseguir fazer a verdadeira experiência do amor de Deus. Somos implacáveis com os que erram, medíocres na misericórdia, nos achando especiais, achando que, por estarmos na Igreja, só nós temos direitos.

Cuidado! Nem o filho mais novo, o “pródigo” e nem o filho mais velho o “impiedoso” são modelos de vida. O modelo é a misericórdia do pai.

Deus nunca virará as costas para nós, podemos sair e podemos nos aventurar, embora isso nos custe sofrimento e dor, pois ao voltarmos Ele sempre nos acolhe. Santo Agostinho disse: “Deus está disposto a perdoar sempre, mas nem sempre nós teremos o sempre”. Talvez não tenhamos o que o filho pródigo teve: tempo. Nem sempre teremos o sempre.

Deus se entristece quando nós viramos as costas para Ele. Deus tem saudades de nós quando nos afastamos Dele, e toda tarde fica olhando para ver se estamos voltando.

Sempre penso sobre isso, penso em Deus esperando toda a humanidade voltar para Ele.

Por isso se algum dia você se perdeu, volta para casa filho. Deus está com saudade de você e sempre que se perder pode voltar. Ele sempre vai te amar e te esperar.

Padre Reginaldo Manzotti

quarta-feira, 23 de março de 2011

Buscai ao Senhor


Buscai ao Senhor

Leituras necessárias para algumas situações e momentos oportunos de nossas vidas:

“Buscai ao Senhor, já que ele se deixa encontrar; invocai-o, já que ele está perto” (Is 55,6)

Deus está tão perto de nós, tão pertinho!... Tão unido à sua imagem viva e perfeito sobre a terra, que, ao soprar sobre o homem, trouxe ao coração humano esta pequena história:

Conta-se que Deus, certa vez, disse aos anjos do céu: “escondam-me em um local fácil de o homem me encontrar; mas, ao mesmo tempo, difícil... Num recanto onde floresça a vida, mas pouco visitado por ele”. Dizem que os anjos sugeriram muitos lugares... Então o Senhor Deus lhes disse: “Escondam-me em sua casa, isto é, no seu coração”. E assim foi feito!

“Verdadeiramente um Deus se esconde em tua casa, o Deus de Israel, um Deus que salva!” (Is 45,15)

Obs.: Se esconde: pois não se faz imagem alguma dele, segundo o hebraico: “Tu és um Deus que se esconde”. Ele está presente em todo o lugar.

Dessa forma, para facilitar que visitemos o Senhor no interior de nossa própria casa, registramos abaixo algumas sugestões tão necessárias para todos os momentos de nossa vida, a qual começa no coração, para que se possa pisar firme sobre a terra, ouvindo e vendo melhor com ouvidos e os olhos do coração; porque, nesse caso, ouvimos e vemos como Deus ouve e vê. Estas coisas são tudo de bom de que precisamos vivê-las no coração: único lugar de encontro com o Todo-poderoso Deus de Israel.

Ora, Deus nos ama, não porque somos bons; mas, porque ele é bom: “sua bondade e misericórdia duram para sempre”.

Lembremo-nos de que esse é o dia que o Senhor fez para nós: seja para nós dia de alegria e de felicidade. (Sl 117,24)

Eis, abaixo, os muitos momentos difíceis da condução de nossa cruz:

Para quando a tristeza chegar à nossa porta: Será oportuno lermos o capítulo 14 do Evangelho de São João.

Para quando falarem mal de nós e nos perseguirem: Será oportuno lermos o Salmo 26 (vinte e seis).

Para quando o nervosismo nos abater: Deveremos ler o Salmo 50 (cinqüenta).

Quando estivermos sob o peso das preocupações: Deveremos ler, de preferência, Mt 6,19-34.

Quando estivermos em perigo: Leremos, por oportuno, o Salmo 90 (noventa).

Quando Deus nos parecer distante: Será de todo conveniente lermos bastante o Salmo 62 (sessenta de dois).

Quando precisarmos fortalecer nossa fé e nossa esperança: Deveremos ler o Capítulo 11 (onze) da Epístola de S. Paulo aos Hebreus.

Quando estivermos solitários e com medo: Deveremos ler com viva esperança o Salmo 22 (vinte e dois).

Quando formos ásperos e críticos: Será importante lermos e meditarmos a Primeira Epístola aos Coríntios, capítulo 13 (treze).

Para conhecermos o segredo que nos levará à felicidade: Será oportuno lermos também a Epístola aos Colossenses, Capítulo 3,12-17.

Quando nos sentirmos tristes e sozinhos: Deveremos ler e meditar a Epístola aos Romanos, Capítulo 8,31-39.

Quando necessitarmos de paz e descanso, deveremos ler: Mt 11,25-30.

Quando o mundo nos parecer maior que Deus: Será oportuno lermos o Salmo 89 e Filipenses 4,6-7.

Nosso Deus de Abraão, de Isaac e Jacó, e único Senhor, terá sempre, através da Bíblia Sagrada, uma palavra para cada momento difícil ou especial de nossas vidas.

O Senhor Jesus Cristo nos diz: “Se alguém tiver sede, venha mim e beba” (Jo 7,37). “Quem crê em mim, como diz a Escritura: do seu interior manarão rios de água viva” (Jo 7,38; Zc 14,8; Is 58,11).

João C. Porto

domingo, 20 de março de 2011

A Nova Geração dos Filhos de Deus


A Nova Geração dos Filhos de Deus

Um único Deus!... Duas mulheres!... Dois homens!... Duas gerações!... (Mt 24,34; Mc 13,30; Lc 21,32).
Pela primeira Eva nos veio o pecado e pelo pecado, a morte (Sb 2,23-24).
“Foi pela mulher que começou o pecado, e é por causa dela que todos morremos” (Eclo 25,33).
Pela segunda Eva, Maria de Nazaré, nos vieram à graça, que nos salva mediante a fé, e a verdade que nos liberta em Cristo, Jesus (Jo 1,17). E a plenitude da graça de Deus não é mérito nosso; mas, dom gratuito de Deus, para a salvação de quantos crerem nele.
“Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus” (Ef 2,8).
Assim, se por uma mulher nos vieram o pecado e a morte, por outra mulher, Deus nos enviou à salvação e a vida eterna. Ora, tudo isso é sabedoria de Deus, fonte de vida eterna.
São Paulo nos ensina que quando chegou o tempo da plenitude, Deus enviou o seu Filho, que nasceu de uma mulher, e nasceu submetido a uma lei, a fim de remir os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a sua adoção filial. A prova de que sois filhos é a de que Deus enviou-nos aos corações o Espírito de seu Filho, que clama: “Aba, Pai!” (Gl 4,4-6).
Ora, o Espírito Santo testemunha ao nosso espírito de que somos filhos de Deus (Rm 8,16). E, na verdade, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, contanto que soframos com ele, para que também com ele sejamos glorficados. (Rm 8,17).
Ora, todos são descendentes de Adão; portanto, da geração adâmica; isto é, vindos de Adão e Eva. Mas, desde o tempo da plenitude; isto é, desde Cristo até o final dos tempos, “todos aqueles que o receberem – isto é, a Jesus Cristo – aos que crêem no seu nome, a estes, Deus lhes deu o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus” (Jo 1,12-13)
Então, todos os batizados, os que estão revestidos de Cristo (Gl 3,27) são filhos e filhas de Deus, pela fé em Cristo (Gl 3,26) e pela condução amorosa do Espírito Santo de Deus (Rm 8,14). Estes, na verdade, fazem parte do Cristo total; pois, já não são eles que vivem, mas é o próprio Cristo que vive neles (Gl 2,20). Desse modo, suas vestes já estão lavadas, alvejadas e embranquecidas no sangue do Cordeiro (Ap 7,14). Eles, na verdade, fazem parte da nova geração, a geração dos ressuscitados, cuja primícia é nosso Senhor Jesus Cristo.
Desse modo, podemos observar que na ressurreição de Cristo, ocorreu a primeira ressurreição. Ali, todos os justos do Antigo Testamento ressuscitaram com Cristo, Jesus; como se pode observar no Evangelho de Mateus (27,51-53).
Se alguém quiser ser de Cristo, para que ressuscite com ele no último dia, sendo cristo de Cristo, de modo que seja totalmente dele, busque-o agora, porque o amanhã poderá ser tarde!... Atenção! Lembramos a mim mesmo e a todos por extensão: devemos buscá-lo porque o desejamos, desejá-lo porque o amamos, e amá-lo, porque o conhecemos; conforme a palavra de Deus nos instrui a fazê-lo: “Então procurarás o Senhor, teu Deus, e o encontrarás, contanto que o busques de todo o teu coração e de toda a tua alma” (Dt 4,29). “Procurar-me-eis e me haveis de encontrar, porque de todo o coração me fostes buscar” (Jr 29,13)
Pense, medite; pense e reflita muitas vezes, até que entendas de todo o espírito, de toda a tua alma, de todo o teu coração e de todas as forças do teu ser mais íntimo e profundo, o que significa de todo o coração!...
Pretendemos inclusive para nós também, citar um versículo como uma boa ajuda para este mister: “a palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4,12).
É, pois, necessário que o encontremos dentro do nosso coração; porquanto, este é templo de Deus (I Cor 3,16: 6,19-20) e a nossa casa onde Ele se esconde (Is 45,15)
João C. Porto

sexta-feira, 11 de março de 2011

Maria, Mãe do Senhor Jesus Cristo




                         Curso da Bíblia Sagrada

                                    CBS – 05

               Maria, Mãe do Senhor Jesus Cristo


01. Quem é a Imaculada e sempre Virgem Maria, Mãe do Senhor Jesus Cristo?


É a virgem pura, santa, imaculada; isto é, sem nenhuma mancha do pecado (Ct 4,7). Ela é da descendência de Davi, da mesma forma que seu esposo José.

Para nós, sua virtude maior, no entanto, é ser a Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Deus e Redentor, por quem ela recebeu todas as graças. Ao nos dá Jesus, ela nos deu a fonte de todas as graças, tornando-se, assim, por mérito do seu único Filho, medianeira de todas as graças.


A palavra de Deus, também, fala da Imaculada e sempre Virgem Maria como Mãe do Senhor Jesus Cristo:


“Eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus” (Lc 1,31 - Vulgata).


O arcanjo Gabriel lhe disse, também: “O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá com sua sombra; por isso mesmo o santo que há de nascer de ti, será chamado Filho de Deus” (Lc 1,35 – Vulgata).
Maria é, na expressão de Santa Isabel, a Mãe de Deus: “Donde me vem esta alegria de que a mãe do meu Senhor me visite? (Lc 1,43).
Ora, o Salmista, no Salmo 99, nos diz: Sabei que o Senhor é Deus: ele nos fez, e a ele pertencemos. Somos o seu povo e as ovelhas do seu rebanho” (Sl 99,3).

Na verdade, Isabel estava repleta do Espírito Santo quando proclamou esta verdade. Era um momento tão sublime da graça de Deus que João Batista foi batizado ali mesmo, no ventre de sua mãe.

Por outro lado, através da palavra do apóstolo João, observa-se que Maria é, também, a Mãe do Verdadeiro Deus e a vida eterna, conforme o versículo, abaixo, citado:
“Mas sabemos que veio o Filho de Deus e que nos deu entendimento para que conheçamos o Verdadeiro Deus e estejamos no seu verdadeiro Filho. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (I Jo 5,20).
Obs.: Quando dizemos que Maria é Mãe de Deus, devemos compreender que não estamos afirmando que Maria gerou a Fortaleza de Deus, mas o Deus Forte, o menino que nos foi dado por Deus, em cujos ombros repousa a soberania, e que por isso ele se chama: “Conselheiro admirável, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da Paz!” (Is 9,5).
Ora, se Maria é a Mãe do Senhor, ela é a Mãe de Deus:
“Sou Eu, sou Eu o Senhor, e fora de mim não há Salvador. Eu é que vos anunciei e vos trouxe a salvação... vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor, e Eu sou Deus” (Is 43,11-12b = Vulgata).
02. Que profecias do Antigo Testamento falam sobre a Virgem Maria?
“Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua posteridade e a posteridade dela. Ela te pisará a cabeça, e tu armarás traições ao seu calcanhar” (Gn 3,15).
“Por isso o mesmo Senhor vos dará este sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel” (Is 7,14).
“O Senhor disse-me: Esta porta estará fechada; não se abrirá e ninguém passará por ela; porque o Senhor Deus de Israel entrou por esta porta e ela permanecerá fechada” (Ez 44,2).
Ora, sobre este versículo do profeta Ezequiel, assim comentou santo Agostinho: “Que significa esta porta fechada senão que Maria foi Virgem Antes, Durante e Depois do Parto?”
03. Que outras passagens da Bíblia são atribuídas à pureza, à beleza e ao poder que Deus conferiu a ela como Mãe de Jesus e nossa Mãe?
“Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo; bendito és tu entre as mulheres” (Lc 1,28b).
“Eis que, de hoje em diante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48b).
“Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram” (Lc 11,27b).
“Toda és formosa, amiga minha, e em ti não há mancha alguma” (Ct 4,7).
“Quem é esta que avança como a aurora, quando se levanta, formosa como a lua, brilhante como o sol e terrível como um exército formado em ordem de batalha?” (Ct 6,10).
“Eu saí da boca do Altíssimo, a primogênita antes de todas as criaturas” (Eclo 24,5).
“e na assembléia dos santos estabeleci a minha assistência” (Eclo 24,16b).
“Eu sou a mãe do amor formoso, e do temor, da ciência e da santa esperança” (Eclo 24,24).
“O Senhor me possuiu no princípio de seus caminhos, desde o princípio, antes que criasse coisa alguma. Desde a eternidade fui constituída, e desde o princípio, antes que a terra fosse criada. Ainda não havia os abismos, e eu estava já concebida; ainda as fontes das águas não tinham brotado;” (Pr 8,22-24).
“Eis que o Senhor criou uma coisa nova sobre a terra: Uma mulher cercará um homem” (Jr 31,22b).
04. Onde a Virgem Maria aparece pela primeira vez na história de nossa salvação?
Lendo Lc 1,26-27, percebemos que foi em Nazaré:
“Estando Isabel no sexto mês, foi enviado por Deus o anjo Gabriel a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão, chamado José, da casa de David, o nome da virgem era Maria”.
Esta virgem, sem a mancha do pecado, imaculada, pura e santa, seria a única pessoa em condições de, pela vontade de Deus, esmagar a cabeça da serpente enganadora (Gn 3,15). Todas as outras pessoas, manchadas pelo pecado original, inoculadas pelo veneno da desobediência e da auto-suficiência que Satanás colocou em seus corações, jamais teriam em si a força para esmagar a cabeça daquele que as escravizou (V. Gn 3,24). Somente alguém como Maria e como Jesus, que possuíam o dom da integridade, poderia exercer tal obra do poder e do amor de Deus, até mesmo antes da ressurreição de Cristo, Jesus.
Santa Imaculada, Mãe de Jesus, Mãe de Deus, Mãe da Igreja e nossa Mãe, Maria, por veracidade dos desígnios eternos, tornou-se a fonte das fontes para nós. Foi ela que, pela bondade do Pai Eterno, nos trouxe Jesus Cristo, Filho de Deus e Senhor de nossas vidas, fonte de todas as graças e de toda a verdade que procede da boca de Deus (Jo 1,17b).

 
Não pode, portanto, haver dúvidas de que Maria é nossa medianeira. Se ela, por obra do Espírito Santo de Deus, nos deu Jesus, que é a fonte de todas as graças – “a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” – e o Verbo eterno de Deus nos céus (Eclo 1,5), ela tem a capacidade, dada por Deus, de mediar todas as graças de que seus filhos e filhas necessitam. Se é verdade que “quem pode mais, pode menos”, quem nos deu Jesus poderá conceder-nos, na bondade do Pai e em Jesus, com Jesus e por Jesus, todas as graças do amor perene. Assim, a visão que temos é a de que Maria é como a circunferência do puro amor. Não é verdade que a palavra de Deus nos afirma que uma mulher cercará um homem (Jr 31,22b)?

Então, Maria é a circunferência e o Senhor Jesus é o centro. Por isso, toda graça vinda do trono da glória divina nos vem pelo centro; mas, para chegar até nós passará pela circunferência.

Como se pode concluir, nossa Senhora e mãe nossa é a constante intercessora para a Igreja e para seus filhos e filhas. Por isso, São Francisco de Sales dizia que um pedido de Maria a seu Filho Jesus, é mais que uma súplica, é, na verdade, uma ordem! É, certamente, por tudo isso que a Santa Igreja Católica considera Maria como a medianeira de todas as graças divinas.
05. Pode-se dizer que Maria, sendo esposa de José, é também esposa do Espírito Santo?
Claro que sim! Maria é esposa do Espírito Santo, porque foi por virtude do Espírito de Deus que dela nasceu Jesus (Lc 1,31), o Filho do Deus Altíssimo (Lc 1,35). Isto não seria um caso de bigamia, visto que Deus é o gerador da vida. O homem é apenas instrumento do Todo-poderoso para perpetuar a espécie humana sobre a terra. Nesse sentido, pode-se ler:
“Mas a todos os que o receberam, Deus lhes deu o poder de se tornarem filhos de Deus aos que crêem no seu nome” (Jo 1,12).
06. Por que chamamos Maria de Virgem Santíssima?
Além de a virgindade ser sinal de pureza para nós, era também um exigência profética com relação à Maria.
Façamos uma analogia entre o que o Gênesis diz de Rebeca, esposa de Isaac, e o que Isaías diz de Maria:
“Era uma donzela linda em extremo, e uma virgem formosíssima e não conhecida por homem algum” (Gn 24,16a).
“Uma virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel” (Is 7,14b).
Maria é Santíssima, além de virgem, porque é cheia de graça (Lc 1,28) e sem mancha do pecado (Gn 3,15; 6,3; Ct 4,7). Se no seu seio repousou o Filho do Pai Eterno, ela é, com certeza, mais santa do que todos os anjos e santos.
07. Que mais se pode dizer sobre os atributos da Virgem Santíssima?
a) É modelo de vida espiritual, reverenciado em toda a Igreja, na celebração dos mistérios divinos.
“Maria conservava todas estas coisas, meditando-as em seu coração” (Lc 2,19).
b) É, também na Igreja, riquíssimo modelo de fé e de união com Cristo.
“Bem-aventurada a que acreditou, porque se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas” (Lc 1,45).
c) É virgem que sabe escutar e acolher com fé a palavra de Deus.
“Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).
d) É a testemunha de si mesma diante de todos os acontecimentos da encarnação do Verbo de Deus.
“O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus” (Lc 1,30).
e) É modelo de vida de oração, sempre à escuta do Senhor. “Magnificat” (Lc 1,46-55).
f) É.modelo de Mãe bondosa e cheia de amor, que intercede, constantemente, por seus filhos menores junto a Jesus.

“Faltando vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: Não têm mais vinho” (Jo 2,3).
g) É modelo de oração nos cenáculos dos grupos, quando nos reunimos para orar.

“Todos estes perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres e com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele” (At. 1,14).
h) É virgem mãe que, agraciada por Deus, gerou na terra o Filho do Altíssimo.
“O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus” (Lc 1,35).
i) É para nós modelo de vida de fé, aceitação e confiança, a exemplo de seu sim a Deus.
“Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).
j) É a virgem oferente, que, ao pé da cruz, traspassada de dor e sofrimentos, ofereceu seu filho ao Pai, Dele recebendo, por intermédio de seu Jesus, o grande encargo de Mãe da Igreja e de toda a humanidade.

“Jesus, vendo Sua mãe e junto dela o discípulo que ele amava, disse a Sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí a tua mãe. E, desta hora em diante, a levou o discípulo para sua casa” (Jo 19,26-27).
                                                    QUESTIONÁRIO PARA REFLEXÃO E APROFUNDAMENTO
08. Como aconteceu o anúncio à Virgem Maria e que saudação lhe fez o anjo do Senhor?

Evangelho de S. Lucas – Cap. 1, Vers. 26-28.
09. Depois da saudação, que mensagem o Anjo Gabriel transmitiu à Virgem Maria?

Evangelho de S. Lucas – Cap. 1, Vers. 30-33 .
10. Que tipo de esclarecimento Maria pediu ao anjo, e o que Gabriel complementou sobre o assunto?

Evangelho de S. Lucas – Cap. 1, Vers.34-35 .
11. Que palavras disse Mara ao anjo Gabriel quando aceitou a vontade de Deus em sua vida?

Evangelho de S. Lucas – Cap. 1, Vers. 38
12. Que visita importante a Virgem Maria fez, depois que concebeu pelo poder do Espírito Santo?

Evangelho de S. Lucas – Cap. 1, Vers. 39-40
13. Que saudação Isabel fez a Maria ao recebê-la em sua casa?

Evangelho de S. Lucas – Cap. 1, Vers. 42-45
14. Que oração de exultação e alegria a Virgem Maria proclamou, em ciência e profecia, diante de Isabel?

Evangelho de S. Lucas – Cap. 1, Vers. 46-55

 
15. Em que cidade e local a Virgem Maria deu à luz seu Filho primogênito?

Evangelho de S. Lucas – Cap. 2, 4-7
16. Na oportunidade do nascimento de Jesus, que boa-nova o anjo do Senhor anunciou aos pastores naquela noite?

Evangelho de S. Lucas – Cap. 2, Vers. 10-12
17. Que atitude teve Maria diante de todos os acontecimentos e testemunhos dos pastores?

Evangelho de S. Lucas – Cap. 2, Vers. 19
18. Que disse o profeta Simeão a Maria, depois de ter abençoado a Sagrada Família?

Evangelho de S. Lucas – Cap. 2, Vers. 34-35
19. O que disse Maria aos serventes, nas Bodas de Caná, depois de instar junto a Jesus sobre a falta de vinho?

Evangelho de S. João – Cap. 2, Vers. 5

20. Antes de morrer, na cruz, Jesus nos deu Sua mãe como nossa mãe e mãe da Igreja. Que palavras o Senhor Jesus proferiu, nesse sentido, à Virgem Maria e ao apóstolo amado?

Evangelho de S. João – Cap. 19, Vers. 26-27
21. Depois da ascensão do Senhor, em que local a Virgem Maria foi novamente repleta do Espírito Santo, juntamente com os apóstolos do Senhor Jesus?

Atos dos Apóstolos – Cap. 1, Vers. 13-14
João C. Porto
Obs.: Este Curso de Introdução à Bíblia Sagrada se encontra na nossa apostila – 1992.

quarta-feira, 9 de março de 2011

DONS PRETERNATURAIS


Dons preternaturais conferidos aos nossos primeiros pais.

Dom da Integridade

O dom da Itegridade possui o caráter de aperfeiçoar a natureza do homem, sem a elevar a ordem divina. O dom a integridade é, portanto, um dom gratuito. Quando se diz dom da integridade, é o mesmo que dizer: mantém o homem íntegro como o foi criado por Deus; isto é, que conservava o domínio sobre a natureza humana, protegendo-o da infidelidade.

Deus assim os criou e os preservava, para que a alma do homem fosse sempre assim, estruturada pelo próprio Senhor (Gn 3,8), a fim de que pudesse realizar todas as coisas, conforme a sabedoria e a vontade do Criador, único Senhor.

Vejamos como Deus fala através do Salmista: “Vou te ensinar, vou te instruir no caminho que deves seguir; fitando em ti os meus próprios olhos” (Sl 31,8).

- Ciência infusa

- Domínio das paixões

- Imortalidade do corpo

Dom a Imortalidade

Deus não criou o homem para morte:

“Deus criou o homem para a imortalidade, e o fez à imagem de sua própria natureza. Foi por inveja do demônio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demônio prová-la-ão” (Sb 2,23-24)

Ob.: Colocamos este versículo, abaixo, para extrair dele uma belíssima alegoria:

“Foi pela mulher que começou o pecado, e é por causa dela que todos morremos” (Eclo 25,33).

O sentido alegórico: “Por Eva nos veio à morte; mas, por Maria, nos veio à salvação e a vida eterna; mesmo porque Maria é a Mãe do verdadeiro Deus e a vida eterna” (IJo 5,20b).

Dom da Impassibilidade

Finalmente, Deus não nos criou para a dor e o sofrimento:

“Deus disse também à mulher: Multiplicarei os sofrimentos de teu parto; darás à luz com dores...” (Gn 3,16a).

João C. Porto