segunda-feira, 4 de outubro de 2010

PURGATÓRIO. Pe. Pedro Maria


Pe. Pedro Maria

I – Estado intermediário entre a vida nesta terra e a recompensa celeste, em que se faz a purificação que prepara a subida ao céu.

Na Bíblia existem outras designações desse estado intermediário:

1 - Prisão

“Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão. Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo”. (Mt 5,25-26).

“Digo-te: não sairás dali, até pagares o último centavo”. (Lc 12,59).

2 – Fogo

Mas farei passar este terço pelo fogo; purificá-lo-ei como se purifica a prata; prová-lo-ei como se prova o ouro. Então ele invocará o meu nome, eu o ouvirei e direi: “Este é meu povo”; e ele responderá: “O Senhor é o meu Deus” (Zc 13,9).

“Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém, passando de alguma maneira através do fogo”. (I Cor 3,15).

3 – Mundo vindouro

“Todo o que tiver falado contra o Filho do homem será perdoado. Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste século nem no século vindouro”. (Mt 12,32).

4 – Abismo

“Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos (abismos)”. (Fl 2,10).

5 – Embaixo da terra

“Mas ninguém, nem no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro nem examiná-lo” (Ap 5,3).

E todas as criaturas que estão no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e tudo o que contêm, eu as ouvi clamar: “Àquele que se assenta no trono e ao Cordeiro, louvor, honra, glória e poder pelos séculos dos séculos” (Ap 5,13).

6 – Campo ou parte

Eis o que ainda me mostrou o Senhor Javé: O Senhor Javé chamava o fogo para exercer o castigo. O fogo, tendo devorado o grande abismo, consumia também os campos. (Am 7,4), segundo São Jerônimo.

7 – Batismo de fogo

Ele tomou a palavra, dizendo a todos: “Eu vos batizo na água, mas eis que vem outro mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias; ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo”. (Lc 3,16), segundo Orígenes.

8 – Espírito de justiça e espírito de fogo

“Quando o Senhor tiver lavado a imundície das filhas de Sião, e apagado de Jerusalém as manchas de sangue pelo sopro do direito e pelo vento devastador, (Is 4,4)”, segundo São Basílio.

9 – Profundezas

“Do fundo do abismo, clamo a vós, Senhor; (Sl 129,1)”, segundo a liturgia.

II – Principal pena do purgatório: separação provisória de Deus (pena do dano):

1. “Aquelas almas, não só por natureza, mas ainda pelo amor sobrenatural em que ardem para com Deus, com tal ímpeto são impelidas para se unirem ao sumo Bem que, vendo-se impedidas por motivo de suas culpas, sofrem dor tão acerba que, se lhes fosse possível a morte, morreriam a cada momento” (Sto. Afonso de Ligório + 1787).

2. As almas do purgatório estão ansiosas para verem a Deus.

“Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando irei contemplar a face de Deus?” (Sl 41,3)

“Minha alma desfalecida se consome suspirando pelos átrios do Senhor. Meu coração e minha carne exultam pelo Deus vivo” (Sl 83,3).

“A quem diriges este discurso? Sob a inspiração de quem falas tu?” (Sl 26,4).

“Ó Deus, vós sois o meu Deus, com ardor vos procuro. Minha alma está sedenta de vós, e minha carne por vós anela como a terra árida e sequiosa, sem água. Quero vos contemplar no santuário, para ver vosso poder e vossa glória” (Sl 62,2-3)

III – Outra pena do purgatório: fogo material (pena dos sentidos).

1. Snto. Agostinho ( + 430): “O fogo do purgatório é mais doloroso que qualquer pena que possamos ver, sentir ou imaginar deste mundo.

2. Snto. Tomás de Aquino (+ 1.274) diz que o fogo do purgatório é semelhante ao do inferno: “pelo mesmo fogo é atormentado o condenado, e purificado o escolhidos”.

3. Dionísio Cartusiano, teólogo do século XV, refere-se que certo defunto, ressuscitado por intercessão de São Jerônimo, disse a São Cirilo de Jerusalém que todos os tormentos desta terra são gozos e delícias em comparação com o menor sofrimento do purgatório: “Todos os tormentos desta vida, se comparados à menor pena do purgatório, seriam verdadeiros gozos”.

4. É teologicamente certo, bem que não DE FÉ, que as almas do purgatório são purificadas pela ação de um fogo real, e não metafórico. Alega-se:

I Cor 3,15:- Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo.

5. Há teólogos que tratam do purgatório como uma purificação durante o encontro com Deus no juízo particular. Alegam:

Ap 2,18:- “Ao anjo da Igreja de Tiatira, escreve: Eis o que diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao fino bronze”.

IV. Como Ajudar as Almas do Purgatório:

1. Com a Santa Missa, através da qual a misericórdia divina sacia sua fome de ver a Deus, como disse Davi:

Sl 110,4:- O Senhor instituiu um memorial das suas maravilhas, ele que é misericordioso e compassivo.

O Concílio de Trento (1545 - 1563) afirmou que o Santo Sacrifício da Missa é o sufrágio mais eficaz.

2. Com a ESMOLA.

Tb 4,18:- Põe o teu pão e o teu vinho sobre a sepultura do justo; mas não o comas, nem o beba em companhia dos pecadores.

Segundo Snto. Tomás, a esmola tem mais VALOR SATISFATÓRIO pelas almas do que a própria oração.

3. Com a ORAÇÃO

II Mac 12,46:- era esse um bom e religioso pensamento; eis por que ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas.

II Tm 1,18:- O Senhor lhe conceda a graça de obter misericórdia junto do Senhor naquele dia. Sabes melhor que ninguém quantos bons serviços ele prestou em Éfeso.

4. Com o JEJUM

I Sm 31,13:- Tomaram os ossos e os enterraram debaixo da tamareira, em Jabes. Depois disso jejuaram sete dias.

5. Com as BOAS OBRAS

Eclo 7,.37:- Da de boa vontade a todos os vivos, não recuse esse benefício a um morto.

V. ALEGRIAS DO PURGATÓRIO

Apesar dos sofrimentos, são também inefáveis as alegrias na Igreja Padecente (= purgatório).

São Bernardino de Sena (+ 1.444) trata disso de modo convincente e digno de fé, pois funda-se não em lendas e sim na teologia, e faz delas um longo elenco:

1) Confirmação na graça;

2) Certeza da salvação;

3) Amor de Deus;

4) Visita dos anjos;

5) Visita dos santos;

6) Visita de Nossa Senhora:

Comentando o texto da Escritura – “Penetrei no fundo do abismo” (Eclo 24,8) – São Boaventura diz: “isto é, do purgatório para consolar com minha presença essas santas almas”.

· Gerson, célebre teólogo do Século XV, disse: No dia da Assunção de Maria esvaziou-se o purgatório. No momento de ser elevada ao céu, Maria pediu ao seu amado Filho a graça de levar consigo todas as almas, que então se achavam no purgatório. Desde então, diz Gerson, está Maria na posse do privilégio de livrar seus devotos daquelas penas.

· Dionísio Cartusiano, teólogo do mesmo século XV, diz que nas festas do Natal e da Ressurreição do Senhor, Nossa Senhora liberta muitas almas.

· Novarino, teólogo do século XVII, inclina-se a crer que o mesmo acontece em todas as festividades solenes de Nossa Senhora..

Palavra Final:

“Eu sou a Mãe de todas as almas do purgatório; pois por minhas orações lhes são constantemente mitigadas as penas que mereceram pelos pecados cometidos durante a vida”. (Revelação de Nossa Senhora a Sta. Brígida (+ 1.373), com a aprovação do Papa Bonifácio IX).

domingo, 22 de agosto de 2010

Uma Chama do Senhor



Um homem, uma idéia, um espírito, um ideal que é ab aeterno gerado como sabedoria de Deus nos céus e na terra, em vasos de barro, o tesouro que se esconde nos corações.

“Procurarás o Senhor, teu Deus, e o encontrarás, contanto que o busques de todo o teu coração” (Dt 4,29).

Não, não penses em nada!... Para que não se obscureça, no seio do nada, a luz que veio ao mundo, a fim de que todos os que crerem nela não permaneçam nas trevas.

“Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”. Uma só vida do ideal divino e eterno que tudo criou tudo formou e tudo fez para sua glória.

Noutro instante ele falou: eu te criei te formei te remi e te chamei pelo nome e disse: tu és meu, tu és minha. Eu te trouxe de onde ainda não conheces: do seio da imortalidade, de onde brilha a luz inacessível, que não podes ver, embora, pela graça de Deus, em teu seio ela já esteja. Por isso, ela não está longe de cada um de nós. Procurai-a, estreitai a vossa visão, para que possais enxergar mais longe. Ai então, mesmo às apalpadelas havereis de me encontrar, pois é dela que temos a vida, o movimento e o ser, para concluirmos, sob a luz do alto, que nascemos dela para um ideal de felicidade, como portais benditos do seu amor.

Se quiserdes saber, eu sou aquele que deu por teu resgate muitas nações e que está disposto a dar o universo inteiro em troca de ti. Verdadeiramente sois preciosos aos meus olhos! Por isso que eu te amo e te aprecio; até tenho os teus nomes gravados na palma da minha mão; e aos teus inimigos, levantei a voz e exclamei tão alto, que a sonoridade de minha voz alegrou e alcançou os confins da terra, para dizer-vos: “Quem tocar em qualquer um de meus filhos e filhas, por menor que seja, terá minha reação imediata, pois terá tocado na menina de meus olhos!...”. (Zc 2,12).

Outrora já vos havia dito: “Não basta que sejas meu servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os fugitivos de Israel; vou fazer de ti a luz das nações, para propagar a minha salvação até os confins do mundo”.

“Um dos serafins voou em minha direção; trazia na mão uma brasa viva, que tinha tomado do altar com uma tenaz. Aplicou-a na minha boca e disse: “Tendo esta brasa tocado teus lábios, teu pecado foi tirado, e tua falta apagada” (Is 6,6-7).

Por isso, hoje, vos digo: “sois a luz do mundo!...”. Então, que a vossa luz brilhe diante dos homens, não como foco de vós mesmos, mas como a luz da luz, para que os homens vejam vossas boas obras e, pelo esplendor de Sua glória, glorifiquem a Deus que está nos céus; sobretudo, em vossos corações.

Por isso, diz o Senhor Jesus Cristo, nossa vida e ressurreição: Sois bem-aventurados, porque tendes um coração de pobre; sois bem-aventurados por aquele que vos consola e enxuga de vossos olhos toda a lágrima; sois bem-aventurados porque, por vossa humildade e mansidão, possuireis a posse da terra; sois bem-aventurados porque vossa fome e sede de justiça foram saciadas; sois bem-aventurados porque sois misericordiosos, porque estais revestidos da misericórdia de Deus; sois bem-aventurados porque tendes um coração puro e, por isso, vereis o Deus da glória; sois bem-aventurados porque tendes a Cristo, vossa paz; por isso sois filhos de Deus; sois bem-aventurados porque sois perseguidos por causa da justiça; sois sempre bem-aventurados, quando vos injuriarem e disserem todo o mal contra vós; pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.

Filhinho, filhinhas, repete no meu coração o Senhor Jesus: “Referi-vos essas coisas para que tenhais paz em mim”. “No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo”. (Jo 16,33)

Irmãos, braseiros de esperança viva, vivei da fé, pois o meu justo vive da fé! Vigiai sobre vós mesmos, como sábios que aproveitam ciosamente o tempo, pois os dias são maus. Compreendei pelo entendimento da luz de vossa luz, em vossos corações, qual seja a vontade de Deus, e achareis descanso para vossas almas. Não vos embriagueis com vinho, que é uma fonte de devassidão, mas enchei-vos do Espírito Santo. Recitai entre vós salmos, hinos e cantos espirituais. Cantai e celebrai de todo o coração os louvores do Senhor. (Ef 5,15-19). Sede profundamente obedientes, de modo especial na casa de Deus, que é a Igreja Uma Santa Católica e Apostólica, e, bem assim em referência aos vossos corações; mas não sejais servidores de homens; tudo o que fizerdes, fazei-o como quem faz ao Senhor, sabendo que é dele que recebereis, por Cristo Jesus, o galardão da herança.(Cl 3,23-24).

Vós sereis meus filhos, se fizerdes o que vos mando. Servi a Cristo, Senhor!

Finalmente, todos estamos lembrados do que nos disse S. Pedro, apóstolo: “Vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso sangue de Cristo, ...”. Pois, assim como é santo aquele que vos chamou, sede também vós santos em todas as vossas ações, pois está escrito “Sede santos, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo” (I Pd 1,15-16.18; Lv 19,2).

João C. Porto

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

BOA NOVA DO SENHOR JESUS > Senhorio de Jesus


A palavra senhorio quer dizer: direito de senhor, proprietário, autoridade, domínio, dono, senhor. Como se pode concluir o Senhorio é o dono absoluto do bem de sua posse; por compra, herança ou doação.

O dono de um imóvel, por exemplo, é o Senhorio; isto é, o dono, o único que pode renová-lo, destruí-lo, vendê-lo, alugá-lo; em fim, o que bem e melhor pretender, conforme seu direito absoluto de posse; pois é o Senhorio; tem em si a autoridade do direito de senhor e, por isso, pode fazer de seus bens o que de melhor lhe aprouver.

Voltando-nos para o Senhorio de Deus Pai, vejamos o que S. Paulo disse no areópago, em Atenas, aos gregos e seus filósofos: “Ele (Deus) fez nascer de um só homem todo o gênero humano, para que habitasse sobre toda a face da terra”. Fixou aos povos a ordem dos tempos e os limites da sua habitação. Tudo isso para que procurem a Deus e se esforcem por encontrá-lo como que às apalpadelas, pois na verdade ele não está longe de cada um de nós. Porque é nele que temos a vida, o movimento e o ser, como até alguns dos vossos poetas disseram: “Nós somos também de sua raça...” (At. 17,26-28).

Ora, Deus está muito mais próximo de nós do que possamos imaginar. Ele nos criou para a imortalidade, segundo sua imagem e semelhança. (Sb 2,23)

Irmãos, sobre a face da terra, nós somos imagens vivas e perfeitas do Senhor, nosso único Deus. Por isso, somos templos de Deus, onde habita seu Espírito (I Cor 3,16), e nosso próprio corpo, diz-nos S. Paulo, é templo do Espírito Santo, que nos foi dado por Deus, que habita em nós, pelo que já não nos pertencemos a nós mesmos, porque fomos comprados por um alto preço. Por isso devemos trazer e glorificar a Deus em nosso corpo (I Cor 6,19-20); porque nossa pertença a Deus é dupla: uma vez porque nos criou e outra, porque nos comprou ao preço de uma moeda irrecusável, seu próprio sangue derramado na cruz, conforme nos instrui S. Pedro apóstolo: “Vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso sangue de Cristo, o Cordeiro imaculado e sem defeito algum, aquele que foi predestinado antes da criação do mundo e que nos últimos tempos, foi manifestado por amor de vós. Por ele tendes fé em Deus, que o ressuscitou dos mortos e glorificou, a fim de que vossa fé e vossa esperança se fixem em Deus” (I Pd 1,18-21).

Irmão, esse Jesus, que se deu na cruz para salvação de toda a humanidade, dele disse S. Pedro apóstolo: “Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos” (At. 4,12).

Este Jesus, que com o Pai e o Espírito Santo habita em nós (Jo 14,23), é o único Senhor de nossas vidas!

Desde os tempos em que nossos primeiros pais pecaram, perdemos os dons preternaturais: da imortalidade, da impassibilidade e da integridade. Pior ainda, perdemos a graça de Deus e seu Espírito que habitava no homem. Embora a infidelidade de nossos primeiros pais, o Senhor, nosso Deus, não nos abandonou; Pelo contrário, por amor de si mesmo prometeu-nos a salvação: Ao repreender a serpente, disse-lhe: “Porei ódio entre ti e a mulher, entre tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3,15).

Ora, quando Deus chamou Abrão, de Ur da Caldéia, para formação do povo de sua predileção, disse-lhe: “Deixa tua terra, tua família e a casa de teu pai, e vai para a terra que eu te mostrar. Farei de ti uma grande nação; eu te abençoarei e exaltarei o teu nome, e tu serás uma fonte de bênçãos. Abençoarei aqueles que te abençoarem, e amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem; todas as famílias da terra serão benditas em ti”. (Gn 12,1-3).

A esse propósito, através do profeta Isaías, o Senhor, nosso Deus, falou: “Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco” (Is 7,14).

Assim, para conclusão da promessa, com a vinda do Senhor Jesus Cristo, aquele que exerce o senhorio sobre tudo, principalmente, sobre o povo de Deus, povo de sua propriedade, o anjo do Senhor disse a Jose, esposo de Maria: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados”. (Mt 1,20b-21).

Ora, esse Jesus, nascido da Imaculada e sempre Virgem Maria, é nosso único Senhor, constituído assim por Deus Pai, conforme nos ensina S. Paulo apóstolo: “Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus. Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse, para glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor” (Fl 2,5-11).

Viver sob o Senhorio do Senhor Jesus Cristo é ser constantemente vigilante; isto é, vigiar com cuidado sobre a sua própria conduta, como nos ensina S. Paulo: “Que a vossa conduta não seja conduta de insensatos, mas de sábios que aproveitam ciosamente o tempo, pois os dias são maus”. “Não sejais imprudentes, mas procurai compreender qual seja a vontade de Deus”. Não vos embriagueis com vinho que é uma fonte de devassidão, mas enchei-vos do Espírito Santo. Recitai entre vós salmos, hinos e cânticos espirituais. Cantai e celebrai de todo o coração os louvores do Senhor. “Rendei graças, sem cessar e por todas as coisas, a Deus Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef 5,15-20).

“Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder-se a si mesmo e se causa a sua própria ruína?”(Lc 9,25)

Jesus Cristo é Senhor de tudo, porque tudo foi criado por ele e para ele. É Senhor, principalmente, de todos que fazem o Reino de Deus. Por isso que diz: “Serás inteiramente do Senhor teu Deus” (Dt 18,13).

O Senhor, nosso Deus, único Senhor em seu Filho Jesus Cristo, quando seu povo estava prestes a possuir a terra prometida a Abraão, a terra de Canaã, falou através de Moisés, dizendo: “Quando tiveres entrado na terra que o Senhor, teu Deus, te dá, não te porás a imitar as práticas abomináveis da gente daquela terra. Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, nem quem se dê à adivinhação, à astrologia, aos agouros e ao feiticismo, à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou a invocação dos mortos, porque o Senhor, teu Deus, abomina aqueles que se dão a essas práticas, e é por causa dessas abominações que o Senhor, teu Deus expulsa diante de ti essas nações. Serás inteiramente do Senhor, teu Deus. As nações que vais despojar ouvem os agoureiros e os adivinhos; a ti, porém, o Senhor, teu Deus, não o permite. O Senhor, teu Deus, te suscitará dentre os irmãos um profeta como eu: é a ele que devereis ouvir” (Dt 18,9-15).

Para melhor compreensão de tudo isso, vou contar-lhes uma pequena história, a qual nos ajudará melhor compreender nossa vida sob o Senhorio do Senhor Jesus Cristo, nossa salvação e ressurreição: “Diz-se de um filho de um fazendeiro”. Como na propriedade de seu pai corriam as águas de um rio, o jovem costumava brincar, fazendo pequenos barcos de madeira, com velas, leme e tudo mais. Então ele, aproveitando-se de um pequeno remanso, tomava na mão seu barquinho e, colocando o leme em posição ideal, soltava-o sobre as águas, de sorte que, soprando o vento, o barquinho saia e, dando uma curva sobre as águas, retornava sempre ao mesmo lugar de partida. Com isso ele se distraía horas e horas!... Certo dia, concluindo em si mesmo, disse: Vou construir um barco que seja como a perfeição do meu ideal, e assim o fez!... Então, concluída a obra-prima de suas mãos, levou-a ao rio para aprazerasse com ela. Entretanto, ao colocar sua maravilhosa obra sobre as águas do rio, eis que no auge de sua alegria, o leme de seu barco desgovernou-se e, tomando ele a correnteza forte do rio, rapidamente, desapareceu sobre as águas revoltas e a aflição de seu olhar distante.

Certamente que foi muito dolorida sua perda e seu sofrimento, os quais lhe feriam no profundo amoroso do seu coração; até que, num certo dia seu pai o convidou para que fossem juntos à cidade, para fazer as compras habituais.

Aconteceu que quando estavam na cidade, enquanto seu pai fazia as compras, o jovem resolveu dar uma olhada nas vitrines das lojas. E, percorrendo de uma a uma, de repente, tomou um grande susto mesclado de uma grande alegria: eis que viu a obra-prima, do ideal infinito do seu coração, exposta a venda, na vitrine da loja, por R$ 400,00 (quatrocentos reais). Rapidamente entrou ao recinto da loja e disse para o comerciante: “Eu o criei, o formei e o fiz para minha alegria, este barco é meu”!... O Senhor da loja disse-lhe: Para mim é uma mercadoria e quem pagar o preço justo, leva-a!...

Rapidamente, o jovem correu à casa da fazenda, e, entrando em seu quarto, quebrando todos os cofrinhos de suas pequenas economias, constatou que possuía exatamente o dinheiro necessário. Retornando à cidade, alegre de felicidade, resgatou o tudo que lhe pertencia. Tomando, então, o barquinho em seus braços e o banhando de lágrimas, disse-lhe: “Você agora me pertence duas vezes: “uma, porque eu criei você exclusivamente para mim”, e outra, porque eu comprei você!... Na verdade, eu te criei, te formei e te fiz para minha glória. Eu te remi e te chamei pelo nome: tu és meu!...

João C. Porto

terça-feira, 27 de julho de 2010

BOA NOVA DO SENHOR JESUS > Quem me dera!

Hoje eu gostaria de dizer como o sofrido Jó: “Quem me dera que minhas palavras fossem escritas, quem me dera que se imprimissem num livro com um ponteiro de ferro, e sobre uma lâmina de chumbo, ou que com cinzel se gravassem em pederneira! Porque eu sei que meu redentor vive, que no último dia ressurgirei da terra, serei novamente revestido da minha pele, e na minha própria carne verei meu Deus. Eu mesmo o verei, meus olhos o hão de contemplar, e não outro; esta é a esperança que está depositada no meu peito” (Jó 19,23-27 = Vulgata)

O Padre Hipólito Durazzo nos coloca numa viva esperança, como esta de Jó, quando nos afirma: “Custe Deus quanto custar, nunca será caro de mais”. Ora, eu preciso, tu precisas, ele ou ela precisa, nós precisamos, vós precisais e eles ou elas precisam da fé, da esperança e da força do amor de Deus que fortalecia o coração de Jó; porque Jó foi muito mais além de tudo isso, quando, diante do Senhor, disse: “Meus ouvidos tinham escutado falar de ti, mas agora meus olhos te viram. É por isso que me retrato, e arrependo-me no pó e na cinza” (Jó 42,5).

Não é verdade que Deus se deixa encontrar por todos aqueles que o procuram?

Ouçamos bem o que o Senhor nos falou, ainda, na Antiga Aliança: “E quando lá buscares o Senhor teu Deus, encontrá-lo-ás, contanto, porém, que o busques de todo o teu coração e com toda a contrição de tua alma. Depois que tiverem acontecido todas as coisas que foram preditas, voltar-te-ás nos últimos tempos para o Senhor teu Deus, e ouvirás a sua voz. Porque o Senhor teu Deus é um Deus misericordioso; não te abandonará, nem te extinguirá inteiramente, nem se esquecerá do pacto que jurou a teus pais” (Dt 4,29-31).

Você sabe o que significa buscar o Senhor “de todo o coração”? Sinto em meu coração que uma boa parte, certamente, o sabe! Mas, por causa daqueles que são pequenos como eu, vou lhes dizer algo, resumidamente. Noutra oportunidade, se o Senhor trouxer ao meu coração a simplicidade de sua palavra, então, escreverei como Ele me instruir. Entretanto, buscar a Deus de todo o nosso coração é buscá-lo na totalidade do nosso ser, desde o mais íntimo e profundo até a aparência de nossa própria pele. Com isto, diz-me meu coração: “com toda a pontecialidade de nosso espírito, de nossa alma e de todo o nosso ser”; sob a direção amorosa do Espírito Santo; que nos guia como filhos e filhas de Deus (Rm 8,14. l6.26-27); pois, para tal abertura de vida espiritual, é Ele que nos instrui, ensinando-nos divinamente o caminho sob a acessibilidade da vontade do Senhor sobre nossa vontade, para que humildes e mansos, o Espírito Santo seja verdadeiramente nossa vida e direção, e assim nos dirija, fitando-nos com seus próprios olhos.

Que nos ensina o profeta Jeremias? “Bem conheço os desígnios que mantenho para convosco – oráculo do Senhor –, desígnios de prosperidade e não de calamidade, de vos garantir um futuro e uma esperança. Invocar-me-eis e vireis suplicar-me, e eu vos atenderei. Procurar-me-eis e me haveis de encontrar, porque de todo o coração me fostes buscar. Permitirei que me encontreis – oráculo do Senhor; e vos trarei do cativeiro e vos irei buscar em todas as nações e em todos os lugares por onde vos dispersei – oráculo do Senhor – para reintegrar-vos no lugar de onde vos exilei” (Jr 29,11-14).

Estas palavras do Senhor, através do profeta Jeremias, nos remontam aos novos tempos da plenitude em que vivemos – tempos de justiça, de paz e de alegria no Espírito Santo – tempos em que o Reino de Deus se estabelece sobre a face da terra, através dos corações convertidos a Cristo Jesus, todos os que participam da ágape da vida, em cuja mesa é partilhado o pão místico do banquete divino; isto é, o pão vivo que desceu do céu para a salvação do mundo. (Jo 6,51)

Assim, Senhor nosso Deus desenvolve a nosso favor a pedagogia mais simples e sábia do seu coração, para nos atrair através dos dons, das virtudes e dos frutos do sabor divino de sua caridade, a fim de que nossos corações se engracem do seu bondoso e infinito coração, para que vivamos abundantemente e todo o bem nos aconteça. “Eis o que diz o Senhor: no tempo da graça eu te atenderei, no dia da salvação eu te socorrerei. (Eu te formei e designei para fazer aliança com os povos), para restaurar o país e distribuir as heranças devastadas, para dizer aos prisioneiros: “Saí!”E àqueles que mergulham nas trevas”: “Vinde à luz!” Ao longo de todo o trajeto terão o que comer. Sobre todas as dunas encontrarão seu alimento. “Não sentirão fome nem sede; o vento quente e o sol não os castigarão, porque aquele que tem piedade deles os guiará e os conduzirá às fontes” (Is 49,8-10).

O amor de Deus tem laços de caridade que nos acolhem desde o princípio, que não cessam de nos afagarem durante e ao final, no seu repouso, com afagos de justiça, de misericórdia, de fidelidade e de paz e alegria no Espírito Santo. Por isso, São Paulo repete para todos: “Na qualidade de colaboradores seus, exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (Is 49,8). Agora é o tempo vavorável, agora é o dia da salvação” (II Cor 6,1-2). São Paulo, ainda, nos diz que Deus está perto: “Ele fez nascer de um só homem todo o gênero humano, para que habitasse sobre toda a face da terra”. Fixou aos povos os tempos e os limites da sua habitação. Tudo isso para que procurem a Deus e se esforcem por encontrá-lo como que às apalpadelas, pois na verdade ele não está longe de cada um de nós. Porque é nele que temos a vida, o movimento e o ser, como até alguns dos vossos poetas disseram: “Nós somos também de sua raça...” (At. 17,26-28).

Ora, Deus é Deus de Deus, Amor do Amor e vida que nos alcança constantemente com os laços da esperança viva, que pela fé nos preenche e conduz em seus afagos amorosos, por toda a eternidade e além da eternidade.

Quem da face da terra ousaria esquecer aquele que nos fala ao coração, dizendo?: “Eis o que diz o Senhor, aquele que te criou e te formou: nada temas, pois eu te resgato, eu te chamo pelo nome, tu és meu. Se tiveres de atravessar a água, estarei contigo. E os rios não te submergirão; se caminhares pelo fogo, não te queimarás, e a chama não te consumirá. Porque és precioso a meus olhos, porque eu te aprecio e te amo, permuto reino por ti, entrego nações em troca de ti. Pois, todos aqueles que invocam o meu nome eu os criei, os formei e os fiz para minha glória” (Is 43,1-2.4.7). Filhinhos!... “Eu te amei com amor eterno e sou constante na minha afeição por ti” (Jr 31,3). Não sabes que tenho o teu nome gravado na palma da minha mão? Jamais me esquecerei de ti! “Buscai ao Senhor, já que ele se deixa encontrar; invoca-o já que está perto” (Is 55,6). “Então tua luz surgirá como aurora, e tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se; tua justiça caminhará diante de ti, e a glória do Senhor seguirá na tua retaguarda. Então às tuas invocações, o Senhor responderá, e a teus gritos, dirá”: “Eis-me aqui!” (Is 58,8-9). “Ainda que os montes sejam abalados e tremam as colinas, a minha misericórdia não se apartará de ti, e a aliança da minha paz não se mudará, diz o Senhor, compadecido de ti” (Is 54,10). E ainda te digo mais, diz o Senhor: “Ponde dez vezes mais zelo em procurar-me” (Bar 4,28); pois “quem tocar em ti, toca na menina dos meus olhos” (Zc 2,8 = Vulgata ou Zc 2,12 = Ave Maria).

Irmãos e irmãs, o Senhor é à força do teu coração e a tua herança eterna. (Sl 72,26). Não temerás coisa alguma, pois Ele é a tua luz e salvação. Ele é o defensor de tua vida. (Sl 26,1)

O Senhor, agora, diz para mim e para você: “Invoca-me, e eu te responderei, revelando-te grandes coisas misteriosas que ignoras” (Jr 33,3).

Sinto em meu coração o “basta”, por esse momento. Por isso, encerro com uma “palavra” do Senhor Jesus Cristo, nossa salvação e ressurreição: “Todo aquele que o Pai me dá virá a mim, e o que vem a mim não o lançarei fora” (Jo 6,37), mas, eu hei de ressuscitá-lo no último dia. (Jo 6,44b)

João C. Porto

domingo, 18 de julho de 2010

BOA NOVA DO SENHOR JESUS > A Bíblia Sagrada

A bíblia é a palavra de Deus. Uma carta de amor que Deus escreveu aos homens e mulheres de boa vontade, prometendo-lhes salvação e vida eterna a todos os que crerem, com fé e amor no coração, em seu Filho e único Salvador, nosso Senhor Jesus Cristo.

Origem da palavra Bíblia

Do grego bibelô, que significa livro.

Diminutivo: biblion, que significa livrinho.

Plural: Biblia, que significa livrinho.

O plural, com o passar do tempo, foi perdendo o sentido. Hoje, etimologicamente falando, a palavra Bíblia significa uma coleção de livros.

No tempo oportuno, os livros da Bíblia Sagrada foram divididos em capítulos e versículos, com o objetivo principal de facilitar a exegese, isto é, a interpretação gramatical e histórica dos livros sagrados.

Em primeiro lugar, os livros da Bíblia foram divididos em capítulos. Segundo consta, a atual divisão dos capítulos sagrados em versículos (versos) data do século XVI. Em 1528, Sanctes Pagninus fez a divisão do Antigo Testamento em versículos, e, em 1551, Robert Estienne (Estêvão) dividiu o texto grego do Novo Testamento em versículos.

Como estudar a Bíblia Sagrada, apoiando-se nos capítulos, versículos e outros sinais gráficos.

A vírgula separa capítulo de versículos.

Ex.: Jo 3,3

Indica o Evangelho de São João, Cap. 3, vers. 3. Com esta indicação, você lerá o 3º versículo do 3º capítulo do referido Evangelho.

O ponto e vírgula separam capítulos de um mesmo livro ou um livro de outro.

Ex.: Jo 1,12; 3,3; II Cor 5,17

O primeiro ponto e vírgula separam os capítulos 1º e 3º do mesmo livro que é o Evangelho de São João, onde se deve ler, respectivamente, os versículos 12º e 3º. O segundo ponto e vírgula separam dois livros: o Evangelho de São João da 2ª Carta de São Paulo aos Coríntios, na qual se deve ler o versículo 17º do capítulo 5º.

Então vovê terá lido: “Mas a todos os que o receberam deu poder de se tornarem filhos de Deus, aos que crêem no seu nome”. (Jo 1,12);

“Jesus respondeu e disse-lhe: Em verdade, em verdade te digo que não pode ver o Reino de Deus senão aquele que nascer de novo” (Jo 3,3)

“Se algum, pois, está em Cristo é uma nova criatura; passaram as coisas velhas; eis que tudo se fez novo” (II Cor 5,17)

O ponto indica leitura de capítulos ou versículos não seqüenciados.

Exs.: Gn 16 .19

Significa que se devem ler, tão somente, os capítulos 16 e 19 do Livro do Gênesis.

Mt 5,14. 16.48

Indica que do capítulo 5º do Evangelho de São Mateus se devem ler, tão somente, os versículos 14, 16 e 48. Como se vê, é uma leitura salteada de versículos.

O hífen indica a leitura de capítulos ou versículos seqüenciados.

Ex.: I Cor 12 – 14; Jo 3,3 – 8.

Significa que se devem ler, sequenciadamente, os capítulos 12 ao 14 da primeira Carta de São Paulo ao Coríntios, e do capítulo 3º do Evangelho de São João, do mesmo modo, os versículos 3º até ao final do 8º.

As letras a e b após a citação dos versículos significam que, relativamente ao a, a citação refere-se somente à parte inicial do versículo; e, relativamente ao b, a citação indicada para a leitura refere-se à parte final do referido versículo.

Ex.: Jo 14,6a ou Jo 14,6b

Ora, em Jo 14,6 lê-se o seguinte: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vai ao Pai senão por mim”.

Se a citação em causa é a primeira indicada acima, isto é, Jo 14,6a, leremos tão somente: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.

Se, no entanto, a citação para a leitura for a Segunda, isto é, Jo 14,6b, então leremos: “ninguém vai ao Pai senão por mim”.

Em se tratando de um s ou dois ss depois do versículo, teremos que fazer a seguinte leitura:

Exs.: Mc 10,14s

Indica que deveremos ler o versículo 14 e o seguinte (15), do Evangelho de São Marcos.

Lc 1,30ss

Significa que se devem ler os versículos 30 e os seguintes, do Evangelho de São Lucas, até que se complete o sentido necessário à meditação que se faz sentir. Para nossa reflexão, neste momento, faríamos a leitura do versículo 30 ao 35, do referido Evangelho.

No caso de vírgula, hífen e ponto ao mesmo tempo.

Ex.: Jo 3,3-5.7

Significa que a referida citação nos orienta a ler os versos 3 a 5 e daí saltar para a leitura do verso 7º do capítulo 3º do Evangelho de São João.

A Bíblia Sagrada é a palavra de Deus em forma de alimento espiritual. (Dt 8,3; Mt 4,4; Lc 4,4)

“Afligiu-te com a fome, e deu-te por sustento o maná, que tu e teus pais desconhecíeis, para te mostrar que o homem não vive só de pão mas, de toda a palavra que sai da boca de Deus”. (Dt 8,3)

A Bíblia é a verdade de Deus na palavra ou o próprio Verbo Divino.

“Santifica-os na verdade. A tua palavra é a verdade”. (Jo 17,17)

A Bíblia Sagrada é, também, alimento que sacia a fome e a sede de ouvir a palavra de Deus.

“Eis que vem o tempo, diz o Senhor, em que eu enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas (fome e sede) de ouvir a palavra do Senhor”. (Am 8,11)

A Bíblia é alimento que traz gosto ao paladar e alegria ao coração.

“Achei a tua palavra, alimentei-me com ela; a tua palavra foi para mim o prazer e a alegria do meu coração, porque o teu nome foi invocado sobre mim, Senhor Deus dos exércitos”. (Jer 15,16 – Vulgata)

A Bíblia é, ainda, alimento de extrema doçura, que na boca de quem vive da fé (Hab 2,4; Rm 1,17) é mais doce que o mel.

“Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! São-no mais que o mel à minha boca”. (Sl 118,103)

A Bíblia Sagrada é, outrossim, lâmpada para os pés e luz para o caminho de quem vive o amor de Deus no coração.

“Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para os meus caminhos”. (Sl 118,105)

É o Verbo de Deus como fonte de sabedoria nos céus e como caminho de eternidade na terra.

“A fonte da sabedoria é o Verbo de Deus nos céus, e os seus caminhos são os mandamentos eternos”. (Eclo 1,5)

A Bíblia Sagrada se compõe de 73 livros: 46 do Antigo Testamento (Antiga Aliança) e 27 livros no Novo Testamento ou Nova Aliança.

São os seguintes os livros do Antigo Testamento, de conformidade com o seu gênero, e como eles são abreviados.

Pentateuco – Os cinco primeiros livros.

Gênesis (Gn) Êxodo (Ex)

Levítico (Lv) Números (Nm)

Deuteronômio (Dt)

Históricos – 16 livros

Josué (Js) Juízes (Jz)

Rute (Rt) I Samuel (I Sm)

II Samuel (II Sm) I Reis (I Rs)

II Reis (II Rs) I Crônicas (I Cr)

II Crônicas (II Cr) Esdras (Es)

Neemias (Ne) Tobias (Tb)

Judite (Jd) Ester (Est)

I Macabeus (Mc) II Macabeus (Mc)

Poéticos ou Sapienciais – 7 livros

Jó (Jó) Salmos (Sl)

Provérbios (Pr) Eclesiastes (Ecli)

Cântico dos Cânticos (Ct) Sabedoria (Sb)

Eclesiástico (Eclo)

Grandes Profetas – 6 livros

Isaías (Is) Jeremias (Jr)

Lamentações (Lm) Baruc (Br)

Ezequiel (Ez) Daniel (Dn)

Pequenos Profetas – 12 livros

Oséias (Os) Joel (Jl)

Amos (Am) Abdias (Ab)

Jonas (Jn) Miquéias (Mq)

Naum (Na) Habacuc (Hab)

Sofonias (Sf) Ageu (Ag)

Zacarias (Zc) Malaquias (Ml)

Em seguida, os livros do Novo Testamento ou Nova Aliança, de conformidade com seu gênero, e como são abreviados.

Evangelhos – 4 livros

Mateus (Mt) Marcos (Mc)

Lucas (Lc) João (Jo)

Histórico – 1 livro

Atos dos Apóstolos (At)

Cartas Paulinas – 14 livros

Romanos (Rm) I Coríntios (I Cor)

II Coríntios (II Cor) Gálatas (Gl)

Efésios (Ef) Filipenses (Fl)

Colossenses (Cl) I Tessalonicenses (I Ts)

II Tessalonicenses (II Ts) I Timóteo (I Tm)

II Timóteo (II Tm) Tito (Tt)

Filêmon (Fm) Hebreus (Hb)

Cartas Católicas – 8 livros

Tiago (Tg) I Pedro (I Pd)

II Pedro (II Pd) I João (I Jo)

II João (II Jo) III João (III Jo)

Judas (Jd) Apocalipse (Ap)

Há Bíblias com 73 livros e outras com 66. Por que essa diferença? Isto se deve ao fato de que a Bíblia Sagrada nos é apresentada em dois cânones ou catálogos: o restrito da Palestina com 66 livros, seguido pelo judaísmo e, desde Lutero (1917), por todo o mundo protestante; e o amplo de Alexandria, ou a tradução dos 70 intérpretes, com 73 livros, seguido, desde os apóstolos de Cristo e até hoje, pelo mundo católico.

Como se vê, entre um e outro cânone, há 7 livros divergentes, além de fragmentos dos livros de Ester e do profeta Daniel.

Os 7 livros divergentes e os fragmentos são:

Livros:

Judite (Jt) Tubias (Tb)

I Macabeus (I Mc) II Macabeus (II Mc)

Sabedoria (Sb) Eclesiástico (Eclo)

Baruc (Br)

Fragmentos:

No livro de Ester: Capítulo 10, 4-13 e mais os capítulos 11 a 16.

No livro do profeta Daniel: Capítulo 3, 24-90 e mais os capítulos 13 a 14, os quais se referem à história de Susana.

Que nos apresentam as duas Alianças?

O Antigo Testamento anuncia a vinda do Senhor e Salvador, Jesus Cristo. O Novo Testamento nos apresenta Jesus Cristo como único Salvador (Is 43,11), aquele que veio e que virá novamente no final dos tempos. (At 1,10-11)

Quais os idiomas utilizados na escrita da Bíblia Sagrada?

O Antigo Testamento foi escrito em Hebraico, e o Novo Testamento em Grego e Aramaico.

Como a Bíblia se apresenta com relação à dimensão dos livros, capítulos e versículos?

Os Salmos formam o maior livro da Bíblia Sagrada com 150 capítulos.

A Segunda Carta de São João é o menor livro da Bíblia com apenas um capítulo de 13 versículos.

O Salmo 118 é o maior capítulo da Bíblia Sagrada com 176 versículos, e o Salmo 116 é o menor capítulo com apenas 2 versículos.

O maior versículo da Bíblia é o versículo 9º do capítulo 8º do livro de Ester, e o menor versículo é o versículo 13 do capítulo 20 do livro do Êxodo: “Não matarás”.

QUSTIONÁRIO PARA REFLEXÃO E APROFUNDAMENTO ESPIRITUAL

1. Por que a Bíblia foi escrita?

Evangelho de S. João – Cap. 20, Vers. 31 (Jo 20,31)

2. A Bíblia Sagrada pode desaparecer?

a) Evangelho de S. Lucas – Cap.21,Vers. 33 (Lc 21,33)

b) 1ª Carta de S. Pedro – Cap. 1, Vers. 25 (I Pd 1,25)

3. A Bíblia diz a verdade?

Evangelho de São João – Cap. 17, Vers. 17 (Jo 17,17)

4. O que é a Bíblia para o homem?

Evangelho de S. Mateus - Cap. 4. Vers. 4 (Mt 4,4)

5. Quem é aquele que a Bíblia nos ensina a Conhecer?

Evangelho de São João – Cap 5, Vers. 39 (Jo 5,39)

6. Quem inspirou os escritos da Bíblia Sagrada?

2ª Epístola a Timóteo – Cap. 3, Vers. 16 (II Tm 3,16)

7. Como a Bíblia chegou até nós?

2ª Epístola de São Pedro – Cap. 1, Vers. 21 (II Pd 1,21)

8. Diga com suas palavras o que a Bíblia representa para você.

João C. Porto