terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Jesus Cristo: Curso da Bíblia Sagrada
sábado, 11 de dezembro de 2010
D E U S

Curso da Bíblia Sagrada
CBS – 02
D e u s
O1. Quem é Deus?
Cremos que a resposta mais apropriada seja simplesmente:
“ É “
Um “É” do tamanho de nossa imaginação relativa a grandeza de Deus:
Deus “É”
O Catecismo sempre nos ensinou que Deus é um espírito perfeitíssimo e eterno, criador do céu e da terra.
É uma idéia muito boa, porque realmente Ele criou todas as coisas. Criou o céu, a terra e tudo o que neles há.
Assim como no princípio, antes da criação, seu Espírito Santo pairava sobre as águas (Gn 1,2), assim também, nestes dias do seu Reino, que Jesus nos trouxe, sua graça repousa sobre os corações. É o Espírito da verdade para quem deseja ser verdadeiro. Para sua criação foi Deus quem disse o faça-se de sua eternidade criadora. No Fiat de Deus, que representa seu desejo de amor eterno para conosco, é que, a exemplo de nossa Mãe, Maria Santíssima, damos o nosso sim. Sem ele nada acontecerá no nosso coração, na nossa alma e/ou na nossa vida.
O homem só pode conceituar Deus dentro de suas próprias limitações em relação a Ele, ou de acordo com Suas manifestações divinas, ou ainda pelas reações inteligentes da própria criatura diante do Criador absoluto.
Assim, através dos tempos, na medida em que se relacionava com Deus, o homem dava-lhe nomes, de acordo com Suas revelações e em analogia com os elementos existentes na natureza. Através desses nomes, o homem expressava o poder e as qualidades do seu Deus. Deus era então chamado de Luz, de Rocha, Fogo, etc., sempre conforme a expressão dos seus sentimentos em relação ao Divino. Os homens apoderavam-se, assim, de algo próprio de sua cultura épica que pudesse indicar o Ser Forte e poderoso que tudo criou que pudesse expressar os atributos e qualidades por eles sentidos a partir do relacionamento com o próprio Deus.
Surgiram, assim, vários nomes para Deus, os mais antigos dos quais vieram, principalmente, dos povos semitas. São nomes que expressam de forma viva a experiência daquela gente com o Criador. Destes nomes, vindo dos povos mais distantes, os de mais difícil compreensão são os nomes próprios atribuídos a Deus.
Hoje, conhecemos os sete nomes de Deus, ou os nomes sagrados de Deus. Três deles expressam o Seu relacionamento com a criação; outros três referem-se a Sua perfeição, e um apenas reflete Sua divindade manifestada. Entre os semitas, El é a mais antiga designação de Deus.
02. Quais são os três primeiros nomes de Deus?
Os três primeiros nomes de Deus, os quais expressam Sua relação com a criação são os seguintes:
1. El, que significa Ser Forte.
De origem semita, aparece de formas várias em quase todas as línguas semitas. Não costuma ser aplicado a Deus em sua forma simples, mas acompanhado do artigo (O El) ou acompanhado de outra palavra que designe alguns dos atributos de Deus:
El Hay (Deus vivo)
El Hashamaim (Deus do céu)
El Elohim (Deus dos deuses)
2. Elohim (plural) ou Eloah (singular), que significa Deus Criador.
Aparece combinado com outras designações:
Elohim Sabaoth (Deus dos Exércitos)
Elohim (Deus de Abraão, de Isaac e Jacó)
3. Adonai, que significa Meu Senhor.
É talvez o mais importante nome entre estes três primeiros. É derivado de Dún (Julgar, condenar).
03. Quais são os outros três nomes de Deus?
Os três nomes seguintes, que expressam os mais importantes aspectos da perfeição divina, são:
4. Shaddai, que significa Ser violento ou empregar a força, expressão que traduz a idéia de poderoso ou onipotente. Daí:
El Shadday (Deus onipotente ou poderoso ).
5. Elyon, derivado de um verbo que significa subir, é traduzido por Altíssimo.
6. Qadosh, que significa santo.
Aparece, de preferência nos profetas, de forma especial em Isaías, e designa a santidade e pureza de Deus.
04. Qual é, finalmente, o sétimo nome de Deus?
7. O nome que expressa a essência divina de Deus, portanto o mais importante nome de Deus é:
YHWH (pronuncia-se Javé):
Com o advento da vogal no hebraico, a grafia passou a YAHWE, que quer evidenciar ainda mais o nome Javé. Yahwe deriva-se do verbo ser, por isso que tem o sentido de aquele que é. (Ex 3,14).
Assim, o nome Jeová é uma deturpação de YHWH + ADONAI, sendo, portanto, falso, não se aplicando ao Deus verdadeiro.
05. Como Deus é chamado por nós, que vivemos o Reino dos céus em Jesus Cristo?
a) Jesus Cristo nos diz que Deus é Espírito e quer ser adorado em espírito e verdade. (Jo 4,24)
b) Deus é amor e quer que O conheçamos para vivermos no seu amor. (I Jo 4,8.16).
c) Deus é misericordioso, por isso não desampara os seus filhos (Dt 4,31).
d) Deus é Rei de toda a terra (Sl 46,8).
e) Ele é o Deus Salvador (Sl 67,20).
f) Deus é Salvador e fora dele não há outro (Is 43,10-11)
g) Deus é verdadeiro ((Jo 3,33).
h) Deus é fiel (I Cor 1,9; 10,13).
i) Deus é luz (I Jo 1,5).
j) Deus é bom (Sl 33,9)
i) Deus é bom e sua misericórdia é eterna (Sl 117,29).
06. Como o Senhor Jesus Cristo nos ensina chamar Deus?
Jesus Cristo nos ensina a chamar Deus de PAI.
O Salmista nos ensina que Deus é Pai e autor da salvação (Sl 88,27).
O profeta Isaías, referindo-se a Jesus Cristo, nos diz que Deus é admirável, conselheiro, Deus forte, PAI da eternidade e Príncipe da Paz (Is 9,6).
Pai, Pai nosso!... É a forma mais significativa e de carinho filial com que Jesus nos ensina a chamar o Senhor, nosso Deus. Ele não é apenas Pai, como um único Pai para nós. Ele o é também nas pessoas do Filho e do Espírito Santo. Como se poderia dizer: são três pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo) em um só Deus. Três pais em um só e único Pai, que é Deus (Mt 28,19; Is 43,10b).
Poderíamos, então, esquematizar:
Pai - vontade, bondade
Deus: Filho – Sabedoria, graça
Espírito Santo – Amor, atividade
São Paulo nos exorta, dizendo que recebemos o espírito da adoção filial:
“A prova de que sois filhos é que Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!” (Gl 4,6). Por isso, chamamos Deus de Pai, Papai ou Paizinho!...
07. Por que Deus é amor?
Porque, na sua perfeição e santidade, tem em si a característica; o único meio de comunicar os sentimentos através da palavra, na qual o seu poder se revela em unidade de vida eterna.
Assim, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são vontade, sabedoria e amor. Suas graças pessoais e qualidades eternas, para efeito didático, posicionam-se no âmbito do nosso entendimento, mais ou menos assim:
a) O Pai corresponde ao amor que é, também, do Filho e do Espírito Santo que os une permanentemente.
b) O Filho corresponde à sabedoria, à graça, à benevolência e à amizade de Deus.
d) O Espírito Santo corresponde à unidade no amor do Pai e do Filho.
Pode-se dizer, também, que no Pai está a verdade e a vontade universal, no Filho a sabedoria de Deus no céu e na terra, e no Espírito Santo, a Sua atividade criadora, regeneradora, renovadora e santificadora de todas as coisas.
08. Por que temos Deus por nosso Pai?
Porque sentimos que Ele tem tudo. É como Pai para sua criança: segurando em Suas mãos, nós nos sentimos seguros. Ele pode tudo, criou-nos por amor, ama-nos com amor eterno e constante, e nos acolhe com bondade e profunda misericórdia. E faz tudo isso de um jeitinho melhor que qualquer pai aqui da terra, mesmo que esse tivesse a bondade de Deus.
O próprio Jesus Cristo, Seu Filho amado, nos ensina, dizendo: “Um só é vosso Pai que está no céu” (Mt 23,9).
Por isso, acreditamos em um só Deus verdadeiro, perfeitíssimo e eterno, que se manifesta em três pessoas, absolutamente, distintas: Pai, Filho e Espírito Santo; e que, pelo batismo que recebemos na Sua Igreja Católica, habita em nós e opera através de seus filhos e filhas do seu amor.
“Não sabeis que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós”? (I Cor 3,16).
“Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis a vós mesmos? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo” (I Cor 6,19-20).
09. Em que oportunidade feliz e benfazeja observamos, concomitantemente, a manifestação das três pessoas da Santíssima Trindade?
No batismo de Jesus Cristo, às margens do rio Jordão. Ali, Jesus (o Filho) era batizado, o Espírito Santo descia sobre Ele, em forma de pomba, e o Pai falava dos céus, dizendo: “Este é o meu Filho muito amado em quem ponho a minha afeição” (Mt 3,16-17).
10. O que mais se pode dizer sobre Deus?
Deus é ainda revelação. Ele se revela através da palavra, da oração, dos dons, carismas e virtudes do Espírito Santo.
“As coisas invisíveis dEle, depois da criação do mundo, correspondendo-se pelas coisas feitas, tornaram-se visíveis, e, assim, o Seu poder eterno e a Sua divindade, de modo que ninguém pode se desculpar” (Rm 1,20)
“Ora, nós não recebemos o espírito do mundo, mas sim o Espírito que vem de Deus, que nos dá a conhecer as graças que Deus nos prodigalizou e que pregamos numa linguagem que nos foi ensinada não pela sabedoria humana, mas pelo Espírito, que exprime as coisas espirituais em termos espirituais” (I Cor 2,12-13).
Então Deus é tudo para nós! Certamente foi sentindo essa grandeza do amor de Deus para conosco e a veracidade de Suas riquíssimas promessas que São Vicente nos exorta à obra do amor de Deus, quando diz: “Felizes os que dedicam o tempo breve de sua vida ao amor e a justiça”.
QUESTIONÁRIO PARA REFLEXÇÃO E APROFUNDAMENTO
11. Como Deus é chamado de acordo com as citações abaixo?
a) Atos dos Apóstolos – Cap. 14, Vers. 15 (At. 14,15)
b) Evangelho de São João – Cap. 17, Vers. 19 (Jo 17,19)
c) Evangelho de São Mateus – Cap. 28, Vers. 19 (Mt 28,19)
12. Como Criador, Salvador e Santificador, quais são as características de Deus?
a) Evangelho de São Lucas – Cap. 6, Vers. 36 (Lc 6,36)
b) 1ª Epístola de S. Pedro – Cap. 1, Vers. 15-16 (I Pd 1,15-16)
c) 1ª Epístola de S. João – Cap. 1, Vers. 5 (I Jo 1,5)
d) 1ª Epístola de S. João – Cap. 4, Vers. 8 (I Jo 4,8)
13. O que Deus fez?
Atos dos Apóstolos – Cap. 14, Vers.15 (At. 14,15)
14. Onde a gente vê o poder eterno de Deus?
Epístola aos Romanos – Cap. 1, Vers. 20 (Rm 1,20)
15. O que é que Deus dá a todos os homens?
Atos dos Apóstolos – Cap. 17, Vers. 25 (At. 17,25)
16. Como Deus falou outrora e nos últimos tempos?
a) Epístola aos Hebreus – Cap. 1, Vers. 1 (Hb 1,1)
b) Epístola aos Hebreus – Cap. 1, Vers. 2 (Hb 1,2)
17. Deus é amor! Em que consiste o amor de Deus?
1ª Epístola de S. João – Cap. 4, Vers. 10 (I Jo 4,10)
18. Deus é eterno! Qual é o dom supremo de Deus?
Evangelho de São João – Cap. 3, Vers. 16 (Jo 3,16)
19. Quem é aquele que Deus, por amor a nós, não poupou?
Epístola aos Romanos – Cap. 8, Vers. 32 (Rm 8,32)
20. Qual é o único caminho que nos leva a Deus?
Evangelho de São João – Cap. 14, Vers. 6 (Jo 14,6)
21. Latria é adoração a Deus. Nesse culto, como Deus quer ser adorado por todos?
Evangelho de São João – Cap. 4, Vers. 24 (Jo 4,24)
22. A Deus tudo é possível (Lc 1,37)! O que é impossível aos homens, mas é possível a Deus?
Evangelho de São Marcos – Cap. 10, Vers. 26-27 (Mc 10,26-27)
23. Dizemos que somos Filhos de Deus! Mas como é que nos tornaremos Filhos de Deus?
a) Epístola aos Gálatas – Cap. 3, Vers. 26 (Gl 3,26)
b) Epístola aos Romanos – Cap. 8, Vers. 14.16 (Rm 8,14.16)
24. Diga com suas palavras quem é Deus para você?
Mt 16,15-16, a exemplo de S. Pedro com Cristo.
João C. Porto
Obs.: Este Curso de Introdução à Bíblia Sagrada se encontra na apostila do Autor (1992).
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
A Bíblia Sagrada: Curso da Bíblia Sagrada - CBS - 01

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Tudo em torno de Cristo

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
O Culto de Latria, Dulia e Hiperdulia

Na Igreja Católica, como em qualquer outra Igreja cristã, que tem Jesus Cristo como Salvador (Jo 3,16), centro e vida eterna dos filhos e filhas de Deus (I Jo 5,11-12), adora-se exclusivamente a Deus (Mt 4,10; Dt 6,13), Deus de Israel, Deus de Abraão de Isaac e Jacó, o Deus único que Salva (Is 45,15), mesmo porque não há outro, nem antes e nem depois. (Is 43,10).
Portanto, o culto de Latria que corresponde à adoração ao Criador, o Deus Vivo, Perfeitíssimo, Eterno e Santíssimo, El Shadday, o Todo-podereso Deus de Israel, “Eu Sou”, Aquele que é o Senhor Javé.
Por isso, o culto de dulia corresponde a simples veneração aos anjos do Deus Altíssimo, que nos acompanham e nos protegem nesta vida terrena (Sl 33,8); e bem assim aos santos e santas que nos precederam no Reino de Deus, canonizados pela Igreja; pois, as suas vidas de temor de Deus e santidade são úteis para todos os homens e mulheres que, em Cristo, vivem no caminho de perfeição, conduzidos pela direção amorosa do Espírito Santo. Ele nos dirige, fitando em nós seus próprios olhos (Sl 31,8); nós que somos filhos e filhas amados de Deus. (Rm 8,14.16; Lc 12,12: Mt 10,19-20; I Cor 2,12-13).
Finalmente, o culto de Hiperdulia, uma veneração maior a Sempre Virgem e Imaculada Mãe de Jesus (Lc 1,31), Mãe do Filho de Deus (Lc 1,35), Mãe de Deus (Lc 1,43) e Mãe do verdadeiro Deus e da Vida Eterna (I Jo 5,20b).
Estes dados são incontestáveis, porque estão fundamentados na palavra de Deus e, por isso, fazem parte da ordem que o Senhor Jesus Cristo deu aos seus apóstolos, antes de subir aos Céus: “Ensinando-as a observar todas as coisas que vos prescrevi. Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo” (Mt 28,20).
Ora, o Senhor, nosso Deus, em seu Filho, Jesus Cristo, (Jo 10,30) concedeu a Igreja, que ele mesmo a edificou através do apóstolo Pedro (Mt 16,13-19) e, posteriormente, ao colegiado apostólico (Mt 18,18; Jo 21,15-17), o poder de ligar e desligar sobre a terra, e inclusive de perdoar ou não perdoar os pecados dos homens. (Jo 20,23).
Isto posto, desejo de coração aberto à fé e à revelação do Divino Pai, do Filho Salvador e sob a consolação do doce hóspede de minha alma, o Espírito Santo, emitir minha clarividência sobre o assunto em meditação.
No livro do Ex 23,20-21 Deus promete essa bênção a Moisés: “Vou enviar um anjo diante de ti para te proteger no caminho e para ti conduzir ao lugar que te preparei. Está de sobreaviso em sua presença, e ouve o que ele te diz. Não lhe resistas, pois ele não te perdoaria tua falta, porque meu nome está nele”.
Ora, em qualquer hipótese, o anjo não é outra coisa senão o próprio Deus enquanto atua longe de sua habitação celeste, porque, nesse caso, atua em nome e em o nome de Deus, visto que ele, consoante a teoria angelical defendida por Sto. Agostinho, representa Deus e identifica-se com Deus. Portanto, observemos que o valor e a importância do anjo, em que pese ser puro espírito e, por isso, imagem perfeitíssima de Deus, é o nome de Deus que está nele.
Com efeito, na vocação de Abrão, Deus lhe diz: “Abençoarei aqueles que te abençoarem, e maldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem; todas as famílias da terra serão benditas em ti” (Gn 12,3).
Já que a Igreja de Cristo recebeu do próprio Senhor Jesus o poder de ligar e desligar, de perdoar e não perdoar, de abençoar e não abençoar, tudo o que ela, através do sacerdócio, in persona Cristi, abençoar estará abençoado e consagrado ao Senhor. Por isso, a Igreja consagra todas as coisas, conforme as prescrições do Senhor Jesus. Ela consagra o templo, o altar, o sacrário, ostensório, as vestes sacerdotais etc. e, por essa consagração fica nos bens consagrados o nome do Senhor, porque o que não tem o nome de Deus, não lhe pertence, visto que no nome do Senhor está o selo de suas presença e perfeições. (Ef 1,13; 4,30).
Assim, todas as imagens consagradas pela Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica possuem o nome do Senhor Deus de Abraão, de Isaac e Jacó, do seu Filho nosso Senhor Jesus Cristo, nosso único Salvador, a graça e o Dom perfeito e a unção do Espírito Santo, que recebemos no Batismo. Então, a importância dos filhos e filhas de Deus, dos ícones ou imagens e coisas consagradas pela Igreja de Cristo Jesus, não está tão somente no que eles ou elas representam sobre a terra; mas, sobretudo, no nome de Deus que está neles e nelas, conforme a consagração conferida pela Santa Igreja do Senhor Jesus Cristo. Antes da consagração, a imagem representa a figura do Santo, como um retrato, uma estampa etc. Entretanto, depois da consagração sacerdotal, que seja pelo batismo do Espírito Santo ou outras quaisquer bênçãos celestiais, eis que o nome do Senhor se fará presente. Esta é, portanto, a importância e o valor das imagens e de todos nós, que somos imagens vivas de Deus. Se, porventura, a consagração de quem as consagra, por alguma razão, não possui a unção divina para tal ato de fé e caridade das perfeições do amor de Deus, então será lastimável, porque sem Deus nada existe, e, se existe, sem o nome do Deus Altíssimo, nada nos convém praticar ou viver.
“Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua alma? Ou que daria o homem em troca de sua alma?” (Lc 9,25)
Tudo em Deus e com Deus, e nada sem Deus. Triste de quem adora imagens ou qualquer outra coisa; porque a ordem divina é esta: “Somente a Deus adorarás e a ele servirás” (Mt 4,10). E o Senhor Jesus, ainda, acrescenta: “Deus é espírito, e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e em verdade” (Jo 4,34).
E por que não pensar nisso? Deus é único, e do nada fez o céu e a terra e tudo quanto neles há. Logo, as digitais das mãos do Criador estão em tudo o que foi criado por ele. A única coisa que falta, em virtude do pecado, é a sua consagração, a bênção do Criador, em o nome glorioso do Senhor Jesus Cristo, seu Filho amado. (Mt 3,17)
Assim, o que não tem o nome do Senhor, como selo de perfeição (Mt 5,48), para nada serve, pois, é “demônio” e ao demônio pertence. (Sb 2,24).
João C. Porto