terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Jesus Cristo: Curso da Bíblia Sagrada

 
                                                      Curso da Bíblia Sagrada

                                                                 CBS – O3

                                                                            J E S U S C R I S T O

Jesus Cristo é o Verbo de Deus nos céus, como fonte de sabedoria.

“O Verbo de Deus nos céus é fonte de sabedoria, seus caminhos são os mandamentos eternos” (Eclo 1,5).
Ele veio ao mundo, na vontade do Pai, com o objetivo de salvar o homem dos seus pecados.

“Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados” (Mt 1,21).

Ele, na verdade, nos salva, curando-nos das enfermidades do espírito, da alma e do corpo. Quem, verdadeiramente, arrependido de coração, pedindo-lhe perdão das ofensas, não é atendido?

“Eis que lhe apresentaram um paralítico estendido numa padiola. Jesus, vendo a fé daquela gente, disse ao paralítico: Meu filho, coragem! Teus pecados te são perdoados” (Mt 9,2).

“Todo o povo procurava toca-lo, pois saía dele uma força que os curava a todos” (Lc 6,19)

Jesus não apenas perdoa faltas e iniquidades, mas nos envolve de uma forma consoladora, com sua infinita misericórdia.

“Eu lhes perdoarei as suas iniquidades, e já não me lembrarei dos seus pecados” (Hb 8,12; Jr 31,31-34).

Jesus veio como uma luz para que não mais estejamos em trevas.

“Eu vim como uma luz ao mundo; assim, todo aquele que crer em mim não ficará nas trevas” (Jo 12,46).

Ele nos escolhe amorosamente.

“Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei” (Mt 11,28).

Jesus nos ensina a humildade de coração.

“Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para vossas almas” (Mt 11,29).

Ele nos acolhe como um Pai que protege seus filhos.

“Todo aquele que o Pai me dá virá a mim, e o que vem a mim não o lançarei fora” (Jo 6,37).

O Senhor Jesus nos dá a vida nova do seu amor bondoso e misericordioso.

“Mas todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus” (Jo 1,12-13).

“Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo” (II Cor 5,17).

O Senhor Jesus é para nós garantia de vida eterna.

“E o testemunho é este: Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho. Quem possui o Filho possui a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” (I Jo 5,11-12)

Jesus é o Filho de Deus vivo (Mt 16,16), deu a vida por todos nós (Jo 10,11b), é o bom Pastor, a porta por onde entram as ovelhas (Jo 10,9), o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6), a ressurreição e a vida (Jo 11,25), e tudo de nossa vida.

“Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20).

Jesus faz questão que tenhamos, na fé da verdade, na justiça e no amor, um conceito bem formado sobre Sua pessoa. Ele quer ser irmão e amigo, bem íntimo de cada um de nós. Ele perguntou aos apóstolos sobre o que o povo pensava dEle, e, na opinião do s amigos, quem era Ele.

O1. Quem dizem os homens ser o Filho do homem? (Mt 16,13).

“Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas” (Mt 16,14).

02. E vós quem dizeis que eu sou? (Mt 16,15).

Respondendo, Simão Pedro disse: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo” (Mt 16,16).

O Senhor Jesus quer que todos tenham a mesma convicção da fé que movia o coração de São Pedro. Ele espera que do íntimo da alma, do entendimento do espírito, e de todas as forças da capacidade de sentir do coração, todos digam com fé, esperança e grande amor que Ele é o Filho de Deus, o Salvador do mundo, o Senhor da vida, que Deus O ressuscitou dentre os mortos e lhe deu um nome que está sobre todo o nome (Fl 2,9), a fim de que todo coração creia Nele, para alcançar a justiça, e que toda a boca O confesse como Senhor de todos, para alcançar a salvação (Rm 10,10), porque todo aquele que assim invocar o nome do Senhor Jesus Cristo será salvo (Rm 10,13).

03. Quais os nomes pelos quais conhecemos Jesus Cristo?

Conhecemos Jesus pelos seguintes nomes:

Jesus Cristo Messias
Nosso Senhor Salvador Filho de Deus
Filho do homem Mestre Emanuel
Senhor Rabi Redentor etc..

O4. Qual o sentido ou significado do nome do Senhor?

Messias ou Messiah – é uma palavra hebraica que tem o mesmo sentido da palavra Cristo, isto é, O Ungido.

Nosso Senhor – corresponde quase ao nome próprio. Indica-nos que Jesus Cristo é autor e Senhor da vida, que é nosso Deus e Senhor de tudo (Fl 2,9.11)

Salvador – é a tradução do nome Jesus, aquele que salva o povo de seus pecados (Mt 1,21b).

Filho de Deus – Indica que Jesus é a segunda pessoa da Trindade Santa. Aliás, no símbolo de Nicéia, dizemos: “O Unigênito Filho de Deus, nascido do Pai antes dos séculos, Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, nascido, não feito, consubstancial com o Pai, pelo qual tudo foi feito”.

Filho do homem – Jesus usou muito este termo, que procede das profecias do Antigo Testamento, para indicar que era verdadeiramente homem.

Mestre – Indica a missão reveladora de Jesus, o qual veio para ensinar a verdade libertadora da parte do Pai Eterno. A forma hebraica da palavra Mestre é Rabi, que significa exatamente Mestre (Mt 26,25; Jo 1,38).

Emanuel – Significa Deus Conosco. Este é o nome predileto do profeta Isaías, conforme Mt 1,23, oito séculos antes dos dias da plenitude dos tempos. (Is 7,14; 8,8).

05. São apenas estes os nomes pelos quais podemos chamar Jesus?

Certamente que não. Os grupos de oração da Renovação Carismática Católica, principalmente, costumam exercitar-se nos incontáveis nomes de Jesus, o Senhor, como forma de interiorização espiritual da ascese devocional. Isto leva a uma infinidade de nomes, que se limita, unicamente, pela nossa capacidade humana.

O6. Jesus Cristo é o Filho de Deus. Como Ele veio ao mundo?

a) Nascido de uma mulher, conforme o anúncio do Senhor através do profeta Isaías – Cap. 7, Vers. 14b: “Uma virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel (Deus Conosco).”

São Paulo diz: “Mas quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma mulher e nasceu submetido a uma lei, a fim de remir os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a sua adoção” (Gl 4,4-5).

b) Anunciado pelo anjo Gabriel à Virgem Maria, cheia de graça:

1. Entrando o anjo onde ela estava, disse-lhe: Ave, cheia de graça; o Senhor é contigo. (Lc 1,28).

2. Eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. (Lc 1,31).

3. O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá com sua sombra, por isso mesmo o santo que há de nascer de ti será chamado Filho de Deus. (Lc 1,35).

4. Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. (Lc 1,38).

5. E deu à luz seu filho primogênito. Enfaixou-o e o reclinou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem (Lc 2,7).

6. Maria conservava todas estas coisas, meditando-as no seu coração (Lc 2,19).

7. O menino crescia e se fortificava cheio de sabedoria, e a graça de Deus era com Ele. (Lc 2,40).

8. Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e dos homens. (Lc 2,52).
07. Jesus Cristo veio ao mundo por obra e graça do Espírito Santo, nasceu da Virgem, Maria Santíssima, e cresceu diante de Deus e dos homens. Qual foi Sua missão sobre a terra durante a Sua primeira vinda?
a) O profeta Isaías (Is 61,1-2) nos diz que Deus o enviaria ungido pelo Espírito Santo, para:
1. Levar a boa nova aos humildes;
2. Curar os corações doloridos;
3. Anunciar aos cativos à redenção;
4. Anunciar aos prisioneiros a liberdade;
5. Proclamar um ano de graça da parte do Senhor;
6. Proclamar um dia de vingança de Nosso Deus;
7. Consolar todos os que choram;
8. Dar-lhes um diadema em vez de cinzas;
9. Dar-lhes o óleo da alegria em vez de vestidos de luto;
10. Dar-lhes cânticos de glória em vez de desespero;
11. Os chamarão as azinheiras da justiça;
12. Plantadas pelo Senhor para a sua glória.

 
b) O próprio Jesus, ungido pelo Espírito Santo, confirma o cumprimento do anúncio do profeta Isaías – Cap. 61,1-3. O evangelista São Lucas (Lc 4,18-19) narra que Jesus, após ler o que estava escrito no rolo do livro profético, repetiu a missão libertadora que Deus, Pai, confiou a Ele, dizendo que havia sido ungido e enviado para:
1. Evangelizar os pobres;
2. Sarar os contritos de coração;
3. Anunciar aos cativos a redenção;
4. Trazer aos cegos a recuperação da vista;
5. Por em liberdade os oprimidos;
6. Pregar o ano favorável do Senhor.
Entre muitas citações do Senhor Jesus, chamamos a atenção especial para duas delas: Mt 5,3-10 e 11,28-30. Estas citações dão-nos, a nós que somos o objetivo de sua missão salvífica, a esperança viva (I Pd 1,3), acrescem-nos a fé confiante (Hb 11,6), enchem-nos de amor pelo ensino e pelas virtudes do Espírito Santo e nos tornam repletos de riquíssimas consolações, pela graça da redenção que nos trouxe e pelo seu preciosíssimo sangue que nos remiu para a vida eterna.
É interessante observar os textos de Isaías e de São Lucas que falam da missão de Jesus. No Evangelho de São Lucas, o Senhor omitiu, creio que de propósito, o trecho que fala “do anúncio do dia da vingança do Senhor, nosso Deus” (Is 61,2).
Veja bem! Na primeira vinda de Jesus, a vingança do Senhor, nosso Deus não se incluía, visto que Jesus não veio para condenar, mas para salvar, conforme está bastante claro no Evangelho de São João – Cap. 3, Vers. 17:
“Deus não enviou Seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele”.
Assim, o dia da vingança de Deus, cujo juiz é o Salvador Jesus, será na segunda vinda do Senhor, a qual já está próxima, juntamente com os apóstolos, os anjos e santos de Deus. Naquele dia, o Senhor fará justiça para com os bons e os maus, conforme se lê no Evangelho de São Mateus – Cap. 25, Vers. 31-46f), sobre o juízo final.
08. O que faremos para alcançar a salvação em Jesus Cristo?
a) Crer no Salvador Jesus Cristo, “o Filho de Deus Vivo” (Mt 16,16).
b) “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e tua família” (At. 16,31).
c) Crer e ser batizado (Mc 16,16) em nome do Senhor Jesus, para a remissão dos pecados, a fim de receber o dom do Espírito Santo (At. 2,38).
d) Crer com o coração para alcançar a justiça, e confessar com a boca o Senhor Jesus, para alcançar a salvação (Rm 10,10).
e) Invocar o nome do Senhor Jesus para ser salvo (Rm 10,13).
f) Ter fé em Deus (Hb 11,6).
g) Ter paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá a Deus (Hb 12,14).
h) Seguir a Jesus como o único caminho que nos leva ao Pai, única verdade e única vida (Jo 14,6).
i) Amar a Jesus, guardando sua palavra no coração, como prática de vida no amor, para ser amado pelo Pai e ser morada de Deus (Jo 14,23).
j) Buscar a Jesus de todo o coração (Dt 4,29; Jr 29,13), deixando-se transformar pelo Seu amor, para ser um homem novo (Jo 3,3-5).
l) Estar sempre com Cristo, para ser uma nova criatura, conforme nos afirma São Paulo (II Cor 5,17; Gl 6,15).
m) Amar o Senhor Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o espírito (Mt 22,37-39).
n) Ser um bem-aventurado de coração puro para ver a Deus (Mt 5,8).
o) Deixar-se conduzir pelo Espírito Santo de Deus, para ser filho de Deus (Rm 8,14)
p) Viver da fé do grão de mostarda (Lc 17,6), como filhos e filhas de Deus (Gl 3,26).
09. Como devemos ser servos do Senhor Jesus Cristo?
a) Aprendendo Dele todas as coisas (Mt 11,29), a partir da palavra de Deus (Dt 4,2; 11,18), a fim de que, no Seu exemplo, tenhamos, na intimidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, vida de fé, de esperança, de amor, de oração e de virtudes, na paz, na justiça, na moderação e na mansidão, como Igreja viva, unidos aos irmãos (Sb 8,7; Pr 22,17-18).
b) Nascidos da vontade de Deus, como Filhos, segundo o Seu poder (Jo 1,12-13).
c) Sendo prudentes como as serpentes e simples como pombas (Mt 10,16).
d) Sendo manso e humilde de coração, a exemplo do Senhor Jesus Cristo (Mt 11,29).
e) Sendo misericordiosos para alcançar a misericórdia (Mt 5,7).
f) Sendo humildes de espírito, para possuirmos o Reino dos céus (Mt 5,3).
g) Negando-se a si mesmo, tomando sua cruz todos os dias, na caminhada com o Senhor Jesus e os irmãos (Lc 9,23).
h) Sendo sal da terra para temperar a comunidade onde mora e vive (Mt 5,13).
i) Sendo luz do mundo, para iluminar os que carecem de verdade e testemunho de vida (Mt 5,14).
j) Sendo suas testemunhas no meio dos homens, para que eles, vendo as boas obras dos filhos e filhas do Reino de Deus, glorifiquem o Pai que está nos céus (Mt 5,16).
m) Sendo homens e mulheres que não se envergonham do Evangelho da Salvação (Rm 1,16).
n) Sendo fazedores da vontade de Deus em tudo, a fim de que possamos permanecer para sempre (I Jo 2,17).
                                           QUSTIONÁRIO PARA REFLEXÃO E APROFUNDAMENTO
10. Por que Cristo morreu cruz?
1ª Epístola aos Coríntios – Cap. 15, Vers. 3 (I Cor 15,3)

11. Na opinião de São Paulo, quem é Jesus Cristo?

Epístola aos Romanos – Cap. 9, Vers. 5 (Rm 9,5)

12. Como Jesus é chamado pelo apóstolo Tomé?

Evangelho de S. João – Cap. 20, Vers. 28 (Jo 20,28)
13. Jesus Cristo pode mudar?

Epístola aos Hebreus – Cap. 13, Ver. 8 (Hb 13,8)
14. Qual é o testemunho de João Batista prestado a Jesus?

Evangelho de S. João – Cap. 1, Vers. 34 (Jo 1,34)
15. “E vós, quem dizeis que eu sou”? Que resposta deu S. Pedro a esta indagação de Jesus?

Evangelho de S. Mateus – Cap. 16, Vers. 16 (Mt 16,16)
16. Ao verem Jesus, o que testemunharam os espíritos imundos?

Evangelho de S. Marcos – Cap. 3, Vers. 11 (Mc 3,11)
17. Que testemunho Deus Pai deu de Seu Filho Jesus?

Evangelho de S. Marcos – Cap. 1, Vers. 11 (Mc 1,11)
18. Que testemunho Jesus Cristo deu de si mesmo?

Evangelho de S. João – Cap. 10, Vers. 36 (Jo 10,36)

19. Quem é aquele que triunfou sobre o mundo?

1ª Epístola de S. João – Cap. 5, Vers. 5 (I Jo 5,5)
20. Para que Jesus Cristo veio ao mundo?

a) Evangelho de S. João – Cap. 6, Vers. 38 (Jo 6,38)
b) 1ª Epístola a Timóteo – Cap. 1, Vers. 15 (I Tm 1,15)
c) 1ª Epístola de S. João – Cap. 3, Vers. 5 (I Jo 3,5)
d) 1ª Epístola de S. João – Cap. 3, Vers. 8 (I Jo 3,8)

 
21. Porque Jesus Cristo morreu na Cruz?

a) 1ª Epístola aos Coríntios – Cap. 15, Vers. 3 (I Cor 15,3)
b) Evangelho de S. João – Cap. 11, Vers. 52 (Jo 11,52)
c) Epístola aos Gálatas – Cap. 1, Vers. 4 ( Gl 1,4)
22. Quantas pessoas presenciaram a aparição de Jesus ressuscitado de uma só vez?

1ª Epístola aos Coríntios – Cap. 15, Vers. 6 (I Cor 15,6)
23. Como Jesus Cristo é chamado nos textos abaixo?

a) Evangelho de S. João – Cap. 10, Vers. 11 (Jo 10,11)
b) 1ª Epístola aos Coríntios – Cap. 2, Vers. 8 (I Cor 2,8)
c) Epístola aos Efésios – Cap. 2, Vers. 20 (Ef 2,20)
24. Diga com suas palavras quem é Jesus Cristo para você.
João C. Porto

Obs.: Este Curso de Introdução à Bíblia Sagrada se encontra a apostila do autor. (1992).

sábado, 11 de dezembro de 2010

D E U S


Curso da Bíblia Sagrada

CBS – 02

D e u s

O1. Quem é Deus?

Cremos que a resposta mais apropriada seja simplesmente:

“ É “

Um “É” do tamanho de nossa imaginação relativa a grandeza de Deus:

Deus “É”

O Catecismo sempre nos ensinou que Deus é um espírito perfeitíssimo e eterno, criador do céu e da terra.

É uma idéia muito boa, porque realmente Ele criou todas as coisas. Criou o céu, a terra e tudo o que neles há.

Assim como no princípio, antes da criação, seu Espírito Santo pairava sobre as águas (Gn 1,2), assim também, nestes dias do seu Reino, que Jesus nos trouxe, sua graça repousa sobre os corações. É o Espírito da verdade para quem deseja ser verdadeiro. Para sua criação foi Deus quem disse o faça-se de sua eternidade criadora. No Fiat de Deus, que representa seu desejo de amor eterno para conosco, é que, a exemplo de nossa Mãe, Maria Santíssima, damos o nosso sim. Sem ele nada acontecerá no nosso coração, na nossa alma e/ou na nossa vida.

O homem só pode conceituar Deus dentro de suas próprias limitações em relação a Ele, ou de acordo com Suas manifestações divinas, ou ainda pelas reações inteligentes da própria criatura diante do Criador absoluto.

Assim, através dos tempos, na medida em que se relacionava com Deus, o homem dava-lhe nomes, de acordo com Suas revelações e em analogia com os elementos existentes na natureza. Através desses nomes, o homem expressava o poder e as qualidades do seu Deus. Deus era então chamado de Luz, de Rocha, Fogo, etc., sempre conforme a expressão dos seus sentimentos em relação ao Divino. Os homens apoderavam-se, assim, de algo próprio de sua cultura épica que pudesse indicar o Ser Forte e poderoso que tudo criou que pudesse expressar os atributos e qualidades por eles sentidos a partir do relacionamento com o próprio Deus.

Surgiram, assim, vários nomes para Deus, os mais antigos dos quais vieram, principalmente, dos povos semitas. São nomes que expressam de forma viva a experiência daquela gente com o Criador. Destes nomes, vindo dos povos mais distantes, os de mais difícil compreensão são os nomes próprios atribuídos a Deus.

Hoje, conhecemos os sete nomes de Deus, ou os nomes sagrados de Deus. Três deles expressam o Seu relacionamento com a criação; outros três referem-se a Sua perfeição, e um apenas reflete Sua divindade manifestada. Entre os semitas, El é a mais antiga designação de Deus.

02. Quais são os três primeiros nomes de Deus?

Os três primeiros nomes de Deus, os quais expressam Sua relação com a criação são os seguintes:

1. El, que significa Ser Forte.

De origem semita, aparece de formas várias em quase todas as línguas semitas. Não costuma ser aplicado a Deus em sua forma simples, mas acompanhado do artigo (O El) ou acompanhado de outra palavra que designe alguns dos atributos de Deus:

El Hay (Deus vivo)

El Hashamaim (Deus do céu)

El Elohim (Deus dos deuses)

2. Elohim (plural) ou Eloah (singular), que significa Deus Criador.

Aparece combinado com outras designações:

Elohim Sabaoth (Deus dos Exércitos)

Elohim (Deus de Abraão, de Isaac e Jacó)

3. Adonai, que significa Meu Senhor.

É talvez o mais importante nome entre estes três primeiros. É derivado de Dún (Julgar, condenar).

03. Quais são os outros três nomes de Deus?

Os três nomes seguintes, que expressam os mais importantes aspectos da perfeição divina, são:

4. Shaddai, que significa Ser violento ou empregar a força, expressão que traduz a idéia de poderoso ou onipotente. Daí:

El Shadday (Deus onipotente ou poderoso ).

5. Elyon, derivado de um verbo que significa subir, é traduzido por Altíssimo.

6. Qadosh, que significa santo.

Aparece, de preferência nos profetas, de forma especial em Isaías, e designa a santidade e pureza de Deus.

04. Qual é, finalmente, o sétimo nome de Deus?

7. O nome que expressa a essência divina de Deus, portanto o mais importante nome de Deus é:

YHWH (pronuncia-se Javé):

Com o advento da vogal no hebraico, a grafia passou a YAHWE, que quer evidenciar ainda mais o nome Javé. Yahwe deriva-se do verbo ser, por isso que tem o sentido de aquele que é. (Ex 3,14).

Assim, o nome Jeová é uma deturpação de YHWH + ADONAI, sendo, portanto, falso, não se aplicando ao Deus verdadeiro.

05. Como Deus é chamado por nós, que vivemos o Reino dos céus em Jesus Cristo?

a) Jesus Cristo nos diz que Deus é Espírito e quer ser adorado em espírito e verdade. (Jo 4,24)

b) Deus é amor e quer que O conheçamos para vivermos no seu amor. (I Jo 4,8.16).

c) Deus é misericordioso, por isso não desampara os seus filhos (Dt 4,31).

d) Deus é Rei de toda a terra (Sl 46,8).

e) Ele é o Deus Salvador (Sl 67,20).

f) Deus é Salvador e fora dele não há outro (Is 43,10-11)

g) Deus é verdadeiro ((Jo 3,33).

h) Deus é fiel (I Cor 1,9; 10,13).

i) Deus é luz (I Jo 1,5).

j) Deus é bom (Sl 33,9)

i) Deus é bom e sua misericórdia é eterna (Sl 117,29).

06. Como o Senhor Jesus Cristo nos ensina chamar Deus?

Jesus Cristo nos ensina a chamar Deus de PAI.

O Salmista nos ensina que Deus é Pai e autor da salvação (Sl 88,27).

O profeta Isaías, referindo-se a Jesus Cristo, nos diz que Deus é admirável, conselheiro, Deus forte, PAI da eternidade e Príncipe da Paz (Is 9,6).

Pai, Pai nosso!... É a forma mais significativa e de carinho filial com que Jesus nos ensina a chamar o Senhor, nosso Deus. Ele não é apenas Pai, como um único Pai para nós. Ele o é também nas pessoas do Filho e do Espírito Santo. Como se poderia dizer: são três pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo) em um só Deus. Três pais em um só e único Pai, que é Deus (Mt 28,19; Is 43,10b).

Poderíamos, então, esquematizar:

Pai - vontade, bondade

Deus: Filho – Sabedoria, graça

Espírito Santo – Amor, atividade

São Paulo nos exorta, dizendo que recebemos o espírito da adoção filial:

“A prova de que sois filhos é que Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!” (Gl 4,6). Por isso, chamamos Deus de Pai, Papai ou Paizinho!...

07. Por que Deus é amor?

Porque, na sua perfeição e santidade, tem em si a característica; o único meio de comunicar os sentimentos através da palavra, na qual o seu poder se revela em unidade de vida eterna.

Assim, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são vontade, sabedoria e amor. Suas graças pessoais e qualidades eternas, para efeito didático, posicionam-se no âmbito do nosso entendimento, mais ou menos assim:

a) O Pai corresponde ao amor que é, também, do Filho e do Espírito Santo que os une permanentemente.

b) O Filho corresponde à sabedoria, à graça, à benevolência e à amizade de Deus.

d) O Espírito Santo corresponde à unidade no amor do Pai e do Filho.

Pode-se dizer, também, que no Pai está a verdade e a vontade universal, no Filho a sabedoria de Deus no céu e na terra, e no Espírito Santo, a Sua atividade criadora, regeneradora, renovadora e santificadora de todas as coisas.

08. Por que temos Deus por nosso Pai?

Porque sentimos que Ele tem tudo. É como Pai para sua criança: segurando em Suas mãos, nós nos sentimos seguros. Ele pode tudo, criou-nos por amor, ama-nos com amor eterno e constante, e nos acolhe com bondade e profunda misericórdia. E faz tudo isso de um jeitinho melhor que qualquer pai aqui da terra, mesmo que esse tivesse a bondade de Deus.

O próprio Jesus Cristo, Seu Filho amado, nos ensina, dizendo: “Um só é vosso Pai que está no céu” (Mt 23,9).

Por isso, acreditamos em um só Deus verdadeiro, perfeitíssimo e eterno, que se manifesta em três pessoas, absolutamente, distintas: Pai, Filho e Espírito Santo; e que, pelo batismo que recebemos na Sua Igreja Católica, habita em nós e opera através de seus filhos e filhas do seu amor.

“Não sabeis que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós”? (I Cor 3,16).

“Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis a vós mesmos? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo” (I Cor 6,19-20).

09. Em que oportunidade feliz e benfazeja observamos, concomitantemente, a manifestação das três pessoas da Santíssima Trindade?

No batismo de Jesus Cristo, às margens do rio Jordão. Ali, Jesus (o Filho) era batizado, o Espírito Santo descia sobre Ele, em forma de pomba, e o Pai falava dos céus, dizendo: “Este é o meu Filho muito amado em quem ponho a minha afeição” (Mt 3,16-17).

10. O que mais se pode dizer sobre Deus?

Deus é ainda revelação. Ele se revela através da palavra, da oração, dos dons, carismas e virtudes do Espírito Santo.

“As coisas invisíveis dEle, depois da criação do mundo, correspondendo-se pelas coisas feitas, tornaram-se visíveis, e, assim, o Seu poder eterno e a Sua divindade, de modo que ninguém pode se desculpar” (Rm 1,20)

“Ora, nós não recebemos o espírito do mundo, mas sim o Espírito que vem de Deus, que nos dá a conhecer as graças que Deus nos prodigalizou e que pregamos numa linguagem que nos foi ensinada não pela sabedoria humana, mas pelo Espírito, que exprime as coisas espirituais em termos espirituais” (I Cor 2,12-13).

Então Deus é tudo para nós! Certamente foi sentindo essa grandeza do amor de Deus para conosco e a veracidade de Suas riquíssimas promessas que São Vicente nos exorta à obra do amor de Deus, quando diz: “Felizes os que dedicam o tempo breve de sua vida ao amor e a justiça”.

QUESTIONÁRIO PARA REFLEXÇÃO E APROFUNDAMENTO

11. Como Deus é chamado de acordo com as citações abaixo?

a) Atos dos Apóstolos – Cap. 14, Vers. 15 (At. 14,15)

b) Evangelho de São João – Cap. 17, Vers. 19 (Jo 17,19)

c) Evangelho de São Mateus – Cap. 28, Vers. 19 (Mt 28,19)

12. Como Criador, Salvador e Santificador, quais são as características de Deus?

a) Evangelho de São Lucas – Cap. 6, Vers. 36 (Lc 6,36)

b) 1ª Epístola de S. Pedro – Cap. 1, Vers. 15-16 (I Pd 1,15-16)

c) 1ª Epístola de S. João – Cap. 1, Vers. 5 (I Jo 1,5)

d) 1ª Epístola de S. João – Cap. 4, Vers. 8 (I Jo 4,8)

13. O que Deus fez?

Atos dos Apóstolos – Cap. 14, Vers.15 (At. 14,15)

14. Onde a gente vê o poder eterno de Deus?

Epístola aos Romanos – Cap. 1, Vers. 20 (Rm 1,20)

15. O que é que Deus dá a todos os homens?

Atos dos Apóstolos – Cap. 17, Vers. 25 (At. 17,25)

16. Como Deus falou outrora e nos últimos tempos?

a) Epístola aos Hebreus – Cap. 1, Vers. 1 (Hb 1,1)

b) Epístola aos Hebreus – Cap. 1, Vers. 2 (Hb 1,2)

17. Deus é amor! Em que consiste o amor de Deus?

1ª Epístola de S. João – Cap. 4, Vers. 10 (I Jo 4,10)

18. Deus é eterno! Qual é o dom supremo de Deus?

Evangelho de São João – Cap. 3, Vers. 16 (Jo 3,16)

19. Quem é aquele que Deus, por amor a nós, não poupou?

Epístola aos Romanos – Cap. 8, Vers. 32 (Rm 8,32)

20. Qual é o único caminho que nos leva a Deus?

Evangelho de São João – Cap. 14, Vers. 6 (Jo 14,6)

21. Latria é adoração a Deus. Nesse culto, como Deus quer ser adorado por todos?

Evangelho de São João – Cap. 4, Vers. 24 (Jo 4,24)

22. A Deus tudo é possível (Lc 1,37)! O que é impossível aos homens, mas é possível a Deus?

Evangelho de São Marcos – Cap. 10, Vers. 26-27 (Mc 10,26-27)

23. Dizemos que somos Filhos de Deus! Mas como é que nos tornaremos Filhos de Deus?

a) Epístola aos Gálatas – Cap. 3, Vers. 26 (Gl 3,26)

b) Epístola aos Romanos – Cap. 8, Vers. 14.16 (Rm 8,14.16)

24. Diga com suas palavras quem é Deus para você?

Mt 16,15-16, a exemplo de S. Pedro com Cristo.

João C. Porto

Obs.: Este Curso de Introdução à Bíblia Sagrada se encontra na apostila do Autor (1992).

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A Bíblia Sagrada: Curso da Bíblia Sagrada - CBS - 01



                                      Curso da Bíblia Sagrada
                                                  CBS – 01
                                         A Bíblia Sagrada

 
01. Qual a origem da palavra Bíblia?
Do grego Biblos, que significa livro.
Diminutivo: Biblion, que significa livrinho.
Plural: Biblia, que significa livrinhos.
O plural, com o passar do tempo, foi perdendo o sentido. Hoje, etimologicamente falando, a palavra Bíblia significa uma Coleção de Livros.
02. Para facilitar o Estudo, como são divididos os livros da Bíblia?
Os livros da Bíblia são divididos em capítulos e versículos, com o objetivo principal de facilitar a exegese, isto é, a interpretação gramatical e histórica da Bíblia.
Em primeiro lugar, os livros da Bíblia foram divididos em capítulos. Segundo consta, a atual divisão dos capítulos sagrados em versículos (versos) data do século XVI. Em 1528, Sanctes Pagninus fez a divisão do Antigo Testamento em versículos, e, em 1551, Robert Estienne (Estevão) dividiu o texto grego do Novo Testamento em versículos.
03. Como estudar a Bíblia Sagrada, apoiando-se nos capítulos, versículos e outros sinais gráficos?
A vírgula separa capítulos de versículos.
Ex.: Jo 3,3.
Indica o Evangelho de São João, Cap. 3, Vers. 3. Com esta indicação, você lerá o 3º versículo do 3º capítulo do referido Evangelho.
O ponto e vírgula separam capítulos de um mesmo livro ou um livro de outro.
Ex.: Jo 1,12; 3,3; II Cor 5,7.
O primeiro ponto e vírgula separam os capítulos 1º e 3º do mesmo livro, que é o Evangelho de São João, onde se devem ler, respectivamente, os versículos 12º e 3º. O segundo ponto e vírgula separam dois livros: o Evangelho de São João da 2ª Carta de São Paulo aos Coríntios, na qual se deve ler o versículo 17 do Capítulo 5º. Então, você terá lido:
“Mas a todos os que o receberam deu poder de se tornarem filhos de Deus, aos que crêem no seu nome” (Jo 1,12);
“Jesus respondeu e disse-lhe: em verdade, em verdade te digo que não pode ver o Reino de Deus senão aquele que nascer de novo” (Jo 3,3);
“Se algum, pois, está em Cristo é uma nova criatura; passaram as coisas velhas; eis que tudo se fez novo” (II Cor 5,17).
O ponto indica leitura de capítulos ou versículos não seqüenciados.
Ex.: Gn 16.19.
Significa que se deve ler, tão somente, os capítulos 16 e 19 do Livro do Gênesis.
Mt 5,14.16.48.
Indica que do capítulo 5º do Evangelho de São Mateus se devem ler, tão somente, os versículos 14, 16 e 48. Como se vê, é uma leitura salteada de versículos.
O hífen indica a leitura de versículos seguenciados.
Ex.: Jo 3,3-8.
Significa que do 3º capítulo do Evangelho de São João deverão ser lidos os versículos de 3 a 8.
Letras a e b após a citação dos versículos significam que, relativamente ao a, a citação refere-se somente à parte inicial do versículo; e, relativamente ao b, a citação indicada para a leitura refere-se à parte final do referido versículo.
Ex.: Jo 14,6a ou 14,6b
Ora, em Jo 14,6 lê-se o seguinte: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vai ao Pai senão por mim”.
Se a citação em causa é a primeira indicada acima, isto é, Jo 14,6a, leremos tão somente: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.
Se, no entanto, a citação para a leitura for à segunda, isto é, Jo 14,6 b, então leremos: “ninguém vai ao Pai senão por mim”.
Obs.: Se, na divisão de um versículo, além de a e b aparecerem outras letras, significa que o versículo, por necessidade de quem o estudo, foi dividido em mais letras, por exemplo: a, b, c, d etc..
Vírgula, hífen e ponto ao mesmo tempo.
Ex.: Jo 3,3-5.7.
Significa que a referida citação nos orienta a ler os versos 3 a 5 e daí saltar para a leitura do verso 7º do capítulo 3º do Evangelho de São João.
4. O que é a Bíblia Sagrada?
A Bíblia Sagrada é a palavra de Deus em forma de alimento espiritual.
Humilhou-te com a fome; deu-te por sustento o maná, que não conhecias nem tinham conhecido os teus pais, para ensinar-te que o homem não vive só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor (Dt 8,3)
Jesus respondeu: “Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4,4; Lc 4,4).
É a verdade de Deus na palavra ou o próprio Verbo:
“Santifica-os pela verdade. A tua palavra é a verdade” (Jo 17,17).
É alimento que sacia a fome e a sede de ouvir a palavra de Deus:
“Virão dias – oráculo do Senhor Javé – em que enviarei fome sobre a terra, não uma fome de pão, nem uma sede de água, mas ( fome e sede ) de ouvir a palavra do Senhor” (Am 8,11).
É alimento que traz gosto ao paladar e alegria ao coração:
“Vede: é por vós que sofro ultrajes da parte daqueles que desprezam vossas palavras”. Aniquilai-os. Vossa palavra constitui minha alegria e as delícias do meu coração, porque trago o vosso nome, ó Senhor Deus dos exércitos!”(Jr 15,16).
É alimento de extrema doçura, que na boca de quem vive a fé é mais doce que o mel:
“Quão saborosas são para mim vossas palavras! São mais doces que o mel à minha boca” (Sl 118,113).
É lâmpada para os pés e luz para o caminho de quem vive o amor de Deus:
“Vossa palavra é um facho que ilumina meus passos, uma luz em meu caminho” (Sl 118,105).
É o Verbo de Deus como fonte de sabedoria nos céus e como caminho de eternidade na terra:
“O Verbo de Deus nos céus é fonte de sabedoria, seus caminhos são os mandamentos eternos” (Eclo 1,5).
5. De quantos livros se compõe a Bíblia Sagrada?
De 73 livros: 46 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento.
6. Quais são os livros do Antigo Testamento, de conformidade com seu gênero, e como eles são abreviados?
Pentateuco – os cinco primeiros livros:
Gênesis (Gn) Êxodo (Ex)
Levítico (Lv) Números (Nm)
Deuteronômio (Dt)
Históricos – 16 livros:
Josué (Js) Juizes (Jz)
Rute (Rt) I Samuel (I Sm)
II Samuel (II Sm) I Reis (Rs)
II Reis (II Rs) I Crônicas (I Cr)
II Crônicas (II Cr) Esdras (Es)
Neemias (Ne) Tobias (Tb)
Judite (Jd) Ester (Est)
I Macabeus (Mc) II Macabeus (II Mc)
Poéticos ou Sapienciais – 7 livros
Jó (Jó) Salmos (Sl)
Provérbios (Pr) Eclesiastes (Ecl)
Cântico dos Cânticos (Ct) Sabedoria (Sb)
Eclesiástico (Eclo)
Grandes Profetas – 6 livros
Isaías (Is) Jeremias (Jr)
Lamentações (Lm) Baruc (Br)
Ezequiel (Ez) Daniel (Dn)
Pequenos Profetas – 12 livros
Oséias (Os) Joel (Jl)
Amós (Am) Abdias (Ab)
Jonas (Jn) Miquéias (Mq)
Naum (Na) Habacuc (Hab)
Sofonias (Sf) Ageu (Ag)
Zacarias (Zc) Malaquias (Ml)
7. Quais são os livros do Novo Testamento, de conformidade com seu gênero, e como são abreviados?
Evangelhos – 4 livros.
Mateus (Mt) Marcos (Mc)
Lucas (Lc) João (Jo)
Histórico – 1 livro
Atos dos Apóstolos (At.)
Cartas Paulinas – 14 livros
Romanos (Rm) I Coríntios (I Cor)
II Coríntios (II Cor) Gálatas (Gl)
Efésios (Ef) Filipenses (Fl)
Colossenses (Cl) I Tessalonicenses (I Ts)
II Tessalonicenses (Ts) I Timóteo (I Tm)
II Temóteo (II Tm) Tito (Tt)
Filémon (Fm) Hebreus (Hb)
Cartas Católicas – 8 livros
Tiago (Tg) I Pedro (I Pd)
II Pedro (II Pd) I João (I Jo)
II João (II Jo) III João (III Jo)
Judas (Jd) Apocalipse (Ap)
8. Por que há Bíblias com 73 livros e outras com 66?
A Bíblia Sagrada nos é apresentada em dois cânones ou catálogos:
a) O restrito da Palestina, com 66 livros, seguido desde Lutero, por todo o mundo protestante, hoje, conhecido como evangélico.
b) O amplo de Alexandria, ou a tradução dos 70 intérpretes, com 73 livros, seguido, desde os apóstolos de Cristo e até hoje, pelo mundo católico.
Entre um e outro cânone, há sete livros divergentes, além de fragmentos dos livros de Ester e do profeta Daniel.
9. Quais são os sete livros divergentes e os fragmentos mencionados?
Livros:
Judite (Jd) Tobias (Tb)
I Macabeus (I Mc) II Macabeus (II Mc)
Sabedoria (Sb) Eclesiástico (Eclo)
Baruc (Br)
Fragmentos:
No livro de Ester: Capítulo 10,4-13 e mais os capítulos 11 a 16.
No livro do profeta Daniel: Capítulo 3,24-90 e mais os capítulos 13 a 14.
O Antigo Testamento anuncia a vinda do Senhor e Salvador, Jesus Cristo. O Novo Testamento nos apresenta Jesus Cristo como o único Salvador (Is 43,11), aquele que veio e que virá novamente no final dos tempos.
10. Quais os idiomas utilizados na escrita da Bíblia Sagrada?
O Antigo Testamento foi escrito em Hebraico, e o Novo Testamento em grego e aramaico.
11. Como a Bíblia se apresenta com relação à dimensão dos livros, capítulos e versículos?
Os Salmos formam o maior livro da Bíblia Sagrada com 150 capítulos.
A segunda carta de São João é o menor livro da Bíblia com apenas um capítulo de 13 versículos.
O Salmo 118 é o maior capítulo da Bíblia Sagrada com 176 versículos e o Salmo 116 é o menor capítulo com apenas dois versículos.
O maior versículo da Bíblia é o versículo 9º do capítulo 8º do livro de Ester, e o menor versículo é o versículo 13º do capítulo 20º do livro do Êxodo: “Não matarás”.
QUESTIONÁRIO DE FLEXÃO E APROFUNDAMENTO
12. Por que a Bíblia Sagrada foi Escrita?
Evangelho de São João – Cap. 20, Vers. 31 (Jo 20,31)
13. A Bíblia Sagrada pode desaparecer?
a) Evangelho de São Lucas – (Lc 21,33)
b) I Epístola de São Pedro – (I Pd 1,25)
14. A Bíblia Sagrada diz a Verdade?
Evangelho de São João – (Jo 17,17)
15. O que é a Bíblia Sagrada para o homem?
Evangelho de São Mateus – (Mt 4,4)
16. Quem é aquele que a Bíblia Sagrada nos ensina a conhecer?
Evangelho de São João – (Jo 5,39)
17. Quem inspirou os escritos da Bíblia Sagrada?
II Epístola a Timóteo – (II Tm 3,16)
18. Como a Bíblia Sagrada chegou até nós?
II Epístola de São Pedro – (II Pd 1,21)
19. Diga com suas palavras o que a Bíblia Sagrada representa para você.

João C. Porto
Obs.: Este Curso de Introdução à Bíblia Sagrada se encontra na Apostila do Autor. (1992).

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Tudo em torno de Cristo



I – Todos os Mistérios de Fé devem ter sua dimensão cristológica.
1 – Mistério da SS. Trindade = mostra-nos o Filho de Deus no Seio do Pai, recebendo o ser.
“Vou publicar o decreto do Senhor: Disse-me o Senhor”: “Tu és meu Filho, eu hoje te gerei” (Sl 2,7).
2. – Mistério da Encarnação = Mostra-nos o Filho de Deus no SEIO DE MARIA, vindo ao mundo.
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebeu do seu Pai, cheio de graça e verdade (Jo 1,14).
3 – Mistério da Eucaristia = Mostra-nos o Filho de Deus no SEIO DA IGREJA, permanecendo entre nós.
“Ensinando-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20).
II – Jesus Cristo: Coração e Plenitude da Revelação.
“Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas” (Hb 1,1)
“Quanto ao fundamento, ninguém pode pôr outro diverso daquele que já foi posto: Jesus Cristo” (I Cor 3,11).
“Nesse Filho, pelo seu sangue, temos a Redenção, a remissão dos pecados, segundo as riquezas da sua graça que derramou profusamente sobre nós, em torrentes de sabedoria e de prudência”. (Ef 1,7-8).
“Porque Cristo é o fim da lei, para justificar todo aquele que crê”. (Rm 10,4).
III – Por isso, todo culto ou devoção deve girar em torno de Cristo.
1. Devoção a Maria
“Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo” (M 1,16).
“Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro. Mas seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono” (Ap 12,5).
2. Culto dos Anjos
“Ninguém vos roube ao seu belprazer a palma da corrida, sob pretexto de humildade e culto dos anjos. Desencaminham-se estas pessoas em suas próprias visões e, cheias do vão orgulho de seu espírito materialista, não se mantém unidas à cabeça, da qual todo o corpo, pela união das junturas e articulações, se alimenta e cresce conforme um crescimento disposto por Deus” (Cl 2,18-19).
Pe. Pedro Maria

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O Culto de Latria, Dulia e Hiperdulia


Na Igreja Católica, como em qualquer outra Igreja cristã, que tem Jesus Cristo como Salvador (Jo 3,16), centro e vida eterna dos filhos e filhas de Deus (I Jo 5,11-12), adora-se exclusivamente a Deus (Mt 4,10; Dt 6,13), Deus de Israel, Deus de Abraão de Isaac e Jacó, o Deus único que Salva (Is 45,15), mesmo porque não há outro, nem antes e nem depois. (Is 43,10).

Portanto, o culto de Latria que corresponde à adoração ao Criador, o Deus Vivo, Perfeitíssimo, Eterno e Santíssimo, El Shadday, o Todo-podereso Deus de Israel, “Eu Sou”, Aquele que é o Senhor Javé.

Por isso, o culto de dulia corresponde a simples veneração aos anjos do Deus Altíssimo, que nos acompanham e nos protegem nesta vida terrena (Sl 33,8); e bem assim aos santos e santas que nos precederam no Reino de Deus, canonizados pela Igreja; pois, as suas vidas de temor de Deus e santidade são úteis para todos os homens e mulheres que, em Cristo, vivem no caminho de perfeição, conduzidos pela direção amorosa do Espírito Santo. Ele nos dirige, fitando em nós seus próprios olhos (Sl 31,8); nós que somos filhos e filhas amados de Deus. (Rm 8,14.16; Lc 12,12: Mt 10,19-20; I Cor 2,12-13).

Finalmente, o culto de Hiperdulia, uma veneração maior a Sempre Virgem e Imaculada Mãe de Jesus (Lc 1,31), Mãe do Filho de Deus (Lc 1,35), Mãe de Deus (Lc 1,43) e Mãe do verdadeiro Deus e da Vida Eterna (I Jo 5,20b).

Estes dados são incontestáveis, porque estão fundamentados na palavra de Deus e, por isso, fazem parte da ordem que o Senhor Jesus Cristo deu aos seus apóstolos, antes de subir aos Céus: “Ensinando-as a observar todas as coisas que vos prescrevi. Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo” (Mt 28,20).

Ora, o Senhor, nosso Deus, em seu Filho, Jesus Cristo, (Jo 10,30) concedeu a Igreja, que ele mesmo a edificou através do apóstolo Pedro (Mt 16,13-19) e, posteriormente, ao colegiado apostólico (Mt 18,18; Jo 21,15-17), o poder de ligar e desligar sobre a terra, e inclusive de perdoar ou não perdoar os pecados dos homens. (Jo 20,23).

Isto posto, desejo de coração aberto à fé e à revelação do Divino Pai, do Filho Salvador e sob a consolação do doce hóspede de minha alma, o Espírito Santo, emitir minha clarividência sobre o assunto em meditação.

No livro do Ex 23,20-21 Deus promete essa bênção a Moisés: “Vou enviar um anjo diante de ti para te proteger no caminho e para ti conduzir ao lugar que te preparei. Está de sobreaviso em sua presença, e ouve o que ele te diz. Não lhe resistas, pois ele não te perdoaria tua falta, porque meu nome está nele”.

Ora, em qualquer hipótese, o anjo não é outra coisa senão o próprio Deus enquanto atua longe de sua habitação celeste, porque, nesse caso, atua em nome e em o nome de Deus, visto que ele, consoante a teoria angelical defendida por Sto. Agostinho, representa Deus e identifica-se com Deus. Portanto, observemos que o valor e a importância do anjo, em que pese ser puro espírito e, por isso, imagem perfeitíssima de Deus, é o nome de Deus que está nele.

Com efeito, na vocação de Abrão, Deus lhe diz: “Abençoarei aqueles que te abençoarem, e maldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem; todas as famílias da terra serão benditas em ti” (Gn 12,3).

Já que a Igreja de Cristo recebeu do próprio Senhor Jesus o poder de ligar e desligar, de perdoar e não perdoar, de abençoar e não abençoar, tudo o que ela, através do sacerdócio, in persona Cristi, abençoar estará abençoado e consagrado ao Senhor. Por isso, a Igreja consagra todas as coisas, conforme as prescrições do Senhor Jesus. Ela consagra o templo, o altar, o sacrário, ostensório, as vestes sacerdotais etc. e, por essa consagração fica nos bens consagrados o nome do Senhor, porque o que não tem o nome de Deus, não lhe pertence, visto que no nome do Senhor está o selo de suas presença e perfeições. (Ef 1,13; 4,30).

Assim, todas as imagens consagradas pela Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica possuem o nome do Senhor Deus de Abraão, de Isaac e Jacó, do seu Filho nosso Senhor Jesus Cristo, nosso único Salvador, a graça e o Dom perfeito e a unção do Espírito Santo, que recebemos no Batismo. Então, a importância dos filhos e filhas de Deus, dos ícones ou imagens e coisas consagradas pela Igreja de Cristo Jesus, não está tão somente no que eles ou elas representam sobre a terra; mas, sobretudo, no nome de Deus que está neles e nelas, conforme a consagração conferida pela Santa Igreja do Senhor Jesus Cristo. Antes da consagração, a imagem representa a figura do Santo, como um retrato, uma estampa etc. Entretanto, depois da consagração sacerdotal, que seja pelo batismo do Espírito Santo ou outras quaisquer bênçãos celestiais, eis que o nome do Senhor se fará presente. Esta é, portanto, a importância e o valor das imagens e de todos nós, que somos imagens vivas de Deus. Se, porventura, a consagração de quem as consagra, por alguma razão, não possui a unção divina para tal ato de fé e caridade das perfeições do amor de Deus, então será lastimável, porque sem Deus nada existe, e, se existe, sem o nome do Deus Altíssimo, nada nos convém praticar ou viver.

“Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua alma? Ou que daria o homem em troca de sua alma?” (Lc 9,25)

Tudo em Deus e com Deus, e nada sem Deus. Triste de quem adora imagens ou qualquer outra coisa; porque a ordem divina é esta: “Somente a Deus adorarás e a ele servirás” (Mt 4,10). E o Senhor Jesus, ainda, acrescenta: “Deus é espírito, e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e em verdade” (Jo 4,34).

E por que não pensar nisso? Deus é único, e do nada fez o céu e a terra e tudo quanto neles há. Logo, as digitais das mãos do Criador estão em tudo o que foi criado por ele. A única coisa que falta, em virtude do pecado, é a sua consagração, a bênção do Criador, em o nome glorioso do Senhor Jesus Cristo, seu Filho amado. (Mt 3,17)

Assim, o que não tem o nome do Senhor, como selo de perfeição (Mt 5,48), para nada serve, pois, é “demônio” e ao demônio pertence. (Sb 2,24).

João C. Porto