segunda-feira, 11 de outubro de 2010

BOA NOVA DO SENHOR JESUS - O Céu



CÉU
“No Céu descansaremos e veremos, veremos e amaremos, amaremos e louvaremos” (Sto. Agostinho – “Cidade de Deus”).
I - São numerosas as expressões da Bíblia para indicar o Céu:
1. Reino dos céus
“Digo-vos, pois, se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus” (Mt 5,20).
“Por isso, eu vos declaro que multidões virão do Oriente e do Ocidente e se assentarão no Reino dos céus com Abraão, Isaac e Jacó” (Mt 8,11).
“Digo-vos mais: é mais fácil passar um camelo pelo orifício de uma agulha, que entrar um rico no Reino dos céus” (Mt 19,24 = Vulgata).
2. Reino de Deus
Vendo-o, Jesus indignou-se e disse-lhes: “Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham” (Mc 10,14).
“Respondeu Jesus: “Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus” (Jo 3,5)”.
“Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus” (I Cor 6,9-10).
3. Vida
“Por que me perguntas a respeito do que se deve fazer de bom? Só Deus é bom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos” (Mt 19,17).
“Portanto, como pelo pecado de um só a condenação se estendeu a todos os homens, assim por um único ato de justiça recebem todos os homens a justificação que dá a vida” (Rm 5,18).
“Feliz o homem que suporta a tentação. Porque, depois de sofrer a provação, receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam” (Tg 1,12).
4. Vida Eterna
“Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; quem não crê no Filho não tem a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus” (Jo 3,36)
“Quem semeia na carne, da carne colherá a corrupção; quem semeia no Espírito, do Espírito colherá a vida eterna” (Gl 6,8).
“Isto vos escrevi para que saibais que tendes a vida eterna, vós que credes no nome do Filho de Deus” (I Jo 5,13).
5. Salvação
“porque vós estais certos de obter, como preço de vossa fé, a salvação de vossas almas” (I Pd 1,9).
“Isso é tanto mais importante porque sabeis em que tempo vivemos. Já é hora de despertardes do sono. A salvação está mais perto do que quando abraçamos a fé” (Rm 13,11).
“Porquanto não nos destinou Deus para a ira, mas para alcançar a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo” (I Ts 5,9).
6. Reino
“Nós vos temos exortado, estimulado, conjurando a vos comportardes de maneira digna de Deus, que vos chama ao seu Reino e à sua glória” (I Ts 2,12).
“Então o Rei dirá aos que estão à direita: Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo” (Mt 25,34).
“eu, pois, disponho do Reino a vosso favor, assim como meu Pai o dispôs a meu favor” (Lc 22,29).
7. Paraíso
“Jesus respondeu-lhe: “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23,43)”.
“foi arrebatado ao paraíso e lá ouviu palavras inefáveis, que não é permitido a um homem repetir” (II Cor 12,4).
“Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às Igrejas: Ao vencedor darei de comer (do fruto) da árvore da vida, que se acha no paraíso de Deus” (Ap 2,7).
8. Glória
“com efeito, todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus” (Rm 3,23).
“Por ele é que tivemos acesso a essa graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança de possuir um dia a glória de Deus” (Rm 5,2).
“E pelo anúncio do nosso Evangelho vos chamamos para tomardes parte na glória de nosso Senhor Jesus Cristo” (II Ts 2,14).
9. Banquete
“O Senhor dos exércitos fará neste monte para todos os povos um banquete de manjares deliciosos, de vinho, de carnes gordas e cheias de medula, e com um vinho sem mistura” (Is 25,6 = Vulgata).
“O reino dos céus é semelhante a um rei, que preparou o banquete de bodas de seu Filho” (Mt 22,2 = Vulgata).
“Tendo ouvido estas coisas um dos que estavam à mesa, disse-lhe: Bem-aventurado o que participar do banquete no reino de Deus” (Lc 14,15 = Vulgata).
10. Jerusalém
“Vós, ao contrário, vos aproximastes da montanha de Sião, da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celestial, das miríades de anjos” (Hb 12,22).
“Farei do vencedor uma coluna no templo de meu Deus, de onde jamais sairá, e escreverei sobre ele o nome de meu Deus, e o nome da cidade de meu Deus, a nova Jerusalém, que desce dos céus enviada por meu Deus, assim como o meu nome novo” (Ap 3,12).
“Levou-me em espírito a um grande e alto monte e mostrou-me a Cidade Santa, Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus” (Ap 21,10).
11. Herança
“para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada para vós no céus” (I Pd 1,4).
“Por isso ele é mediador do novo testamento. Pela sua morte expiou os pecados cometidos no decorrer do primeiro testamento, para que os eleitos recebam a herança eterna que lhes foi prometida” (Hb 9,15).
“O Senhor vela pela vida dos íntegros, e a herança deles será eterna” (Sl 36,18).
II – BEM ESSENCIAL DA FELICIDADE ETERNA:
É a Visão Beatífica.
“Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido” (I Cor 13,12).
“Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é” (I Jo 3,2).
“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus!” (Mt 5,8).
“Pai, quero que, onde eu estou, estejam comigo aqueles que me deste, para que vejam a minha glória que me concedeste, porque me amaste antes da criação do mundo” (Jo 17,24).
“Verão a sua face e o seu nome estará nas suas frontes” (Ap 22,4).
“Procurai a paz com todos e ao mesmo tempo a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor” (Hb 12,14).
Sto. Irineu ( século II ) dizia: “A glória de Deus é o homem vivo, e a vida do homem é a visão de Deus”.
III – BENS ACIDENTAIS:
São todos aqueles oriundos da Visão Beatífica
1. Plenitude do Amor:
“Os que põem sua confiança nele compreenderão a verdade, e os que são fiéis habitarão com ele no amor: porque seus eleitos são dignos de favor e misericórdia” (Sb 3,9).
“É como está escrito: Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração do homem imaginou” (I Cor 2,9).
São Gregório Magno ( século VI ): “A chama de amor, que aqui começa a arder, quando se contempla a quem se ama, mais se inflama”.
2. Alegria Completa:
“Disse-lhe seu Senhor: “muito bem, servo bom e fiel, já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu Senhor” (Mt 25,21).
“por ali voltarão aqueles que o Senhor tiver libertado. Eles chegarão a Sião com cânticos de triunfo, e uma alegria eterna coroará sua cabeça; a alegria e o gozo possui-los-ão; a tristeza e os queixumes fugirão” (Is 35,10).
Sto. Tomás de Aquino (século XIII): “Não se pode encontrar alegria completa em alguma criatura, mas só em Deus, porque nEle está a plenitude da bondade”;
3. Posse de Todos os Bens:
“Em verdade vos digo: ele o estabelecerá sobre todos os seus bens” (Mt 24,47).
“Com ela me vieram todos os bens, e nas suas mãos inumeráveis riquezas” (Sb 7,11).
Sto. Tomás: “Devido ser Deus a própria essência da bondade, Ele é também o bem de todo bem. Donde, quando se vê a Deus, vê-se todo bem, conforme o Senhor falou a Moisés: “Mostrar-te-ei todo o bem” (Ex 33,19).
4. Perfeita Tranqüilidade e Paz:
“meu povo habitará em mansão serena, em moradas seguras, em abrigos tranqüilos” (Is 32,18).
“Mas as almas dos justos estarão nas mãos de Deus, e nenhum tormento os tocará. Aparentemente estão mortos aos olhos dos insensatos: seu desenlace é julgado como uma desgraça e sua morte como uma destruição, quando na verdade estão na paz! Se aos olhos dos homens suportaram uma correção, a esperança deles era portadora de imortalidade” (Sb 3,1-4).
“Foi ele que estabeleceu a paz nas tuas fronteiras; e da flor da farinha te sacia” (Sl 147,14 = Vulgata).
“Por isso, resta um repouso sabático para o povo de Deus” (Hb 4,9).
“Quanto ao justo, mesmo que morra antes da idade, gozará de repouso” (Sb 4,7).
“Eu ouvi uma voz do céu, que dizia: “Escreve”: Feliz os mortos que doravante morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, descansem dos seus trabalhos, pois as suas obras os seguem”. (Ap 14,13).
“Aquele que me escuta, porém, habitará com segurança, viverá tranqüilo, sem recear dano algum” (Pr 1,33).
“O lobo e o cordeiro pastarão juntos, e o leão, como um boi, se alimentará de palha, e a serpente comerá terra. Nenhum mal nem desordem alguma será cometida, em todo o meu monte santo, diz o Senhor” (Is 65,25).
“que tem caráter firme e conserva a paz, porque tem confiança em vós” (Is 26,3).
Pe. Pedro Maria

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

PURGATÓRIO. Pe. Pedro Maria


Pe. Pedro Maria

I – Estado intermediário entre a vida nesta terra e a recompensa celeste, em que se faz a purificação que prepara a subida ao céu.

Na Bíblia existem outras designações desse estado intermediário:

1 - Prisão

“Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão. Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo”. (Mt 5,25-26).

“Digo-te: não sairás dali, até pagares o último centavo”. (Lc 12,59).

2 – Fogo

Mas farei passar este terço pelo fogo; purificá-lo-ei como se purifica a prata; prová-lo-ei como se prova o ouro. Então ele invocará o meu nome, eu o ouvirei e direi: “Este é meu povo”; e ele responderá: “O Senhor é o meu Deus” (Zc 13,9).

“Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém, passando de alguma maneira através do fogo”. (I Cor 3,15).

3 – Mundo vindouro

“Todo o que tiver falado contra o Filho do homem será perdoado. Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste século nem no século vindouro”. (Mt 12,32).

4 – Abismo

“Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos (abismos)”. (Fl 2,10).

5 – Embaixo da terra

“Mas ninguém, nem no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro nem examiná-lo” (Ap 5,3).

E todas as criaturas que estão no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e tudo o que contêm, eu as ouvi clamar: “Àquele que se assenta no trono e ao Cordeiro, louvor, honra, glória e poder pelos séculos dos séculos” (Ap 5,13).

6 – Campo ou parte

Eis o que ainda me mostrou o Senhor Javé: O Senhor Javé chamava o fogo para exercer o castigo. O fogo, tendo devorado o grande abismo, consumia também os campos. (Am 7,4), segundo São Jerônimo.

7 – Batismo de fogo

Ele tomou a palavra, dizendo a todos: “Eu vos batizo na água, mas eis que vem outro mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias; ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo”. (Lc 3,16), segundo Orígenes.

8 – Espírito de justiça e espírito de fogo

“Quando o Senhor tiver lavado a imundície das filhas de Sião, e apagado de Jerusalém as manchas de sangue pelo sopro do direito e pelo vento devastador, (Is 4,4)”, segundo São Basílio.

9 – Profundezas

“Do fundo do abismo, clamo a vós, Senhor; (Sl 129,1)”, segundo a liturgia.

II – Principal pena do purgatório: separação provisória de Deus (pena do dano):

1. “Aquelas almas, não só por natureza, mas ainda pelo amor sobrenatural em que ardem para com Deus, com tal ímpeto são impelidas para se unirem ao sumo Bem que, vendo-se impedidas por motivo de suas culpas, sofrem dor tão acerba que, se lhes fosse possível a morte, morreriam a cada momento” (Sto. Afonso de Ligório + 1787).

2. As almas do purgatório estão ansiosas para verem a Deus.

“Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando irei contemplar a face de Deus?” (Sl 41,3)

“Minha alma desfalecida se consome suspirando pelos átrios do Senhor. Meu coração e minha carne exultam pelo Deus vivo” (Sl 83,3).

“A quem diriges este discurso? Sob a inspiração de quem falas tu?” (Sl 26,4).

“Ó Deus, vós sois o meu Deus, com ardor vos procuro. Minha alma está sedenta de vós, e minha carne por vós anela como a terra árida e sequiosa, sem água. Quero vos contemplar no santuário, para ver vosso poder e vossa glória” (Sl 62,2-3)

III – Outra pena do purgatório: fogo material (pena dos sentidos).

1. Snto. Agostinho ( + 430): “O fogo do purgatório é mais doloroso que qualquer pena que possamos ver, sentir ou imaginar deste mundo.

2. Snto. Tomás de Aquino (+ 1.274) diz que o fogo do purgatório é semelhante ao do inferno: “pelo mesmo fogo é atormentado o condenado, e purificado o escolhidos”.

3. Dionísio Cartusiano, teólogo do século XV, refere-se que certo defunto, ressuscitado por intercessão de São Jerônimo, disse a São Cirilo de Jerusalém que todos os tormentos desta terra são gozos e delícias em comparação com o menor sofrimento do purgatório: “Todos os tormentos desta vida, se comparados à menor pena do purgatório, seriam verdadeiros gozos”.

4. É teologicamente certo, bem que não DE FÉ, que as almas do purgatório são purificadas pela ação de um fogo real, e não metafórico. Alega-se:

I Cor 3,15:- Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo.

5. Há teólogos que tratam do purgatório como uma purificação durante o encontro com Deus no juízo particular. Alegam:

Ap 2,18:- “Ao anjo da Igreja de Tiatira, escreve: Eis o que diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao fino bronze”.

IV. Como Ajudar as Almas do Purgatório:

1. Com a Santa Missa, através da qual a misericórdia divina sacia sua fome de ver a Deus, como disse Davi:

Sl 110,4:- O Senhor instituiu um memorial das suas maravilhas, ele que é misericordioso e compassivo.

O Concílio de Trento (1545 - 1563) afirmou que o Santo Sacrifício da Missa é o sufrágio mais eficaz.

2. Com a ESMOLA.

Tb 4,18:- Põe o teu pão e o teu vinho sobre a sepultura do justo; mas não o comas, nem o beba em companhia dos pecadores.

Segundo Snto. Tomás, a esmola tem mais VALOR SATISFATÓRIO pelas almas do que a própria oração.

3. Com a ORAÇÃO

II Mac 12,46:- era esse um bom e religioso pensamento; eis por que ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas.

II Tm 1,18:- O Senhor lhe conceda a graça de obter misericórdia junto do Senhor naquele dia. Sabes melhor que ninguém quantos bons serviços ele prestou em Éfeso.

4. Com o JEJUM

I Sm 31,13:- Tomaram os ossos e os enterraram debaixo da tamareira, em Jabes. Depois disso jejuaram sete dias.

5. Com as BOAS OBRAS

Eclo 7,.37:- Da de boa vontade a todos os vivos, não recuse esse benefício a um morto.

V. ALEGRIAS DO PURGATÓRIO

Apesar dos sofrimentos, são também inefáveis as alegrias na Igreja Padecente (= purgatório).

São Bernardino de Sena (+ 1.444) trata disso de modo convincente e digno de fé, pois funda-se não em lendas e sim na teologia, e faz delas um longo elenco:

1) Confirmação na graça;

2) Certeza da salvação;

3) Amor de Deus;

4) Visita dos anjos;

5) Visita dos santos;

6) Visita de Nossa Senhora:

Comentando o texto da Escritura – “Penetrei no fundo do abismo” (Eclo 24,8) – São Boaventura diz: “isto é, do purgatório para consolar com minha presença essas santas almas”.

· Gerson, célebre teólogo do Século XV, disse: No dia da Assunção de Maria esvaziou-se o purgatório. No momento de ser elevada ao céu, Maria pediu ao seu amado Filho a graça de levar consigo todas as almas, que então se achavam no purgatório. Desde então, diz Gerson, está Maria na posse do privilégio de livrar seus devotos daquelas penas.

· Dionísio Cartusiano, teólogo do mesmo século XV, diz que nas festas do Natal e da Ressurreição do Senhor, Nossa Senhora liberta muitas almas.

· Novarino, teólogo do século XVII, inclina-se a crer que o mesmo acontece em todas as festividades solenes de Nossa Senhora..

Palavra Final:

“Eu sou a Mãe de todas as almas do purgatório; pois por minhas orações lhes são constantemente mitigadas as penas que mereceram pelos pecados cometidos durante a vida”. (Revelação de Nossa Senhora a Sta. Brígida (+ 1.373), com a aprovação do Papa Bonifácio IX).

domingo, 22 de agosto de 2010

Uma Chama do Senhor



Um homem, uma idéia, um espírito, um ideal que é ab aeterno gerado como sabedoria de Deus nos céus e na terra, em vasos de barro, o tesouro que se esconde nos corações.

“Procurarás o Senhor, teu Deus, e o encontrarás, contanto que o busques de todo o teu coração” (Dt 4,29).

Não, não penses em nada!... Para que não se obscureça, no seio do nada, a luz que veio ao mundo, a fim de que todos os que crerem nela não permaneçam nas trevas.

“Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”. Uma só vida do ideal divino e eterno que tudo criou tudo formou e tudo fez para sua glória.

Noutro instante ele falou: eu te criei te formei te remi e te chamei pelo nome e disse: tu és meu, tu és minha. Eu te trouxe de onde ainda não conheces: do seio da imortalidade, de onde brilha a luz inacessível, que não podes ver, embora, pela graça de Deus, em teu seio ela já esteja. Por isso, ela não está longe de cada um de nós. Procurai-a, estreitai a vossa visão, para que possais enxergar mais longe. Ai então, mesmo às apalpadelas havereis de me encontrar, pois é dela que temos a vida, o movimento e o ser, para concluirmos, sob a luz do alto, que nascemos dela para um ideal de felicidade, como portais benditos do seu amor.

Se quiserdes saber, eu sou aquele que deu por teu resgate muitas nações e que está disposto a dar o universo inteiro em troca de ti. Verdadeiramente sois preciosos aos meus olhos! Por isso que eu te amo e te aprecio; até tenho os teus nomes gravados na palma da minha mão; e aos teus inimigos, levantei a voz e exclamei tão alto, que a sonoridade de minha voz alegrou e alcançou os confins da terra, para dizer-vos: “Quem tocar em qualquer um de meus filhos e filhas, por menor que seja, terá minha reação imediata, pois terá tocado na menina de meus olhos!...”. (Zc 2,12).

Outrora já vos havia dito: “Não basta que sejas meu servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os fugitivos de Israel; vou fazer de ti a luz das nações, para propagar a minha salvação até os confins do mundo”.

“Um dos serafins voou em minha direção; trazia na mão uma brasa viva, que tinha tomado do altar com uma tenaz. Aplicou-a na minha boca e disse: “Tendo esta brasa tocado teus lábios, teu pecado foi tirado, e tua falta apagada” (Is 6,6-7).

Por isso, hoje, vos digo: “sois a luz do mundo!...”. Então, que a vossa luz brilhe diante dos homens, não como foco de vós mesmos, mas como a luz da luz, para que os homens vejam vossas boas obras e, pelo esplendor de Sua glória, glorifiquem a Deus que está nos céus; sobretudo, em vossos corações.

Por isso, diz o Senhor Jesus Cristo, nossa vida e ressurreição: Sois bem-aventurados, porque tendes um coração de pobre; sois bem-aventurados por aquele que vos consola e enxuga de vossos olhos toda a lágrima; sois bem-aventurados porque, por vossa humildade e mansidão, possuireis a posse da terra; sois bem-aventurados porque vossa fome e sede de justiça foram saciadas; sois bem-aventurados porque sois misericordiosos, porque estais revestidos da misericórdia de Deus; sois bem-aventurados porque tendes um coração puro e, por isso, vereis o Deus da glória; sois bem-aventurados porque tendes a Cristo, vossa paz; por isso sois filhos de Deus; sois bem-aventurados porque sois perseguidos por causa da justiça; sois sempre bem-aventurados, quando vos injuriarem e disserem todo o mal contra vós; pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.

Filhinho, filhinhas, repete no meu coração o Senhor Jesus: “Referi-vos essas coisas para que tenhais paz em mim”. “No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo”. (Jo 16,33)

Irmãos, braseiros de esperança viva, vivei da fé, pois o meu justo vive da fé! Vigiai sobre vós mesmos, como sábios que aproveitam ciosamente o tempo, pois os dias são maus. Compreendei pelo entendimento da luz de vossa luz, em vossos corações, qual seja a vontade de Deus, e achareis descanso para vossas almas. Não vos embriagueis com vinho, que é uma fonte de devassidão, mas enchei-vos do Espírito Santo. Recitai entre vós salmos, hinos e cantos espirituais. Cantai e celebrai de todo o coração os louvores do Senhor. (Ef 5,15-19). Sede profundamente obedientes, de modo especial na casa de Deus, que é a Igreja Uma Santa Católica e Apostólica, e, bem assim em referência aos vossos corações; mas não sejais servidores de homens; tudo o que fizerdes, fazei-o como quem faz ao Senhor, sabendo que é dele que recebereis, por Cristo Jesus, o galardão da herança.(Cl 3,23-24).

Vós sereis meus filhos, se fizerdes o que vos mando. Servi a Cristo, Senhor!

Finalmente, todos estamos lembrados do que nos disse S. Pedro, apóstolo: “Vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso sangue de Cristo, ...”. Pois, assim como é santo aquele que vos chamou, sede também vós santos em todas as vossas ações, pois está escrito “Sede santos, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo” (I Pd 1,15-16.18; Lv 19,2).

João C. Porto

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

BOA NOVA DO SENHOR JESUS > Senhorio de Jesus


A palavra senhorio quer dizer: direito de senhor, proprietário, autoridade, domínio, dono, senhor. Como se pode concluir o Senhorio é o dono absoluto do bem de sua posse; por compra, herança ou doação.

O dono de um imóvel, por exemplo, é o Senhorio; isto é, o dono, o único que pode renová-lo, destruí-lo, vendê-lo, alugá-lo; em fim, o que bem e melhor pretender, conforme seu direito absoluto de posse; pois é o Senhorio; tem em si a autoridade do direito de senhor e, por isso, pode fazer de seus bens o que de melhor lhe aprouver.

Voltando-nos para o Senhorio de Deus Pai, vejamos o que S. Paulo disse no areópago, em Atenas, aos gregos e seus filósofos: “Ele (Deus) fez nascer de um só homem todo o gênero humano, para que habitasse sobre toda a face da terra”. Fixou aos povos a ordem dos tempos e os limites da sua habitação. Tudo isso para que procurem a Deus e se esforcem por encontrá-lo como que às apalpadelas, pois na verdade ele não está longe de cada um de nós. Porque é nele que temos a vida, o movimento e o ser, como até alguns dos vossos poetas disseram: “Nós somos também de sua raça...” (At. 17,26-28).

Ora, Deus está muito mais próximo de nós do que possamos imaginar. Ele nos criou para a imortalidade, segundo sua imagem e semelhança. (Sb 2,23)

Irmãos, sobre a face da terra, nós somos imagens vivas e perfeitas do Senhor, nosso único Deus. Por isso, somos templos de Deus, onde habita seu Espírito (I Cor 3,16), e nosso próprio corpo, diz-nos S. Paulo, é templo do Espírito Santo, que nos foi dado por Deus, que habita em nós, pelo que já não nos pertencemos a nós mesmos, porque fomos comprados por um alto preço. Por isso devemos trazer e glorificar a Deus em nosso corpo (I Cor 6,19-20); porque nossa pertença a Deus é dupla: uma vez porque nos criou e outra, porque nos comprou ao preço de uma moeda irrecusável, seu próprio sangue derramado na cruz, conforme nos instrui S. Pedro apóstolo: “Vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso sangue de Cristo, o Cordeiro imaculado e sem defeito algum, aquele que foi predestinado antes da criação do mundo e que nos últimos tempos, foi manifestado por amor de vós. Por ele tendes fé em Deus, que o ressuscitou dos mortos e glorificou, a fim de que vossa fé e vossa esperança se fixem em Deus” (I Pd 1,18-21).

Irmão, esse Jesus, que se deu na cruz para salvação de toda a humanidade, dele disse S. Pedro apóstolo: “Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos” (At. 4,12).

Este Jesus, que com o Pai e o Espírito Santo habita em nós (Jo 14,23), é o único Senhor de nossas vidas!

Desde os tempos em que nossos primeiros pais pecaram, perdemos os dons preternaturais: da imortalidade, da impassibilidade e da integridade. Pior ainda, perdemos a graça de Deus e seu Espírito que habitava no homem. Embora a infidelidade de nossos primeiros pais, o Senhor, nosso Deus, não nos abandonou; Pelo contrário, por amor de si mesmo prometeu-nos a salvação: Ao repreender a serpente, disse-lhe: “Porei ódio entre ti e a mulher, entre tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3,15).

Ora, quando Deus chamou Abrão, de Ur da Caldéia, para formação do povo de sua predileção, disse-lhe: “Deixa tua terra, tua família e a casa de teu pai, e vai para a terra que eu te mostrar. Farei de ti uma grande nação; eu te abençoarei e exaltarei o teu nome, e tu serás uma fonte de bênçãos. Abençoarei aqueles que te abençoarem, e amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem; todas as famílias da terra serão benditas em ti”. (Gn 12,1-3).

A esse propósito, através do profeta Isaías, o Senhor, nosso Deus, falou: “Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco” (Is 7,14).

Assim, para conclusão da promessa, com a vinda do Senhor Jesus Cristo, aquele que exerce o senhorio sobre tudo, principalmente, sobre o povo de Deus, povo de sua propriedade, o anjo do Senhor disse a Jose, esposo de Maria: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados”. (Mt 1,20b-21).

Ora, esse Jesus, nascido da Imaculada e sempre Virgem Maria, é nosso único Senhor, constituído assim por Deus Pai, conforme nos ensina S. Paulo apóstolo: “Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus. Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse, para glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor” (Fl 2,5-11).

Viver sob o Senhorio do Senhor Jesus Cristo é ser constantemente vigilante; isto é, vigiar com cuidado sobre a sua própria conduta, como nos ensina S. Paulo: “Que a vossa conduta não seja conduta de insensatos, mas de sábios que aproveitam ciosamente o tempo, pois os dias são maus”. “Não sejais imprudentes, mas procurai compreender qual seja a vontade de Deus”. Não vos embriagueis com vinho que é uma fonte de devassidão, mas enchei-vos do Espírito Santo. Recitai entre vós salmos, hinos e cânticos espirituais. Cantai e celebrai de todo o coração os louvores do Senhor. “Rendei graças, sem cessar e por todas as coisas, a Deus Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef 5,15-20).

“Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder-se a si mesmo e se causa a sua própria ruína?”(Lc 9,25)

Jesus Cristo é Senhor de tudo, porque tudo foi criado por ele e para ele. É Senhor, principalmente, de todos que fazem o Reino de Deus. Por isso que diz: “Serás inteiramente do Senhor teu Deus” (Dt 18,13).

O Senhor, nosso Deus, único Senhor em seu Filho Jesus Cristo, quando seu povo estava prestes a possuir a terra prometida a Abraão, a terra de Canaã, falou através de Moisés, dizendo: “Quando tiveres entrado na terra que o Senhor, teu Deus, te dá, não te porás a imitar as práticas abomináveis da gente daquela terra. Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, nem quem se dê à adivinhação, à astrologia, aos agouros e ao feiticismo, à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou a invocação dos mortos, porque o Senhor, teu Deus, abomina aqueles que se dão a essas práticas, e é por causa dessas abominações que o Senhor, teu Deus expulsa diante de ti essas nações. Serás inteiramente do Senhor, teu Deus. As nações que vais despojar ouvem os agoureiros e os adivinhos; a ti, porém, o Senhor, teu Deus, não o permite. O Senhor, teu Deus, te suscitará dentre os irmãos um profeta como eu: é a ele que devereis ouvir” (Dt 18,9-15).

Para melhor compreensão de tudo isso, vou contar-lhes uma pequena história, a qual nos ajudará melhor compreender nossa vida sob o Senhorio do Senhor Jesus Cristo, nossa salvação e ressurreição: “Diz-se de um filho de um fazendeiro”. Como na propriedade de seu pai corriam as águas de um rio, o jovem costumava brincar, fazendo pequenos barcos de madeira, com velas, leme e tudo mais. Então ele, aproveitando-se de um pequeno remanso, tomava na mão seu barquinho e, colocando o leme em posição ideal, soltava-o sobre as águas, de sorte que, soprando o vento, o barquinho saia e, dando uma curva sobre as águas, retornava sempre ao mesmo lugar de partida. Com isso ele se distraía horas e horas!... Certo dia, concluindo em si mesmo, disse: Vou construir um barco que seja como a perfeição do meu ideal, e assim o fez!... Então, concluída a obra-prima de suas mãos, levou-a ao rio para aprazerasse com ela. Entretanto, ao colocar sua maravilhosa obra sobre as águas do rio, eis que no auge de sua alegria, o leme de seu barco desgovernou-se e, tomando ele a correnteza forte do rio, rapidamente, desapareceu sobre as águas revoltas e a aflição de seu olhar distante.

Certamente que foi muito dolorida sua perda e seu sofrimento, os quais lhe feriam no profundo amoroso do seu coração; até que, num certo dia seu pai o convidou para que fossem juntos à cidade, para fazer as compras habituais.

Aconteceu que quando estavam na cidade, enquanto seu pai fazia as compras, o jovem resolveu dar uma olhada nas vitrines das lojas. E, percorrendo de uma a uma, de repente, tomou um grande susto mesclado de uma grande alegria: eis que viu a obra-prima, do ideal infinito do seu coração, exposta a venda, na vitrine da loja, por R$ 400,00 (quatrocentos reais). Rapidamente entrou ao recinto da loja e disse para o comerciante: “Eu o criei, o formei e o fiz para minha alegria, este barco é meu”!... O Senhor da loja disse-lhe: Para mim é uma mercadoria e quem pagar o preço justo, leva-a!...

Rapidamente, o jovem correu à casa da fazenda, e, entrando em seu quarto, quebrando todos os cofrinhos de suas pequenas economias, constatou que possuía exatamente o dinheiro necessário. Retornando à cidade, alegre de felicidade, resgatou o tudo que lhe pertencia. Tomando, então, o barquinho em seus braços e o banhando de lágrimas, disse-lhe: “Você agora me pertence duas vezes: “uma, porque eu criei você exclusivamente para mim”, e outra, porque eu comprei você!... Na verdade, eu te criei, te formei e te fiz para minha glória. Eu te remi e te chamei pelo nome: tu és meu!...

João C. Porto