
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
BOA NOVA DO SENHOR JESUS - O Céu

segunda-feira, 4 de outubro de 2010
PURGATÓRIO. Pe. Pedro Maria

Pe. Pedro Maria
I – Estado intermediário entre a vida nesta terra e a recompensa celeste, em que se faz a purificação que prepara a subida ao céu.
Na Bíblia existem outras designações desse estado intermediário:
1 - Prisão
“Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão. Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo”. (Mt 5,25-26).
“Digo-te: não sairás dali, até pagares o último centavo”. (Lc 12,59).
2 – Fogo
Mas farei passar este terço pelo fogo; purificá-lo-ei como se purifica a prata; prová-lo-ei como se prova o ouro. Então ele invocará o meu nome, eu o ouvirei e direi: “Este é meu povo”; e ele responderá: “O Senhor é o meu Deus” (Zc 13,9).
“Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém, passando de alguma maneira através do fogo”. (I Cor 3,15).
3 – Mundo vindouro
“Todo o que tiver falado contra o Filho do homem será perdoado. Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste século nem no século vindouro”. (Mt 12,32).
4 – Abismo
“Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos (abismos)”. (Fl 2,10).
5 – Embaixo da terra
“Mas ninguém, nem no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro nem examiná-lo” (Ap 5,3).
E todas as criaturas que estão no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e tudo o que contêm, eu as ouvi clamar: “Àquele que se assenta no trono e ao Cordeiro, louvor, honra, glória e poder pelos séculos dos séculos” (Ap 5,13).
6 – Campo ou parte
Eis o que ainda me mostrou o Senhor Javé: O Senhor Javé chamava o fogo para exercer o castigo. O fogo, tendo devorado o grande abismo, consumia também os campos. (Am 7,4), segundo São Jerônimo.
7 – Batismo de fogo
Ele tomou a palavra, dizendo a todos: “Eu vos batizo na água, mas eis que vem outro mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias; ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo”. (Lc 3,16), segundo Orígenes.
8 – Espírito de justiça e espírito de fogo
“Quando o Senhor tiver lavado a imundície das filhas de Sião, e apagado de Jerusalém as manchas de sangue pelo sopro do direito e pelo vento devastador, (Is 4,4)”, segundo São Basílio.
9 – Profundezas
“Do fundo do abismo, clamo a vós, Senhor; (Sl 129,1)”, segundo a liturgia.
II – Principal pena do purgatório: separação provisória de Deus (pena do dano):
1. “Aquelas almas, não só por natureza, mas ainda pelo amor sobrenatural em que ardem para com Deus, com tal ímpeto são impelidas para se unirem ao sumo Bem que, vendo-se impedidas por motivo de suas culpas, sofrem dor tão acerba que, se lhes fosse possível a morte, morreriam a cada momento” (Sto. Afonso de Ligório + 1787).
2. As almas do purgatório estão ansiosas para verem a Deus.
“Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando irei contemplar a face de Deus?” (Sl 41,3)
“Minha alma desfalecida se consome suspirando pelos átrios do Senhor. Meu coração e minha carne exultam pelo Deus vivo” (Sl 83,3).
“A quem diriges este discurso? Sob a inspiração de quem falas tu?” (Sl 26,4).
“Ó Deus, vós sois o meu Deus, com ardor vos procuro. Minha alma está sedenta de vós, e minha carne por vós anela como a terra árida e sequiosa, sem água. Quero vos contemplar no santuário, para ver vosso poder e vossa glória” (Sl 62,2-3)
III – Outra pena do purgatório: fogo material (pena dos sentidos).
1. Snto. Agostinho ( + 430): “O fogo do purgatório é mais doloroso que qualquer pena que possamos ver, sentir ou imaginar deste mundo.
2. Snto. Tomás de Aquino (+ 1.274) diz que o fogo do purgatório é semelhante ao do inferno: “pelo mesmo fogo é atormentado o condenado, e purificado o escolhidos”.
3. Dionísio Cartusiano, teólogo do século XV, refere-se que certo defunto, ressuscitado por intercessão de São Jerônimo, disse a São Cirilo de Jerusalém que todos os tormentos desta terra são gozos e delícias em comparação com o menor sofrimento do purgatório: “Todos os tormentos desta vida, se comparados à menor pena do purgatório, seriam verdadeiros gozos”.
4. É teologicamente certo, bem que não DE FÉ, que as almas do purgatório são purificadas pela ação de um fogo real, e não metafórico. Alega-se:
I Cor 3,15:- Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo.
5. Há teólogos que tratam do purgatório como uma purificação durante o encontro com Deus no juízo particular. Alegam:
Ap 2,18:- “Ao anjo da Igreja de Tiatira, escreve: Eis o que diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao fino bronze”.
IV. Como Ajudar as Almas do Purgatório:
1. Com a Santa Missa, através da qual a misericórdia divina sacia sua fome de ver a Deus, como disse Davi:
Sl 110,4:- O Senhor instituiu um memorial das suas maravilhas, ele que é misericordioso e compassivo.
O Concílio de Trento (1545 - 1563) afirmou que o Santo Sacrifício da Missa é o sufrágio mais eficaz.
2. Com a ESMOLA.
Tb 4,18:- Põe o teu pão e o teu vinho sobre a sepultura do justo; mas não o comas, nem o beba em companhia dos pecadores.
Segundo Snto. Tomás, a esmola tem mais VALOR SATISFATÓRIO pelas almas do que a própria oração.
3. Com a ORAÇÃO
II Mac 12,46:- era esse um bom e religioso pensamento; eis por que ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas.
II Tm 1,18:- O Senhor lhe conceda a graça de obter misericórdia junto do Senhor naquele dia. Sabes melhor que ninguém quantos bons serviços ele prestou em Éfeso.
4. Com o JEJUM
I Sm 31,13:- Tomaram os ossos e os enterraram debaixo da tamareira, em Jabes. Depois disso jejuaram sete dias.
5. Com as BOAS OBRAS
Eclo 7,.37:- Da de boa vontade a todos os vivos, não recuse esse benefício a um morto.
V. ALEGRIAS DO PURGATÓRIO
Apesar dos sofrimentos, são também inefáveis as alegrias na Igreja Padecente (= purgatório).
São Bernardino de Sena (+ 1.444) trata disso de modo convincente e digno de fé, pois funda-se não em lendas e sim na teologia, e faz delas um longo elenco:
1) Confirmação na graça;
2) Certeza da salvação;
3) Amor de Deus;
4) Visita dos anjos;
5) Visita dos santos;
6) Visita de Nossa Senhora:
Comentando o texto da Escritura – “Penetrei no fundo do abismo” (Eclo 24,8) – São Boaventura diz: “isto é, do purgatório para consolar com minha presença essas santas almas”.
· Gerson, célebre teólogo do Século XV, disse: No dia da Assunção de Maria esvaziou-se o purgatório. No momento de ser elevada ao céu, Maria pediu ao seu amado Filho a graça de levar consigo todas as almas, que então se achavam no purgatório. Desde então, diz Gerson, está Maria na posse do privilégio de livrar seus devotos daquelas penas.
· Dionísio Cartusiano, teólogo do mesmo século XV, diz que nas festas do Natal e da Ressurreição do Senhor, Nossa Senhora liberta muitas almas.
· Novarino, teólogo do século XVII, inclina-se a crer que o mesmo acontece em todas as festividades solenes de Nossa Senhora..
Palavra Final:
“Eu sou a Mãe de todas as almas do purgatório; pois por minhas orações lhes são constantemente mitigadas as penas que mereceram pelos pecados cometidos durante a vida”. (Revelação de Nossa Senhora a Sta. Brígida (+ 1.373), com a aprovação do Papa Bonifácio IX).
domingo, 22 de agosto de 2010
Uma Chama do Senhor
Um homem, uma idéia, um espírito, um ideal que é ab aeterno gerado como sabedoria de Deus nos céus e na terra, em vasos de barro, o tesouro que se esconde nos corações.
“Procurarás o Senhor, teu Deus, e o encontrarás, contanto que o busques de todo o teu coração” (Dt 4,29).
Não, não penses em nada!... Para que não se obscureça, no seio do nada, a luz que veio ao mundo, a fim de que todos os que crerem nela não permaneçam nas trevas.
“Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”. Uma só vida do ideal divino e eterno que tudo criou tudo formou e tudo fez para sua glória.
Noutro instante ele falou: eu te criei te formei te remi e te chamei pelo nome e disse: tu és meu, tu és minha. Eu te trouxe de onde ainda não conheces: do seio da imortalidade, de onde brilha a luz inacessível, que não podes ver, embora, pela graça de Deus, em teu seio ela já esteja. Por isso, ela não está longe de cada um de nós. Procurai-a, estreitai a vossa visão, para que possais enxergar mais longe. Ai então, mesmo às apalpadelas havereis de me encontrar, pois é dela que temos a vida, o movimento e o ser, para concluirmos, sob a luz do alto, que nascemos dela para um ideal de felicidade, como portais benditos do seu amor.
Se quiserdes saber, eu sou aquele que deu por teu resgate muitas nações e que está disposto a dar o universo inteiro em troca de ti. Verdadeiramente sois preciosos aos meus olhos! Por isso que eu te amo e te aprecio; até tenho os teus nomes gravados na palma da minha mão; e aos teus inimigos, levantei a voz e exclamei tão alto, que a sonoridade de minha voz alegrou e alcançou os confins da terra, para dizer-vos: “Quem tocar em qualquer um de meus filhos e filhas, por menor que seja, terá minha reação imediata, pois terá tocado na menina de meus olhos!...”. (Zc 2,12).
Outrora já vos havia dito: “Não basta que sejas meu servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os fugitivos de Israel; vou fazer de ti a luz das nações, para propagar a minha salvação até os confins do mundo”.
“Um dos serafins voou em minha direção; trazia na mão uma brasa viva, que tinha tomado do altar com uma tenaz. Aplicou-a na minha boca e disse: “Tendo esta brasa tocado teus lábios, teu pecado foi tirado, e tua falta apagada” (Is 6,6-7).
Por isso, hoje, vos digo: “sois a luz do mundo!...”. Então, que a vossa luz brilhe diante dos homens, não como foco de vós mesmos, mas como a luz da luz, para que os homens vejam vossas boas obras e, pelo esplendor de Sua glória, glorifiquem a Deus que está nos céus; sobretudo, em vossos corações.
Por isso, diz o Senhor Jesus Cristo, nossa vida e ressurreição: Sois bem-aventurados, porque tendes um coração de pobre; sois bem-aventurados por aquele que vos consola e enxuga de vossos olhos toda a lágrima; sois bem-aventurados porque, por vossa humildade e mansidão, possuireis a posse da terra; sois bem-aventurados porque vossa fome e sede de justiça foram saciadas; sois bem-aventurados porque sois misericordiosos, porque estais revestidos da misericórdia de Deus; sois bem-aventurados porque tendes um coração puro e, por isso, vereis o Deus da glória; sois bem-aventurados porque tendes a Cristo, vossa paz; por isso sois filhos de Deus; sois bem-aventurados porque sois perseguidos por causa da justiça; sois sempre bem-aventurados, quando vos injuriarem e disserem todo o mal contra vós; pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.
Filhinho, filhinhas, repete no meu coração o Senhor Jesus: “Referi-vos essas coisas para que tenhais paz em mim”. “No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo”. (Jo 16,33)
Irmãos, braseiros de esperança viva, vivei da fé, pois o meu justo vive da fé! Vigiai sobre vós mesmos, como sábios que aproveitam ciosamente o tempo, pois os dias são maus. Compreendei pelo entendimento da luz de vossa luz, em vossos corações, qual seja a vontade de Deus, e achareis descanso para vossas almas. Não vos embriagueis com vinho, que é uma fonte de devassidão, mas enchei-vos do Espírito Santo. Recitai entre vós salmos, hinos e cantos espirituais. Cantai e celebrai de todo o coração os louvores do Senhor. (Ef 5,15-19). Sede profundamente obedientes, de modo especial na casa de Deus, que é a Igreja Uma Santa Católica e Apostólica, e, bem assim em referência aos vossos corações; mas não sejais servidores de homens; tudo o que fizerdes, fazei-o como quem faz ao Senhor, sabendo que é dele que recebereis, por Cristo Jesus, o galardão da herança.(Cl 3,23-24).
Vós sereis meus filhos, se fizerdes o que vos mando. Servi a Cristo, Senhor!
Finalmente, todos estamos lembrados do que nos disse S. Pedro, apóstolo: “Vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso sangue de Cristo, ...”. Pois, assim como é santo aquele que vos chamou, sede também vós santos em todas as vossas ações, pois está escrito “Sede santos, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo” (I Pd 1,15-16.18; Lv 19,2).
João C. Porto
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
BOA NOVA DO SENHOR JESUS > Senhorio de Jesus
A palavra senhorio quer dizer: direito de senhor, proprietário, autoridade, domínio, dono, senhor. Como se pode concluir o Senhorio é o dono absoluto do bem de sua posse; por compra, herança ou doação.
O dono de um imóvel, por exemplo, é o Senhorio; isto é, o dono, o único que pode renová-lo, destruí-lo, vendê-lo, alugá-lo; em fim, o que bem e melhor pretender, conforme seu direito absoluto de posse; pois é o Senhorio; tem em si a autoridade do direito de senhor e, por isso, pode fazer de seus bens o que de melhor lhe aprouver.
Voltando-nos para o Senhorio de Deus Pai, vejamos o que S. Paulo disse no areópago, em Atenas, aos gregos e seus filósofos: “Ele (Deus) fez nascer de um só homem todo o gênero humano, para que habitasse sobre toda a face da terra”. Fixou aos povos a ordem dos tempos e os limites da sua habitação. Tudo isso para que procurem a Deus e se esforcem por encontrá-lo como que às apalpadelas, pois na verdade ele não está longe de cada um de nós. Porque é nele que temos a vida, o movimento e o ser, como até alguns dos vossos poetas disseram: “Nós somos também de sua raça...” (At. 17,26-28).
Ora, Deus está muito mais próximo de nós do que possamos imaginar. Ele nos criou para a imortalidade, segundo sua imagem e semelhança. (Sb 2,23)
Irmãos, sobre a face da terra, nós somos imagens vivas e perfeitas do Senhor, nosso único Deus. Por isso, somos templos de Deus, onde habita seu Espírito (I Cor 3,16), e nosso próprio corpo, diz-nos S. Paulo, é templo do Espírito Santo, que nos foi dado por Deus, que habita em nós, pelo que já não nos pertencemos a nós mesmos, porque fomos comprados por um alto preço. Por isso devemos trazer e glorificar a Deus em nosso corpo (I Cor 6,19-20); porque nossa pertença a Deus é dupla: uma vez porque nos criou e outra, porque nos comprou ao preço de uma moeda irrecusável, seu próprio sangue derramado na cruz, conforme nos instrui S. Pedro apóstolo: “Vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso sangue de Cristo, o Cordeiro imaculado e sem defeito algum, aquele que foi predestinado antes da criação do mundo e que nos últimos tempos, foi manifestado por amor de vós. Por ele tendes fé em Deus, que o ressuscitou dos mortos e glorificou, a fim de que vossa fé e vossa esperança se fixem em Deus” (I Pd 1,18-21).
Irmão, esse Jesus, que se deu na cruz para salvação de toda a humanidade, dele disse S. Pedro apóstolo: “Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos” (At. 4,12).
Este Jesus, que com o Pai e o Espírito Santo habita em nós (Jo 14,23), é o único Senhor de nossas vidas!
Desde os tempos em que nossos primeiros pais pecaram, perdemos os dons preternaturais: da imortalidade, da impassibilidade e da integridade. Pior ainda, perdemos a graça de Deus e seu Espírito que habitava no homem. Embora a infidelidade de nossos primeiros pais, o Senhor, nosso Deus, não nos abandonou; Pelo contrário, por amor de si mesmo prometeu-nos a salvação: Ao repreender a serpente, disse-lhe: “Porei ódio entre ti e a mulher, entre tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3,15).
Ora, quando Deus chamou Abrão, de Ur da Caldéia, para formação do povo de sua predileção, disse-lhe: “Deixa tua terra, tua família e a casa de teu pai, e vai para a terra que eu te mostrar. Farei de ti uma grande nação; eu te abençoarei e exaltarei o teu nome, e tu serás uma fonte de bênçãos. Abençoarei aqueles que te abençoarem, e amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem; todas as famílias da terra serão benditas em ti”. (Gn 12,1-3).
A esse propósito, através do profeta Isaías, o Senhor, nosso Deus, falou: “Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco” (Is 7,14).
Assim, para conclusão da promessa, com a vinda do Senhor Jesus Cristo, aquele que exerce o senhorio sobre tudo, principalmente, sobre o povo de Deus, povo de sua propriedade, o anjo do Senhor disse a Jose, esposo de Maria: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados”. (Mt 1,20b-21).
Ora, esse Jesus, nascido da Imaculada e sempre Virgem Maria, é nosso único Senhor, constituído assim por Deus Pai, conforme nos ensina S. Paulo apóstolo: “Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve
Viver sob o Senhorio do Senhor Jesus Cristo é ser constantemente vigilante; isto é, vigiar com cuidado sobre a sua própria conduta, como nos ensina S. Paulo: “Que a vossa conduta não seja conduta de insensatos, mas de sábios que aproveitam ciosamente o tempo, pois os dias são maus”. “Não sejais imprudentes, mas procurai compreender qual seja a vontade de Deus”. Não vos embriagueis com vinho que é uma fonte de devassidão, mas enchei-vos do Espírito Santo. Recitai entre vós salmos, hinos e cânticos espirituais. Cantai e celebrai de todo o coração os louvores do Senhor. “Rendei graças, sem cessar e por todas as coisas, a Deus Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef 5,15-20).
“Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder-se a si mesmo e se causa a sua própria ruína?”(Lc 9,25)
Jesus Cristo é Senhor de tudo, porque tudo foi criado por ele e para ele. É Senhor, principalmente, de todos que fazem o Reino de Deus. Por isso que diz: “Serás inteiramente do Senhor teu Deus” (Dt 18,13).
O Senhor, nosso Deus, único Senhor
Para melhor compreensão de tudo isso, vou contar-lhes uma pequena história, a qual nos ajudará melhor compreender nossa vida sob o Senhorio do Senhor Jesus Cristo, nossa salvação e ressurreição: “Diz-se de um filho de um fazendeiro”. Como na propriedade de seu pai corriam as águas de um rio, o jovem costumava brincar, fazendo pequenos barcos de madeira, com velas, leme e tudo mais. Então ele, aproveitando-se de um pequeno remanso, tomava na mão seu barquinho e, colocando o leme em posição ideal, soltava-o sobre as águas, de sorte que, soprando o vento, o barquinho saia e, dando uma curva sobre as águas, retornava sempre ao mesmo lugar de partida. Com isso ele se distraía horas e horas!... Certo dia, concluindo em si mesmo, disse: Vou construir um barco que seja como a perfeição do meu ideal, e assim o fez!... Então, concluída a obra-prima de suas mãos, levou-a ao rio para aprazerasse com ela. Entretanto, ao colocar sua maravilhosa obra sobre as águas do rio, eis que no auge de sua alegria, o leme de seu barco desgovernou-se e, tomando ele a correnteza forte do rio, rapidamente, desapareceu sobre as águas revoltas e a aflição de seu olhar distante.
Certamente que foi muito dolorida sua perda e seu sofrimento, os quais lhe feriam no profundo amoroso do seu coração; até que, num certo dia seu pai o convidou para que fossem juntos à cidade, para fazer as compras habituais.
Aconteceu que quando estavam na cidade, enquanto seu pai fazia as compras, o jovem resolveu dar uma olhada nas vitrines das lojas. E, percorrendo de uma a uma, de repente, tomou um grande susto mesclado de uma grande alegria: eis que viu a obra-prima, do ideal infinito do seu coração, exposta a venda, na vitrine da loja, por R$ 400,00 (quatrocentos reais). Rapidamente entrou ao recinto da loja e disse para o comerciante: “Eu o criei, o formei e o fiz para minha alegria, este barco é meu”!... O Senhor da loja disse-lhe: Para mim é uma mercadoria e quem pagar o preço justo, leva-a!...
Rapidamente, o jovem correu à casa da fazenda, e, entrando em seu quarto, quebrando todos os cofrinhos de suas pequenas economias, constatou que possuía exatamente o dinheiro necessário. Retornando à cidade, alegre de felicidade, resgatou o tudo que lhe pertencia. Tomando, então, o barquinho em seus braços e o banhando de lágrimas, disse-lhe: “Você agora me pertence duas vezes: “uma, porque eu criei você exclusivamente para mim”, e outra, porque eu comprei você!... Na verdade, eu te criei, te formei e te fiz para minha glória. Eu te remi e te chamei pelo nome: tu és meu!...
João C. Porto
