sábado, 15 de fevereiro de 2014

Família de Deus

                         O Céu nos foi dado!

Compreende-se o céu como habitação celestial, morada de Deus, onde Deus se encontra, Mas o Senhor, Deus de Israel, está em todo o lugar, e seus olhos contemplam     maus e os bons (Pr 15,3).

“Na casa de meu Pai tem muitas moradas!...”

Deus habita o céu, a terre e o universo inteiro, mas o seu lugar de preferência é o coração do homem, porque ele quer que o homem seja vencedor e, assim, possa assentar-se á sua direita no seu trono de glória, conjuntamente com seu Filho, na universalidade do Cristo total.

“Ao vencedor concederei assentar-se comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono” (Ap 3,21).
“O vencedor herdará tudo isso, e eu serei seu Deus, e ele será meu filho” (AP 21,7)
.
Ora, o jardim de delícias que Deus criou no Éden, para nossos primeiros pais – Adão e Eva – não é o protótipo da morada que o Senhor Jesus nos prometeu?

Ora, o caminho estreito para chegarmos à terra dos bem-aventurados é o Senhor Jesus: “Eu sou o caminho!...” As primeiras pegadas de quem se une ao Senhor num só espírito, deixam suas marcas indeléveis sobre a areia do deserto interior; isto é, no coração de seus amados.

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (J0,14,6).

“Se alguém me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada” (Jo  14,23).

“Se me amais, guardareis os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco” (Jo 14,15-16).

Ora, esse outro advogado, que o Senhor Jesus nos prometera, através de seus apóstolos, é o Espírito Santo que, outrora, deixou de habitar o coração do homem, em virtude do pecado original.

“O Senhor  então disse:  meu Espírito não permanecerá para sempre no homem, porque todo ele é carne, e a duração de sua vida será só de cento e vinte anos” (Gn 6,3).

Ali, o homem, sem a graça e o Espírito de Deus, habitando dentro do seu coração, embora não tenha deixado de ser amado de Deus (Jr 31; Is 54,10), as manifestações divinas ocorriam, no seu interior, de forma ontológica, isto é, universal. Que queremos afirmar? De forma intermitente, isto é, na medida em que o Senhor o visitava, interiormente, para transmitir seus oráculos, através de seus verdadeiros profetas.

Entretanto, no tempo da plenitude, pelo sacrifício do Senhor Jesus Cristo, na cruz do calvário, o véu do templo se partiu de alto a baixo, pelo que, o Espírito Santo, saindo da arca da aliança, pairava sobre as águas do batismo, até que em poucos dias, através do Pentecostes, a graça e o Espírito Santo repousaram, em definitivo, no coração do homem e da mulher, de onde nunca deveriam ter saído!...

Assim, pois, se formos justos, misericordioso e fiéis (Mt 23,23b), já poderemos, atreveis da luz do Senhor Jesus, que ilumina nossos corações, ainda que de soslaio, vislumbrarmos a herança dos santos, daquela terre dos bem-aventurados (Tt 3,4-7), prometida por nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 14,1-4).

Tudo isso já se realiza através das virtudes teologais e ao som da sinfonia mística da graça e dos dons do Espírito Santo, pelo que ouvimos e comtemplamos interiormente, através dos ouvidos e dos olhos do coração, alimentados e fortalecidos com o Pão místico do banquete Divino, o pão vivo que desceu do céu (Jo 6,51), a luz da eternidade, para que vivamos desde agora e além da eternidade! (Ex 15,18 = Vulgata).

João C. Porto e Maria Zuleica M, Porto




sábado, 8 de fevereiro de 2014

Nossa Santificação

Como Seremos Santificados?

Nosso princípio nasceu de Deus, que nos criou como seus amados, filhos e filhas, para sua honra, louvor e glória, conforme nos fala do seio de Sua Verdade Eterna, a palavra, expressão viva e eterna dos seus desígnios de vida e prosperidade, segundo nos prometera desde o início da criação.

“Eu os criei, os formei e os fiz para minha glória” (Is 43,7 = Vulgata).

Não é terrível que nos tornemos infiéis, afastando-nos de Deus, nosso Pai e nosso tudo?

São Paulo nos ensina: Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu filho Jesus Cristo, nosso Senhor (I Cor 1,9).

Na verdade, o Senhor nos chamou ao renascimento da água e do Espírito, para entrarmos no Reino de justiça, de paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14,17).

Falamos do que nos é necessário a que estejamos inseridos no Reino de Deus:

a)    Viver de fé em fé.

“Com efeito, não me envergonho do Evangelho, pois ele é uma força vinda de Deus para a salvação de todo o que crê, ao judeu em primeiro lugar e depois ao grego. Porque nele se revela a justiça de Deus, que se obtém pela fé e conduz à fé, como está escrito: o justo viverá pela fé (Hab 2,4).”

Bem-aventurado os puros de coração, porque verão a Deus! (Mt 5,8).

b)    Viver da viva esperança que não nos engana!

E a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espirito Santo que nos foi dado. (Rm 5,5).

Quão bom e maravilhoso é o Senhor, nosso Deus, que nos escolheu e nos deu, gratuitamente, o seu próprio Espírito, para que sejamos chamados de filhos e filhas muito amados do seu coração. (I Jo 3,1-6).

Assim, pois, estaremos sempre conscientes de que, nos momentos, ainda que sejam os mais difíceis, será sempre o Espírito do Senhor que falará em nós e através de nós, conforme a fé em Deus, a qual vivemos no  núcleo central da vida; isto é, no coração.

“Ora, nós não recebemos o espírito do mundo, mas sim o Espírito que vem de Deus, que nos dá a conhecer as graças que Deus nos prodigalizou e que pregamos numa linguagem que nos foi ensinada não pela sabedoria humana, mas pelo Espírito, que exprime as coisas espirituais em termos espirituais” (I Cor 2, 12-13).

c)   Da caridade, que é vínculo de perfeição.

A caridade, referindo-se a salvação e a santificação, é o fundamento de todos os dons, de todas as virtudes e de todos os frutos do Espírito Santo. Por isso, são Paulo nos ensina que a caridade é vínculo de perfeição. (Cl 3,14).

O básico, para a salvação e santificação da alma de nosso espírito, é, sem dúvidas, o batismo e as virtudes teologais. Não adiantaria, tão somente, conhecer todos os dons do Espírito Santo (Is 11,2) e a maneira como purifica e santifica as faculdades de nosso espírito, se não vivêssemos da caridade que faz viva a fé que fundamenta nossa esperança, relativamente à herança dos santos. 

Entretanto, quando se vive de fé para fé, revestido da viva esperança, a caridade se torna, em cada um dos filhos e filhas de Deus, o fundamento da perfeição, através da justiça, da misericórdia e fidelidade, conforme os desígnios de nosso Pai e único Senhor de vida eterna,

Dissemos estas coisas divinas para que compreendamos que os que não são doutos, mas, ignorantes, vivem exclusivamente da fé que opera pela caridade (Gl 5,6b) e, por isso,  através dessa mesma fé, o Espírito Santo realiza neles a mesma obra de perfeição que a infundiu no coração dos doutores, concedendo-lhes, inclusive, a  visão beatífica que os capacita, igualmente, ver a Deus face a face, tal como ele é.

Corresponde, assim, ao que são Boaventura disse a um de seus irmãos menores: “Engana-te, uma velha ignorante pode amar a Deus mais do que o maior todos os teólogos”.


João C. Porto e Maria Zuleica M, Porto,

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Serás Salvo

‘Tu e tua Família’

Pensei, meditei e chegou-me ao coração a conclusão, por graça de Deus e cognições do batismo de regeneração e renovação do Espírito Santo (Tt 3,5), o quanto é íntima, profunda e abrangente a salvação no sangue do Senhor Jesus Cristo.

Quem já pensou na largura, na altura e na profundidade do Reino de Deus, Reino de justiça, paz e alegria no Espírito Santo? (Rm 14,17), Na verdade, o reino de Deus não consiste em palavras, mas em virtudes. (I Cor 4,20).

Assim, quem se une ao Senhor, torna-se com ele um só espírito (I Cor 6,17).

Ora, não é verdade que o homem espiritual julga todas as coisas e não é julgado por ninguém? Ele tem o pensamento de Cristo!...  Desse modo, o seu julgamento é perfeito, porque é segundo Deus. (I Cor 2,15).
  
Se alguém está em Cristo e Cristo nele (II Cor´5,17) na unidade dos corações no coração do Pai Eterno, conseguirá tudo o que pedir; porque pede segundo Deus quer (1 Jo 5,14s). Prestemos bem atenção, estamos afirmando, segundo a palavra, do Senhor, que nos exorta: “Eu te amei com amor eterno, por isso sou constante na minha afeição por ti (Jr 31,3)”.

Não julgueis pela aparência, mas sim pelo reto juízo, segundo Deus. (Jo 7,24).

A que o meu coração, no Senhor Jesus Cristo, me conduz a falar, sobre o verdadeiro Deus, através dos Dons de santificação do Espírito Santo?

Sinto, interiormente, que numa família onde, pelo menos um, a esposa ou o esposo tenha o coração puro para ver o Senhor,  todos os demais membros do  núcleo familiar serão salvos, através da misericórdia divina.

Por amor a ti, ainda que os montes sejam abalados e tremam as colinas, jamais retirarei de ti a minha misericórdia (Is 54,10).

Não é verdade que por um só homem, Jesus Cristo, o Senhor nosso Deus, salva todo o seu povo? (Mt 1,21).

Quando são Paulo e Silas, por vontade de Deus, foram conduzidos para fora da prisão, o carcereiro perguntou-lhes: Senhores, que devo fazer para ser salvo? Disseram-lhe: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua família,” (At 16,31).

Hoje, conduzimos, no profundo do coração, a certeza de que, na unidade da família, se o esposo ou a esposa for temente a Deus, em atenção a esse ou a essa, pela Sua infinita misericórdia, conduzirá ao céu toda a família. Este é, certamente, um dos mistérios mais profundo do amor daquele que é puro amor e que, na terra, foi concebido do Espírita Santo, através da Mãe do puro amor, conforme está escrito na santa Bíblia Sagrada, sobre o autor da vida e luz dos corações.

  “Sou a Mãe do puro amor, do temor (a Deus), da ciência e da santa esperança” (Eclo 24,24).

“Quem é essa que se levanta como a aurora, bela como a lua, brilhante como o sol, temível como um exército  em ordem de batalha? Ct 6,10).

O senhor, nosso Deus, tem gravado na palma de suas mãos, o nome de cada um de seus filhos e filhas (Is 49,16). Ele nos diz: Por amor a ti troco reinos e nações; porque te amo e te apreio, dou tudo, em troca de ti; as nações por herança, até os confins da terra. (Is 43,4).

Lembremo-nos de que, quando da destruição de Sodoma, na noite do cataclismo, o anjo do Senhor instava, veementemente, junto a Lot, sua mulher, as duas filhas e seus namorados, que se retirassem, imediatamente, da cidade, para não serem consumidos pelo fogo! Na verdade, só não se salvaram os namorados de suas filhas, porque não quiseram deixar a cidade!

Ora, Abraão intercedera diante do Senhor para não destruir a cidade de Sodoma, considerando que, talvez houvesse ali, pelo menos, dez justos. Entretanto existia apenas Lot, seu sobrinho! É verossímil, alguns estudiosos afirmam que Deus salvou Lot e sua família, da destruição, só pelo fato de ser sobrinho de Abraão. Assim, pois volto a afirmar: Na família, se houver pelo menos uma pessoa do casal, que tenha temor de Deus, o Senhor, nosso Deus, através do nome glorioso do seu Filho Jesus Cristo, salvará toda a família.

O que o Senhor falou sobre Davi, seu servo amado? “Achei Davi, homem segundo o meu coração, que fará todas as minhas vontades”. Da família do rei Davi, só não se salvaram aqueles que se afastaram do núcleo da família!...

É imenso o amor que Deus tem por todos os Seus filho e filhas, aqui sobre a terra; mas, embora seja incomensurável, cabe perfeitamente, por inteiro, sem falta nem sobra, no coração daqueles ou daquelas que o amam.

João C. Porto e Maria Zuleica 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

A Perfeição da Alma

A Alma Perfeita

No princípio, Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom (gn 1,31). Quer dizer, Aquele que é perfeitíssimo criou perfeitas todas as suas obras. Por isso, o Senhor Jesus Cristo, nossa salvação, nos ordena: “Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48).

No paraíso, em virtude do pecado original, o que o homem em si mesmo perdeu? Ele não deixou de ser a imagem viva e perfeita do Criador, mas, revestiu-se de uma alma terrena; isto é, revestiu-se de uma vestimenta própria do meio sensível da matéria; onde vive.

“O rei entrou para vê-los e vil um homem que não trazia a veste nupcial. Perguntou-lhe: Meu amigo, como entraste aqui, sem a veste nupcial? O homem não proferiu palavra alguma. Disse então o rei aos servos: Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes” (Mt 22,11-13).

Como poderemos observar pela citação acima, a veste nupcial é a alma de santidade que nos reveste o espírito e o corpo, da plenitude da graça sobre graça que recebemos através do batismo de regeneração e renovação, pelo Espírito Santo, que nos foi concedido em profusão, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador (Tt 3,5-6)

Com o advento do pecado original, toda a criação, no céu, na terra, no universo e em tudo quanto neles há, perdeu a graça e a íntima presença do sobrenatural; isto é, o selo das perfeições divinas de que eram revestidos. Entretanto, o espírito, que foi infundido no homem, através do sopro divino, permaneceu vivo e perfeito,      segundo a imagem da natureza de divina (Sb 23), isto é, continuou como imagem viva e perfeita do todo Poderoso, Senhor Javé.

Por que o espírito do homem, apesar do pecado de nossos primeiros pais, continuou vivo e perfeito? Porque é a imagem do Deus vivo, eterno e perfeitíssimo!

Como explicar? Se um homem e ou uma mulher está totalmente enlameado(a), encontra-se com sua compleição física e aparência inaceitáveis. Mas, tomando um banho, eis que ele ou ela se torna plenamente conhecido(a), conforme a natureza e aparência viva e perfeita, como, realmente, é conhecido(a).

Em virtude do pecado de nossos primeiros pais, o que o homem perdeu no paraíso? A alma de santidade, sem a qual ninguém verá a Deus (Hb 12,14), consequentemente, todos os dons preternaturais, tais como a imortalidade, a impassibilidade, a integridade, o paraíso etc.

Assim, como já dissemos, ficou sem a perfeição integral; isto é, da santidade que deve revestir o homem, no espírito e no corpo material, com o selo do Espírito Santo, selo de santidade e perfeição (Ef 1,13; 4,30).                                     

“E o Senhor Deus disse: “Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal. Agora, pois, cuidemos que ele não estenda a sua mão e tome também do fruto da árvore da vida, e o coma, e viva eternamente.” O senhor Deus expulsou-o do jardim do Éden, para que ele cultivasse a terra donde tinha sido tirado. Ele expulsou-o e colocou, ao oriente do jardim do Éden, querubins armados de uma espada flamejante, para guardar o caminho da árvore da  vida” (Gn 3,22-24).

Que isto significa? Que ao homem, pelas suas próprias forças e disposições, é impossível retornar à graça e a vida amorosa dos Dons do Espírito Santo, senão pela entrega incondicional ao Senhor Jesus Cristo, através do perdão, da reconciliação e da misericórdia divina.

“Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36).

Ora, onde queremos chegar ao pleno discernimento? Há em Deus dois princípios eternos: Deus é amor; por isso justo e misericordioso!

Então, pela bondade infinita de Deus, exclusivamente em virtude da misericórdia divina, o Senhor, nosso Deus, enviou o seu Filho ao mundo (Jo 3,16) – o segundo Adão – para salvar o seu povo de seus pecados (Mt 1,21), a fim de que todos renascessem da água e do espírito (Jo 3,5), como novas criaturas em Cristo Jesus (II Cor 5,17; Ef 4,23-24).

Isto posto, poderemos entender o porquê de o Senhor Javé, após o pecado de Adão,  colocou ao oriente do jardim do Éden querubins armados de uma espada flamejante, para guardar o caminho da árvore da vida (Gn 3,23-24),

Isto significa dizer que ao homem era impossível, pôr si próprio, conquistar a alma de santidade que perdera no paraíso, em virtude de sua infidelidade ao Criador.

Não é verdade que Lúcifer, querubim de perfeição, tornou-se, por isso, inimigo de Deus?

“Eras um querubim protetor colocado sobre a montanha santa de Deus; passeavas entre as pedras de fogo. Foste irrepreensível em teu proceder desde o dia em que foste criado, até que a iniquidade apareceu em ti.” (Ez 28,14-15).

Assim, sem um coração puro (Mt 5,8), a paz e a santidade da alma, que corresponde  a entrega incondicional ao Senhor Jesus Cristo, ninguém verá a Deus!

Ora, para alcançarmos do Espírito Santo tamanha graça, além das três virtudes teologais (Fé Esperança e a Caridade), precisamos da entrega incondicional ao Senhor Jesus Cristo (Mt 11,28-30), ânimo e coragem para vencer o mundo (Jo16,33),  ser templo do Deus vivo, para vivermos num só espírito com o Senhor (I Cor 6,17), meditar dia e noite a lei do Senhor (Sl 1,2), ter a palavra de Deus dentro do coração e da alma (Dt 11,18), orar constantemente e sem nunca cessar (Lc 18,1 e sermos conduzidos pelo Espírito Santo, como Filhos de Deus (Rm 8.14) etc.

Somente assim estaremos inseridos da veste de santidade, conforme o ancião deu conhecimento ao apóstolo João: “Então um dos anciãos falou comigo e perguntou-me: “Esses, que estão revestidos de vestes brancas, quem são e de onde vêm”?  Respondi-lhe: “Meu Senhor: Tu o sabes. E ele me disse: Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes  e as alvejaram no sangue do Cordeiro”


João C. Porto

domingo, 8 de dezembro de 2013

Orar sem cessar!


Orar e/ou Rezar

Diz-nos um santo doutor: Quando lemos a palavra de Deus, é Deus que fala conosco!... Quando nos elevamos em oração a Deus, somos nós que falamos com Deus. Então, é maravilhosa essa estrada de mão dupla; isto é, uma que vem de Deus ao nosso coração, e outra que vai do nosso coração ao coração de Deus, o qual já está dentro de nós, através da condução amorosa do Espírito Santo (Sl 31,8; Rm 8,14).

Entendemos quão apertada, difícil e longa, é a estrada da porta estreita que nos leva ao coração de Deus; entretanto, o arcanjo Gabriel, em resposta, disse a Maria de Nazaré: “a Deus nenhum coisa é impossível” (Lc 1,37).

A esse respeito, também, o Senhor Jesus falou:

“Aos homens isto é impossível, mas a Deus tudo é Possível.” (Mt 19,26).
“Olhando Jesus para eles, disse: “aos homens isto é impossível, mas não a Deus; pois a Deus tudo é possível” (Mc 10,27)”.

Respondeu Jesus: “O que é impossível aos homens é possível a Deus.” (Lc 18,27).

O Senhor Jesus e o apóstolo Paulo, sobre a vida de oração, para melhor proveito, acrescentaram:

“È necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo.” (Lc 18,1).

“Vivei sempre contentes. Orai sem cessar.” Em todas as circustâcias, dai graças, porque esta é a vosso respeito, à vontade de Deus em Jesus Cristo. Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo: abraçai o que é bom. Guardai-vos de toda a espécie de mal” (I Ts 5,17-22).

Nossa vida de oração é como a escada do sonho de Jacó, em Betel. Ela ligava a terra ao céu e, por ela, os anjos do Senhor subiam e desciam; isto é, levavam a Deus as preces de seu povo, e, desciam do céu, trazendo em resposta, as bênçãos do coração de Deus aos corações de seus filhos e filhas amados. Entretanto, é-nos necessário viver na unidade de um só espírito com o Senhor Jesus Cristo (I Cor 7,17), sob o influxo das virtudes teologais:

- De fé para a fé; pois, o justo vive da fé.        

“Com efeito, não me envergonho do Evangelho, pois ele é uma força vinda de Deus, para a salvação de todo o que crê, ao judeu em primeiro lugar e depois ao grego. Porque nele se revela a justiça de Deus, que se obtém pela fé e conduz à fé, como está escrito: O justo viverá pela fé” (Hab 2,4).

Na verdade, temos motivo para nos alegrar sempre no Senhor. Que seja testemunhada aos homens a vossa bondade, através das obras de nossa fé (Tg 2,26b). Por isso, deveremos andar sempre alegres no Senhor!...

“Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças. E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, guardará vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus” (Fl 4,6-7).

Assim, tudo o que fizermos, seja de bom coração, como para o Senhor e não para os homens, certos de que receberemos a recompensa, a herança das mãos do Senhor. (Cl 3,23-24).
    
Ora, a vida de oração é um orar sem cessar (I Ts 5,17); isto é, uma oração como encontro. É uma intimidade constante com Deus, que nos amou primeiro (I Jo 4,19) e que nos ama, eternamente, desde quando é Deus e desde quando amou a si mesmo.

Diversos são os contextos da vida do coração; mas o Senhor conhece a todos. Para isso, em seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, somos salvos mediante o batismo de regeneração e renovação do Espírito Santo (Tt 3,4-7).

“Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus” (Ef 2,8).

Assim, quando lemos um texto bíblico (Intus- legere); isto é, lendo-o a partir do profundo da verdade integral, acolhendo-a como a própria face do Espírito Santo em nossos corações se vê a luz divina com os olhos do coração e, através do ciléncio íntimo e profundo do nosso ser – a alma -, ouvimos, com os ouvidos interiores, a voz do cilêncio; isto é, do Todo-poderoso, que nos fala em cognições indeléveis, as quais só poderão compreendê-las na medida em que se vive num só espírito com o Senhor Jesus Cristo. (I Cor 6,17).


João C. Porto

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Novo Nascimento!


                                            Nasci de Novo!...

No princípio, quando vim ao mundo, cheguei aqui em virtude dos desígnios de vida e de prosperidade do Criador (Jr 29,11); entretanto, nasci da carne, do sangue e da vontade do varão. (Jo 1,13).
Este primeiro nascimento, para mim, é uma bênção de vida que vem de Deus; mas, para retornar ao seio do Criador, teremos que renascer da água e do Espírito (Jo 3,5); isto é, através do batismo de regeneração e renovação pelo Espírito Santo. (Tt 3,5).
“Jesus replicou-lhe: “Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus.” (Jo 3,3)”.
A vida comum, aqui, na terra, tem a cara do mundo!... Embora tenhamos vindo de Deus, o jeitinho secularizado do mundo, através dos nossos sentidos, mais que de repente, estrutura nossas faculdades interiores – inteligência, vontade, memória, imaginação e afetividades – dando-nos uma consciência de virtudes e de vícios; de onde os maus hábitos (vícios) predominam, arrastando-nos a caminhos que nos afastam da presença de Deus, petrificando, pouco a pouco, nossos corações (Ez 36,26-27), visto que, facilmente, tendemos andar através da senda espaçoso da porta larga (Mt 7,13-14).
Que faremos, então, para reencontrar a verdadeira via do Reino de Deus, a senda da justiça, da paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14,17; I Cor 4,20)? Teremos que renascer da fé, para uma viva esperança (I Pe 1,3), agora, revestidos da caridade do amor de Deus, que é vinculo de perfeição (Cl 3,14); pois, foi Deus que nos amou primeiro (I Jo 4,19). E Deus nos amou primeiro, não porque somos bons; mas, porque ele é a bondade infinita. Aliais, antes de toda a eternidade e além da eternidade, já éramos amados de Deus,

“Todo aquele que está em Cristo, é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo!” (II Cor 5,17).

Ora, o que o Senhor, nosso Deus, revela aos corações simples de seus filhos amados? 

“Olhe, fui eu o primeiro a amar você. Você não estava ainda no mundo. O mundo nem existia, e eu já o amava. Eu amo você desde que sou Deus. Amo você, e desde que amei a mim mesmo, amei também você!” (Do livro “A Prática do Amor a Jesus Cristo”, de Santo Afonso de Ligório).

Que faremos para ser novas criaturas? Tornarmo-nos um só espírito com o Senhor (I Cor 6,17).

Como se fará isso?

Convertermo-nos, de modo incondicional, ao Senhor Jesus Cristo; isto é, de todo o espírito, de toda a alma, de todo o coração e com todas as forças íntimas e mais profundas da totalidade do nosso ser.

Pois, “A palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4,12).
Ora, para andarmos como o Senhor Jesus Cristo andou (I Jo 2,6) é-nos imperativo:
a) Ter a palavra de Deus gravada, profundamente, no coração e na alma (Dt 11,18) para evangelizar; como o fez o Senhor Jesus Cristo (Jo 8,31-32).
b)  Caminhar de fé para a fé (Rm 1,17), pois, o justo viverá pela fé (Hab 2,4).
c)   Alimentar-se do pão vivo que desceu do céu (Jo 6,51)
d)   Dessedentar-se da água viva da fonte perene e eterna (Jo 7,37; Ap 22,17);
e) Caminharmos sob o influxo do batismo de regeneração e renovação pelo Espírito Santo (Tt 3,5b);
f) Andarmos sob o influxo da luz da fé que opera pela caridade (Gl 5,6b);
g) Esforçar-se em realizar as obras que o Senhor Jesus Cristo realizou (Jo 14,12-14);
h) Dessedentar-se da água viva da fonte perene e eterna (Jo 7,37; Ap 22,17);
i) Vencer, finalmente, para sentar-se a sua direita, em seu trono (Ap 3,21).

Essa converção será sentida, a partir do batismo do Espírito Santo (At 19,1-7); pois, pelos Dons de santificação (Is 11,2) é o Espírito Santo que nos santifica; e pelos Dons carismáticos, através das obras, somos nós que nos santificamos a nós mesmos através dos serviços, revestidos da fé que opera pela caridade, para uma viva esperança (I Pe 1,3) em nosso Senhor Jesus Cristo.


João C. Porto

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Fé Natural e fé Sobrenatural

Fé Natural e Sobrenatural

A fé natural é própria da natureza humana. Nós viemos do Eterno e, indubitavelmente, retornaremos ao Eterno!

Assim, sem exceção, todos nascem com o caráter voltado à religiosidade, isto é, sentimos saudade intuitiva da fonte de onde viemos. Esse é um sentimento comum a todos os seres humanos.

Todos os homens e, bem assim, todas as mulheres, naturalmente, ainda que não se apercebam, cultuam um deus ou a vários deuses, ainda que seja a si próprio.

Desse modo, quando buscamos a Deus, sem o conhecimento de si mesmo, para conhecermos Aquele que nos criou, nos formou e nos fez para a sua glória (Is 43,7 = Edição Vulgata), continuamos na estrutura própria do mundo. Por isso, tendemos até mesmo viver sob o efeito do sincretismo religioso, através do qual há tendência, por falta de conhecimento da Verdade Integral (Jo 16,13), ao fanatismo religioso.

O que o Senhor Jesus dizia aos judeus convertidos? “Se permanecerdes na minha palavra, sereis meus verdadeiros discípulos; conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8,31-32).  “Se, portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres” (Jo 8,36). “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será concedido” (Jo 15,7).

Neste instante, não desejamos apresentar a fé em suas múltiplas definições, como o fazem os doutos: “fé viva, fé virtude, fé dom, fé amorosa, fé salvífica, fé que opera pela caridade, fé expectante, etc.” Não!... Apenas em dois sentidos, como iniciamos este momento: fé natural e fé sobrenatural.

Fé natural é a fé de quem crer por crê, simplesmente, em alguém, em alguma coisa, ou até mesmo em si próprio!... Por isso, a fé natural é a fé dos sentidos; isto é, como quem crê, extrinsecamente, na fé própria de quem  assimila tudo a partir do meio sensível da matéria onde vive. É, portanto, uma tendência natural do mundo secularizado (Rm 12,2).

Vejamos o que o apóstolo são João nos fala em sua carta:
Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo – a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida – não procedem do Pai, mas do mundo. O mundo passa com suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente” (I Jo 2,15-17). Mas, mesmo assim, quem diz, ainda que naturalmente, eu creio em Jesus Cristo, o autor da vida, sem a fé sobrenatural, pela misericórdia divina, confessa que crê no Senhor (Jl 3,5; Rm 10,12-13).

São Paulo e Silas: “Então o carcereiro pediu luz, entrou e lançou-se trémulo aos pés de Paulo e Silas; depois os conduziu para fora e perguntou-lhes: “Senhores, que devo fazer para ser salvo”“? Disseram-lhe: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua família” (At 16,29-31).

A fé sobrenatural, unção e condução amorosa do amor do Pai e do Filho (Rm 8,14); é uma fé intrínseca, isto é, que nasce e cresce, interiormente, a partir de um novo coração (Ez 36,25-27), pelo que  liberta e renova todas as coisas, a partir do Espírito Santo que nos foi dado. (I Cor 2,12-13). Por isso é que se diz: “A fé que opera pela caridade” (Gl 5,6).

Daí é que, através da sabedoria da verdade eterna, a fé natural é restaurada e renovada em fé sobrenatural; isto é, em fé viva, de fé para a fé (Rm 1,16-17).  Ela nasce e cresce nos corações, em virtude de nossa entrega incondicional ao Senhor Jesus Cristo e, bem assim, sob a direção e moções do Espírito Santo, pelo que une nossos corações ao coração do Senhor Jesus Cristo, através de sua direção amorosa (Rm 8,14).

- Que nos diz são Tomás de Aquino?

“Ninguém pode chegar à herança daquela terra dos bem-aventurados, se não for movido e guiado pelo Espírito Santo”.

Assim, se vivermos da fé dos sentidos, isto é, do aprendizado das coisas próprias que existem sobre a terra, de onde flui a fé comum aos corações que não conhecem a Verdade Integral (Jo 16,13), tenderemos ao fanatismo, porque não cremos em Deus, e tampouco conhecemos o Senhor único de nossas vidas. Porque, o Senhor Jesus, nossa única salvação, nos diz que veio ao mundo, não para condená-lo; mas, para salvá-lo. Continuando, o Senhor Jesus Cristo acrescenta: “quem nele crê não será condenado; mas, quem não crê, já está condenado; porque não crê no nome do Filho único de Deus” (Jo 3,17-18).

O Senhor Jesus nos apresenta dois caminhos, a senda apertada da porta estreita e a via espaçosa da porta larga (Mt 7,13-14). Qual que é o caminho da fé sobrenatural?: O caminho da porta estreita!... Qualquer outra via que não seja esta, é via da ‘fé natural’ que conduzirá à morte eterna.
Ora, o Senhor Jesus é o único caminho que nos leva ao Pai (Jo 14,6). Por isso, a fé sobrenatural é a única luz que nos faz viver num só Espírito com o Senhor (II Cor 3,27).

Ora, por que alguém não vive, sobrenaturalmente, da fé que opera pela caridade? Porque não conhece o Senhor Jesus Cristo! Imagina que o conhece, mas, na realidade, ainda não conhece, se quer, a si próprio.
E os ignorantes, que vivem exclusivamente da fé? Eles acreditam em Deus, em Jesus Cisto, na Virgem Maria, mãe do Senhor e nossa mãe, nos anjos e nos santos!... Por isso, os que vivem a fé sob o temor de Deus, são, interiormente, santificados pelo Espírito Santo e, por isso, bem-aventurados de Deus, Pai de todos, incluídos, sobrenaturalmente, no corpo do Cristo total.

Que nos diz são Boaventura?: Um monge de sua congregação, certo dia, ao vê-lo, disse-lhe: “Bem-aventurados sois vós, os doutos, porque amais mais a Deus do que nós, os ignorantes!” São Boaventura, então, lhe respondeu: Engana-te! ‘Uma velha ignorante pode amar mais a Deus do que o maior de todos os teólogos’.


João C. Porto