sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A Esperança

                                


                             CURSO DA BLÍBLIA SAGRADA

                                                  C B S Nº 14

                                                  A Esperança

   01. O que é a Esperança?

   A esperança, a fé e o amor são as três grandes virtudes da vida cristã. São Paulo as coloca como os três principais fundamentos da vida espiritual.

   “Agora, pois, permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade (amor); porém, a maior delas é a caridade (amor)” (I Cor 13,13).

   A esperança é a fé que se fundamenta no testemunho de outrem. Como sabemos, o testemunho desperta no coração do homem o interesse pelo conteúdo da palavra ou pela boa promessa anunciada. É como se alguém nos desse a boa notícia da existência de ouro em determinado lugar. Como o ouro é um metal de grande valor, logo despertaria nas pessoas a esperança quanto à riqueza, ao poder, ao bem-estar.

   Em primeiro lugar, acredita-se na existência do ouro, baseado no testemunho de alguém. Em seguida, porque se deu crédito à palavra anunciada, o coração se enche de esperança. Por fim, a esperança, meditada e vivida, incita à busca do ouro, que, no caso, é o bem que se espera.

   Também na vida espiritual a esperança nos vem de forma semelhante, pois ela nasce em nosso coração em virtude do anúncio da palavra de Deus. Esta palavra nos anuncia:

   a) Deus como Pai, que nos criou por amor e que tudo faz para que sejamos felizes no seu Reino de justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14,17).

   b) Jesus Cristo, como Deus Filho, que nos salvou, perdoou-nos os pecados e nos agraciou com a ressurreição e a vida eterna.

   “E o testemunho é este: Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho. Quem possui o Filho possui a vida; quem não tem o Filho de Deus, não tem a vida” (I Jo 5,11-12).

   c) O Espírito Santo, como Deus santificador, que, pelo batismo habita em nós para nos regenerar, renovar e santificar. (II Cor 5,17)

   “Não sabeis que sois templo de Deus, e que Epírito de Deus habita em vós?” (I Cor 3,16).

   “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprado por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo” (I Cor 6,19-20).

   “Mas um dia apareceu à bondade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com os homens. E, não por causa de obras de justiça que tivéssemos praticado, mas unicamente em virtude de sua misericórdia, ele nos salvou mediante o batismo da regeneração e renovação, pelo Espírito Santo, que nos foi concedido em profusão, por meio de Cristo, nosso Salvador, para que a justificação obtida por sua graça nos torne, em esperança, herdeiros da vida eterna” (Tt 3,4-7).

   Além disso, a palavra da verdade que nos liberta (Jo 8,32.36), além de nos anunciar as três pessoas de Deus, suas ações e sua grande predileção por nós, ainda nos apresenta riquíssimas promessas, quais sejam:

   a) Todo o que crer e for batizado será salvo.

  “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16,16).

   b) Todos os que creem nEle receberão, por meio do seu nome, a remissão dos pecados.

   “Dele todos os profetas dão testemunho, anunciando que todos os que nEle creem recebem o perdão dos pecados por meio de seu nome” (At 10,43).

   c) Todos que abandonam casa, mulher, irmãos, pais e filhos, por causa do Reino de Deus, receberão muito mais já neste mundo, e a vida eterna no outro.

   “Jesus respondeu: “em verdade vos declaro: ninguém há que tenha abandonado, por amor do Reino de Deus, sua casa, sua mulher, seus irmãos, seus pais ou seus filhos, que não receba muito mais neste mundo e no mundo vindouro a vida eterna” (Lc 18,29-30)”.

   d) Mesmo nesta vida não padecerão necessidades nem jamais serão abandonados.

   “Fui jovem e já sou velho, mas jamais vi um justo abandonado, nem seus filhos a mendigar o pão” (Sl 36,25).

   e) A certeza de ter Deus como luz, como salvador e protetor da vida.

   “O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem temerei? O Senhor é o protetor de minha vida, de quem terei medo?” (Sl 26,1).

   f) A certeza de sentar-se com o Senhor Jesus no seu trono.

   “Ao vencedor concederei assentar-se comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono” (Ap 3,21).

   g) A esperança de herdar todas as coisas e de ter Deus como Pai.

   “O vencedor herdará tudo isso; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho” (Ap 7,21)

   h) A esperança de não ter mais fome, sede, dor e sofrimento, de ser conduzidos por Jesus às fontes de água viva, e de ter as lágrimas dos olhos enxutas pelo próprio Deus e autor da vida.

   "Porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os levará às fontes das águas vivas; e Deus enxugará toda a lágrima de seus olhos” (Ap 7,16).

   Diante do anúncio dessas verdades e da apresentação das promessas acima, somente um coração de pedra poderá ficar insensível, sem vida, sem fé, sem esperança, sem amor. É impossível não sentir a moção do Espírito Santo que impulsiona para a busca gratuita de bens terrenos e eternos. É impossível que não se vislumbrem as promessas da espera confiante no Deus do céu, El Hashamaim.

   Diante dessas verdades e dessas promessas, presos nesta vida aqui da terra, sentimos que somos limitados e passageiros. Pela história de nossa salvação, sabemos que fomos criados por um Deus Único e verdadeiro, que sabe tudo, vê tudo e tudo pode. Sabemos ainda, pela sua palavra, que ele nos criou com tanto amor, que nos fez à sua imagem e semelhança (Gn 1,26) e buscou nossa intimidade no paraíso terrestre (Gn 3,8). Temos conhecimento, também, de que pecamos e, por isso, fomos destituídos de sua graça (Rm 3,23), e de que perdemos tudo o que um filho de Rei do Universo poderia perder. Temos certeza, diante do que o Pai nos oferece. Igualmente, temos certeza, diante do que o Pai nos oferece em nome do seu Filho Jesus, que perdemos muito.

   Relacionemos mais uma vez essas perdas:

   a) O paraíso terrestre;
   b) O direito ao céu;
   c) A imortalidade da alma;
   d) A imunidade ao sofrimento;
   e) A graça santificante;
   f) O dom da integridade;
   g) A vida eterna.

   Fica, portanto, muito claro para nós, depois que lemos e refletimos a palavra de Deus, porque Ele enviou seu Filho único a terra. Jesus veio para celebrar, no sacrifício da cruz, uma nova e definitiva aliança. Aliança pela qual nos concedeu o perdão, a reconciliação e, consequentemente, a salvação e a ressurreição; chamando-nos novamente à sua intimidade, devolvendo-nos todos os bens, outrora, perdidos. Novamente ele nos coroa com uma coroa de glória.

   “Porque todos aqueles que invocam o meu nome, eu os criei, os formei e os fiz para a minha glória” (Is 43,7 = Vulgata).

   Tocados, assim, pela palavra de Deus, nos esclarecemos do que fomos ao início da criação. Esclarecemo-nos, também, sobre o pecado e sobre o estado de escravidão e miséria a que ficamos submetidos. Pesa-nos, então, a consciência, e uma grande aflição toma conta de nós, fazendo-nos sentir mais frágeis e oprimidos pelo pecado.

   Por outro lado, nossa razão termina por descobrir, em virtude do anúncio da palavra de vida eterna, o valor infinito do amor de Deus, como do perdão e a salvação que o Senhor Jesus Cristo nos trouxe. E não apercebemos das riquíssimas promessas divinas e de tudo o que Deus tem preparado para nós.

  “É como está escrito: Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (I Cor 2,9).

   Diante disso, nosso coração se entrega ao apelo do Senhor (Mt 11,28-29) e, cheio de esperança, torna-se vorazmente faminto do alimento do Evangelho (Am 8,11), que é o pão de vida eterna (Sl 118,103; Jr 15,16). Tudo para glória de Deus Onipotente, El Shadday.

   É por isso que definimos a esperança como sendo a fé decorrente do testemunho de outrem. Se lermos o estudo anterior sobre a fé, observaremos que ali está subentendida a fé esperança, que nasce de nossos sentidos e de nossas percepções cognitivas.

   02. Na nossa caminhada com o Senhor Jesus Cristo, é possível isolar-se a Esperança da Fé e do Amor?

   São Paulo nos diz que somos filhos do dia, isto é, da luz de Deus que é Jesus (Jo 12,46). Por isso, devemos ser sóbrios, estando sempre revestidos da couraça da fé e da caridade, e conservando constantemente por capacete a esperança da salvação (I Ts 5,8).

   Na verdade, aquele que é da luz não tem comunhão com as trevas. Pelo contrário, tem a fé e o amor em forma de vida no coração e a viva esperança como penhor do Espírito Santo, que o defende no caminho da salvação.

   “Se, porém, andamos na luz como ele mesmo está na luz, temos comunhão recíproca uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (I Jo 1,7).

   Assim, pela verdade de que a nossa esperança vem de Deus, por Jesus Cristo, em virtude das promessas contidas na palavra, convém que tomemos conhecimento dos bens que são objetos de nossa espera.

   03. Quais são os bens de nossa esperança?

   São os bens eternos. Embora possamos vivenciá-los no curso de nossa vida espiritual, pois somos Igreja viva do Senhor Jesus Cristo, só poderemos experimentá-los definitivamente, na vida vindoura (Ap 21,7). Refiro-me aos bens da vida futura ou escatológicos:

   a) A Ressurreição.

   “Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que Deus levará com Jesus os que nele morreram” (I Ts 4,14).

   “Alegou-se por isso o meu coração e a minha língua exultou. Sim, também a minha carne repousará na esperança, pois não deixarás a minha alma na região dos mortos, nem permitirás que o teu santo conheça a corrupção” (At 2,26-27).

   No discurso proferido por São Pedro no dia de Pentecostes, observa-se como um dos pontos fundamentais do seu Kerigma o seguinte trecho: “Deus o ressuscitou e o livrou dos laços da morte porquanto era impossível que por esta fosse retido. Porque Davi diz dele: Eu tinha sempre o Senhor diante de mim, porque ele está à direita, para que eu não seja abalado” (At 2,24-25).

   A ressurreição do Senhor Jesus nos traz a convicção e a esperança de que com Ele ressurgiremos pelo poder do mesmo Espírito que o ressuscitou dos mortos.

   b) A vida eterna.

   “na esperança da vida eterna prometida em tempos longínquos por Deus veraz e fiel, que na ocasião escolhida manifestou a sua palavra mediante a pregação que me foi confiada por ordem de Deus, nosso Salvador” (Tt 1,2-3).

   “... a fim de que, justificados pela sua graça, sejamos herdeiros da vida eterna, segundo a esperança” (Tt 3,7).

   Como podemos ver, pelos trechos acima, a vida eterna é um bem de nossa espera confiante, que se recebe através da graça, pela fé em Jesus Cristo (Ef 2,8). Somente nEle e por Ele, esta vida existe para nós. Desse modo, todos que o têm no coração poderão aguardar seguramente o bem de sua feliz espera (I Jo 5,11-12).

   c) A glória de Deus.

   “Por ele é que temos acesso a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança de possuir um dia a glória de Deus” (Rm 5,2).

   “A estes quis Deus dar a conhece as gloriosas riquezas deste ministério entre os gentios: Cristo em vós, a esperança da glória” (Cl 1,27).

   Deus é glorioso, e nós, que somos seus filhos, perseveramos na esperança da glória que por Jesus Cristo nos está reservada. Assim a ressurreição e a vida eterna, que Jesus, a primícia dos ressuscitados, conquistou para nós, já é o prolongamento da glória do ministério que vivemos, e um sinal visível da glória de Deus no seio de sua Igreja.

   d) A herança dos Santos

   “... iluminando os olhos de vosso coração, para que conheçais qual é a esperança a que ele vos chamou, e quais as riquezas da glória da sua herança reservada aos santos” (Ef 1,18).

   “Desejamos, porém, que cada um de vós mostre o mesmo zelo até o fim, para tornar completa a vossa esperança; de modo que não vos torneis tíbios, mas imiteis aquele que, mediante a fé e a paciência, são herdeiros das promessas” (Hb 6,11-12).

   A herança dos santos é tudo que havíamos perdido em Adão e Eva. Mas, para a glória de Deus, o Senhor Jesus Cristo a reconquistou para nós pelo amor infinito e misericordioso do Pai. Nesta doação do Pai em seu Filho, fomos ainda mais enriquecidos, pois, além de recebermos, gratuitamente, tudo o que nos pertencera outrora, ainda ganhamos de quebra, um corpo glorioso, como o corpo do Senhor Jesus. Isto significa que, pelos méritos de Cristo, fomos elevados a uma dignidade bem maior, certamente superior à dignidade dos anjos. São Paulo traduz muito bem o que acabamos de explicar: “nem o olho viu, nem o ouvido ouviu, nem entrou no coração do homem o que Deus preparou para aqueles que o amam” (I Cor 2,9).

   04. A esperança poderá, ainda, estar nos irmãos ou os irmãos poderão estar no contexto de nossa esperança?

   “A nossa esperança a respeito de vós é firme: sabemos que, como sois companheiros de nossas aflições, assim também o sereis de nossas consolações” (II Cor 1,7).

   “Pois, quem, senão vós será a nossa esperança, a nossa alegria e a nossa coroa de glória ante nosso Senhor Jesus Cristo, no dia de sua vinda?” (I Ts 2,19).

   05. Em que se fundamenta a nossa esperança?

   a) Na fé em Deus.

   “Exorta os ricos deste mundo a que não sejam orgulhosos nem ponham sua esperança nas riquezas volúveis, mais em Deus, que nos dá abundantemente todas as coisas para delas fruirmos” (I Tm 6,17).

   A fé nos vem pela pregação de Cristo (Rm 10,17), e São Paulo declara ser impossível a alguém, sem fé, agradar a Deus (Hb 11,6). Na verdade, Deus é remunerador de todas as coisas. Assim, a fé é a certeza de nossa espera (Hb 1,1).

   b) No amor de Deus.

   “Nosso Senhor Jesus Cristo e Deus nosso Pai, que nos amou e deu consolação eterna e boa esperança pela sua graça, console os vossos corações e os confirme para toda boa obra e palavra” (II Ts 2,16).

   É o amor que fortalece a vontade do homem. Assim, se nossa vontade estiver fortalecida pelo amor de Deus, através dos dons da fortaleza e da piedade, do Espírito Santo, nossas forças interiores serão aquecidas e a nossa esperança será firme e inabalável como o monte Sião (Sl 124,1).

   c) O apelo de Deus.

   “Cingi, portanto, os rins do vosso espírito, sede sóbrios e colocai toda vossa esperança na graça que nos será dada no dia em que Cristo Jesus aparecer” (I Pd 1,13).

   Pelas palavras de São Pedro, o Senhor nos estimula a conservarmos nossa esperança no dia da vinda de Cristo, de forma bem consciente e virtuosa. É um forte apelo para nós, para que nossa vida seja um testemunho de santidade e de exemplo.

   d) No poder de Deus.

   “Esperando contra toda a esperança, Abraão teve fé e se tornou Pai de muitas nações, segundo o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência” (Rm 4,18).

   O Senhor, nosso Deus, é onipotente. Não há nada que seja impossível para Ele (Lc 1,37; 18,27; Mt 19,26; Mc 10,27). No seu amor e poder, Jesus ressuscitou Lázaro, depois de quatro dias de seu falecimento. Pelo poder do seu Santo Espírito, o Senhor Jesus ressuscitou dos mortos ao terceiro dia. Assim, nossa esperança está amparada no poder amoroso e infinito de Deus.

   e) Na veracidade de Deus.

   “Por este ato duplamente irrevogável, pelo qual o próprio Deus se proíbe de desdizer-se, encontramos motivo de profunda consolação, nós que pusemos nossa perspectiva em alcançar a esperança proposta” (Hb 6,18).

   Deus é verdadeiro e sua palavra permanece para sempre (I Pd 1,24). A esperança que está em nosso coração não se fundamenta em palavras frívolas (Mt 12,36), mas na verdade daquele Deus Salvador, cuja boca profere palavras de vida eterna. (Jo 6,68).

   f) Na fidelidade de Deus.

   “Conservemos firmemente apegados à nossa esperança, porque é fiel aquele cuja promessa aguardamos” (Hb 10,23).

   O Senhor é fiel e verdadeiro. O Salmista nos afirma que Deus é fiel em todas as suas palavras e santo em todas as suas obras (Sl 144,13b). Os corações que aspiram aos melhores dons (I Cor 12,31) estarão sempre firmes e arraigados às promessas de JHWH (Javé), aquele que é em nós, nossa vida e esperança, pois fora dele não há Salvador (Is 43,11).

   A esperança como virtude do Espírito Santo (I Cor 13,13), se insere no contexto das demais virtudes. Da mesma forma que o amor, como fruto do Espírito Santo (Gl 5,22), a esperança se desdobra em alegria, paz, paciência, benignidade bondade, longanimidade, mansidão, fidelidade, modéstia, temperança e castidade. Se não, vejamos:

   a) A esperança atrai a misericórdia.

   “São muitos os sofrimentos do ímpio, mas quem espera no Senhor, sua misericórdia o envolve” (Sl 31,10).

   “Seja-nos manifestada, Senhor, a vossa misericórdia, como a esperamos de vós” (Sl 31,10).

   b) A esperança dá-nos alegria.

   “O Deus da esperança nos enche de toda alegria e de toda paz na vossa fé, para que, pela virtude do Espírito Santo, transbordeis de esperança” (Rm 15,13).

   c) A esperança dá-nos consolação.

   “Nosso Senhor Jesus Cristo e Deus, nosso Pai, que nos amou e nos deu consolação eterna e boa esperança pela sua graça, conserve os vossos corações e os confirmem para toda boa obra e palavra” (II Ts 2,16).

   d) A esperança dá-nos segurança.

   “Em posse de tal esperança, procedemos com tal desassombro” (II Cor 3,12).

   e) A esperança livra-nos dos perigos.

   “Logo a Assembleia se pôs a clamar ruidosamente e a bendizer a Deus por salvar aqueles que nEle põem sua esperança” (Dn 13,60).

   f) A esperança conduz-nos às alegrias eternas.

   “Porque é pela esperança que fomos salvos. Ora, ver o bojeto da esperança, já não é esperança; porque o que alguém vê, como é que ainda o espera?” (Rm 8,24).

              QUESTIONÁRIO PARA APROFUNDAMENTO ESPIRITUAL

   06. A esperança é sinal de vida. O homem sem esperança é como um morto.

   - Livro do profeta Isaías, Cap. 38, Vers. 18.

   07. Para o homem de fé, há um futuro, há uma esperança.

   - Livro dos provérbios, Cap. 23, Vers. 18.

   - Livro dos provérbios, Cap. 24, Vers. 14
   08. A esperança daquele que crê não será frustrada, porque se apoia em Deus.

   - Livro dos Salmos, Cap. 27, Vers. 6.

   09. O homem piedoso chama Deus de sua esperança.

   - Livro do profeta Jeremias, Cap. 17, Vers. 7.

   10. Às vezes, o que é mais assentuado na esperança cristã é o aspecto confiança.

   - I Epístola aos Coríntios, Cap. 15, Vers. 19.

   11. Às vezes, o aspecto paciência e mais focalizado na esperança bíblica.

   - Epístola aos Romanos, Cap. 5, Vers. 4-5.

   12. Quem inspira a esperança? Deus, que é fiel as suas promessas.

   - Epístola aos Romanos, Cap. 15, Vers. 13.

   13. Nossa esperança se fixa em Deus.

   - I Epístola de São Pedro, Cap. 1, Vers. 21.

   14. Qual o critério para sermos considerados a casa de Deus?

   - Epístola aos Hebreus, Cap. 3, Vers. 5.

   15. O Senhor Jesus promete a posse dos bens salvívicos do Reino de Deus no inesquecível Sermão da Montanha.

   - Evangelho de S. Mateus – Cap. 5, vers. 3-12. Faça uma boa meditação sobre o que o Senhor Jesus lhe fala ao coração!...

Observações:...

         João C. Porto

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Creio em Jesus Cristo


                                           Creio em Jesus Cristo

   01. Qual é a Boa Notícia?

   Evangelho da Salvação!

   Deus enviou seu Filho Unigênito ao mundo, por amor, para que todo o que crê nele não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3,16)

   Jesus Cristo nos veio no princípio da plenitude dos tempos.

   “Mas, quando chegou à plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, feito da mulher, feito sob a lei, a fim de que remisse aqueles que estavam sob a lei, para que recebêssemos a adoção de filhos” ( Gl 4,4-5).

   A prova de que sois filhos é que Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: “Aba, Pai!” (Gl 4,6).

   02. Deus visitou o seu povo.

   “Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e resgatou o seu povo, e suscitou um poderoso Salvador, na casa de Davi, seu servo” (Lc 1,68-69).

   Na verdade, ele, o Senhor nosso Deus, suscitou uma força para nos salvar, na casa de seu servo Davi, conforme anunciou pela boca de seus santos.

   “Na tua descendência, todas as gerações da terra serão abençoadas” (Gn 12,3b).

   O anjo do Senhor disse a José: “Ela dará à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1,21).

   03. Jesus Cristo veio de Deus e sabia que voltaria para Deus.

   “Sabendo que o Pai tinha posto em suas mãos todas as coisas, que saíra de Deus e ia para Deus” (Jo 13,3).

   04. Jesus nasceu do céu.

   “Ninguém subiu ao céu, senão aquele que desceu do céu, o Filho do homem que está no céu” (Jo 3,13).

   O Senhor Jesus veio na carne, isto é, o Verbo de Deus como fonte de sabedoria nos céus e na terra. Ao tornar-se carne, armou a sua tendo no meio de nós, principalmente nos corações daqueles que o acolhem com fé, esperança e amor.

   “Nisto se conhece o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo se encarnou é de Deus” (I Jo 4,2).

   Ora, todos nós recebemos da sua plenitude graça sobre graça. (Jo 1,16)

   Assim, ninguém poderá dizer “Senhor Jesus”, senão (movidos) pelo Espírito Santo:

   “Todo aquele que o Pai me dá, virá a mim; e o que vem a mim, não o lançarei fora” (Jo 6,37).

   “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou, o não atrair; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,37).

    Exemplo

   “Respondendo Simão Pedro disse: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo” (Mt 16,16).

   Desse modo, não podemos deixar de anunciar a Cristo, Senhor; nem tampouco, de proclamar as coisas que vimos e ouvimos.

   Chamaram-nos e ordenaram-lhes que absolutamente não falassem nem ensinassem em nome de Jesus. Responderam-lhes Pedro e João: julgai-o vós mesmos se é justo diante de Deus obedecer a vós mais do que a Deus. “Não podemos deixar de falar das coisas que temos visto e ouvido” (At 4,19-20).

   05. Porque agora cremos em Jesus Cristo, cujas riquezas são insondáveis.

   “A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios as riquezas incompreensíveis de Cristo” (Ef 3,8).

   Porque “eu declaro-vos, irmãos, que o Evangelho, que tem sido pregado por mim, não é segundo o homem, porque não o recebi nem aprendi de homem, mas por revelação de Jesus Cristo” (Gl 1,11-12).

   06. Como se processam em nós as riquezas oriundas de Jesus Cristo.

   “A mim, o mais insignificante dentre todos os santos, coube-me a graça de anunciar entre os pagãos a inexplorável riqueza de Cristo, e a todos manifestar o desígnio salvador de Deus, mistério oculto desde a eternidade em Deus, que tudo criou. Assim, de ora em diante, as dominações e as potestades celestes podem conhecer, pela Igreja, a infinita diversidade da sabedoria divina, de acordo com o desígnio eterno que Deus realizou em Jesus Cristo, nosso Senhor. Pela fé que nele depositamos, temos plena confiança de aproximar-nos junto de Deus. Por isso vos rogo que não desfaleçais nas minhas tribulações que sofro por vós: elas são a vossa glória” (Ef 3,8-13).

   07. Como anunciar a Cristo, em quem cremos nossa fé e esperança no amor que procede do Pai e do Filho.

   “Na verdade tudo isso tenho por perda perante o eminente conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor, pelo qual renunciei todas as coisas e as considero como esterco, para ganhar a Cristo e ser encontrado nele, não com a minha justiça que vem da lei, mas aquela que nasce da fé em Cristo; a justiça que vem de Deus pela fé” (Fl 3,8-9).

   Vem de Jesus Cristo pela palavra de vida (Rm 8,1-2), todo o conhecimento, cujo poder do Espírito Santo nos impulsiona ao anúncio do Evangelho da Salvação.

   O nosso “Sim” da fé em Jesus Cristo deverá ser semelhante ao “Sim” de Maria Santíssima, Mãe do Senhor e nossa também; um abandono incondicional nas mãos de Deus que tudo pode, e a confiante certeza de vitória; sem, contudo, avaliar as consequências do amor.

   08. Creio em Jesus Cristo que, em hebraico, quer dizer: “Deus Salva”.

   “Ela dará à luz um filho ao qual porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1,21).

   Assim, o nome “Jesus” já exprime em si a missão salvífica para a qual veio ao mundo.

   “assim acontece à palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado minha vontade e cumprido sua missão” (Is 55,11).

09. Jesus Cristo é mediador da salvação do homem.

   “Não há salvação em nenhum outro, porque, sob o céu, nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4,12).

   10. Em Jesus Cristo, Deus Pai quer que todos os homens se salvem.

   “Em verdade, isto é bom e agradável diante de Deus nosso salvador, o qual quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (I Tm 2,3-4).

   - O que é agradável diante de Deus?

   “Acima de tudo, recomendo que se façam preces, orações, súplicas, ação de graças por todos os homens, pelo rei e por todos os que estão constituídos em autoridade, para que possamos viver uma vida calma e tranquila, com toda a piedade e honestidade” (I Tm 2,1-2)

   “Com efeito, há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, que é Jesus Cristo homem, o qual se deu a si mesmo para a redenção de todos: (tal é o) testemunho (dado por Deus) no tempo devido” (I Tm 2,5).

   Obs.; Oração a Jesus Cristo para todos os momentos do dia:

   “Jesus Cristo, Filho de Deus Pai; Senhor tende piedade de mim, pecador!”

   11. Creio em Jesus Cristo.
   “Cristo” vem do grego e do termo hebraico “Messias”, que quer dizer “O Ungido”.

    Na verdade, o Messias deveria ser ungido pelo Espírito Santo.

   “Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de ciência e de piedade; e será cheio do espírito do temor de Deus” (Is 11,2).

   12. Creio que o Senhor Jesus Cristo veio ao mundo para fazer a vontade de Deus Pai; isto é salvar o seu povo, dos pecados. (Mt 1,21).

   “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 6,38).

   Assim, o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos. (Mt 20,28).

João C. Porto







segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Amar e Evangelizar


                                       AMAR E EVANGELIZAR

   O essencial para evangelizar a alguém é mostrar-lhe, em primeiro lugar, que Deus é amor, e que nos ama constantemente com amor eterno (Jr 31,3). Quer dizer: na eternidade de Deus o amor paira sobre nossos corações, para nos conceder vida eterna, para qual existimos.111

   Deus é amor! Quem ama permanece em Deus e Deus nele (I Jo 4,8. 16).

   Conta-se que, certa vez, alguém perguntou a Madre Teresa de Calcutá: “Irmã, o que é evangelizar?” E ela, então, lhe respondeu: “Evangelizar é ter o Senhor Jesus no coração e mostrar esse Jesus ao irmão”.

   “Aquele, porém, que guarda a sua palavra, nele o amor de Deus é verdadeiramente perfeito. É assim que conhecemos que estamos nele: aquele que afirma permanecer nele deve também viver como ele viveu” (I Jo 2,5-6).

   Assim, evangelizar não é apenas conhecer a palavra de Deus, discorrer sobre ela com intuições hermenêuticas. Na verdade, é mais do que as conclusões teológicas que se pode alcançar do seio da Verdade Integral.

   “Ai de mim, gritava eu”. Estou perdido porque sou um homem de lábios impuros, e habito com um povo (também) de lábios impuros e, entretanto, meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos! Porém, um dos serafins voou na minha direção; trazendo na mão uma brasa viva, que tinha tomado do altar com uma tenaz. Aplicou-a na minha boca e disse: “Tendo esta brasa tocada teus lábios, teu pecado foi tirado, e tua falta, apagada”. Ouvi então a voz do Senhor, que dizia: “Quem enviarrei eu? E quem irá por nós?” – Eis-me aqui, disse eu, envia-me” (Is 6,5-8).

   Como vemos, não é aconselhável evangelizar, apenas, com a ciência humana; mas, sobretudo, revestida da ciência dos santos (Sb 10,10), sob a direção amorosa do Espírito de Deus. (Sl 31,8; Gl 8,14).

   Ora, que sentido maior chega ao nosso pequeno e frágil coração, relativamente ao toque da brasa nos lábios do profeta Isaías?

   Todos nós que temos como vida do coração a plenitude dos tempos (Gl 4,4-6), na qual, gratuitamente, fomos adotados como filhos e filhas do Deus Altíssimo, recebemos o Amor do Pai e do Filho; isto é, o Espírito Santo, como brasa viva, que corresponde ao Seu fogo devorador (Dt 4,24), pelo qual, não apenas nos perdoou os pecados, mas reconciliou-nos com o Senhor, selou-nos com seu selo indelével (Ef 1,13; 4,30), e capacita-nos (II Cor 3,5) a falar com palavras de sabedoria ensinadas pelo Espírito Santo (Lc 12,12; Mt 10,20).

   Ora, o apóstolo Paulo, ao nosso entendimento, interior, coloca para os que se aplicam ao ensino da divina doutrina do Senhor (Pr 22,18), como que um frontispício indizível da verdade integral, para que a ouçamos e a vejamos com os ouvidos e os olhos do coração, no profundo da Verdade que liberta – Intus legere – “a fim de que possais, com todos os cristãos, compreender qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade; isto é, conhecer a caridade de Cristo, que desafia todo o conhecimento, e sejais cheios de toda a plenitude de Deus” (Ef 3,18-19).

   Na verdade, é necessário que tenhamos em nosso espírito a unção da graça que nos salva (Ef 2,8) e, na alma, o influxo dos dons infusos de nossa santificação (Is 11,2); bem assim conservando, dentro do coração, a doutrino do Senhor, a qual, quando transbordar de nossos lábios (Pr 22,18), estejamos, em mansidão e humildade de coração, capacitados do Seu múnus sacerdotal (II Cor 3,5), nós, os leigos – do sacerdócio régio (I Pd 2,9) –, condicionados pela luz da fé, a viva esperança e o conhecimento do amor de Cristo, a podermos empunhar a espada do Espírito com simplicidade e ousadia (Ef 6,17), e, então, finalmente, evangelizadores da vinha do Senhor, sem mérito algum para nós (Lc 17,10).

   “Gravai, pois, profundamente em vosso coração e em vossa alma estas minhas palavras; prendei-as em vossas mãos como um sinal, e levai-a como uma faixa frontal entre os vossos olhos” (Dt 11,18).

   “Não ajuntareis nada a tudo o que vos prescrevo, nem tirareis nada daí, mas guardareis os mandamentos do Senhor, vosso Deus, exatamente como vos prescrevi” (Dt 4,2).

   “Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi...”. (Mt 28,20a).

   Não é verdade que o Senhor Jesus é a nossa paz (Ef 2,14)? Somos seus amigos, escolhidos por Ele (Jo 15,15-17) e por Ele enviados para que produzamos muitos frutos, frutos de vida eterna!

João C. Porto

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Dom da Sabedoria


                                      Aprofundando a Boa Nova do
                                               Senhor Jesus Cristo

                                                     P J Nº 13

                                             Dom da Sabedoria



   Vindo ao mundo, o Senhor Jesus nos trouxe duas realidades espirituais: “A graça e a verdade” (Jo 1,17b); a graça que nos salva (Ef 2,8) e a verdade que nos liberta (Jo 8,32. 36).

   A gente vê a graça que salva, a benevolência do Pai Eterno, a bondade infinita do seu coração, o amor de Deus, o próprio Espírito Santo, fonte eterna dos corações do Pai e do Filho, que comunica aos corações de seus escolhidos, gratuitamente, o tudo que Deus nos enviou por seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.

   Então, a graça é o dom supremo, porque, sendo o próprio Espírito de Deus, é o amor do Pai e do Filho, a salvação que o Salvador, Jesus Cristo, nos trouxe (Jo 1,17b), sem preço, gratuitamente. Assim, todos os dons e carismas, todos os frutos e virtudes, vieram sob as asas do refúgio amoroso do Pai e repousaram em nossos frágeis corações como proteção salvífica do Eterno.

   Abemus thesaurum istum in vasis fictilibus. “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro (frágeis), para que a superioridade da força (da pregação) seja de Deus e não de nós”. (II Cor 4,7) 

   Que grandeza de amor eterno e constante! Quão maravilhados e extasiados nos sentimos diante de tão infinita confiança de Deus Pai, por seu Filho Jesus Cristo, por ter depositado todo o seu tesouro de eternidade em nossos frágeis corações! É!... Não merecemos!... Mas foi da liberalidade do Seu infinito e misericordioso amor que recebemos este dom para reconstrução do reino do Amor Bendito sobre a terra, a partir dos corações de pobres. (Mt 5,3)

   Na verdade, porque somos de uma argila frágil, Deus nos torna inquebrável, e porque somos incapazes de tudo, ele mesmo, pelo seu Espírito de vida em Cristo Jesus (Rm 8,1-2), nos capacita para tudo de sua bondade, com a sabedoria do seu coração e a força do seu amor firme e invencível.

   Ora, “Tudo é possível ao que crê”! (Mc 9,23). “Temos essa confiança em Deus, por Cristo; não que sejamos capazes de nós mesmos ter algum pensamento, sobrenaturalmente bom, como vinda de nós mesmos. o qual também nos fez idôneos ministros do Novo Testamento, não pela letra (da lei), mas pelo Espírito, porque a letra mata, mas o Espírito vivifica”. (II Cor 3,4-6)

   Certamente que o dom da sabedoria não é superior à graça, mas, vindo da graça e de graça, é o maior dom de santificação. É ele que comanda todos os demais dons, que os coordena e os ordena em seus princípios, com seu jeitinho sutil, ágil e indelével de aperfeiçoar na caridade e com caridade todas as coisas do amor, principalmente, nossos frágeis corações de pecadores convertidos ao Senhor Jesus.

   Ora, este dom, que é “uma exalação do poder divino, o clarão da luz eterna”, é como “o espelho sem mácula da Majestade divina e a imagem de sua bondade”. É nele que o Espírito Santo, com os dons do entendimento, do conselho e da ciência, fecunda de santidade todas as áreas de nossa inteligência, aperfeiçoando-as através da caridade, da luz da fé, da viva esperança e da prudência; emanações das perfeições divinas.

   Assim, também, o mesmo Espírito, pela sua própria coordenação, germina de santa eternidade todas as áreas de nossa vontade, com os dons da piedade, da fortaleza e do temor ao Senhor, e bem assim as virtudes da fortaleza, justiça, esperança e temperança, objetivando que sejamos santos e, também, perfeitos do amor de Cristo, de cuja plenitude de Deus nos ascende à vida dos profetas e dos amigos do Deus.

   De que forma o Espírito Santo opera em nossos corações através do dom da sabedoria?

   Ora, se no princípio, pelo pecado original, perdemos os dons preternaturais da imortalidade, da impassibilidade e da integridade, o que poderemos imaginar sem a habitação do Espírito Santo no coração do homem (Gn 6,3)? Mas, graças a Deus que, por Jesus Cristo, seu Filho amado, desde o Pentecostes da Igreja (At 2,14) e do nosso batismo (Mt 28,19; At 19,6), o Doce Hóspede de nossas almas, vem, aí, derramando em nossos corações todos os dons, todos os carismas e todas as virtudes do alto, para que nos tornemos santos, perfeitos e irrepreensíveis filhos e filhas do seu amor terno, bondoso e misericordioso.

   Não é verdade que o Espírito Santo infundiu em nossas almas os sete dons de santificação (Is11, 2), derramou em nossos corações a multiplicidade de seus carismas (I Cor 12,8-10) e nos plenificou de todas as virtudes (Sab 8,7; I Cor 13,13) e dos frutos próprios do amor do Pai e do Filho (Gl 5,22-23)?

   O que havíamos perdido pelo pecado original, ganhamos, em dose dupla, pela redenção liberativa do preciosíssimo sangue do Senhor Jesus (I Pd 1,18-19).

   Agora, tudo quanto à perversão dos séculos projetou em nossas almas, tornando-as trevas imundas e escuras, pela concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida (I Jo 2,16) como conseqüências de nossos pecados; pelo arrependimento, pela conversão e a mudança de vida e de mentalidade (Mt 3,2) em o nome glorioso do Senhor Jesus Cristo, o Espírito de Deus, a partir do batismo (Ef 4,5), fará, se quisermos, uma renovação plena, transfigurística e perfeita.

   “Mas um dia apareceu à bondade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com os homens. E, não por causa de obra de justiça que tivéssemos praticado, mas unicamente em virtude de sua misericórdia, ele nos salvou mediante o batismo da regeneração e renovação, pelo Espírito Santo, que nos foi concedido em profusão, por meio de Cristo, nosso Salvador, para que a justificação obtida por sua graça nos torne, em esperança, herdeiros da vida eterna”. (Ti 3,4-7)

   Como vemos, o dom da sabedoria é um instrumento do amor de Deus, pelo qual o Espírito Santo regenera nossa alma, em todas as cicatrizes e marcas que ofuscaram a face do Senhor em nossos corações, a fim de que ela volte a resplandecer em nosso interior íntimo e profundo, no núcleo central da vida, com a clareza da doutrina e objetividade da ciência do Senhor Jesus em nossa alma, renovando-a com seus traços indeléveis e fecundos, a fim de que sob o resplendor da luz divina, transbordemos com palavras de sabedoria ensinadas pelo Espírito de Deus, para que adaptemos as realidades espirituais em termos espirituais. (I Cor 2,13)

   O dom por excelência, aquele que dirige todos os demais dons, porque, sendo a fonte do conhecimento sobrenatural, coordena, não só as áreas dessa ciência, mas, também, do conhecimento natural, como que, adaptando o natural às realidades das coisas espirituais e, por isso, abstraindo-nos pelo entendimento, sabedoria, ciência e conselho, tudo quanto não nos convém viver.

   “Não extingais o Espírito, não desprezeis as profecias. Examinai tudo: abraçai o que é bom. Guardai-vos de toda espécie de mal” (I Ts 5,19-22).

   Ora, o dom da sabedoria é o dom que coordena todos os conhecimentos sobrenaturais. Por isso é que se diz que ele é o dom coordenador, isto é, que ordena e instruem todos os demais dons do Espírito Santo, de modo especial os dons infusos.

   “Eu te instruirei e te ensinarei o caminho que deves seguir, guiar-te-ei fitando em ti os meus olhos” (Sl 31,8)

   O dom da sabedoria é a principal capacidade sobrenatural pela qual o Espírito Santo nos eleva ao conjunto de conhecimentos de todas as coisas, separando-os por assunto, como que por um sistema perfeito e bem ordenado, segundo a sabedoria divina. Daí é que o Espírito de Deus opera em nós e através de cada um dos filhos de Deus. Ele abstrai do seio de cada unidade do saber, das coisas que, por ele, nos convém ser regidas e elevadas aos objetivos de santificação de nossa alma. Por isso, ele nos eleva pela caridade do amor, ao caminho da ciência dos santos, a fim de que nos exercitemos de forma, espiritualmente, simples, humilde, mansa, paciente e perseverante, deixando-nos, livres em suas mãos, como instrumentos de amor, conduzidos ao exercício da fé que opera pela caridade; tudo por uma naturalidade bem ordenada e disposta, de fé para fé, sob a perspectiva dos desígnios eternos.

   Desse modo, o dom da sabedoria nos move com a sutileza dos movimentos ágeis, sublimes e constantes, com o sabor da verdade, os olhos contemplativos da esperança e a fragrância da caridade do amor que nos faz um só espírito com o Senhor, para que:

   a) a visão interior veja todas as coisas com os olhos do Senhor Jesus Cristo.

   “Os olhos do Senhor contemplam toda a terra, e inspiram força aos que confiam nele com um coração perfeito”. (II Cr 16,9)

   b) compreendamos todos os arcanos e mistérios revelados do seio da verdade que liberta.

   “Invoca-me e eu te atenderei e te anunciarei coisas grandes e certas que tu ignoras". (Jer 33,3)

   c) sejamos instrumentos adequados às revelações do amor, com palavras de sabedoria e prudência.

   “O Espírito Santo vos ensinará, naquele mesmo momento, o que deveis dizer”. (Lc 12,12)

   d) contemplemos, extasiados, as palavras e visões próprias da ciência dos santos, pela condução amorosa do Espírito, em seus arcanos de justiça, misericórdia e fidelidade.

   “De longe se me deixou ver o Senhor. Eu amei-te com amor eterno, por isso, compadecido de ti, te atraí a mim”. (Jer 31,3)

   e) estejamos inseridos na nova filiação divina, pelo que, em Cristo Senhor, invoque a Deus: Abba! Pai! (Gl 4,6).

   “Mas, quando chegou à plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, feito da mulher, feito sob a lei, a fim de que remisse aqueles que estavam sob a lei, para que recebêssemos a adoção de filhos”. (Gl 4,4-5)

   f) seguindo o caminho da justiça, da misericórdia e da fidelidade, vivamos o amor ágape, pelo que já não nos será mais possível pecar contra Deus, contra nós e os irmãos; e, tudo isso, pela caridade do amor.

   “O temor do Senhor é fonte de vida, para nos preservar dos laços da morte”. (Pr 14,27)

   -Que nos diz S. Paulo?

   “O homem espiritual julga todas as coisas e ele não é julgado por ninguém”. (I Cor 2,15) E ele diz mais: “nós, porém, temos o pensamento de Cristo”. (I Cor 2,16)

   -Quem é a fonte da sabedoria senão o Verbo do Deus, Jesus Cristo, homem?

   “A fonte da sabedoria é o Verbo de Deus nos céus, e os seus caminhos são os mandamentos eternos”. (Eclo 1,5)

   Devemos, pois, recorrer a Deus Pai, por Jesus Cristo, e pedir-lhe toda a intimidade de corações apaixonados da luz do sol oriente, que nunca se apagará.

   “Se algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não lança em rosto, e ser-lhe-á concedida”. (Tg 1,5)

   Logo, a sabedoria, que está em nós, é a nossa própria paz, nosso Senhor Jesus Cristo. (Ef 2,14a) Ora, porque o Espírito Santo alcança todas as coisas, tudo é sondado por ele, até mesmo às profundezas de Deus (I Cor 2,10), compreendemos que a sabedoria nos vem ao coração por ele; pois ele não é apenas o comunicador da sabedoria divina, mas também, o que nos ensina, o que nos orienta, corrige e ordena segundo Deus quer, inclusive para o bem comum de todos.

   “A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para proveito comum”. (I Cor 12,7)

   -Quem coloca a sabedoria de Deus nos lábios do homem senão o Espírito Santo, que, em Cristo Jesus, a recebe do Pai e preenche os corações rendidos e apaixonados do amor?

   Ora, o amor do Pai e do Filho é o próprio Espírito Santo; logo, por ele, temos acesso a essa graça do conhecimento, ainda que tênue, de seus arcanos e de todas as coisas que nos foram dadas por Deus.

   “Ora, nós não recebemos o espírito deste mundo, mas o Espírito que vem de Deus, para conhecermos as coisas que por Deus nos foram dadas” (I Cor 2,12)

   Quanto mais amamos mais compreendemos os sentimentos da pessoa amada. Assim, a caridade, fonte de todas as perfeições, aperfeiçoa-nos, principalmente, na unidade do amor entre irmãos.

   “O meu preceito é este: que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei” (Jo 15,12)

   O dom da sabedoria, pelo Evangelho da vida, eleva-nos através do sabor do conhecimento de Deus. E pela alegria, ele nos edifica por uma experiência íntima, em virtude do amor que nos inspira e nos move a que nos deixemos ser conduzidos, em tudo, pelo Espírito Santo, o doce hóspede de nossa alma.

   “(...) enchei-vos do Espírito Santo”. (Ef 5,18b)

   É por isso que o profeta Jeremias, referindo-se a palavra de Deus, exorta-nos, dizendo: “Achei a tua palavra, alimentei-me com ela; tua palavra foi para mim o prazer e a alegria do meu coração”. (Jer 15,16)

   Por outro lado, é própria da sabedoria ser perfeita na caridade e, no seu curso divino, movimentar nos corações que amam toda a força do amor e de sua excessiva caridade, para que na relação com a Igreja e entre irmãos, tornemo-nos mais e mais dóceis às moções do Espírito e ao estreito relacionamento amoroso, íntimo e perfeito com o Senhor Jesus Cristo.

   Ora, a graça é um dom de salvação e a sabedoria, do conhecimento íntimo dos corações, das coisas e das criaturas em seu relacionamento com o corpo místico e com Deus, para que vivamos em vida de santidade. Por isso, de santificação de nossa alma através do Espírito que nos edifica pela união amorosa como Senhor e entre irmãos da mesma fé viva, que opera pela caridade do amor de Deus.

   Não é verdade o que os doutores nos ensinam? “A sabedoria é a coordenação de todos os nossos conhecimentos pelas causas altíssimas das coisas”. Assim, o dom da sabedoria ordena e coordena todos os conhecimentos sistematizados em nossa razão, conforme os princípios que os regem, isolados ou em conjuntos. Por isso, entre os dons de santificação é o dom por excelência, principal e mais sublime.

   “O homem espiritual julga todas as coisas e ele não é julgado por ninguém”. (I Cor 2,15)

   É que todos nós temos em nossos corações o Espírito de Deus. E ele sonda todas as coisas, inclusive as profundezas do próprio Deus (I Cor 2,10). Ora, como ele perscruta os corações e penetra os pensamentos do espírito, conhece na intimidade dos corações e pede segundo Deus quer para seus filhos e filhas amados. Por essa razão é que, creio, S. Paulo afirma: “nós temos o pensamento de Cristo”. (I Cor 2,16)

   Ora, porque o provérbio nos diz que “os olhos do Senhor estão em todo o lugar e observam os bons e os maus”. (Pr 15,3), podemos ter um conceito bem firme do quanto, pelo dom da sabedoria, o Espírito fará em nós e através de nós.

   Na verdade, os dons de santificação, pela caridade que nos une no amor, estreitam-nos intimamente com Deus, conduzem-nos a uma sempre maior união íntima e amorosa com o Senhor nosso Pai; sendo que o Dom da sabedoria é o que mais se evidencia nesses aspectos da unidade de um só espírito com o Senhor. (I Cor 6,17)

   Ora, a bondade de nossa experiência íntima com Deus tem a face da caridade unitiva do amor e todos os aspectos da atividade sublime do dom da sabedoria, que nos estreita na afeição amorosa de um só coração com o Senhor. Ensina-nos também os santos doutores da justiça divina: “O dom da sabedoria brota do seio da caridade e conduz à caridade”.

   É bem feliz dizer-se que o amor é a moção principal de todas as coisas, nos céus e na terra. Assim, os sete dons infusos, por serem dons instrumentos de santificação, são como um tesouro do amor de caridade escondido em nossos corações. Somente quando abrimos o coração à vida com o Senhor Jesus é que os percebemos, com profunda alegria, a partir de quando o Espírito Santo os toma em suas mãos, como instrumentos de caridade, para santificar a nossa alma, através de nossas faculdades e/ou potências interiores.
   É bem interessante, ainda, observar que, com relação aos carismas, o Espírito Santo é quem nos move para que nos exercitemos em servir à Igreja e aos irmãos, em virtude do amor que, por Jesus Cristo, se difunde largamente em nossos corações. Isto significa dizer que, quando nos movimentamos pelos carismas, somos santificados enquanto servimos à realização do bem comum da comunidade. Ora, com relação aos dons infusos é bem diferente. Na medida em que nos damos ao amor e por ele amamos a Deus, a Igreja, como corpo místico de Cristo, e somos inseridos, interiormente, na vida sacramental, é o próprio Espírito Santo que, em seus movimentos amorosos e delicados de eternidade, santifica-nos em todas as áreas de nossas faculdades espirituais. Assim, entendemos que há dons que são instrumentos de amor, receptáculos amorosos, pelos quais somente o Espírito Santo nos pode santificar; e há dons que, de outra forma, somos santificados por eles, enquanto nos exercitamos, amorosamente, através dos talentos que recebemos do Senhor.
   É algo como se devêssemos dizer: pelos dons infusos é o Espírito Santo que nos santifica; e, pelos carismas, somos nós que nos santificamos a nós mesmos, na medida em que o Espírito Santo nos move a servir, principalmente, aos membros vivos da Santa Igreja do Senhor.

   Ora, tudo é obra do Espírito de Deus; mas, quando o Espírito move em nós os dons infusos, é própria e exclusiva dele a obra santificadora que realiza em nossas almas. Entretanto, quando o Espírito Santo nos move ao exercício dos carismas, somo santificados pela prática dos dons.

   Assim, devemos entender que os dons infusos são instrumentos finíssimos de amor, que, no batismo, o Espirito de Deus os coloca dentro do homem, como ferramentas delicados de caridade, mas, do uso próprio do amor, para a santificação das almas, em todas as áreas da inteligência e da vontade do homem espiritual. Os dons carismáticos, no entanto, não são infundidos, isto é, colocados dentro de nós, mas, por efusão, derramados em nossos corações, para que, pela fé que opera pela caridade, sejamos santificados, enquanto nos movemos por eles no seio da Igreja, em todos seus aspectos de comunidade que salva em Cristo Jesus, o Senhor; pois Jesus é o único que salva. (Mt 1,21; At 4,12)

   O Dom da sabedoria é a linguagem santa, ágil, sutil e amorosa de todos os conhecimentos unificados na verdade do amor eterno. O Espírito Santo o coloca desde a área silenciosa de nosso coração, e, aí, depois de ter realizado todos os objetivos para os quais o Senhor o enviou ao nosso núcleo central da vida, vem, também, aos nossos lábios para exteriorizar em proclamação de graças, vida e salvação, conforme o que o Senhor Deus quer e deseja.

     “Não falamos dessas coisas com palavras doutas, de humana sabedoria, mas com aquelas que o Espírito ensina e que exprimem as coisas espirituais em termos espirituais”. (I Cor 2,13)

   Ora, sendo o Senhor Jesus Cristo a própria sabedoria divina, concebo, em meu coração, que o dom da sabedoria é uma emanação divina e eterna, a imagem invisível do Criador, como “o espelho sem mácula da majestade divina”, própria dos corações do Pai e do Filho, que o Espírito Santo colocou no nosso íntimo mais íntimo, como instrumento de sua ação amorosa e santificadora, para santificar-nos no seu amor, por uma ação própria de sua bondade infinita, de sua misericórdia eterna, para sempre. É o amor irresistível: não perde viagem, nem a obra para qual veio.

   "Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; não tornará para mim vazia, mas fará tudo o que eu quero, e produzirá os efeitos para os quais a enviei”. (Is 55,11)

   Não será oportuno pedir ao Espírito Santo que, empunhando este dom em suas mãos, conclua em nós, sem demora, essa obra de amor?

   -O que o Senhor nos diz através do profeta Isaías?

   “Buscai o Senhor, enquanto se pode encontrar; invocai-o, enquanto está perto”. (Is 55,6)

   Digamos, então, muitas vezes e todos os dias, estas santas jaculatórias: Vinde Espírito Santo, iluminai meu coração com a luz da sabedoria, e acendei em mim o fogo do vosso amor! Venha Espírito criador! Venha luz dos corações e Pai dos pobres! Meu coração é inteiramente vosso, em o nome do Senhor Jesus!

   Os dons de santificação são movidos pelo amor, inspirados pela sabedoria da verdade eterna e, por isso, realizam a partir do interior do homem espiritual a finalidade de seus objetivos, que é a santificação dos filhos e filhas de Deus. Mas, como a obra de santificação é, também, obra de perfeição, eles nos movem pelas virtudes teologais e morais ao aperfeiçoamento de nossas almas. Por isso é que o Senhor Jesus nos diz:

   “Bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus”. (Mt 5,8)

   Assim, o dom da sabedoria nos aperfeiçoa pelo exercício da virtude teologal da caridade; o dom do entendimento, pela virtude teologal da fé; o dom do conselho, pela virtude moral da prudência; o dom da fortaleza, pela virtude moral da fortaleza; o dom da ciência, pelas virtudes teologais da caridade e da fé; o dom da piedade, pela virtude moral da justiça; e o dom do temor de Deus, pela virtude teologal da esperança e a virtude moral da temperança.

   Pelo batismo, que recebemos na Santa Igreja Católica (Ef 4,5-6), recebemos o Espírito de Deus como hóspede de nossas almas. Com ele recebemos o tudo de Deus, porque o Senhor depositou, a partir do Pentecostes, em cada um de seus filhos e filhas, total confiança na reconstrução do seu reino, também, sobre a terra, dando-nos o seu Espírito como penhor de nossa herança.

   “Nele também vós, depois de terdes ouvido a palavra da verdade, o Evangelho de vossa salvação no qual tendes crido, fostes selados com o selo do Espírito Santo que tinha sido prometido, que é o penhor de nossa herança, enquanto esperamos a completa redenção daqueles que Deus adquiriu para o louvor da sua glória”. (Ef 1,13-14)

   Ora, o selo que o Espírito Santo imprimiu em nossos corações é um selo pessoal e de garantia de vida eterna, e bem assim da herança de todos os bens que nos foram prometidos, em virtude da redenção gloriosa em Cristo Jesus.

   Não é verdade que o Espírito Santo é uma pessoa e, como tal, capaz de sentir tristeza diante de nossa falta de amor e infidelidade a Deus?

   -O que nos diz S. Paulo?

   “Não entristeçais o Espírito Santo de Deus, pelo qual fostes marcados com um selo para o dia da redenção”. (Ef 4,30)

   “Deus seja sempre louvado, e o inimigo vencido!.

            João C. Porto

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O Sacerdócio


                                  CURSO DA BÍBLIA SAGRADA

                                                  C B S Nº 12

                                                 O Sacerdócio

01. O que é o Sacerdócio?

   É o ofício ou ministério exercido pelo sacerdote. Este ministério é recebido de Jesus Cristo – o Sacerdócio eterno a exemplo de Melquisedeque -, através do sacramento da ordem. O Sacerdócio só existirá enquanto a Igreja de Cristo existir sobre a terra, pois o Senhor Jesus é o único sacerdote eterno e, por isso, o único mediador entre Deus e os homens.

   “Porque está escrito: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hb 7,17).

   “Porque há um só Deus e há um único mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo, homem, que se entregou como resgate por todos” (I Tm 2,5-6).

   O sacerdote da Igreja Católica é chamado de sacerdote ministerial porque recebeu do Senhor Jesus – In Persona Christi –, isto é, em o nome do Senhor, através dos apóstolos, o múnus de Cristo, Senhor, para o exercício de sua função sacerdotal.

   02. O que Jesus ordenou aos sacerdotes, a partir dos apóstolos, os primeiros sacerdotes?

   a) Celebrar em seu nome, a Eucaristia, na Santa Missa. Jesus tomou o pão, deu graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: “Isto é meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim” (Lc 22,19).

   b) Ligar e desligar sobre a terra, para ser ligado ou desligado no céu.

   “Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16,19).

   “Em verdade vos digo: tudo o que ligares sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu” (Mt 18,18).

   c) Ensinar todas as gentes e batizá-las em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

   “Ide, pois, e ensinai todas as nações; batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19).

   d) Ensinar a todos tudo quanto o Senhor Jesus presqueveu aos seus apóstolos.

   “Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,19-20).

   e) Pastorear com muito amor, paciência, fé, obediência à vontade de Deus, os seus rebanhos.

   “Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro”: “Simão, filho de João, amas-me mais do que estes?” Respondeu ele: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo.” Disse-lhe Jesus: “Apascenta os meus cordeiros.” Perguntou-lhe outra vez: “Simão, filho de João, amas-me?” Respondeu-lhe: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo.” Disse-lhe Jesus: “Apascenta os meus cordeiros.” Perguntou-lhe pela terceira vez: “Simão, filho de João, amas-me?” Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: “Amas-me?”, e respondeu-lhe: “Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo.” Disse-lhe Jesus: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21,15-17).

   f) Perdoar em seu nome os pecados dos homens.

   “Depois destas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: “Recebei o Espírito Santo.” Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados; Àqueles a quem os retiverdes, ser-lhe-ão retidos” (Jo 20,22-23).

   g) Ter um coração misericordioso, voltado constantemente para o perdão.

“Então Pedro se aproximou dele e disse: “Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim”? Até sete vezes?” Respondeu Jesus: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mt 18,20-21).

   h) Expulsar em seu nome os demônios.

   “expulsarão os demônios em seu nome, falarão novas línguas,” (Mc 16,17b)

   i) Impor as mãos sobre os enfermos para que o Senhor Jesus os cure.

   “manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados.” (Mc 16,17-18).

   j) Permanecer no seu amor.

   “Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor” (Jo 15,9).

   k) Ser prudentes como as serpentes e simples como as pombas.

   “Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas” (Mt 10,16).

   l) Ter um coração aberto para que o Espírito Santo possa falar através deles.

   “Porque não sereis vós que falareis, mas é o Espírito de vosso Pai que falará em vós” (Mt 10,20).

   m) Confessá-lo diante dos homens.

   “Portanto, quem der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos céus” (Mt 10,32).

    n) Viver em estado constante de conversão.

   “Em verdade vos declaro: Se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos céus” (Mt 18,3).

   o) Fazer-se sempre pequeno como criança, para crescer no Reino de Deus.

   “Aquele que se fizer humilde como esta criança será maior no Reino dos céus” (Mt 18,4).

   p) Não escandalizar, principalmente, os que creem Nele.

   “Mas, se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que creem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar” (Mt 18,6).

   q) Não desprezar um só dos pequeninos do Senhor.

“Guardai-vos de desprezar um só destes pequeninos, porque eu vos digo que seus anjos no céu contemplam sem cessar a face de meu Pai que está nos céus” (Mt 18,10).

   r) Ser misericordioso como o Pai Celestial o é.

   “Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36).

   s) Ser perfeito como o Pai Celestial é perfeito.

   “Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48).

   t) Ser santo como Deus é santo.

   “Mas vós me sereis um reino sacerdotal e uma nação santa” (Ex 19,6a)

   “Pois eu sou o Senhor vosso Deus”. Vós vos santificareis e sereis santos, porque eu sou santo. (Lv 11,44a).

   “sede santos, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo” (Lv 19,2b).

   “A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos em todas as vossas ações, pois está escrito: “Sede santos porque eu sou santo” (I Pd 1,15-16)

   u) Ser homem e/ou mulher de fé e crer na providência divina.

   “Quem crer e for batizado será salvo” (Mc 16,16a).

   “Porque nele se revela a justiça de Deus, que se obtém pela fé e conduz a fé, como está escrito: O justo viverá pela fé” (Rm 1,17).

   “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram” (Hb 11,6).

   “Tudo é possível ao que crê” (Mc 9,23b).

   “Tudo o que pedirdes com fé na oração, vós o alcançareis” (Mt 21,22,

   03. Quantos sacerdócios existem?

   Podemos afirmar que são três as ordens sacerdotais, embora sejam muitos os ministérios:

   a) O Sacerdócio Eterno segundo a ordem de Melquisedec, cujo sacerdote e pontífice é o Senhor Jesus Cristo.

   “Com efeito, (Deus) declara: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec” (Hb 7,17).

   b) O Sacerdócio ministerial, segundo os apóstolos do Senhor.

   c) O Sacerdócio do Laicato, exercido por nós, leigos. Pelo batismo nos tornamos filhos de Deus e membros de sua Igreja, podendo, assim, participar da Santa Missa e de todos os sacramentos da Igreja. Fomos constituídos para viver em pureza e santidade, como os demais anunciadores da palavra, para a conversão dos pecadores.

   “Dele todos os profetas dão testemunho, anunciando que todos os que nele creem recebem o perdão dos pecados por meio de seu nome” (At 10,43).

   Não podemos celebrar a Santa Missa, pois essa função é do sacerdote ministerial. Podemos, no entanto, participar dos atos litúrgicos e da Santa Eucaristia – o Pão místico do banquete divino – para que, fortalecidos na fé, na esperança e no amor, sejamos exemplos para a glória de Deus.

   “Assim brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16).

   O que dizer do Sacerdócio do Laicato?

   É o apóstolo São Pedro, primeiro Papa da Igreja (Petrus apostolus princeps apostolorum) que nos fala:

   “Vós, porém, sois um raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa, um povo adquirido para Deus, a fim de que publiqueis as perfeições daquele que das trevas vos chamou à luz maravilhosa” (II Pd 2,9).

   04. O que é o sacerdote?

   É a pessoa vocacionada e escolhida por Deus para representar e apresentar o seu povo perante o Pai, no âmbito da Igreja e da vida particular de cada um dos fiéis. É, portanto, o traço de ligação entre o povo e o Senhor, a partir do culto de louvor e adoração, através dos ministérios e dons, dos quais devemos participar constantemente.

   05. Como se desenvolveu o Sacerdócio no Antigo Testamento?

Não havia sacerdotes escolhidos por Deus no tempo dos patriarcas. Sem sacerdotes, os sacrifícios eram oferecidos pelos chefes de família ou pelo chefe da tribo. Assim foi Melquisedec, Rei de Salém.

   Vejamos alguns exemplos

   a) Noé.

   “E Noé levantou um altar ao Senhor: tomou de todos os animais puros e de todas as aves puras, e ofereceu-os em holocausto ao Senhor sobre o altar” (Gn 8,20).

   b) Abraão.

   “Abraão, levantando os olhos, viu atrás dele um cordeiro preso pelos chifres entre os espinhos; e, tomando-o, ofereceu em holocausto em lugar de seu filho” (Gn 22,13).

   c) Jacó.

   “Ofereceu um sacrifício sobre a montanha e convidou seus parentes para comer. Comeram e passaram a noite na montanha” (Gn 31,54).

   d) Melquisedec, Rei de Salém.

   “Melquisedec, Rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, mandou trazer pão e vinho” (Gn 14,18).

   e) Jetro.

   “Em seguida, Jetro, sogro de Moises, ofereceu a Deus um holocausto e sacrifício. Aarão e todos os anciãos de Israel vieram ter com o sogro de Moisés para tomar parte no banquete em presença de Deus” (Gn 18,12).

   No tempo da lei mosaica, porém, o Senhor, nosso Deus estabeleceu uma Jerarquia de três ordens:

   a) Os levitas, que eram os varões da tribo de Levi, não descendentes de Aarão. Eram assistentes nos serviços do templo.

   b) Os sacerdotes, descendentes de Aarão, distribuídos em 24 classes. Serviam no templo semanalmente, por turno, nos sacrifícios diários, no altar dos holocaustos.

   “Eis que sacrificarás sobre o altar: dois cordeiros de um ano, todos os dias, perpetuamente” (Ex 29,38).

   “que não tem necessidade, como os outros sumos-sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro pelos pecados próprios, depois pelos do povo; pois isto o fez de uma só vez para sempre, oferecendo-se a si mesmo”. (Hb 7,27).

   “Enquanto todos os sacerdotes se ocupam diariamente com o seu ministério e repetem inúmeras vezes os mesmos sacrifícios que, todavia, não conseguem apagar os pecados, Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício e logo em seguida tomou lugar para sempre à direita de Deus,” (Hb 10,11-12).

   Estes sacerdotes também queimavam o incenso no “Santo” do templo, pela manhã e a tarde:

   “Aarão queimará sobre o altar incenso aromático a cada manhã, quando preparar as lâmpadas; queimá-lo-á entre as duas tardes, quando acender as lâmpadas. Haverá desse modo incenso diante do Senhor perpetuamente nas gerações futuras” (Ex 30,7-8).

   “coube-lhe por sorte, segundo o costume em uso entre os sacerdotes, entra no santuário do Senhor e aí oferecer o perfume” (Lc 1,9).

   Eles cuidavam ainda dos pães da proposição (Lv 24,5-9; Mt 12,4).

   c) O Sumo-Sacerdote, a autoridade máxima do culto antigo. Aarão foi o primeiro Sumo-Sacerdote. Depois dele, os primogênitos dos seus descendentes em linha reta. O carga de Sumo-Sacerdote era, portanto, vitalício. Um pouco antes de Cristo, o Sumo-Sacerdote passou a ser nomeado por influência política.

   06. Quais eram as funções que só os Sumos-Sacerdotes podiam exercer?

   a) Oferecer o grande sacrifício da expiação.

   “Uma vez por ano, Aarão fará a expiação sobre os cornos do altar. Com o sangue da vítima pelo pecado, fará a expiação uma vez por ano, em todas as gerações futuras. Esse altar será uma coisa santíssima, consagrada ao Senhor” (Ex 30,10).

   b) Entrar no Santo dos Santos no templo.

   07, Que novo sacerdócio surgiu com a extinção do sacerdócio judaico?

   O sacerdócio judaico cessou com a instituição do verdadeiro Sacerdócio do Senhor Jesus Cristo, do qual era apenas a imagem.

   No Novo Testamento, isto é, nos dias da plenitude em que vivemos, o Senhor Jesus Cristo é o Sumo-Sacerdocio (Hb 5,1-10), Jesus é o único mediador, o eterno Sacerdote consagrado pela encarnação do Verbo.

   Jesus Cristo exerceu seu Sacerdócio:

   a) Na instituição da Eucaristia:

   “Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei a vós, que o Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue, tomou o pão e, dando graças, o partiu e disse: tomai e comei; isto é o meu corpo, que será entregue por vós; fazei isto em memória de mim. Igualmente também, depois de ter ceado, tomou o cálice, dizendo: este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto em memória de mim todas as vezes que o beberdes” (I Cor 11,23-25; Mt 26,26-29; Lc 22,15-20; Hb 9,22).

   b) O sacrifício da morte sobre a cruz:

   “que não tem necessidade como os outros sumo-sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro pelos pecados próprios, depois pelos do povo; pois isto o fez de uma só vez para sempre, oferecendo-se a si mesmo” (Hb 7,27; 9,12; 14,25s).

   c) Na expressão sacerdotal “fazei isto em memória de mim”;

   “Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e dedu-lo, dizendo: “Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim” (Lc 22,19; I Cor 11,24-25)”.

    O Senhor Jesus, Sumo-Sacerdote, estendendo a unção sacerdotal aos seus apóstolos, conferiu a eles o poder de oferecer o sacrifício da Santa Missa, visto que o sacerdote é ordenado para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados.

   “Em verdade, todo pontífice é escolhido entre os homens e constituído a favor dos homens como mediador das coisas que dizem respeito a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados” (Hb 5,1).

   Os apóstolos, uma vez revestidos da unção sacerdotal conferida pelo Senhor Jesus Cristo, ordenaram outros sacerdotes, para a continuação do Sacerdócio no campo temporal até a consumação dos séculos, a fim de que os méritos da paixão e morte de Cristo sejam estendidos a todos os homens.

   “Confirmavam as almas dos discípulos e exortavam-nos a perseverar na fé, dizendo que é necessário entrarmos no Reino de Deus por meio de muitas tribulações” (At 14,22).

   “Eu te deixei em Creta para acabares de organizar tudo e estabeleceres anciãos em cada cidade, de acordo com as normas que tracei” (Tt 1,5).

    Na verdade, o sacerdote é um ministro de Cristo, que representa Jesus junto ao povo. Pelo exercício do culto divino, ele apresenta os fiéis ao Deus Altíssimo, bondoso e misericordioso.

   “Que os homens nos considerem, pois, como simples operários de Cristo e administradores dos mistérios de Deus” (I Cor 4,1)

    08. Que dignidades deveram atribuir ao Sacerdote?

   O sacerdote é um ungido de Deus. Você pode até dizer que também é um ungido. Na verdade, você e todos nós que abrimos o coração para a graça e a verdade em Jesus Cristo (Jo 1,16-17), temos em nós as características da unção divina, visto que participamos dos ministérios, dons, virtudes e sacramentos.

    O sacerdote, no entanto, possui uma unção especial, o sacramento da Ordem. Por isso ele é superior a nós, comparável até mesmo aos anjos do Senhor.

   “Porque os lábios do sacerdote guardam a ciência e é de sua boca que se espera a doutrina, pois ele é o anjo do Senhor dos exércitos” (Ml 2,7).

   É importantíssimo observar a dignidade do sacerdote, principalmente no âmbito da Nova Aliança. Os sacerdotes da Antiga Aliança não dispunham das condições endógenas, aquelas que brotam do interior da alma e que os sacerdotes da Nova Aliança possuem por obra e condução amorosa do Espírito Santo. Com efeito, a graça santificante não habitava neles, de dentro para fora, pois o Espírito Santo só foi devolvido ao coração do homem nos dias da plenitude.

   Naquele tempo, normalmente, o profeta era possuído pelo Espírito Santo de Deus em virtude da unção divina, Por isso ele falava da parte de Deus, dando aos sacerdotes, segundo a vontade do Senhor, toda a ordenação e prática para o culto santo junto ao povo.

   Glória a Deus! Como somos diferentes dos sacerdotes da Antiga Aliança, pela plenificação do Espírito Santo, embora tenhamos, por isso mesmo, responsabilidades tão grandes! Pois, como eles viviam, não podemos viver agora. E como nós vivemos, eles não podiam viver, visto que não dispunham de condições interiores para tal.

               QUESTIONÁRIO PARA APROFUNDAMENTO ESPIRITUAL

    09. Jesus manda os apóstolos pregarem o Evangelho, a Boa Nova.

    -Evangelho de S. Marcos, Cap. 16, Ver4s l5.

   10. Jesus confiou aos apóstolos o poder de governar a Igreja.

   -Evangelho de S. Mateus – Cap.16, Vers. 19.

   11. Os apóstolos foram enviados pelo Senhor para ensinar e batizar.

   -Evangelho de S. Mateus – Cap. 28, Vers. 19-20.

   12. Jesus deu aos apóstolos o poder de, em seu nome celebrarem a Eucaristia.

   -Evangelho de S. Lucas – Cap. 22, Vers. 19.

   13. O Senhor Jesus transmitiu aos seus apóstolos o poder de perdoar.

   -Evangelho de S. João – Cap. 20, Vers. 23.

   14. O Sacerdócio dos apóstolos foi transmitido aos seus sucessores pela imposição das mãos.

   -II Epístola a Timóteo – Cap. 1, Vers. 6.

   15. Faça um resumo da exortação do apóstolo S. Pedro aos sacerdotes.

   -I Epístola de S. Pedro – Cap. 1, Vers. 1-4.

   16. Diga com suas palavras o que você acha do Sacerdócio ministerial.
  
   Observações


    João C. Porto



terça-feira, 7 de agosto de 2012

Os Setenários de Sto. Agostinho

Os Setenários

Santo Agostinho, ajustando os Dons de Santificação e as Súplicas do Pai Nosso ao Sermão da montanha, formou ao que entendemos os setenários de nossa perfeição em Cristo, Jesus:

Dons do Esp. Santo - Bem-aventuranças  -   Súplicas do Pai nosso

Temor de Deus -   Os pobres de espírito       Santificado teu nome
Piedade                    Os mansos                       Venha o teu reino
Ciência                    Os que choram                Faça-se tua vontade
Fortaleza                 Os esfomeados                 Dá-nos o pão cotidiano
Conselho                 Os misericordiosos          O perdão dos pecados
Entendimento         Os limpos de coração     Não caiamos em tentação
Sabedoria               Os filhos de Deus           Livrai-nos do mal