terça-feira, 19 de junho de 2012

Os Anjos de Deus


CURSO DA BÍBLIA SAGRADA

CBS  Nº  06

Os Anjos de Deus

01. Quem são os anjos do Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó? Do Deus dos santos profetas, do Deus Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo e nosso Pai?

São espíritos puros que atuam como mensageiros divinos. Mensageiros enviados por Deus, para:

                         - anunciar sua vontade;
                         - corrigir;
                         - punir;
                         - ensinar;
                         - repreender;
                         - consolar.

“Não são todos os anjos espíritos ao serviço de Deus, que lhes confia missões para o bem daqueles que devem herdar a salvação”? (Hb 1,14).

02. Qual a origem do vocábulo “anjo”?

No hebraico, existe a palavra Mal ãk e no grego a palavra Angelos, ambas significando mensageiro, enviado. Elas significam apenas a função do enviado, sem nada dizer sobre a origem, a natureza ou o caráter deles.

Já a palavra latina Angelus, de onde se originou a palavra portuguesa Anjo, tem sentido mais completo, significando enviado de Deus ou Mensageiro Divino. 

Como se pode ver, ela traduz não só a finalidade ou função do anjo mas, também, sua origem celestial. Na Vulgata, que é a versão latina da Bíblia, a palavra Angelus é empregada para se referir aos anjos, enquanto há outra palavra (Nuntius) para se referir a mensageiros humanos.

03. Para que foram criados os anjos?

Para bendizer, louvar, amar, adorar e servir a Deus, Criador de todas as coisas.

“Bendizei o Senhor vós todos os seus anjos, ministros de Deus, enviados para exercerem seu ministério em favor daqueles que hão de receber a herança da salvação” (Hb 1,14).
“Louvai o Senhor, vós que estais nos céus; louvai-O nas alturas. Louvai-O, vós, todos os seus anjos; louvai-O, vós, todas as potestades” (Sl 148,1-2).
“O Senhor teu Deus adorarás e a Ele só servirás” (Mt 4,10b).

São Paulo nos diz que os anjos são espíritos, ministros de Deus, enviados para exercerem seu ministério em favor daqueles que hão de receber a herança da salvação (Hb 1,14).

Os anjos têm, portanto, grande importância em nossas vidas, nós que somos Igreja viva do Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Assim, nós, que vivemos os tempos da plenitude, devemos fazer o estudo dos anjos sob quatro aspectos fundamentais, todos eles expressando o relacionamento dos anjos com Deus ou com as obras de Sua criação:

1. O relacionamento dos anjos com Deus;
2.  A hierarquia angelical;
3. Os anjos na vida terrestre do Senhor Jesus Cristo.
4. Os anjos na vida da Santa Igreja do Senhor.

1. Os anjos e seu relacionamento com Deus.

Quanto a este aspecto, existem quatro teorias.

1.1 – A teoria da Identidade.

O anjo se identifica com Deus. O anjo é igual a Javé, pois o Senhor, às vezes, se apresentava entre nós entre nós em forma de anjo.

Na visita dos três anjos a Abraão, em sua tenda, um dos três, aquele que não seguiu para Sodoma ao encontro de Lot, mas ficou dialogando com Abraão sobre a destruição de Sodoma e Gomorra, era o próprio Senhor. (Gn 18,22-33).

No sacrifício de Isaac, o anjo que dos céus chamou Abraão, dizendo-lhe que não tocasse no menino e que  não lhe fizesse nenhum mal, acrescentou: “... agora conheci que temes a Deus e não perdoaste o teu filho por amor de mim” (Gn 18,22-33). O anjo falou como se fora o próprio Deus.

Na sarça ardente, o Senhor apareceu a Moisés numa chama de fogo que saía do meio da sarça sem consumi-la. Dalí, o Senhor falou a Moisés, como em forma de serafim (Ex 3,2).

1.2. Teoria da Representação.

Nesta teoria, defendida por S. Agostinho, o anjo, distinto de Javé, representa Deus. O anjo é de fato um mensageiro, enviado de Deus, representante de Javé, tanto no poder e sabedoria como na ação e verdade de Sua palavra, sempre obediente ao anúncio da vontade do Altíssimo.

O Senhor enviou Seu anjo com a missão específica de acompanhar a frente de Moisés, para protegê-lo durante a caminhada e para introduzi-lo na terra que havia preparado para o Seu povo (Ex 23,20). Deus disse a Moisés: “Respeita-o, ouve a sua voz, e vê que não o desprezes; porque ele não te perdoará se pecares, e o meu nome está nele” (Ex 23,21).

1.3. Teoria do Logos.

Por essa teoria, o anjo do Senhor identifica-se com a sabedoria de Deus.

“Porém o anjo disse-lhes: não temais porque eis que vos anuncio uma boa-nova, que será de grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de Davi, um Salvador, que é o Cristo, o Senhor” (Lc 2,10-11).

1.4. Teoria da Interpolação.

Por essa teoria, o anjo do Senhor posiciona-se entre Deus e Sua criação, como mensageiro, pronto para executar o poder de Sua palavra, a voz de Suas ordens.

“O anjo do Senhor acampa em volta dos que o temem e os livrará” (Sl 33,8).
“Porque mandou aos seus anjos acerca de ti que te guardem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão em suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra” Sl 90,11).

Como se vê, todas essas teorias angelicais correspondem a ângulos da atividade celestial. No conjunto, o anjo é tudo isso, representando o Deus Altíssimo, preenchendo todas as atividades multiformes de Sua Divina Majestade. É como se fosse o próprio Deus, arauto de El Shadday, para consumar toda a vontade, sabedoria e poder do próprio Deus onipotente, Senhor de tudo.

Há de se considerar, no entanto, diferente e distinta a ação dos anjos em nosso favor, com relação à atividade do Espírito Santo. A ação deste, para nos santificar como complemento da ação salvadora de Cristo é superior e mais sublime.

2.  A Hierarquia Angelical.

Neste aspecto, julgamos mais coerente e de mais fácil assimilação adotar a divisão a seguir, apesar da existência de várias conotações. Muitos estudiosos preferem dividir os nove coros angelicais em apenas três hierarquias.

2.1 Anjos da Primeira Hierarquia.

2.1.1. Serafins – Corresponde à bondade de Deus. São abrasados de amor.

“Os serafins se mantinham junto dele. Cada um deles tinha seis asas; com um par (de asas) velavam a face; com outro cobriam os pés; e, com o terceiro, voavam. Suas vozes se revezavam e diziam: “Santo, santo, santo é o Senhor Deus do universo! “A terra inteira proclama a sua glória” (Is 6,2-3).

“Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã. Um dia em que conduzira o rebanho para além do deserto, chegou até a montanha de Deus, Horeb. O anjo do Senhor apareceu-lhe numa chama (que saía) do meio a uma sarça. Moisés olhava: a sarça ardia, mas não se consumia. “Vou me aproximar, disse ele consigo, para contemplar esse extraordinário espetáculo, e saber por que a sarça não se consome. Vendo o Senhor que ele se aproximou para ver, chamou-o do meio da sarça: “Moisés, Moisés!” – “Eis-me aqui!” respondeu ele. E Deus: Não te aproximes daqui, tira as sandálias dos teus pés, porque o lugar em que te encontras é uma terra santa. Eu sou, ajuntou ele, o Deus de teu Pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó”. Moisés escondeu o rosto e não ousava olhar para Deus” (Ex 3,1-6).

As serpentes ardentes também eram querubins!... (Nm 6,4-9; I Cor 10,9). 

2.1.2. Querubins – Correspondem à sabedoria de Deus. São conhecedores da ciência divina.

“E expulsou-o; e colocou ao oriente do jardim do Éden querubins armados de uma espada flamejante, para guardar o caminho da árvore da vida” (Gn 3,24).
“Ali virei ter contigo, e é de cima da tampa, do meio dos querubins que estão sobre a arca da aliança, que te darei todas as minhas ordens para os israelitas” (Ex 25,22).

2.1.3. Tronos – Correspondem à reverência. Iluminam os fiéis. Devemos invocar sua proteção.

“Nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as criaturas visíveis e as invisíveis. Tronos, Dominações, Principados, Potestades: tudo foi criado por ele e para ele” (Cl 1,16).
2.2. Anjos da Segunda Hierarquia.

2.2.1. Dominações – Correspondem ao poder de operar. Iluminam os missionários e professores na execução de suas tarefas. Os mestres e os missionários devem invocá-los a fim de adquirirem o poder necessário para a operação de seus ministérios.

“Nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as criaturas visíveis e as invisíveis. Tronos, Dominações, Principados, Potestades: tudo foi criado por ele e para ele” (Cl 1,16).
“acima de todo principado, potestade, virtude, dominação e de todo o nome que possa haver neste mundo como no futuro” (Ef 1,21).

2.2.2. Virtudes – Correspondem ao poder de executar. Têm a responsabilidade de vencerem todo o inimigo com sua força. Devemos recorrer às virtudes para vencer o poder do mal. As virtudes nos ajudam a ter virtudes.

“acima de todo principado, potestade, virtude, dominação e de todo o nome que possa haver neste mundo como no futuro” (Ef 1,21).

2.2.3. Potestades – Correspondem ao poder de expedir. Iluminam os sacerdotes, os que estão necessitando do poder de Deus. Os sacerdotes devem invocá-los constantemente. 

“acima de todo principado, potestade, virtude, dominação e de todo o nome que possa haver neste mundo como no futuro” (Ef 1,21).
“Nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as criaturas visíveis e as invisíveis. Tronos, Dominações, Principados, Potestades: tudo foi criado por ele e para ele” (Cl 1,16).

2.3. Anjos da Terceira Hierarquia.

2.3.1. Principados – Correspondem ao poder de reger. Segundo a piedade cristã, são eles que guardam a Igreja. São responsáveis pelas dioceses, as nações, países e estados. São eles que guardam o Santíssimo Sacramento e estão presentes durante a Missa.

“acima de todo principado, potestade, virtude, dominação e de todo o nome que possa haver neste mundo como no futuro” (Ef 1,21).
“Nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as criaturas visíveis e as invisíveis. Tronos, Dominações, Principados, Potestades: tudo foi criado por ele e para ele” (Cl 1,16).
“Pois estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades,” (Rm 8,38).

2.3.2. Arcanjos – São os anjos das grandes notícias. Anunciam a vontade de Deus. São também combatentes, vencedores das grandes batalhas.

“e ouviu uma voz humana vinda do meio de Ulai: Gabriel, gritava, explique-lhe a visão” (Dn 8,16).
“não havia terminado essa prece, quando se aproximou de mim, num relance (era a hora da oblação da noite), Gabriel, o ser que eu havia visto antes em visão” (Dn 9,21)
“Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1,28).
“Houve uma batalha no céu. Miguel e seus anjos tiveram de combater o Dragão. O Dragão e seus anjos travaram combate, mas não prevaleceram. E já não houve lugar no céu para eles. Foi então precipitado o grande Dragão, a primitiva Serpente, chamado Demônio e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Foi precipitado na terra, e com ele os seus anjos” (Ap 12,7-9).

Dos sete arcanjos só se conhecem o nome de três:

Gabriel (Força de Deus); Miguel (Quem é com Deus), Rafael (Cura de Deus e/ou Medicina de Deus).

2.3.3. Anjos – Mensageiros, ministros e criaturas de Deus. O papel do anjo da guarda é velar.

“Nas visões de meu espírito, quando no meu leito, vi também um santo vigilante que descia do céu” (Dn 4,10).

Obs.: ...um ser celestial!... Trata-se de um anjo.

Os anjos nos ajudam nos negócios temporais, protegem-nos dos perigos e nos cumulam de todos os bens.

“Ele levou-me e trouxe-me em boa saúde; foi receber o dinheiro de Gabael; fez-me ter uma mulher e afugentou dela o demônio; encheu de alegria os seus pais; livrou-me de ser devorado pelo peixe, e fez-te rever a luz do céu; enfim, ele cumulou-nos de toda a sorte de benefícios. Que presente poderia igualar a tudo isso?” (Tb 12,3).

Os anjos apresentam as nossas orações ao Deus dos Exércitos.

“Quando tu oravas com lágrimas e enterravas os mortos, quando deixavas a tua refeição e ias ocultar os mortos em tua casa durante o dia, para sepultá-los quando viesse a noite, eu apresentava as tuas orações ao Senhor” (Tb 12,12).

Os anjos afastam de nós as tentações do inimigo e as más sugestões do demônio.

“Nesse momento o anjo Rafael tomou o demônio e prendeu-o no deserto do Alto Egito” (Tb 8,3).

Os anjos do Senhor nos amparam no momento da morte, sobretudo os que lhes foram devotos. Eles nos introduzem no céu ou no purgatório.

É certamente por isso que São Boaventura nos exorta a que tenhamos reverência, agradecimento e amor para com os anjos do Deus Altíssimo.

3. Os anjos na Vida Terrestre de Jesus Cristo.

Desde a anunciação a Virgem Maria, passando pela rolagem da pedra do sepulcro onde o Senhor estava sepultado, até a ascensão aos céus, os anjos estiveram presentes na vida terrestre de Jesus.

“Eis que houve um violento tremor de terra: um anjo do Senhor desceu do céu, rolou a pedra e sentou-se sobre ela” (Mt 28,2).

“Enquanto o acompanhavam com os seus olhares, vendo-o afastar-se para o céu, eis que lhes apareceram dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: “Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu” (At 1,10-11).

Vejamos algumas dessas passagens:

O anjo Gabriel anunciou a Virgem Maria que ela fora escolhida para ser a Mãe do Filho de Deus        (Lc 1,26-27).

Um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, exortando-o a que recebesse Maria como esposa, visto que sua gravidez era obra do Espírito Santo (Mt 1,20).

Ainda em sonhos, o anjo do Senhor orienta José na sua fuga para o Egito, acompanhado de Maria e do Menino (Mt 2,13-19).

Depois da tentação do Senhor Jesus, no deserto, os anjos aproximaram-se DELE para servi-lo (Mt 4,11).

O anjo do Senhor confortou a Jesus na Sua agonia no Getsêmani (Luc 22,43).

Os anjos foram enviados por Deus no sepulcro do Senhor, para testemunhar Sua ressurreição (Jo 20,12).

4. Os anjos na Vida da Santa Igreja do Senhor.

Do dia de Pentecostes, quando nasceu a Igreja – o esplendor da glória de Deus – aos nossos dias, dias de tempos plenificados pela graça do Senhor Jesus Cristo, os santos anjos de Deus têm participado da ação do Espírito Santo sobre a Igreja e sobre nossos corações. Se não vejamos:

- Um anjo do Senhor abriu as grades da prisão, à noite, para libertar os que estavam presos por inveja da parte dos Saduceus (At. 5,19).

- Um anjo do Senhor visita Cornélio, instruindo-o a enviar mensageiro a Jope para chamar Simão Pedro, que se encontrava na casa de Simão, o curtidor, a fim de que Jesus, o Salvador lhe fosse anunciado (At. 10,3-6).

- Os anjos se alegram quando os pecadores se convertem (Lc 15,10).

- No fim do mundo, os anjos virão separar os maus dos justos (Mt 13,490.

- Os sacerdotes são anjos do Senhor, Deus dos Exércitos (Ml 2,7).

Na verdade, nós que vivemos segundo o espírito de Cristo somos Sua Igreja viva e nos aproximamos de grandes riquezas celestiais.

Aproximamo-nos:

- da cidade do Deus Vivo;
- da multidão de milhares de anjos;
- da Igreja dos primogênitos inscritos nos céus;
- do Deus, Juiz de todos;
- dos espíritos dos justos perfeitos;
- de Jesus, mediador da nova aliança;
- da aspersão daquele sangue que fala melhor que o de Abel. (Hb 12,22-26).

Pela excelência do nome de Deus, que está em seus filhos (Jó 1,6), nós, que acreditamos na comunhão dos santos, devemos aos anjos um culto de veneração chamado Dulia. Este culto é diferente do culto de hiperdulia (veneração maior), que tributamos a nossa Senhora. A Deus, único ser digno de adoração, prestamos um culto de latria (adoração exclusiva ao Deus Altíssimo, criador do céu e da terra e de tudo o que há neles).

QUESTIONÁRIO PARA APROFUNDAMENTO ESPIRITUAL

04. A quem Deus não perdoou, precipitando-os no abismo do inferno?
Segunda Epístola de S. Pedro – Cap. 2, Vers. 4.

05. Como são chamados os anjos de Deus na Bíblia Sagrada?
Livro de Jó – Cap. 1, Vers. 6 (Jó 1,6).

06. Como são conhecidos os anjos em sua atividade, segundo o exercício da vontade de Deus?
Salmos – Cap. 102, Vers. 20;
Evangelho de S. Mateus – Cap. 13, Vers. 49;
Evangelho de S. Mateus – Cap. 26, Vers. 53.

07. Que fazem os anjos de Deus em favor daqueles que o temem?
Salmos – Cap. 33, Vers. 8.
Salmos – Cap. 90, Vers. 11.

08. A quem Deus enviou seus anjos para proteger?
Gênesis – Cap. 16, Vers. 7.
Gênesis – Cap. 21, Vers. 17.
Gênesis – Cap. 22, Vers. 11.
Gênesis – Cap. 19, Vers.17.
Daniel – Cap. 3, Vers. 49.
Daniel – Cap. 6, Vers. 23.
Tobias – Cap. 5, Vers. 6-22.
Atos dos Apóstolos – Cap. 10, Vers. 19.
Atos dos Apóstolos – Cap. 12, Vers. 7.
Atos dos Apóstolos – Cap. 10, Vers. 3.
Evangelho de S. João – Cap. 5, Vers. 4.
Evangelho de S. Lucas – Cap. 16, Vers. 22. 

09. A quem Deus enviou seus anjos com mensagens especiais?

Evangelho de S. Lucas – Cap. 1, Vers. 11-13.

Evangelho de S. Lucas – Cap. 1, Vers. 26-27.

10. A quem o anjo do Senhor confortou na hora da angústia?

Evangelho de S. Lucas – Cap. 22, Vers. 43.

11. Os anjos desejaram conhecer o ministério do Evangelho?

Primeira Epístola de S. Pedro, Cap. 1, Vers. 12.

12. Na vontade do Senhor, quem convocará os homens para o julgamento?

Evangelho de S. Mateus – Cap. 24, Vers. 31.

1ª Epístola aos Tessalonicenses – Cap. 4, Vers. 16.

13. Embora não conhecendo o dia (Mt 24,36), os anjos virão com Cristo para o julgamento dos homens?

Evangelho de S. Mateus – Cap. 16, Vers. 27.

14. Temos um anjo, o Anjo da Guarda, especialmente para cuidar de nós?

Livro dos Salmos – Cap. 90, Vers. 11.

Evangelho de S. Mateus – Cap. 18, Vers. 10. 

15. Há anjos que não conservaram a graça, mas caíram do seu alto estado juntamente com Satanás.

Livro do Apocalipse – Cap. 12, Vers. 7.

16. Um mensageiro de Satã foi autorizado a infligir doenças físicas em S. Paulo de tal sorte que, como o justo Jó, sua virtude fosse provada.

2ª Epístola aos Coríntios – Cap. 12, Vers. 7-9.

Suas observações!...

João C. Porto

quarta-feira, 13 de junho de 2012

D E U S


CURSO DA BLÍBLIA SAGRADA

CBS    02

DEUS

01. Quem é Deus?

Cremos que a resposta mais apropriada seja simplesmente:
“ É “
Um “ É ” do tamanho de nossa imaginação, relativamente, à grandeza de Deus:

DEUS “ É “.

O catecismo sempre nos ensinou que Deus é um espírito perfeitíssimo e eterno, criador do céu e da terra.
É uma idéia, um conceito muito bom, porque realmente Ele criou todas as coisas. Criou o céu, a terra, e tudo o que neles há.
Assim como no princípio, antes da criação, seu Espírito Santo pairava sobre as águas:

“No princípio Deus criou os céus e a terra. A terra estava informe e vazia; as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas” (Gn 1,1-2).

Assim, também, nestes dias do seu Reino de justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14,17; I Cor 4,20), que o Senhor Jesus Cristo nos trouxe, sua graça repousa sobre os corações queridos de Deus. (Rm 1,7). É o Espírito da Verdade para quem deseja ser verdadeiro.

“Jesus dizia aos judeus que nele creram: “Se permanecerdes na minha palavra, sereis meus verdadeiros discípulos; conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8,31-32.36).

Para a criação foi Deus que disse o faça-se de Sua eternidade criadora. No Fiat  de Deus, que representa Seu desejo de amor eterno para conosco, e que, a exemplo de nossa Mãe, Maria Santíssima, damos o nosso sim. Sem ele nada acontecerá no nosso coração, na nossa alma e/ou na nossa vida de conversão.

Ora, o homem só pode conceituar Deus dentro de suas próprias limitações em relação a Ele, ou de acordo com Suas manifestações divinas, ou ainda pelas reações inteligentes e cognitivas da própria criatura diante do Criador absoluto.

“Tende sempre confiança no Senhor, porque o Senhor é o rochedo perene” (Is 26,4).
“O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem temerei? O Senhor é o protetor de minha vida, de quem terei medo?” (Sl 26,1).
 “O Senhor é meu pastor, nada me faltará” (Sl 22,1).
“Ainda que meu coração e minha carne venham a desfalecer, a rocha de meu coração e minha herança eterna é Deus” (Sl 72,26).

Assim, através dos tempos, na medida em que se relacionava com Deus, o homem dava-lhe nomes, de acordo com Suas revelações e em analogia com os elementos existentes na natureza. Assim, através desses nomes, o homem expressava o poder e as qualidades do seu Deus. Deus era então chamado de Luz, de Rocha, Fogo etc., sempre conforme a expressão dos seus sentimentos em relação ao Divino. Os homens apoderavam-se, assim, de algo próprio de sua cultura épica que pudesse indicar o Ser Forte e poderoso que tudo criou que pudesse expressar os atributos e qualidades por eles sentidos a partir do relacionamento com seu próprio Deus.
Surgiram, assim, vários nomes para Deus, os mais antigos dos quais vieram, principalmente, dos povos semitas. São nomes que expressam de forma viva a experiência daquela gente com o Criador. Destes nomes, vindo dos povos mais distantes, os de mais difícil compreensão são os nomes próprios por eles atribuídos a Deus.

Hoje, conhecemos os sete nomes de Deus, ou os nomes sagrados de Deus. Três deles expressam o Seu relacionamento com a criação; outros três referem-se a Sua perfeição, e um apenas reflete sua divindade manifestada. Entre os semitas, El é a mais antiga designação de Deus.

02. Quais são os três primeiros nomes de Deus?

Os três primeiros nomes de Deus, os quais expressam Sua relação com a criação são os seguintes:

1. El, que significa Ser Forte.

De origem semita, aparece de formas várias acompanhado do artigo ( O El ) ou acompanhado de outra palavra que designe alguns dos atributos de Deus:

    El Hay = Deus vivo
                     El Hashamaim = Deus do Céu
                  El Elohim = Deus dos Deus

2. Elohim ( plural ) ou Eloah ( singular ), que significa Deus Criador.

Aparece combinado com outras designações:

            Elohim Sabaoth =  Deus dos Exércitos.
            Elohim = Deus de Abraão, de Isaac e Jacó. 

3. Adonai, que significa Meu Senhor.

É talvez o mais importante nome entre estes três primeiros. É derivado de Dn  =  julgar, condenar.

03. Quais são os outros três nomes de Deus?

Os três nomes seguintes, que expressam os mais importantes aspectos da perfeição divina, são:

4. Shadday, que significa Ser violento ou empregar a força, expressão que traduz a idéia de poderoso ou onipotente. Daí:

El  Shadday  =  Deus onipotente ou poderoso.

5. Elyon, derivado de um verbo que significa subir, e traduzido por Altíssimo.

6. Qadosh, que significa Santo.

Aparece de preferência nos profetas, de forma especial em Isaías, e designa a santidade e pureza de Deus.

04. Qual é, finalmente, o sétimo nome de Deus?

7. O nome que expressa à essência divina de Deus, portanto o mais importante nome de Deus é:

YHWH ( pronuncia-se Javé ).

Com o advento da vogal no hebraico, a grafia passou a YAHWE, que evidencia mais ainda o nome Javé. Yahwe deriva-se do verbo ser, por isso que tem o sentido de aquele que é ( Ex 3,14 ). 

05. Como Deus é chamado por nós, que vivemos o Reino dos Céus em Cristo, Jesus?

a) Jesus Cristo nos diz que Deus é Espírito e quer ser adorado em espírito e verdade.

“Deus é espírito, e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade” (Jo 4,24).

b) Deus é amor e quer que O conheçamos para vivermos no seu amor.

“Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor” (I Jo 4,8).
“Nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem para conosco. Deus é amor, e quem                   permanece no amor permanece em Deus e Deus nele” (I Jo 4,16).    

c) Deus é misericordioso, por isso não desampara os seus filhos.

“Porque o Senhor é um Deus misericordioso, e ele não te quer abandonar nem te extinguir, e não se esquecerá da aliança que jurou aos teus pais”           (Dt 4,31).

d) Deus é o Rei de toda a terra.

“Porque Deus é o Rei do universo, entoai-lhe, pois, um hino”! (Sl 46,8).

e) Ele é o Deus Salvador.

“Bendito seja o Senhor todos os dias. Deus, nossa salvação, leva nossos fardos: nosso Deus é um Deus que salva, da morte nos livra o Senhor Deus” (Sl 67,20-21). 

f) Deus é salvador e fora dele não há outro.

“Sou eu, sou eu o Senhor, não há outro salvador a não ser eu” (Is 43,11).

g) Deus é verdadeiro.

“Aquele que recebe o seu testemunho confirma que Deus é verdadeiro” (Jo 3,33).

h) Deus é fiel.

“Deus é fiel, por quem fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor” (I Cor 1,9).
“Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela” (I Cor 10,13).

i) Deus é luz.

“A nova que dele temos ouvido e vos anunciamos é esta: Deus é luz e nele não há treva alguma” (I Jo 1,5).

j) Deus é bom.

“Provai e vede como o Senhor é bom. Feliz o homem que se refugia junto dele” (Sl 33,9).

l) Deus é bom e sua misericórdia é eterna.

“Daí graças ao Senhor porque ele é bom, eterna é sua misericórdia” (Sl 117,29).

06. Como Jesus Cristo nos ensina a chamar Deus?

O Senhor Jesus Cristo nos ensina a chamar Deus de Pai.

“E a ninguém chameis de Pai sobre a terra, porque um só é vosso Pai, aquele que está nos céus”           (Mt 23,9).

O Salmista nos ensina que Deus é Pai e autor da salvação.

Ele me invocará: “Vós sois meu Pai, vós sois meu Deus e meu rochedo protetor” (Sl 88,27).

O profeta Isaías, referindo-se a Jesus Cristo, nos diz que Deus é admirável, conselheiro, Deus forte, Pai da eternidade e príncipe da paz (Is 9,6).

Pai, Pai nosso!... É a forma mais significativa e de carinho filial com que o Senhor Jesus nos ensina a chamar o Senhor, nosso Deus. Ele não é apenas Pai, como o único Pai para nós. Ele o é também nas pessoas do Filho e do Espírito Santo. Como se poderia dizer: são três pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo) em um só Deus. Três pais em um só e único Pai, que é Deus.

“Ide, pois, ensinai todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19).
“Vós sois minhas testemunhas, diz o Senhor, e meus servos que eu escolhi, a fim de que se reconheça e que me acreditem e que se compreenda que sou eu. Nenhum deus foi formado antes de mim, e não haverá outro depois de mim” (Is 43,10).

Poderíamos, então, esquematizar

                        Pai                 - Vontade, bondade.
DEUS             Filho               - Sabedoria, graça.                 
                       Espírito Santo - Atividade, amor.

São Paulo nos exorta, dizendo que recebemos o Espírito da adoção filial, pelo qual clamamos, pronunciando: Aba! (ai, Papai, Paizinho)

07. Por que Deus é amor?

Porque na sua perfeição e santidade, tem em si a característica trina; o único meio de comunicar os sentimentos através da palavra, na qual o seu poder se revela em unidade de vida eterna.

Assim, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são vontade, sabedoria e amor; pois, o exercício do amor se reflete em toda a criação.

Desse modo, Suas graças pessoais, Seus Dons, virtudes e qualidades eternas, para efeito didático, posicionam-se no âmbito íntimo e profundo do nosso entendimento, da forma como se vê abaixo:

a) O Pai corresponde à verdade eterna, ao amor que é, também, do Filho e do Espírito Santo que os une permanentemente.

b) O Filho corresponde à sabedoria (Eclo 1,5), a graça, a benevolência e a amizade de Deus.

c) O Espírito Santo corresponde à unidade no amor do Pai e do Filho; o próprio amor de Deus que excede todo entendimento, para que sejamos cheios da plenitude de Deus.

Pode, por isso, dizer, também, que no Pai está a vontade universal, no Filho, a sabedoria de Deus, e no Espírito Santo, a Sua atividade criadora e santificadora de todas as coisas.

08. Por que temos Deus por nosso Pai?

Porque sentimos e percebemos que Ele tem tudo. È como pai para sua criança: segurando em Suas mãos, nós nos sentimos seguros. Ele pode tudo, criou-nos por amor, ama-nos com amor eterno (Jr 31,3) e nos acolhe com bondade e profunda misericórdia. 

Ele faz tudo isso de um jeitinho melhor que qualquer pai aqui da terra, mesmo que esse estivesse revestido da bondade de Deus.
“Provai e vede como o Senhor é bom. Feliz o homem que se refugia junto dele” (Sl 33,9).
Ora, o próprio Senhor Jesus Cristo nos ensina, dizendo: “Um só é vosso Pai que está no Céu” (Mt 23,9).

Por isso, acreditamos em um só Deus que se manifesta em três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo.

09. Em que oportunidade nós observamos, concomitantemente, a manifestação das três pessoas da Santíssima Trindade?

No batismo de Jesus Cristo, às margens do rio Jordão. Ali, Jesus, (o Filho) era batizado, o Espírito Santo desceu sobre Ele, em forma corpórea de pomba, e o Pai falava dos céus, dizendo: “Este é o meu Filho muito amado em quem ponho todas as minhas complacências” (Mt 3,16-17).

10. O que mais se pode dizer sobre Deus?

Deus é ainda revelação. Ele se revela através da palavra, da oração e dos dons do Espírito Santo.

“As coisas invisíveis DELE, depois da criação do mundo, compreendendo-se pelas coisas feitas, tornaram-se visíveis, e, assim, o Seu poder eterno e a Sua divindade, de modo que ninguém pode se desculpar” (Rm 1.20).

“Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas. Ultimamente nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas” (Hb 1,1-2). 

Então, Deus é tudo para nós! Certamente, foi sentindo essa grandeza do amor de Deus para conosco e a veracidade de suas riquíssimas promessas que São Vicente nos exorta a obra do amor de Deus, quando diz: “Felizes os que dedicam o tempo breve de sua vida ao amor e a justiça”.

QUESTIONÁRIO PARA APROFUNDAMENTO ESPITITUAL

11. Como Deus é chamado de acordo com as citações abaixo?

        a) Atos dos apóstolos – Cap. 14, Vers. 15.

        b) Evangelho de S. João – Cap. 17, Vers. 3.

        c) Evangelho de S. Mateus – Cap. 28, Vers. 19.

12. Como Criador, Salvador e Santificador, quais são as características de Deus?  

       a) Evangelho de S. Lucas – Cap. 6, Vers. 36.

       b) Primeira Epístola de S. Pedro – Cap. 1, Vers. 15-16.

         c) Primeira Epístola de S. João – Cap. 1, Vers. 5.

        d) Primeira Epístola de S. João – Cap. 4, Vers. 8.

13. O que Deus fez?

       Atos dos Apóstolos – Cap. 14, Vers. 15.

14. Onde a gente ver o poder eterno de Deus?

      Epístola aos Romanos – Cap. 1, Vers. 20 

15. O que é que Deus dá a todos os homens?

      Atos dos Apóstolos – Cap. 17, Vers. 25.

16. Como Deus falou outrora e nos últimos tempos?
      a) Epístola aos Hebreus – Cap. 1, Vers. 1.

      b) Epístola aos Hebreus – Cap. 1, Vers. 2.

17. Deus é amor! Em que consiste o amor de Deus?

      Primeira Epístola de S. João – Cap. 4, Vers.10.

18. Deus é eterno! Qual é o Dom supremo de Deus?

      Evangelho de S. João – Cap. 3, Vers. 16.

19. Quem é aquele que Deus, por amor a nós, não poupou?

      Epístola aos Romanos – Cap. 8, Vers. 32.

20. Qual é o único caminho que nos leva a Deus?

      Evangelho de S. João – Cap. 14, Vers. 6.

21. Latria é  adoração a Deus. Nesse culto, como Deus quer ser        adorado por todos?
    
       Evangelho de S. João – Cap. 4, Vers. 24.

22. A Deus tudo é possível  (Lc 1,37)!    O que é impossível aos homens, mas é possível a Deus?

     Evangelho de S. Marcos – Cap. 10, Vers.26-27

23. Dizemos que somos Filhos de Deus! Mas como é que nos tornaremos filhos de Deus?

     Epístola aos Gálatas – Cap. 3, Vers. 26.

24. Diga com suas palavras quem é Deus para você!...

João C. Porto