domingo, 10 de junho de 2012

A Face da Bondade de Deus



Eu vi a face da bondade de Deus!... Por isso, agora, atrevo-me escrever sobre um assunto muito íntimo: a visão dos corações apaixonados de Deus; quando, num instante especial e divino, Deus se vê através dos olhos dos corações de seus filhos e filhas amados.
O que me veio ao coração para explicar esse momento especial da visão infusa dos corações adquiridos por Deus? Certamente, quando, de forma incondicional,  colocamos total confiança no Altíssimo, El Shadday, Aquele que É Senhor Javé!
 Assim, pois, reporto-me ao instante divino da criação do primeiro homem sobre a face da terra, como o sofrido Jó tão bem retratou com estas palavras: “O Espírito de Deus me criou, e o sopro do Todo-poderoso me deu a vida”     (Jó 33,4).
Ali, tendo Deus, com suas próprias mãos, modelado o primeiro homem do barro da terra (At 17,26-28) – não do ouro, da prata, do diamante ou qualquer outra pedra preciosa - e, soprando em suas narinas para que a obra-prima de suas mãos se tornasse alma vivente, viu-se dentro dele; pois, acabara de edificar o templo vivo de sua morada sobre a terra. (Ef 2,19-22)
Vejamos o que o Senhor Jesus nos fala: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada” (Jo 14,23).
Foi assim com o primeiro Adão, e aprouve a Deus Pai renovar sua aliança, em definitivo, através do segundo Adão, Jesus Cristo, seu Filho amado, em quem pôs todas as suas complacências. (Mt 3,17).
 Sabemos que Deus é bom e que sua misericórdia é eterna! O Salmista nos diz: “Provai e vede como o Senhor é bom. Feliz é o homem que se refugia junto dele” (Sl 33,9).
Ora, “Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor” (I Jo 4,8). De coração, já nos deparamos com uma verdade inconteste: O amor é fruto do conhecimento da verdade integral (Jo 16,13).
Então, Deus é a bondade infinita, e, como ele está em todo o lugar, até mesmo de nossos corações, contempla os bons e os maus          (Pr 15,3). Na verdade, nada se oculta ao seu divino olhar!...
Assim, o Espírito Santo pereniza a visão beatífica da bondade da face de Deus nos corações daqueles que lhe são íntimos, na palavra da verdade (Dt 11,18), na justiça, na misericórdia, na fidelidade (Mt 23,23b), na vida de oração (Lc 18,1), na Eucaristia do pão místico do banquete divino (Jo 6,51; Ap 3,20), na Igreja Católica, cujo Papa atual é Bento XVI e, principalmente, nos momentos especiais em que a face de sua bondade misericordiosa se revela aos corações  que, ainda, aqui, sobre a  terra, são templos vivos da habitação da Trindade Santíssima. (I Cor 3,16; 6,19-20)
Não é verdade que o Espírito Divino, pelo constante influxo de seus Dons, regenera e renova o espírito, a alma e todo o ser mais íntimo e profundo de seus filhos e filhas, pelo pentecostes pessoal e constante em seus corações, inserindo-nos no Cristo total?
Assim, pela graça que nos salva mediante a fé em Cristo, Jesus, há um pentecostes pessoal, íntimo, afável, misericordioso e indizível, um ascese de intimidade devocional entre o Senhor e irmãos que vivem da fé. (Hab 2,4; Rm 1,17).
Desse modo, estamos revestidos da natureza divina, e, sobretudo, pela participação do pão místico do banque celestial, tornando-nos, por liberalidade de Deus, concorporeos com Cristo, o Senhor de nossas vidas.
 ”Nele, também, vós, depois de terdes ouvido a palavra da verdade, o Evangelho da vossa salvação e tendo crido nele, fostes selados com o selo do Espírito Santo que, outrora, fora prometido” (Ef 1,13). Esse selo é a própria face da bondade de Deus; assim como a caridade em nossos corações é a face do próprio Espírito Santo em nós. Por isso, acreditamos o porquê São Paulo nos adverte, dizendo: “não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da vossa redenção. (Ef 4,30).
Este selo é a marca indelével da face da bondade de Deus!...
 Desse modo, quando, em vezes consoladoras, se olha para os irmãos em Cristo, com o olhar engraçados de sua graça, o coração, sob o influxo amoroso do Espírito Santo, vê coisas que não vemos, porque é o próprio Deus que vê tudo em nós, quando nos movemos pelo caminho da porta estreita (Mt 7,14). Por isso, ele nos instrui e nos ensina todas as coisas, fitando em nós seus próprios olhos (Sl 31,8); como ele mesmo nos falou, para a consolação em toda viva esperança, relativamente à herança reservada aos santos (Tt 3,4-7). E disse mais: “quem vos toca, toca a menina dos meus olhos” (Zc 2,12 = Vulgata 2,8).
Outrossim, algumas vezes, até mesmo na “Igreja Uma, Santa, Católica e Apostólica (Calcedônia, 451)”, quando se olha para os irmãos e irmãs em Cristo, com os olhos do coração engraçado de Deus, ver-se no rosto dos amados do Senhor a face da bondade de Deus, como luz tênue que por ser mesmo assim tão singela, alcança os olhos dos corações, para verem alí, contemplando a bondade divina, como Deus se nos apresenta com a face de sua bondade, do jeito que ele o é em cada um de seus filhos e filhos queridos, da unidade do seu coração em Cristo, Jesus, com olhar de simplicidade.
Poderia afirmar, exclusivamente, para glória e louvor de Deus, nosso Pai amado, que já experimentei, também, essa graça, na face daquela que convive e partilha comigo, na mansidão e humildade do Senhor Jesus Cristo, minha esposa, Zuleica.
Mas agora, o motivo pelo qual estou escrevendo este testemunho, sob o influxo da luz do Santo Espírito, é outro.
Há quatro dias pretéritos, pela madrugada, acordei e desmaiei com disritmia cardíaca e, por isso, fui parar na UTI do Prontocárdio. Após dois dias, já restabelecido, no quarto hospitalar, recebemos, no horário da noite, a agradável visita de Zilete Porto Caminha, cunhada, irmã de Zuleica.
Enquanto conversávamos, pude ver em seu rosto a face da bondade de Deus. Essa face inexplicável, que às vezes transparece em brilho de luz inacessível, através dos Dons do Espírito Santo que se nos move o coração, e que faz parte das coisas simples de ubiqüidade da presença sublime do Senhor em nossos ser, a casa que habitamos aqui sobre a terra..  


João C. Porto

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Amor a Deus


Divina Sabedoria
DS  Nº  14
(A Palavra de Deus)

Amar a Deus

Amo a Deus, meu Pai, porque é amor e por amor me criou para a imortalidade, segundo a sua imagem e semelhança (Sb 2,23).

Deus me amou primeiro! A terra nem existia e ele já me amava; a humanidade inteira estava em seus desígnios. Desde a eternidade ele me concebeu, e antes das coisas mais antigas (Pr 8,22-23), eu, igualmente a todos, já estava em repouso no berço da luz inacessível (I Tm 6,16). Quando lhe aprouve estabelecer os seus desígnios, no momento em que as águas brotaram das fontes, eis que, pelo seu Espírito, soprou nas narinas de sua obra-prima e a transformou em alma vivente; olhou-a e viu-se no seio do barro, antes inerte, agora com vida e movimento; viu-se dentro do homem, sua imagem viva e perfeita sobre a terra, o templo vivo do ideal divino, o trono de sua morada no universo inteiro.

Coitado de mim!... É impossível não amar a Deus Pai que nos criou... É impossível não amar o Filho de Deus, nosso único Senhor Jesus Cristo, que na cruz do calvário nos perdoou todos os pecados e nos reconciliou com o Pai Eterno e, pelo beneplácito divino, colocou o Espírito Santo mais uma vez dentro de nós; agora, em definitivo, como escolha predileta dos corações apaixonados da Verdade Eterna. Sim, é impossível não amar o amor do Amor, o próprio amor do Pai e do Filho, o Espírito de Deus, o Paráclito que nos ensina todas as coisas; que nos foi dado por Deus, para que conheçamos todas as coisas que por Deus nos foram dadas (I Cor 2,12), e para recordar-nos tudo que, outrora, o Senhor Jesus nos falou; o Deus todo-poderoso!... Deus de Abraão, de Isaac e Jacó; Deus de Israel; que nos ama tanto que se nos declara “a menina de seus olhos”. (Zc 2,8 = Vulgata e 2,12 = Ave-Maria).

Amo a Deus, meu Pai, porque foi ele que me amou primeiro!... E porque me criou para a imortalidade (Sb 2,23) e me fez a sua imagem e semelhança.

Amo o meu Senhor Jesus Cristo, que me salvou da morte do pecado e me reconciliou com Deus meu Pai.

“De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo. A lei do Espírito de Vida me libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte” (Rm 8,1-2).

Amo o Espírito Santo – hóspede e consolador de minha alma – que me santifica por inteiro: a alma, o espírito, o  corpo e todo o meu ser, principalmente, no mais íntimo e profundo, no núcleo central da vida, o coração, local onde as vestes alvejadas e embranquecidas no sangue do Cordeiro resplandecem mais sob o esplendor da luz inacessível da morada divina. (Ap 7,14).

“Não sabeis que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (I Cor 3,16).

“Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo” (I Cor 6,19-20).

Ouço em meu coração a recordação de um “terço”, do qual só me chega à mente a lembrança destas três expressões:
“Creio em vós, Senhor, que sois a Verdade Eterna!...”

“Espero em vós, Senhor, que sois a Fidelidade Suprema!...”

“Amo-vos, Senhor, que sois a Bondade Infinita!...”

- Verdade Eterna
- Fidelidade Suprema
- Bondade Infinita

Estas expressões refletem a Trindade Santíssima em nossos corações, com justiça, paz e alegria do Espírito Santo, Reino de Deus que nos modela em homens novos criados por Deus, na verdadeira justiça e santidade. (Ef 4,24).

Assim, pela Verdade Eterna, Deus é Justiça e Santidade; pela Fidelidade Suprema, Deus é a viva esperança de nossos corações. (Tt 3,7) e pela Bondade Infinita Deus é a Divina Misericórdia. (Tt 3,5-6).

Finalmente, que disse o Senhor Jesus aos escribas e fariseus?

“Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Eis o que era preciso praticar em primeiro lugar sem, contudo deixar o restante” (Mt 23,23).

“Ai de mim, que sou um homem pecador!...” (Profeta Isaías)."

João C. Porto

domingo, 20 de maio de 2012

O Tesouro do Coração é o Senhor Jesus Cristo


Divina Sabedoria
DS    13
(A Palavra de Deus)

O Tesouro do Coração é Jesus

No fundo do quintal de nossa casa, Zuleica, minha senhora, e eu, construímos um quarto de alvenaria, com bom espaço, para despejarmos as coisas que, no momento, não eram utilizáveis.

De vez em quando, supervisionávamos uma vistoria no referido quarto, e, lançávamos no lixo tudo quanto não mais nos interessava.  

 Certo dia, mais recente, eu mesmo fiz uma visita um pouco demorada, ao quarto de despejos!... E, refletindo, intuiu-me no íntimo mais profundo do meu coração, uma pergunta: “Por que o quarto de despejos continua sempre mais cheio?”

“Não seria assim o teu coração!?”

Não seria necessário dizer que chorei!... Mas, que me enxugaram  as lágrimas (Ap 21,4a) sob a luz que me iluminava a alma, o fogo que me aquecia o coração e a unção da graça que  restaura às coisas santas.

Então, pude meditar duas expressões de São Paulo apóstolo e a maravilhosa sabedoria de Sto. Tomás de Aquino:

“Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para reconheçais qual é a vontade de Deus, boa, agradável e perfeita” (Rm 12,2 – Vulgata).

“Renovai-vos, pois, no espírito do vosso entendimento, e revesti-vos do homem novo, criado segundo Deus na justiça e na santidade verdadeira” (Ef 4,23-24).

“Ninguém pode chegar à herança daquela terra dos bem-aventurados, se não for movido e guiado pelo Espírito Santo” (Sto. Tomás de Aquino).

João C. Porto

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Santificação de Nossa Alma


Divina Sabedoria
DS    12
(A Palavra de Deus)

Santificação de Nossa Alma

É importante saber:

Então Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (Gn 1,26a), como o Senhor Jesus falou à samaritana: “Deus é Espírito” (Jo 4,24).

Assim, o espírito do homem é a “imagem viva e perfeita” do Criador; enquanto a nossa alma é o “coração”, em sua estrutrua de santidade.

Deus disse: “Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará todas as minhas vontades” (At. 13,22).

“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8).

“Procurai a paz com todos e a santidade, sem a qual ninguém pode ver da Deus” (Hb 12,14).

“Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro” (Ap 7,14b).

Obs.: Imagem de Deus = Espírito do homem.

“Deus criou o homem para a imortalidade, e o fez à sua imagem e semelhança” (Sb 2,23)

Semelhança de Deus: A alma santa.
Não é verdade que o Senhor Jesus Cristo veio ao mundo para libertar o homem (o eu) da alma pecadora?

Jesus dizia aos judeus que nele creram: “Se permanecerdes na minha palavra, sereis meus verdadeiros discípulos; conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8,31-32).

“Se, pois, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres” (Jo 8,36).

Ora, o Senhor Jesus Cristo, no sacrifício do Calvário, perdoou-nos os pecados e reconciliou-nos com Deus, nosso Pai; a fim de que, regenerados e renovados pelo batismo do Espírito Santo (Tt 3,5), quando de nossa libertação material, subamos a presença do Senhor, revestidos da alma de santidade, sem a qual ninguém poderá ver a Deus. (Mt 5,8; Hb 12,14)

Por isso, o Senhor, nosso Deus, nos diz: “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou Santo” (Lv 19,2)

“Vós sereis para mim um reino sacerdotal e um povo santo” (Ex 19,6).

“A exemplo da santidade daquele que vos chamou sede também vós santos em todas as vossas ações, pois está escrito: “Sereis santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (I Pd 1,15; Lv 19,2).

Como o Espírito Santo nos santifica, santificando nossa alma através dos Dons infusos; isto é, Dons de santificação do Espírito Santo. (Is 11,1-2)

Na verdade, o próprio Espírito Santo infunde seus Dons em nós, fixando-os no núcleo mais íntimo e profundo do nosso ser, no núcleo central da vida, em nosso coração, como ferramentas próprias de suas inspirações, revelações e moções santificadoras de todo o nosso ser. É obra exclusiva de sua propriedade; somente Ele pode realizá-la. Apenas, nós a desejamos e a assentimos em o nome glorioso do Senhor Jesus Cristo, nossa salvação, ressurreição e glória.

Ora, o doce hóspede de nossa alma, o Espírito Santificador, desperta em nós, a partir da palavra de nossa salvação: a fé, a esperança e a caridade do amor do Pai e do Filho, as virtudes de suas perfeições divinas.

“Logo, a fé provém da pregação e a pregação se exerce em razão da palavra de Cristo” (Rm 10,17).

“A esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5).

“Mas acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição” (Cl 3,14).

Assim, pois, o homem renasce da água e do Espírito (Jo 3,5) para a vida nova do Reino de justiça, de paz e alegria do Espírito Santo (Rm 14,17), pela renovação da mente, como homem novo criado por Deus, na verdadeira justiça e santidade. (Ef 4,23-24).

Quando cremos em Deus e vivemos de fé para fé na palavra de Deus, que está no coração e na alma, o Espírito Santo, livremente, toma posse de todo o nosso ser e, através dos dons e das virtudes, principia o aperfeiçoamento dos filhos e filhas de Deus, a partir de nossas potências interiores, as faculdades do nosso espírito, a saber:

- Inteligência
- Vontade
- Memória
- Imaginação
- Afetividades

Ora, essa batalha é árdua, porque sob o influxo de nossas faculdades temos os sentidos e/ou as concupiscências, como nos fala o apóstolo João em sua carta:

“Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo – a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida – não procedem do Pai, mas do mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente” (I Jo 2,15-17).

Os sentidos, geradores das concupiscências:

- Visão
- Audição
- Olfato
- Paladar
- Tato

Ora, com os Dons de santificação e suas respectivas virtudes, o Espírito Santo, que recebemos no batismo da Igreja e habita em nós (I Cor 3,16; 6,19-20), com nossa aquiescência, opera profundamente em nós, para nos santificar em todas as áreas de nossas faculdades espirituais.

Para nossa santificação, o Dom do entendimento, que corresponde à inteligência sobrenatural, é a porta que o Espírito Santo nos abre para que sejamos santificados, também, através dos demais Dons, a fim de que possamos compreender o que Deus nos fala relativamente no íntimo do profundo das verdades reveladas, em sua singeleza e santidade das coisas divinas – Intelegere – para a regeneração, renovação e santificação de nossa alma, a partir de nossas faculdades espirituais.

Assim, para a santificação da área de nossa inteligência, o Espírito Santo dispõe de três Dons.

- O Dom da Sabedoria, que julga das coisas divinas;

- O Dom da Ciência, que julga das criaturas;

- O Dom do Conselho, que regula e dispõe nossos atos.

Para santificação da área de nossa vontade, o Espírito Santo dispõe de um Dom:

O Dom da Piedade, que objetiva regular e dispor nossas relações com os demais, conforme nos ensina Dom Luiz M. Martinez

E, finalmente, para reestruturar e santificar a área inferior do nosso ser (memória, imaginação e afetividade), o Espírito Santo dispõe dois Dons:

- O Dom de Fortaleza para tirar-nos o temor do perigo, revestindo-nos de ânimo e coragem para vencer todo o mal.

- O Dom do Temor de Deus, para moderar os ímpetos desordenados da nossa concupiscência, conforme nos ensina o Santo Doutor, acima citado.

João C. Porto

domingo, 15 de abril de 2012

Divina Sabedoria

Divina Sabedoria
DS Nº 11
(A Palavra de Deus)
Por ocasião de nosso batismo, o Espírito Santo infundiu em nossos corações os Dons de santificação de nossa alma; também, chamados de Dons infusos, visto que os fixou em nosso interior mais íntimo e profundo, no coração, objetivando santificar-nos a partir de nossas faculdades espirituais.
Quais são as faculdades do nosso espírito?
- Inteligência e/ou entendimento natural
- Vontade
- Memória
- Imaginação
- Afetividades
A inteligência e a vontade são chamadas de faculdades superiores porque, pela inteligência penetramos no seio das coisas e/ou situações, ainda que difíceis e adversas, procurando compreendê-las e discerni-las e, pela vontade, decidimos o que fazer diante das adversidades da vida, segundo o reto juízo.
“Não julgueis pela aparência, mas julgai conforme a justiça” (Jo 7,24)
As demais faculdades do nosso espírito, memória, imaginação e afetividade, gostaria de chamá-las de auxiliares no contexto da vida. A memória por ser importante em todos os momentos de nossas recordações. Até o Espírito Santo nos recorda ao coração tudo quanto outrora o Senhor Jesus Cristo falou (Jo 14,26b).
A imaginação!... peço desculpa por chamá-la de a “raimunda”e/ou a“maluquinha”,porque tem a cabeça e os pés no mundo!... Perdoem-me!... Mas é que, por ela, em um instante, permanecendo em nós mesmos, percorremos céus e terra e o universo inteiro e, mesmo assim, o proveito que tiramos, deixando de lado os castelos de areia, geralmente, tem pouca coisa; a menos quando está devidamente ordenada pelos dons de Fortaleza e do Temor ao Senhor.
Vejamos alguns versículos sobre a imaginação:
“Porque tumultuam as nações? Por que tramam os povos vãs conspirações?” (Sl 2,1)
“A fortuna do rico é sua cidade forte; em seu pensar, ela é como uma muralha elevada” (Pr 18,11).
“porque ele se mostra tal qual se calculou em si mesmo. Ele te diz: “Come e bebe” (Pr 23,7).
“Eu não sabia; minha alma colocou-me nos carros de Aminadab” (Ct 6,12).
“Ai dos maquinadores de iniqüidades, dos que tramam o mal nos seus leitos, e o executam logo ao amanhecer do dia, porque têm o poder na mão!” (Mq 2,1).
A imaginação é uma luz sempre acesa, de luminosidade forte que às vezes incomoda. É bom apagá-la e deixar que o Espírito Santo a ilumine. Ela faz parte de nossa santificação!...
Sobre a afetividade, gostaria apenas citar uns versículos bíblicos:
“Eu te amei com amor eterno; por isso, sou constante na minha afeição por ti” (Jr 31,3).
“Porque és precioso aos meus olhos, porque eu te aprecio e te amo, permuto reinos por ti, e entrego nações em troca de ti” (Is 43,4).
Porque isto declara o Senhor dos exércitos (que me enviou, depois) da provação, contra as nações que vos despojaram: “quem vos toca, toca a menina dos meus olhos” (Zc 2,12 – Vulgata: 2,8),
“Quisestes apartar-vos de Deus; ponde agora dez vezes mais zelo em procurá-lo” (Br 4,28).
João C. Porto

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Dom de Fortaleza

Aprofundando a Boa Nova
Do Senhor Jesus Cristo
PJ Nº 07
Dom de Fortaleza
No estudo anterior, sobre o Dom do Temor ao Senhor, observamos que, para essa obra de santificação de nossa alma, o Espírito Santo opera na base da revelação íntima e profunda do conhecimento das coisas santas aos corações, a partir do Dom do Entendimento, objetivando o aperfeiçoamento de nossos sentimentos, atos e ações, através das faculdades do nosso espírito..
Vimos, alí, que o Espírito Santo nos ilumina com sua luz, aquece-nos com seu fogo e unge-nos com sua unção divina em todas as potências interiores do nosso espírito, visando a que sejamos regenerados, renovados e capacitados por Deus. (II Cor 3,5).
O profeta João Batista, cheio da fortaleza de Deus, dizia no início de sua pregação: “Arrependei-vos e convertei-vos, mudai de vida e mentalidade, porque o Reino dos Céus está próximo” (Mt 3,2).
São Paulo, também, para esse mister, nos falou: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que possais discernir qual seja a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito” (Rm 12,2)
Ora, tudo isso, que João Batista e o apóstolo Paulo falaram, está em sintonia com o chamado do Senhor Jesus Cristo: “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu julgo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve” (Mt 11,28-30).
O que nos faz o Espírito Santo através do Dom de Fortaleza?
Para que possamos superar as dificuldades e fugir do perigo, o Espírito Santo nos ilumina através da virtude moral (cardeal) da Fortaleza, a qual se une com as demais virtudes que lhes são, em conjunto, próprias e adequadas:
- A paciência
- A perseverança
- A fidelidade
- A magnanimidade
Ora, como já sabemos, a paciência nos conduz a perseverança, esta nos fortalece na suprema fidelidade, e a fidelidade é própria de uma alma bondosa, generoso e que tem grandeza e magnanimidade de coração; como nos exorta São Paulo: “Tudo posso naquele que fortalece” (Fl 4,13).
Assim, todo princípio nos vem pelo Dom do Entendimento (Inteligência sobrenatural). Por ele penetramos e compreendemos as verdades divinas.
Desse modo, nossa inteligência, que é a maior faculdade do nosso espírito, em seu conteúdo, é ordenada, instruída, transformada e renovada através de três Dons de santificação, como já vimos anteriormente:
- Pelo Dom do Entendimento penetramos nas verdades divinas – intelegere – e as compreendemos, conforme Deus nos revela de suas coisas santas. E, como nos ensina o santo doutor, para julgar destas verdades, há três Dons:
- O Dom da Sabedoria que julga das coisas divinas;
- O Dom da Ciência que julga das criaturas;
- O Dom do Conselho que regula e dispõe os nossos atos.
Para a faculdade de nossa vontade, “que segue em categoria e nobreza a de nossa Inteligência, há um Dom”, o Dom da Piedade, que tem por objetivo regular e dispor nossas relações com os demais.
Observemos que, pelo do da Piedade, o Espírito Santo move e aperfeiçoa, principalmente, em nossa vontade, a virtude cardeal da justiça.
E, como nos ensina Dom Luiz M. Martinez, para dominar a parte inferior do nosso ser, há dois Dons: o de Fortaleza e o de Temor de Deus;
- o de Fortaleza para tirar-nos o temor do perigo;
“Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal” (Mt 6,12-13).
- e o Temor de Deus para moderar os ímpetos desordenados da nossa concupiscência.
“Guardo no fundo do meu coração a vossa palavra, para não pecar contra vós” (Sl 118,11).
Diz-nos Dom Luiz M. Martinez: “Pelo Dom da Fortaleza não só temos a firmeza necessária para superar todas as dificuldades e fugir de todos os perigos, mas o Espírito Santo infunde também em nossas almas uma confiança como a que exprime o apóstolo São Paulo: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fl 4,13).
Observemos isto: “As virtudes têm uma norma diferente dos Dons; a regra da virtude da Fortaleza é a amplidão das forças humanas. A fortaleza nos alenta para acometer empreendimentos árduos, infunde-nos firmeza para superar as dificuldades; mas como tem essa norma, esta medida: nossas próprias forças, a virtude da fortaleza não pode possibilitar-nos algo superior às forças humanas.
Assim, pois, os teólogos nos afirmam: “qualquer desvio da nossa vontade, tanto para a direita como para a esquerda, afasta-nos da virtude.”
Por isso, na Escritura há um conselho prudentíssimo: “Não procureis o que é superior às vossas forças”.
Finalmente, ensina-nos a sabedoria: “os pensamentos dos homens são tímidos e as suas providências incertas” (Sb 4,4).
João C. Porto

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Dom do Entendimento

Aprofundando a Boa Nova do

Senhor Jesus Cristo

PJ 12

Dom do Entendimento

O Dom do Entendimento, na ordem dos Dons de santificação, do Espírito Santo, citados em Is 11,2, é o segundo. Ele é também conhecido como Dom da inteligência sobrenatural.

Quando nascemos para este mundo, aqui, da terra, nossos olhos se abrem sob o influxo das faculdades do nosso espírito – inteligência, vontade, memória, imaginação e afetividades – e dos sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato, principalmente.

Daí, entendemos que o Dom do Entendimento – inteligência sobrenatural – e a nossa faculdade da inteligência – inteligência natural do homem – são as portas que o Espírito Santo nos abre, a fim de que possamos nos mover, interagir e viver no mundo sensível da matéria em que nos encontramos.

Os Dons de santificação, de que nos fala o profeta Isaías (Is 11,2), são as ferramentas de que dispõe o Espírito Santo para a santificação da nossa alma.

Por ocasião do batismo que recebemos na Igreja do Senhor Jesus Cristo, a Igreja Católica, o Espírito Santo os infunde em nosso espírito, em nossa alma, em nosso coração e em todo o nosso ser. Quer dizer, fixou-os dentro de nós como ferramentas adequadas e necessárias a que ele nos santifique através de nossas faculdades espirituais:

Inteligência

Vontade

Memória

Imaginação

Afetividades

Ora, sem a santificação das faculdades do nosso espírito, acima citadas, nossa alma permanecerá “Raimunda” – com a mente, a razão, os pés e as mãos no mundo -; isto é, uma vagabunda que se compraz com o mundo e seus respectivos projetos.

O que Deus nos diz através do profeta Jeremias? “Bem conheço os desígnios que mantenho para convosco – oráculo do Senhor – desígnios de prosperidade e não de calamidade, de vos garantir um futuro e uma esperança” (Jr 29,11).

“Invocar-me-eis e vireis suplicar-me, e eu vos atenderei. Procurar-me-eis e me haveis de encontrar, porque de todo o coração me fostes buscar” (Jr 29,12-13).

É-nos necessário meditar dia e noite no que significa buscar a Deus de todo o nosso coração: “Então procurarás o Senhor, teu Deus, e o encontrarás, contanto que o busques de todo o teu coração e de toda a tua alma” (Dt 4,29).

Essa obra de regeneração e renovação do Espírito Santo (Tt 3,4-7) que, como luz divina, opera profundamente em todo o nosso ser, tem como princípio a fé que vivemos em virtude da pregação da palavra de Cristo (Rm 10,17), pelo assentimento da verdade integral e o amor de Cristo que está difundido largamente em nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi dado.

O Dom do entendimento é a luz da inteligência sobrenatural que nos ilumina a partir do interior das verdades reveladas, a fim de que as compreendamos do jeitinho amoroso e delicado como o Senhor nos instrui a entender tudo, como nos capacita (II Cor 3,5), segundo o sentido espiritual do que Deus nos fala, do que ele, pelo Espírito Santo, nos ajuda ler em plenitude do coração: “Intelegere!”.

Entender, do latim “intus legere” significa ler interiormente; penetrar no interior das verdades reveladas por Deus.

A luz do Dom do Entendimento – inteligência sobrenatural – que estudamos neste pequeno aprofundamento, é-nos útil para penetrarmos às verdades sobrenaturais e lê-las por entro, a partir do interior mais íntimo e profundo das revelações divinas, conforme nos ensina o Espírito Santo sob o influxo divino da condução amorosa de nossa alma. É por essa razão que a Santa Igreja nos ensina que o Espírito Santo é o doce hóspede de nossos corações.

Assim, na ordem sobrenatural, entender é penetrar ao seio íntimo das verdades divinas. Por isso, através da luz do Dom do Entendimento, o Espírito Santo ilumina os olhos de nossos corações, para que, penetrando as verdades sobrenaturais, façamos a leitura integral da verdade, a partir de nosso íntimo, no profundo de cada uma delas, conforme o Senhor quer que façamos para proveito comum.

Vejamos bem, só assim poderemos degustar e saborear das verdades espirituais, como bem nos falam o profeta Jeremias e o Salmista: “Achei a tua palavra, alimentei-me com ela; a tua palavra foi para mim o prazer e a alegria do meu coração, porque o teu nome foi invocado sobre mim, Senhor Deus dos Exércitos” (Jr 15,16 – Vulgata). “Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! São-no mais que o mel à minha boca” (Sl 118,103 – Vulgata).

Chega, agora, ao meu coração uma pequena fagulha da luz que não se apaga e me ilumina quão proveitoso é comparar o Dom do Entendimento como a porta estreita de que nos fala o Senhor Jesus (Mt 7,13-14)

Porque, se assim não for, como que o Dom da Sabedoria revelará nossa inteligência, relativamente às coisas divinas que nos santificarão?

Todo o princípio santificador de nossa alma relaciona-se ao conjunto de nossas faculdades espirituais. Na medida em que o Espírito nos corrige e educa, seremos gradativamente capacitados por Deus, a fim de que, pela nossa aquiescência, possamos viver de fé para fé que opera pela caridade do amor de Cristo Jesus.

“Eu repreendo e corrijo aqueles que amo. Reanima, pois, teu zelo e arrepende-te” (Ap 3,19).

Assim, o Espírito Santo, pelo Dom do entendimento, nos leva ao profundo do conhecimento das verdades divinas, a fim de santificar-nos através da faculdade de nossa inteligência. E, para julgar destas verdades, temos mais três dons:

- O dom da Sabedoria que julga das coisas divinas;

- O dom da Ciência que julga das criaturas; e

- O dom do conselho que julga e dispõe os nossos atos.

Então, para a faculdade de nossa Vontade, que é tão nobre em categoria quanto nossa inteligência, temos apenas um Dom: “O Dom da Piedade, que tem por objeto regular e dispor nossas relações com os demais.” O Dom da Piedade é o dom da nossa filiação, cuja virtude que se nos move é a “justiça”.

Por fim, para mover e dominar a parte inferior do nosso ser há dois Dons:

- O Dom da Fortaleza para tirar-nos o temor do perigo; e

- O Dom do temor ao Senhor para moderar os ímpetos desordenados da nossa concupiscência.

Concupiscências são nossos sentidos: (I Jo 2,15-17).

Finalmente, terminamos, com de costume, com uma palavra do santo Doutor: “O Dom do Entendimento deixa a alma numa profunda desolação para transformar seu entendimento, para purificar os olhos do espírito, para que um dia possa ver a Deus”.

João C. Porto